Irreversível

2 Capítulo II


Notas iniciais
Ainda é segunda. Uahauahuha como prometido. Obrigado a quem deixou review no capitulo anterior. Adorei todos os reviews. Agradeço especialmente a minha beta querida, Paula pela revisão deste capítulo. Obrigado Paula. Enfim, sem mais enrolação boa leitura.

Capítulo II.

Ichigo estava incomodado com o silêncio por parte de seu chefe. Monossílabas e aquele ar ofendido em volta dele não combinavam com um homem como Aizen Sousuke.

No fim não foi demitido como previa, porém, ele mesmo pediu demissão que lhe foi recusada imediatamente. Não que Ichigo quisesse deixar seu emprego, longe disso, acontece que ele não se sentia ahn... bem depois de tudo que aconteceu entre ele e Aizen.

Depois de correr os olhos pela carta de demissão naquela manhã de segunda-feira, o homem atrás da grande mesa, perguntou:

O que significa isso?

Aizen estava com as costas apoiadas no encosto da confortável cadeira de couro marrom e parecia bem tranquilo para alguém que tinha levado um fora no domingo, dia anterior.

Ao contrário de Aizen, Ichigo estava tenso. Encarava seu chefe, em pé na frente da mesa e esforçava–se ao máximo que podia para ignorar o sentimento estranho de vulnerabilidade perante aquele homem.

É exatamente isso que está escrito nessa carta: estou pedindo demissão. respondeu mostrando em sua postura uma confiança que não possuía naquele momento.

E posso saber por quê?

Não quero causar problemas. disse apenas. Aizen ergueu uma sobrancelha.

Diz que não quer causar problemas, mas não percebe que irá causar se abandonar o cargo a essas alturas. Ichigo pigarreou, mas Aizen interrompeu antes que dissesse qualquer coisa. Não confunda as coisas. Você é um ótimo funcionário, confio em seu potencial e acho que possuí o essencial para essa agência.

Ichigo tinha ficado completamente mudo lhe faltaram argumentos para a última observação de Aizen. Seu corpo ficou literalmente petrificado quando viu sua carta ser rasgada sem nenhum pingo de sensibilidade e em seguida descartada dentro da lata de lixo.

Volte ao trabalho. disse Sousuke por último.

Ichigo ficou muito sem graça. Envergonhado, até feliz com o elogio, contudo, ofendido e sentindo-se patético por Aizen tratar daquele assunto como se fosse uma bobagem de criança.

Com os ombros tensos e um incomodo nó na garganta, girou os calcanhares e deixou a sala sem dizer mais nada.

Voltando ao presente: Aizen disse que não era para confundir as coisas, mas naquele momento fazia completamente o contrário.

Já faziam três dias que o clima entre eles não era mais o mesmo. Seu chefe costumava manter certa distância entre eles, sabendo separar muito bem o pessoal do profissional. Era tratado por Aizen como um subordinado comum, porém, havia sempre algo de gentileza em sua voz e gestos. Diferente dos últimos dias, onde estava sendo tratado como um completo estranho.

Aizen sequer lhe dirigia o olhar enquanto falava.

Ichigo suspirou. Deixou os papeis sobre a mesa do homem que estava digitando algo no computador. E foi observando-o sentado naquela pose, com aquela carranca endurecida, centrado no trabalho, que Ichigo se pegou lembrando-se daquele domingo à noite. Mas logo tratou de dispensar aqueles flashbacks, buscando foco para se concentrar em seu trabalho.

Isso, foco! Deixaria suas fantasias para mais tarde.

— Senhor, preciso que assine estes papéis.

— Para?

— Hisagi Shuuhei da zeladoria está aqui fora. Precisamos da sua assinatura, ele veio buscar a requisição para os materiais que estão em falta, estamos sem produtos de limpeza e...

— Deixe-os aí sobre a mesa. Depois assino e te chamo.

Ichigo revirou os olhos, não queria insistir, mas precisava da assinatura para ontem, o encarregado pelo serviço estava do lado de fora da sala aguardando-o.

