Irmandade da Noite
2 Fumaça e Fogo

CINCO MESES DEPOIS
Lauren estava cansada de ouvir o tic-tac do relógio em seu quarto.
Eu juro que se eu ouvir mais um som desse relógio eu enlouqueço. Pensou ela.
Então a campainha tocou, um som tão súbito quanto seu pulo. Desceu as escadas tropeçando nos próprios pés.
Lauren abriu a porta e encarou Tyler, todo sorriso e flores.
— Feliz aniversário de sete meses! — Ele chacoalha o arranjo do buquê e depois entrega-o a ela.
— São lindas. — Responde Lauren tirando as flores do arranjo e colocando em um vaso ao lado da porta.
— Me desculpe pelo clichê estarei prestes a dizer... — murmura Tyler como se para ele mesmo — Flores para uma flor. — O garoto abre um sorriso de orelha a orelha que logo se desfaz. — Não sirvo pra essas coisas de clichês que as garotas gostam.
— Quem disse isso que arrotas gostam disso? — pergunta ela. — Apesar de algumas gostarem...
— Robbie.
— Bom, eu não gosto. Então... não faça mais isso.
— Claro, minha querida. — Ela o encara, irritada.
Acalme-se Lauren. Lembre-se das queimaduras.
— Desculpe.
— Então, aonde vamos? — Ele sorri de canto para ela.
— Spero che vi piaccia la pizza.
— Eu realmente não entendi nada do que disse, apenas pizza. O que já era o suficiente pra eu ter me animado.
— É que em italiano fica mais bonitinho.
Ela ri e entra no carro.
Assim que Tyler se senta e coloca o cinto ele diz:
— Abre o porta-luvas.
Lauren obedece e no momento em que olha para dentro do compartimento, consegue ver uma caixa em formato de coração, que, presumia, ter bombons dentro.
— Socorro! Meu namorado quer me engordar! — Ela finge gritar e se vira na direção de Tyler, beijando seus lábios. — Eu te amo. É pensar que só comprei uma caneca dizendo: "MELHOR NAMORADO DO MUNDO".
— Uma caneca?! — ele sorri — Obrigado, eu quebrei a minha enquanto tirava ela do mico-ondas.
Ela ri da careta que ele faz e Tyler dá a partida.
— Está pronta para um ótimo rodízio de pizza? — Ele pisca um dos olhos para Lauren
* * *
O garoto de cabelos castanhos desce do carro e corre até o outro lado para abrir a porta para a meninas de fios ruivos.
— Obrigada. — Diz Lauren, beijando-o carinhosamente na bochecha.
O alarme soa, indicando que o automóvel estava sendo trancado.
— Damas primeiro — Tyler estende os braços para ela é ambos entram no aposento; o jazz suave tocando ao fundo, as luzes amareladas, as mesas de madeira escura e as flores.
Eles se sentam e pegam um cardápio cada um assim que o garçom se aproxima.
— O que vão querer?
— O rodízio, por favor.
— Aqui está — ele entrega um disco sinalizador para cada um e Lauren gira até ficar no verde.
Ele se retira.
— O que vamos beber? — Pergunta ela. — Quero dizer, somos menores de idade e não pega bem beber refrigerante num encontro romântico.
Ele se levanta.
— Espere aí.
Tyler caminha até a cozinha deixando Lauren sozinha com um cardápio fechado e uma vela apagada.
Está tudo tão perfeito. Pensou ela.
Lauren vê o namorado sair da cozinha com uma garrafa de champanhe, sorrindo.
— Não acredito! — Ela diz, um pouco alto demais o que faz com que pessoas se virem para olhá-la. — Humpf, cara feia pra mim é fome, ainda bem que estão numa pizzaria. — Murmura a garota.
Tyler despeja o champanhe nas taças, a espuma saindo perfeitamente da garrafa enquanto a felicidade de Lauren se aumentava.
— Isso é muito chique! — Ela diz, bebericando da taça.
— Nada mais justo pra você, Lau. — Tyler diz, sem tirar os olhos dela.
— Para... — ela aponta o dedo indicador pra ele.
Logo depois, uma das pizzas do rodízio é apresentada por um dos garçons.
Tyler e Lauren, comem demoradamente, entre risos e lembranças do começo do relacionamento.
— Lau, nós precisamos conversar. — Tyler diz, tomando um semblante sério.
O sorriso de Lauren se dissipa aos poucos, fazendo o coração de Tyler se despedaçar.
— O que... o que houve? — Lauren diz, quase num sussurro.
— Seria meio ruim te contar isso bem neste dia, eu pensei... — Tyler recomeça. — Mas não haveria oportunidade melhor, me desculpo desde já por não ter feito isso antes.
— Tyler, do que está falando?
Tyler transforma a pausa num silêncio que ia queimando Lauren por dentro.
— Eu... eu vou fazer intercâmbio. Em Londres, Lauren, uma grande oportunidade! — Ele disse, sorrindo.
— L-Londres?
Londres. Há um oceano e meio de distância um do outro. Lauren não pode pensar nisso, não pensa em água de forma alguma, não, sente o ódio transbordar aos olhos e as bochechas queimarem.
— Lauren...
— Não.
— Lauren, eu posso...
— Não! — Lauren vociferou, sem se importar com os olhares alheios.
— Fale baixo, por favor, Lau, eu...
— EU JÁ DISSE QUE NÃO!
Neste exato instante, ao redor da mesa dos dois e nas fornalhas, na cozinha, as chamas tomaram coragem, forma e tamanho, machucando tudo e todos a sua frente.
Inexplicavelmente, juntaram-se num só incêndio fora do comum.
As pessoas gritando e saindo desesperadas do restaurante.
Tyler atônito. Ele não entendia e não podia fugir.
Os olhos de Lauren, tingidos pelo laranja do fogo, fitam o próprio reflexo na taça de champanhe, uma lembrança de que, há minutos atrás, tudo era perfeito.
Fale com o autor