Ironia do Destino

5 Capítulo 5- A festa de Duncan (parte 1)


Notas iniciais
Boa leitura ^^

Hoje é sexta-feira! Meu dia favorito da semana. Na escola as pessoas só falavam da festa de Duncan. Acho que ele convidou a escola inteira (ou pelo menos quase todo mundo). Os professores se irritaram com a agitação das salas. Eu admito que conversei um pouco, talvez muito, com Bia e Fred.

Durante a tarde fiquei pensando se Henry iria em casa para os estudos. Para a festa eu tenho certeza que ele vai, depois que ajudamos comprar sua roupa no shopping, ele tinha a obrigação de ir. Já eram três e meia e ele não tinha chegado ainda. Quando deu seis horas, finalmente ouvi a campainha tocar. Abri a porta, era ele.

_Desculpe o atraso.

_Pode entrar- Eu disse.

Eu não me importo com a hora que ele chega, para mim, tanto faz. Mas hoje teria a festa de Duncan. Se ele demorar muito com os estudos, talvez eu chegue atrasada.

_Vamos ver a nomenclatura dos sais hoje, sem falta. -Disse Henry.

Assim que ele começou a tirar o material da bolsa, notei que lá dentro tinha a roupa que compramos ontem. Porque ele estaria com sua troca de roupas na bolsa de escola? Se ele fizer o que estou pensando...

_Henry, porque sua roupa está dentro da mochila?

Henry fixou o chão, acho que não tinha coragem de olhar em meus olhos, e falou:

_Bom... meus pais não me deixaram ir na festa de Duncan.

Será que o Henry não é tão inocente assim quanto eu penso!?

_Deixe-me adivinhar: você vai escondido!

_Pois é...

_O que disse para eles?

_Eu disse que iria na casa de Lorenzo estudar e aproveitaria para passar a noite lá.

_Quem é Lorenzo?

_Meu irmão mais velho. Ele está fazendo faculdade aqui na cidade, mas preferiu morar em uma república. Como meus pais conhecem o pessoal de lá, deixaram eu ir. Eu já pedi para o Lorenzo me dar cobertura, então está tudo certo.

_E aonde você pretende se arrumar?

Então ele olhou em meus olhos e disse:

_É aí que você entra na história...

Esse Henry é mais abusado do que imaginava. Ele provavelmente mentiu para os pais porque seria muito ingrato se não fosse à festa depois de termos ajudado a comprar seu conjunto. Só que, como ele chega em cima da hora na minha casa e fala na maior cara de pau que vai se arrumar aqui? Ele nem me avisou antes, nada. Só chega aqui e fala isso!

_Emma, não faz essa cara por favor. Eu sei que foi inesperado da minha parte, mas eu não tenho outro lugar, a república fica longe da casa de Duncan e como costumamos estudar a tarde eu pensei que seria mais prático já me arrumar aqui mesmo.

Parece que não tenho escolha. Eu não tenho coragem de expulsá-lo de casa, até porque ele está me ajudando muito nos últimos dias com os estudos. Não faz mal deixa-lo ficar.

_Está bem. Pode se arrumar.

_Obrigado Emma! -Ele tornou a tirar o material da mochila- Agora vamos aprender a nomear os sais.

Henry disse várias coisas que para mim, não faziam muito sentido. Mas aos poucos fui entendendo. Ele é muito paciente, ainda bem, pois sou devagar para aprender. Não sei como consegue. Não conversamos muito, apenas focamos nos estudos. Quando deu sete horas, decidimos que já estava na hora de se arrumar para a festa.

_Emma, aonde eu posso tomar banho?

Tinham três banheiros em casa. O do andar de baixo, que era para todos, o do quarto de minha mãe e o do meu quarto, que ficavam no andar de cima.

_Nesse daqui -Apontei para o banheiro do lado da sala.

_Está bem.

_Você pode se trocar no quarto de hóspedes se preferir. -Eu mostrei para ele o quarto que ficava ao lado da cozinha.

_Okay. Obrigado! -Disse ele, entrando no banheiro.

Fui ao meu quarto e comecei a arrumar minha bolsa. Procurei no guarda-roupa o look que Bia havia arrumado ontem para mim. Estava tudo preparado. Quando ia tomar banho, me lembrei que o meu condicionador estava no banheiro principal. Desci as escadas e pensei: como iria entrar lá com Henry dentro? Cheguei à conclusão que o melhor a se fazer seria esperar. Sentei no sofá e fiquei mexendo no celular. Assim que ouvi o barulho da porta sendo aberta, não pude deixar de olhar. Henry estava só de toalha na cintura. Ele tem o abdômen definido e quando se virou de costas pude ver que tem covinhas perto dos glúteos (que são bem avantajados!). Eu nem estava acreditando que aquele era o representante da minha sala. Parece que as roupas que ele usa esconde toda essa beleza.