Depois de três dias correndo contra o tempo, ligando toda hora para o departamento responsável por trazer novos materiais de limpeza e sendo cobrado por isso, Ichigo estava entrando no mais absoluto desespero. Os funcionários reclamavam que os banheiros não estavam sendo limpos e as lixeiras dos escritórios estavam a ponto de estourarem. Ele não podia simplesmente reclamar com os faxineiros pela higienização precária, sendo que os mesmos estavam sem materiais para poderem trabalhar devidamente.

Aizen estava praticamente comendo seu rim, o homem tinha solicitado uma lixeira moderna e mais espaçosa, pois o espaço da sua atual lixeira não era aproveitável. Ichigo foi atrás, ligou, mas a zeladoria não mandava ninguém.

Quando pensava que tudo estava perdido a Zeladoria resolve enviar uma pessoa e Aizen simplesmente desconversava?

Pelo amor de Deus, aquele homem só podia estar testando sua paciência. Há um limite para o nível de sadismo de uma pessoa. Ichigo estalou os lábios ficando tenso.

— Senhor, queira desculpar minha inconveniência, mas...

— Por favor, não use tanta formalidade assim. Não combina com você. — interrompeu olhando desde a ponta do sapato do Morango até o último fio levantado da cabeleira laranja.

Ichigo sentiu-se verdadeiramente ofendido. Aizen rubricou nas três folhinhas, ignorando sua carranca e lhe entregou sem olhar em seus olhos.

Aquilo estava começando a irritar Ichigo, de verdade.

x

— Pronto Shuuhei, aqui estão os papeis.

— Obrigado, Ichigo.

Ichigo assentiu e sentou-se em sua mesa. Encostou as costas no estofado da cadeira, sentindo todo o peso de seu corpo cansado pela tarde de trabalho exaustiva.

Aizen teve duas reuniões e fez questão de sua presença nas duas, afinal, ele era seu assistente. Não gostava de pensar dessa maneira, mas parecia que Aizen estava arrancando seu couro propositalmente.

— Muito trabalho? — perguntou o rapaz. Ichigo só então percebeu que ele ainda estava ali em pé olhando-o.

— Hah? Ah, nem tanto.

— Mesmo? — perguntou rindo. Ichigo apertou as sobrancelhas, aquele sorriso de alguma forma o deixou perturbado.

Rapidamente a imagem dele lhe veio à mente, seu ex-namorado.

Ichigo é gay, nada que realmente surpreenda. Sinceramente ele parecia um chamariz de homens da sua laia, nem precisava gritar para o mundo sua orientação sexual. E também tinha o fato de ser muito reservado, isso sempre deixava suspeitas no ar. Mas voltando ao assunto: o incomodo era por que Kurosaki não gostava da ideia de fazer o papel de garotinho traído de coração partido e ressentido. Na verdade ele odiava só em pensar nisso. Entretanto, o rompimento era muito recente e o motivo que os levou a dar um basta na relação de cinco anos não dava para ser simplesmente ignorado de uma hora para outra. Portanto, ele querendo ou não, estava sim fazendo o papel de garotinho traído de coração partido e ressentido. A dor ainda penetrava em seu amâgo.

Encarou outra vez o sorriso simpático do rapaz. Depois que ficou solteiro tinha a impressão que os sorrisos em seu trabalho tinham se ampliado para o seu lado. Não que fosse desagradável, mas ele não era acostumado com aquilo. Ainda não conseguia adaptar-se a ideia de estar livre e desimpedido para o mundo depois de cinco anos de relacionamento. Apegou-se em ser fiel a alguém, pena que o sentimento não foi recíproco. Pena mesmo.

Olhou mais uma vez para Hisagi e lembrou que sempre o observava de longe. Ele e seu ex possuíam algumas semelhanças, só não sabia se eram as tatuagens que o lembrava do ex, ou os olhos.

