Iris
1 Luau
Notas iniciais
Não faz nem dez minutos que estou nesse lugar e já estou seriamente arrependida. Aí como eu gostaria de estar terminando “Fúria de Reis” ao invés de estar com meu pé atolado na merda dessa areia, morrendo de frio e rodeada de bêbados. Como deixei eles me convencerem a sair de casa?
— Henry, me leva de volta, por favor. — Forcei uma carinha de cachorro que caiu da mudança e ele riu.
— Nem pensar, aproveita um pouco o mundo, não sei se você lembra, mas seu quarto não é o único lugar dele. Vamos lá, socializar, conhecer pessoas, paquerar alguém. Sei que você adora essas coisas. – Falou ironicamente e dei um soco no ombro dele. — Essa doeu. — Dramático!
— Por que você é meu melhor amigo mesmo?
— Porque você me ama, baixinha. — Sorriu convencido.
— A ilusão as vezes é uma benção não é mesmo? Vai lá se agarrar com a Val e para de me encher o saco. Não bebe nada viu? Não quero morrer tá?
— Pode deixar mamãe, tem certeza que não quer ir? — Confirmei com a cabeça. – OK, só de tu sair de casa já é um milagre, qualquer coisa me procura viu?
— Pode deixar. — Me deu um beijo na testa e foi em direção a fogueira, enquanto eu me encostei no carro. Não recrimino o fato de gostarem de beber, mas tem um povo ali que está mais para lá do que para cá. Já teve até gente nadando pelado.
— Cara, esse povo já passou do limite.
Caralho que garota louca! Como brota assim do nada?
— Desculpa, não quis te assustar. – Passou a mão no cabelo e fez uma cara de constrangida.
Imagina se quisesse então.
— Está tudo bem, não sou cardíaca. — Ela sorriu.
— O que faz aqui isolada?
— Digamos que não sou muito de movimento e você? Quase me matou do coração só porque estou no caminho ou é hobbie?
— Desculpa, sério eu não.... — Falou muito rápido.
— Ei, calma, foi só brincadeira. – Ela sorriu.
— Eu sempre dou uma volta na praia mais ou menos esse horário, gosto de ver o mar de noite.
— Sempre conversa com desconhecidos também é?
— Não, só quando me deixam curiosa. – Me encarou e sorri encabulada.
Ou eu estou completamente louca ou ela está dando encima de mim.
— Posso saber como se chama a dona desse sorriso lindo?
Caralho, ela está mesmo dando encima de mim!
— Olívia, mas sério, sorriso lindo? Não tinha nada menos clichê não? — Ri. – Juro que se tivesse trazido meus óculos iria te emprestar.
— Então você usa óculos é? — Me olhou de cima a baixo.
— Aham. — Confirmei com a cabeça.
— Interessante. — Mordeu o lábio inferior.
— Vai continuar me encarando como se fosse um lobo vendo um pedaço de carne ou vai me dizer seu nome? — Sorriu sem graça.
— Desculpa. — Mexeu no cabelo. – Me chamo Ruby e te achei muito bonita. – Ri.
Universo para de brincar com a minha cara. O Henry bateu o carro no caminho, aí estou em coma e criei uma realidade alternativa?
— Eu te achar bonita é engraçado?
— Bastante.
— Você está me deixando mais curiosa.
—Só para ter certeza, você está me paquerando?
Pergunta idiota, mas sempre é bom ter certeza.
— Estou, mas antes de saber se devo continuar, você curte garotas? – Confirmei.
CHOCADA! NÃO TO CRENDO NISSO NÃO, UNIVERSO!
— Muito bom. – Sorriu. — Tem quantos anos?
— Tenho 18.
— Ótimo, não corro o risco de ser presa. — Virei os olhos. – Piada muito ruim?
— Um pouco.
— Desculpa, estou nervosa.
— Por que está nervosa? Você não parece ser do tipo tímida.
— Realmente não sou, não sei o que está acontecendo.
— Quer ir sentar na areia um pouco?
— Eu quero muito, você não tem noção do quanto eu quero, mas já está tarde amanhã tenho que levantar cedo. Desculpa.
— Relaxa, está tudo bem. Pelo menos me passa seu número?
— Com todo prazer, aliás, quase todo. — Deu um sorriso cheio de malícia e pegou meu telefone.
Universo, se for pegadinha pode parar.
— Para quem está indo embora você está cheia de segundas intenções.
— Vai que uma certa morena decide me acompanhar. — Disse chegando mais perto.
— Até gostaria, mas infelizmente não vim sozinha.
— É realmente uma pena. — Se aproximou mais, fazendo com que nossos corpos praticamente se colassem.
— Você está toda cheia de atitude, mas está parecendo um pimentão. – Ela tentou se afastar, mas a segurei pela cintura. – Achei fofo. – Olhei no fundo dos olhos azuis dela e a beijei. De início o beijo foi lento e delicado, mas logo passou a ser intenso.
—MENTIRA QUE LIVÃO PEGOU ALGUÉM!
PORRA UNIVERSO! ISSO NÃO ERA HORA NÃO QUERIDÃO.
— Desculpa, minha família é louca. — Escondi meu rosto na curva do pescoço dela. Meu primo começou a se aproximar e fingi que nem percebi.
— Relaxa, acho que até foi melhor assim ou a gente iria acabar transando no capô do carro.
Talvez ela não esteja tão errada.
— Será? Acho que não vai descobrir tão cedo.
— Não vai ser no capô, vai ser na minha casa, Liv.
— Eu lá te dei toda essa intimidade?
— Não, mas sou folgada. – Sorriu. — Vou indo. Me manda mensagem quando chegar. Ok?
— Pode deixar. — Fiquei observando ela ir.
— Nossa priminha, se deu bem hein. — O encarei com a cara mais fechada que pude.
— E você chegou bem na hora errada né, Tony. Você está cheirando a vodka.
— Desculpa ter atrapalhado, o Henry me disse que já estamos indo.
— Cadê ele então?
— Foi atrás das meninas.
— Ele não bebeu nada, não é?
— Não que eu tenha visto. — Avistei eles andando calmamente.
— As margaridas resolveram aparecer.
— Muito engraçado Senhorita Mills, vamos embora galera.
Entramos no carro e o percurso estava tranquilo, mas ao nos aproximarmos da delegacia Henry começou a parecer nervoso e ao chegarmos do lado dela perdeu o controle do volante e bateu o carro em um poste. Que noite!
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