Irmandade da Noite
3 QG Elemental
Notas iniciais

"Os bombeiros ainda tentam apagar as chamas na pizzaria Italian's mas parece que não vai acabar tão cedo. As chamas apenas aumentam e ainda não se sabe a causa do acidente. A seguir..."
Rachel solta uma bufada de frustração, desliga a TV e sobe as escadas correndo, tirando o celular do bolso e abrindo no grupo do bate-papo.
Rachel: Lau, temos q conversar.
Alice: QG Elemental?
Rachel: Ainda não gostei desse nome.
Maya: Eu fiquei mais fraca hj, tinham árvores por lá?
Alice: Será que as portas sentem saudade da época em que eram árvores?
Rachel: '-'
Maya: '-'
Depois de alguns minutos uma nova mensagem surgiu na tela de Rachel.
Lauren: Já estou aqui.
Lauren: Há meia hora.
Rachel não precisava ouvir a voz de Lauren para saber que a amiga estava triste.
As emoções dela era muito fortes e Lauren não as escondia.
A garota de cabelos loiros bloqueia o celular e pega um casaco, colocando-o por cima da blusa e descendo as escadas.
Assim que passa da porta Rachel dá meia volta e entra em seu carro, dando a partida e acelerando até a casa de Maya.
* * *
Maya estava sentada ali com Lauren havia um tempo, apenas observando o chama azulada e fraca dançar entre seus dedos.
— Acho melhor parar de ficar triste e se animar. — Aconselha Maya. — Árvores não gostam de tristeza, é um dos piores sentimentos.
— As árvores que se fodam.
— Ai — Maya diz, levando uma mão ao coração. — Doeu.
— Desculpe.
Elas ouvem três batidas na porta de entrada e Maya a abre encarando Alice sorrindo com uma caixa rosa.
— Muffins! — A garota balança a caixa, os olhos grandes e azuis brilhando.
— Entra.
— Ainda não acredito que você fez isso, Maya. Essa casa é incrível, literalmente uma casa!
— Rachel me ajudou. — Ela diz tentando disfarçar o orgulho que borbulhava dentro de si. — Não fiz sozinha.
— Mas e os pregos? Você não sentiu dor?
— Eu saí quando vieram martelar.
— Ah, sim. Alice suspira e encara Lauren, triste.
— Muffin de cenoura? É da cor do seu cabelo praticamente, apesar de eu achar que não deve ser tão doce.
— Obrigada. — Lauren força um sorriso meio tristonho e pega o bolinho da caixa de Alice. Antes de colocá-lo na boca uma fumaça sai da base do muffin e a massa açucarada queima. — Merda — amaldiçoa Lauren jogando o bolinho queimado pro canto da sala.
Outra batida e Rachel entra.
— Que droga, Lauren! — Rachel diz, batendo os pés no chão de madeira.
— Rachel! — Maya começa, antes que Lauren rebatesse. — Não traga mais energias ruins pro QG Elemental! As árvores sentem, sabia?
— As árvores sentem e as pessoas sofrem queimaduras de terceiro grau também, não é, Lauren?! —
O que queria que eu fizesse? — Lauren diz, se levantando. — Não era minha intenção, vocês todas sabem disso! Além do mais, eu não posso controlar. — A chama em sua mão deixa de ser azul para se tornar alaranjada e Maya sente as ondas de calor praticamente derreter seu rosto.
— Ela tem razão. — defende Maya.
— Todas sabemos que Lauren é a única que pode criar e não controlar, e que os poderes se alteram conforme o sentimento, olhe o fogo na mão dela!
— Mas deve aprender logo! Não pode sair por aí deixando as pessoas irem embora de ambulância!
— Você age como se eu fosse a única, sendo que na semana passada teve uma ventania tão forte que acabou cortando a energia da cidade toda, e tudo porque você ficou estressadinha!
— É verdade, Rachel, você me deixou sem internet.
— Alice diz, entrando na conversa.
— Lá vem a que encharcou o QG todo tirando água sei lá de onde! — Rachel diz.
— Eu tirei do seu... — Maya bate com um dos pés no chão, interrompendo a discussão e fazendo com que as tábuas de madeira vibrassem.
— Qual é, meninas! Não importa quem tem o pior poder do que a da outra, o que importa é que precisamos permanecer unidas, é tão difícil assim?
Elas se entreolharam.
— É que eu só preciso ter certeza de que todas vocês vão ficar bem. — Rachel recomeça — E não machucar ninguém.
— O que sugere que façamos? — Alice pergunta.
Rachel coloca a mão na ponta do queixo e suspira, pensando numa solução, somada a toda preocupação que ela tinha com as amigas.
— Sugiro que não saiamos à noite.
Lauren arregala os olhos.
— O quê?! Eu não sei vocês mas eu tenho uma vida social, OK? Sair a noite é indispensável, sem essa.
— Com quem vai sair se Tyler vai embora em pouco tempo? — Rachel volta a debater.
— Esqueça isso, Rachel! — Alice diz, revirando os olhos azuis brilhantes. — Não sair a noite não nos impede de nada.
— Alice tem razão. — Maya diz.
— Então o que nos resta é ficarmos quietas e nos controlar. — Lauren diz.
Em sincronia, as meninas deitam-se na parte do tapete que cobria as demais partes de madeira.
Suspiraram.
— Então vamos dominar o mundo de uma vez. — Alice diz.
— O quê?! — Rachel diz, levando a sério e fazendo com que as outras rissem.
* * *
Alice abriu os olhos e olhou a seu redor, a luz da lua iluminando todo o quarto da casa na árvore. As garotas estavam todas dormindo em colchões separados, formando uma cruz. De repente seu coração começou a acelerar e o medo a invadiu, apesar de não ter motivos para sentir tal coisa. Ela sentia como se estivesse sendo observada. Como se tivesse a mira de uma arma na sua direção naquele momento.
Deitou-se de novo e cobriu-se com o cobertor, apertando os olhos.
Durma, durma, durma...
Ela pensava, achando que obrigar-se a dormir iria ajudar.
Um som de alto batendo constante-mente no vidro da janela a fazia tremer.
Ela sentia que algo errado estava por vir.
E isso iria afetar todas elas.
Fale com o autor