Mas de uma coisa ele tinha certeza: o rapaz a sua frente era realmente muito atraente. Despertou de seus pensamentos quando percebeu que estava tempo demais observando os traços dele e deixando-o no vácuo.

— Ah, sim. Meu chefe está literalmente arrancando meu coro fora.

— Sinto pena de você, deve ser duro trabalhar com Aizen Sousuke.

Ichigo estranhou aquela observação.

— Por quê?

E foi a vez de Hisagi ficar surpreso pela inocência do ruivo.

— Ah sabe como é, todos dizem que ele é um pouco cruel. E que gosta de ter relações intimas com seus funcionários.

Bem, Ichigo não conhecia aquele lado de Aizen. Na verdade ele não conhecia nenhum lado de seu chefe. O homem era uma incógnita. E falando no diabo os dois foram surpreendidos pelo mesmo parado na porta olhando-os com o semblante duro.

— Há algo mais a meu respeito que meu assistente deveria saber, Hisagi-san?

Hisagi perdeu a cor. Ichigo suspirou. O humor de Aizen depois daquele domingo estava péssimo, sentia-se um pouco culpado por aquilo.

O moreno pediu desculpas pelo inconveniente.

— Me deixei levar por boatos, peço desculpas.

Aizen não disse nada, apenas continuou a encarar a face do funcionário, com uma expressão indecifrável no rosto.

Shuuhei se despediu de Ichigo e pediu licença, deixando a sala logo em seguida.

Quando Ichigo se viu só com Aizen, previu que algo muito desagradável estava para acontecer.

— Será que você pode vir até minha sala, um instante?

Uma veia pulsou na lateral do rosto de Ichigo com o tom que Sousuke usou. Era seu chefe, mas estava preste a mandá-lo para a longe, se ele não parasse de lhe tratar como um idiota.

x

Ichigo chegou em casa por voltas das onze. Tirou os sapatos na entrada, deixou as sacolas do mercado na cozinha, e voltou para a sala. Ele ligou a luz no interruptor impresso na parede, iluminando o pequeno apartamento. Afrouxou o nó da gravata retirando-a em seguida.

A lembrança de Aizen mesclada com a lembrança de Renji ali na sala ainda eram muito recentes em sua mente. Ás vezes ele evitava ficar muito tempo ali, para não se perder em pensamentos sozinho, e assim optando por ficar na cozinha ou em seu quarto.

Jogou-se no fofo estofado, despindo-se de seu blazer. Jogou os braços para o lado, em cima das almofadas. Estava mesmo muito cansado, naquele dia Aizen havia se superado em seu poder, sendo bem mais abusivo do que costumava ser.

Estava indo embora quando ele o chamou com urgência em sua sala. Seu expediente tinha terminado, mas fora chamado no último minuto para separar uma papelada, que enviaria para o departamento de arquivos mortos no dia seguinte. Que raiva Ichigo sentiu, mas era urgente, segundo Aizen.

E como era um ótimo funcionário, ele fez o que lhe foi ordenado sem reclamar. Foi exaustivo ficar trancado numa sala com o frio Aizen Sousuke, em absoluto silêncio.

Tem sido assim nos últimos dias, Aizen sempre o chamava para fazer uma atividade, perto da hora de ir embora. Os dois ficavam até tarde juntos naquela sala silenciosa, no pior climão. Raramente Ichigo conseguia quebrar o gelo quando achava um jeito de perguntar alguma coisa que não sabia, mas era só ás vezes.

Infelizmente.

Sem perceber acabou se deixando levar pela exaustão e pegou no sono, tirando um cochilo no sofá.



x

Os dois entraram na ampla sala. A euforia dos corpos era tão intensa que o ruivo menor não conseguia controlar a ânsia de tirar logo a roupa do ruivo maior. Levantou a bainha da camisa dele retirando e jogando a peça longe. O maior segurou firmemente seu quadril, escorrendo as mãos ávidas no meio das pernas dele.

— Rápido Renji. — sussurrou num som inaudível. — rápido, antes que...

