Ironia do Destino
6 Capítulo 5- A festa de Duncan (parte 2)
Notas iniciais
_Emma, vamos sair daqui. -Cochichou ele em meu ouvido.
Eu estava gostando do jogo, mas começara a ficar cansativo. Então concordei. Fomos ao lado de fora da casa para comer. Henry pegou uma coxinha e eu preferi a salsicha empanada. Nos sentamos à beira da piscina, tirando os calçados e deixando apenas os pés dentro da água. Ficamos calados, apenas aproveitando o frescor da água. Até ele quebrar o “silêncio” (de nós dois, pois a música de dentro da casa chegava em nossos ouvidos e as pessoas ao nosso redor conversavam sem parar).
_Eu gostei.
_Hã?
_Do, hm... Beijo. -Disse ele, fitando a água da piscina.
Agora entendi ao que ele se referia. Tinha definitivamente também gostado. Eu ainda queria mais, então olhei para os seus olhos azuis, que agora refletiam a água da piscina, os tornando mais encantadores ainda e respondi:
_Quer continuar de onde paramos?
Ele olhou fixamente para mim, quando finalmente respondeu:
_Tem muita gente aqui. -Tornou a olhar para a piscina.
Agora eu entendi porque ele não continuou me beijando mesmo eu implorando aos seus lábios para continuarem nos meus. Ele estava com vergonha. Acho que só aceitou me beijar para as pessoas não zombarem dele depois. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, senti algo me empurrando para dentro da piscina.
Splash!
Assim como eu, Henry estava inteiramente molhado. Não sabia quem era o autor da peça, mas tenho quase certeza que foi Regina. Só ela faria tal atrocidade!
_Eu vou acabar com a raça dessa garota! -Eu gritei, claramente irritada.
Senti Henry segurar meu braço, então virei-me imediatamente para me soltar.
_Não seja tola, você só vai estar se rebaixando ao nível dela.
Por mais que eu deteste admitir, ele tinha razão.
_O que vamos fazer? -Perguntei.
_Precisamos nos secar.
_Bom, isso é óbvio!
_Você sabe onde podemos encontrar toalhas?
_Vamos ter que pedir à Duncan.
Saímos da piscina e eu estremeci. Estava frio. Pegamos nossos sapatos e a única roupa seca que tinha, que era o blazer de Henry, ele tirou depois que dançamos pois ficou com calor. Fomos pingando até a roda onde estávamos jogando verdade ou desafio pouco tempo atrás. Por sorte, ele ainda estava lá. O pessoal começou a nos encarar.
_Hm, ér... Duncan. Onde podemos encontrar toalhas?
_Caramba! O que aconteceu com vocês dois? -Percebi que ele tentava segurar o riso.
_Alguém nos jogou na piscina. Agora pode nos emprestar toalhas, por favor? -Não aguentava mais tremer como um Chihuahua!
_Olha, no andar de cima, assim que subirem as escadas, vão encontrar uma porta à direita, a primeira do corredor. É o quarto de hóspedes, tem toalhas lá. Não vou acompanhar vocês porque tenho um desafio a cumprir agora.
Mas é claro! Aposto que nos jogar da piscina foi um desafio! Eu ainda vou descobrir quem fez isso! Bia e Fred estavam na roda, tenho quase certeza de que sabem quem foi. Assim que pudesse, perguntaria a eles.
Sem mais delongas, subimos no andar de cima e entramos no quarto em que Duncan disse que estariam as toalhas. Procuramos pelo guarda-roupa e gavetas, até que Henry achou três no armário do banheiro do quarto.
_Tome. -Ele me entregou uma- Vou me secar no banheiro mesmo, se você quiser mais privacidade.
Ele encostou a porta do banheiro. Enquanto me secava, senti uma súbita vontade de ver Henry. Vencida por meu impulso, comecei a espiar pela brecha da porta. Ele estava com os cabelos úmidos, fazendo o tom loiro de seu cabelo ficar um pouco mais escuro. A camiseta molhada marcava perfeitamente seu abdômen. Foi quando ele à tirou. Senti um calor inesperado em meu corpo. Eu já tinha o visto sem camiseta em casa, porém foi por um breve momento. Agora posso fita-lo por mais tempo. Ele começou a secar as costas e depois o peitoral, não acredito que estou pensando isso, mas, eu queria ser aquela toalha. Quando ele começou a desabotoar os botões da calça, parei de olhar. Seria muita astúcia de minha parte continuar com aquilo. Quando me dei conta que ainda não estava seca nem pela metade, voltei para minha toalha afim de terminar o serviço. Mas, o que nós iríamos vestir?
_Henry, será que o Duncan não se importa se pegarmos roupas emprestadas?