Entrei no banheiro rapidamente, peguei o condicionador e voltei para o banheiro do meu quarto. Depois do banho, coloquei o vestido vermelho e a jaqueta de couro preta que comprei com Bia ontem e uma bota preta com salto de cano baixo que já tinha. Passei mais perfume que o de costume. Deixei meu cabelo solto e para maquiagem, passei apenas rímel e meu batom preto matte favorito. Não sou de usar muitos acessórios, mas abriria uma exceção para a festa. Coloquei uma pulseira e anéis. Assim que fui para a sala esperar Henry, vi que ele já estava pronto. Era incrível como a roupa que Beatrice escolheu combinava tanto com ele. Valorizava até seu corpo.

_Uau... -Henry murmurou, mas consegui ouvir.

_O que foi?

_Nada... é que, você está muito bonita.

Gostaria de dizer o mesmo para ele, mas não quero que ele pense que estou gostando dele. Então apenas respondi:

_Obrigada.

Houve um silêncio constrangedor durante um tempo, enquanto esperávamos a carona de Fred. Ficamos sentados no sofá da sala, um encarando a cara do outro e, de vez em quando, eu o pegava olhando para os meus seios. Fiquei irritada, mas a culpa é de Bia por me ter feito comprar esse vestido tão decotado. Finalmente ouvimos a campainha tocar. Era Beatrice.

_Miga, cheguei! Pega suas coisas e vam- Bia deu uma pausa assim que o viu – Hmm... por que o Henry está aqui?

_Ele passou em casa para ir com a gente na festa.

Ele me olhou, não entendendo porque mentira para Bia. É claro que é embaraçoso admitir que ele havia se arrumado em minha casa.

_Então vamos, Fred está esperando no carro.

Entramos no carro. A casa de Duncan não era muito longe dali. Durante o caminho, Bia tentou puxar assunto com Henry para que ele não ficasse tão calado. Acho que ainda estava se recuperando do episódio que vivenciara na sala pouco tempo atrás.

_Chegamos! -Disse Fred.

Ficamos de boca aberta com a casa de Duncan. Ele sempre andou com roupas de marca, mas nossa! Nunca pensei que ele morasse em uma casa tão grande. Não é à toa que aquelas interesseiras vivem na sua cola. A casa tinha três andares, um jardim de entrada enorme, uma piscina cheia de boias personalizadas e, ao lado, uma mesa com todo o tipo de comida que imaginar: salgados, doces, refrigerantes e afins. A primeira coisa que Beatrice fez foi partir para os petiscos, Fred foi logo atrás, deixando Henry e eu a sós.

_E então... o que quer fazer? -Perguntou ele.

_Vamos dançar. -Sugeri.

Entramos dentro da casa de Duncan, pois era de lá que emitia todo aquele som. Estava tocando “Keep it Mello”. Comecei a rebolar, meu quadril estava solto, balançava os braços conforme o ritmo da música, mas Henry permaneceu imóvel.

_Henry, qual o problema!? -Tive que gritar devido a música estar muito alta.

_Eu não sei dançar!

Senti pena dele, eu o levei até a pista de dança para deixa-lo ali, parado. Deveria ter imaginado que ele não é de ir em festas. Percebi alguns garotos apontando para ele e dando risadas. Fiquei muito incomodada com a situação, sei como é ser zombado e eu detesto a sensação, apesar de tentar ignorar. Eu precisava ajudar à reputação de Henry. Hoje eu não sou mais “Emma de luto” ou “esquisita”, grande parte do meu estilo está em minhas roupas, e como esse vestido me deixa como uma “garota normal”, poderia tentar ajuda-lo sem problema de ser zoada junto com ele e piorar as coisas. Fiquei de costas para Henry, peguei suas mãos e coloquei em meus quadris.

_O que está fazendo? -Disse ele confuso.

_Te ensinando a dançar com uma garota.

_E o que eu faço?

_Apenas acompanhe os movimentos do meu quadril com as mãos e fique balançando de um lado para o outro no ritmo da música.

Henry fez exatamente como eu dissera. Assim que olhei para os garotos de antes, notei que os seus olhos estavam arregalados e o olhar de desdenho de antes agora se tornara um olhar de inveja: vi em seus olhos o desejo de estar no lugar de Henry. Permanecemos nesse mesmo ritmo até a música acabar.

_Obrigado, Emma. -Ele disse em meus ouvidos, ainda de costas para mim (já que o barulho da música estava alto e ele não queria que os garotos percebessem que fiz um favor a ele).

No mesmo instante, Bia surgiu:

_Caramba Emma! A gente some por um instante e vocês já estão flertando!?