Perdeu a fala. Estava excitado demais.

O outro não disse nada apenas riu, abocanhando o pescoço alvo, mordendo e chupando-o com força. As mãos apertaram o sexo desperto por cima do tecido e depois acariciaram. Renji fez uma pausa somente para retirar a camisa dele, abrir o cinto e descer o zíper.

O morango olhou em seus olhos, admirado, os lábios do outro sendo mordidos pelas suas próprias presas felinas.

Renji voltou a investir mordendo seu queixo. Ichigo alisou o peito desnudo e tatuado, apalpando os músculos salientes, descendo as mãos para a cintura e em seguida apertando o farto traseiro.

O ato fez com que as pélvis se encontrassem, o menor gemeu. E teve seus lábios devorados pelos lábios vorazes de Renji. Ichigo retirou o laço que prendia os cabelos ruivos, assistindo com admiração os fios caírem numa cascata vermelha intensa.

Renji era lindo. Ichigo era louco por aqueles cabelos.

O morango foi surpreendido por uma risada rouca e baixa, que por um acaso não era de Renji. Porém, diferente de Ichigo, seu namorado não parecia nada surpreendido, sequer moveu um músculo, muito pelo contrário: ele parecia ter conhecimento da outra presença ali. Tanto que não parou seus avanços.

Ichigo abriu levemente os olhos se deparando com o uma silhueta no meio da penumbra mais a sua frente, ele conseguia apenas ver parte da roupa branca, calça e sapato, e um pedaço do blazer, só que o rosto era ocultado pela escuridão.

De repente ele se deu conta que não fazia a mínima ideia de onde estava. Abriu um braço esticando-o até o interruptor. Quando as luzes se ascenderam, Ichigo teve uma desagradável surpresa, a sua frente poucos metros deles se encontrava Aizen Sousuke. Parado, olhando a cena com um sorriso divertido nos lábios.

E o pior: estavam dentro do escritório dele.

Ichigo demorou um pouco para sair do transe, sendo despertado pelo som do riso de Abarai, ficou sem entender nada. Mas também não teve tempo de perguntar qualquer coisa, seu corpo foi virado num único movimento. Renji havia invertido as posições. Ele ouviu então os passos de Aizen, se aproximando deles. Seu chefe colou seu corpo ao dele. Ichigo amoleceu quando suas costas tiveram contato com seus bíceps, às partes sensíveis endureceram conforme se estimulavam com a expansão do contato com o corpo maior.

— Você está lindo. Sedutoramente pronto para... — A última palavra foi sussurrada ao pé do ouvido seguido de uma mordida felina no lóbulo da orelha.

O som do interfone tocando preencheu a silenciosa sala e Ichigo abriu os olhos subitamente. Ergueu-se se sentando num impulso violento no sofá, correu os olhos reconhecendo imediatamente sua sala. A última palavra sussurrada por Aizen em seu sonho fazia ecos em seus pensamentos. Ichigo não queria nem repetir em voz alta.

"Pronto para trepar". O Kurosaki achou que estava mesmo pronto para gozar isso sim.

Colocou as duas mãos na cabeça desacreditado com aquele sonho. Renji e Aizen juntos?

Só em sonho mesmo.

Infelizmente o som da campainha não deixou que raciocinasse direito. Primeiro deveria atender logo o apressado, depois dava um jeito de... Aliviar a tensão.

E que tensão.

Ele se levantou indo abrir a porta, mas antes pegou seu blazer para tampar aquela coisa chamativa e desperta no meio das pernas. Seu convidado deveria estar preste a ir embora.

Foi quando Ichigo abriu a porta dando de cara com as costas da pessoa.

— Pois nã-? — E um novo choque percorreu todo seu corpo. Ele podia esperar tudo, menos aquilo. — Aizen?

O que mais ele podia esperar? Sua vida estava ganhando tantas surpresas, aquela pequena não deveria deixá-lo tão chocado assim. Né?

Notas finais
Opa. Por enquanto é só? Gostaram?