_Bom, à essa altura do campeonato, acho que não. Seria rude da parte dele nos deixar sair com roupas molhadas de sua casa.
_Vou ver o que tem aqui e já te entrego.
Abri o guarda-roupa. Não haviam muitas opções, levando em consideração que aquele era o quarto de hóspedes. Para Henry, peguei uma blusa branca e uma calça moletom cinza. Para mim, uma blusa cinza e uma calça moletom preta. Eram roupas bem simples, só que eu não me importava, ainda era melhor do que sair molhada e com frio.
Eu abri um pouco a porta do banheiro, o suficiente para passar meu braço e lhe entregar as roupas, fiquei tentada para olhá-lo, mas não o fiz. Assim que terminei de me trocar, ouvi ele dizendo:
_Posso sair?
_Sim, eu já me troquei.
Ele saiu de lá e aquela roupa não o valorizava tanto. Parecia até o nerd que encontrei segunda-feira. Ainda assim, era o Henry. Não sei explicar o que aconteceu comigo nesses últimos dias, ou melhor, no último instante. Parece que algo nele me atraí. É improvável eu estar gostando dele. Acho que isso seria apenas... desejo. É o mais provável. As pessoas sentem-se atraídas pela beleza não é mesmo? Só pode ser isso. Me recuso a acreditar que estou gostando de Henry! Eu estremeci com a ideia.
_Emma? -Ele estalou os dedos perto de meu rosto, interrompendo meus pensamentos.
_Hm, sim?
_Você ainda está com frio? Não pude deixar de notar que acabou de tremer.
Como explico para ele que o fato de eu tremer foi porque estava pensando na probabilidade de estar gostando dele?
_Sim, estou. -Menti.
Ele pegou seu blazer e colocou em meus ombros. Tinha um aroma agradável de Malbec. Argh. Ele é tão atencioso que me irrita. Isso só faz com que eu goste mais de sua presença, ou seria menos?
_Obrigada. -Forcei-me a dizer.
_De nada. Vamos embora agora?
Puxa, que horas deveriam ser? Se eu não voltasse antes das onze, com certeza seria encrenca. Minha mãe me deixaria de castigo. Como não queria isso, peguei minhas roupas molhadas e desci as escadas, nem me dei ao trabalho de despedir-me de Bia e Fred.
_Posso te acompanhar até a sua casa? -Henry perguntou.
_Pode ser.
Fomos andando pois não queria tirar Bia e Henry da festa só para me darem carona. Durante o caminho, conversei coisas aleatórias com Henry.
_Você fica bonita com outros tipos de roupas.
_Como assim? -Indaguei
_O vestido vermelho te deixou graciosa. Até mesmo nessa calça moletom e blusa simples, você ainda sim fica admirável. Eu acho... diferente. Sabe? Te ver com outras roupas que não sejam pretas.
Senti minhas bochechas ficarem quentes. Ele estava dando em cima de mim? Não, claro que não. Henry é fofo (segundo Bia), ele só está sendo gentil. Esses elogios com certeza são para não ficar um silêncio constrangedor até chegarmos em casa.
_Obrigada. Também acho que você fica... diferente com a roupa que veio no início da festa e até mesmo a de agora.
Ele é uma pessoa legal quando não está falando de cálculos e fórmulas. Descobri que gosta de música eletrônica, prefiro rock, porém, ouço eletrônica de vez em quando. Ele também cozinha, me deu algumas dicas para os cookies que queimei no outro dia: sugeriu que eu usasse um despertador para saber a hora de tirar do forno. Do jeito que sou distraída, deveria mesmo aderir a ideia. O tempo passou mais rápido enquanto conversávamos, demorou apenas vinte e cinco minutos para chegarmos em casa.
_Até segunda, Emma.
_Até.
Ficamos nos olhando por alguns segundos, era um momento esquisito. Depois da festa, ou melhor, do beijo, demos um passo muito grande em nossa relação. Até segunda-feira ele era apenas o representante de turma, já agora, não sei o que somos. Amigos, talvez? Amigos não se beijam. Só nas amizades coloridas. É isso mesmo que somos? Antes que eu fizesse um nó em minha cabeça, eu o abracei. Acho que por impulso. Sempre que Bia vem em casa eu me despeço dela com um abraço e já estava ficando estranho ele me encarar por tanto tempo, deveria estar pensando em como se despedir. Ele retribuiu o abraço e foi embora. É incrível como ele consegue me deixar tão confusa!
Assim que entrei em casa olhei para o relógio da sala. Marcavam 23:20. Para minha sorte, Lucy ainda não chegara do trabalho. Me troquei rapidamente e desabei em minha cama. Estava exausta, fora um dia e tanto.
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