Henry corou.

_Não é nada disso que você está pensando! -Eu disse

_Vai me dizer que dançar coladinhos com direito a mão na cintura e sussurro no ouvido não é um flerte!?

Pobre Henry, não sabia nem como reagir a esse comentário.

_Amor, vamos ao que interessa. -Disse Fred, tentando acabar logo com o momento constrangedor.

_Está bem, está bem. -Disse Beatrice- Duncan está montando uma roda para jogar verdade ou desafio, então viemos chama-los. Vocês querem participar?

_Por mim, tudo bem.

Nós três agora olhávamos para Henry, esperando sua resposta.

_Não sei gente... E se os desafios forem muito pesados?

_Calma Henry, ninguém vai te obrigar a fazer nada que não queira. Qualquer coisa é só sair da roda.

_Se tiver alguma briga, posso ajudar. -Disse Fred batendo o punho fechado na palma de sua mão aberta.

_Está bem, então...

Fomos ao segundo andar da casa, onde estava acontecendo o jogo. Assim que nos sentamos, vimos Duncan girar a garrafa que estava no centro da roda. Ela apontava para Rebeca e Luan (os conhecia de vista, são alunos do segundo ano).

_Verdade ou desafio? -Pergunta Luan

_Verdade.

_É verdade que você já quis ficar com Duncan?

_Sim... -A menina admitiu timidamente.

Ouvi alguém comentar: “Quem nunca? ”. Foi então que o pessoal da roda começou a gritar: “Beija! Beija!”. Duncan levantou, sentou-se ao lado da menina e lhe deu um selinho. Luan disse:

_Caramba Duncan, só um selinho?

_Estou guardando o resto para mais tarde. -Ele piscou para a garota.

É claro que não ia acontecer nada mais tarde, ele só estava tentando manter o seu papel de galã. Mais uma vez, ele girou a garrafa. Dessa vez uma menina foi desafiada a plantar bananeira no meio da roda. Cada vez que ele girava a garrafa acontecia algo cômico ou revelador. Quando finalmente a garrafa parou em Duncan e em mim.

_Verdade ou desafio? -Ele pergunta

_Desafio.

Ele colocou a mão no queixo e ficou pensando o que me mandaria fazer. Eu estava começando a ficar nervosa.

_Te desafio a beijar Henry. De língua.

_Ah, qual é Duncan, nem você beijou a menina de língua.

_Mas não fazia parte do meu desafio beijá-la, aquilo foi uma cortesia minha por ela ter respondido a verdade.

Nunca passou pela minha cabeça beijar Henry. Talvez eu sinta um pouco de atração por sua aparência física só que beijá-lo me parece tão... íntimo. Todos da roda começaram a gritar “Beija! Beija! ” A hora é agora. Me aproximei de Henry, olhei para os seus lábios e depois para os seus olhos, como se estivesse pedindo sua permissão para fazer isso. Ele assentiu. Fui me inclinando lentamente em sua direção até o espaço entre nós se tornar tão pequeno a ponto de me fazer sentir sua respiração. Senti meu coração acelerar, provavelmente por ter uma plateia assistindo a cena, isso não era reconfortante. Quando finamente toquei os lábios de Henry, percebi como eles eram macios. Nossas bocas se encaixaram perfeitamente e cada movimento que ele fazia me deixava com vontade de mais. Assim que ele estava se afastando do beijo, eu mordi seu lábio inferior, querendo que ele voltasse aos meus, mas, infelizmente, ele só me deu mais um selinho, terminando de vez o beijo.

_Caramba! Isso é que é cumprir um desafio! -Brincou Beatrice.

A galera da roda deu risada de seu comentário. Nunca pensei que Henry beijasse tão bem. Levando em consideração que ele é uma pessoa pouco tímida, aquilo foi muito revelador. Por mais que eu deteste admitir, eu queria mais! Continuamos o jogo normalmente. Demos muita risada e os desafios foram até que leves. Até que a garrafa parou em Henry e Regina. Pobre Henry. Regina é a pior cobra que já tive o desprazer de conhecer.

_Verdade ou desafio?

Henry ficou pensativo.

_Verdade

Regina me olhou com um sorriso diabólico, depois se virou para Henry e disse:

_É verdade que entre Emma e eu, você me prefere?

Creio que essa era sua tentativa de fazer com que Henry me desse um “fora” e à escolhesse, mas sua resposta foi a melhor.

_Não. -Ele disse sinceramente.

Eu não pude segurar o riso, caí na gargalhada. Pude ver o seu olhar me fuzilando. Mas eu não me importava. Ela acabara de levar um não do nerd da sala que preferia a rockeira esquisita do que ela.

Notas finais
Gostaram? Beijos ♥