Iris

2 Delegacia


Notas iniciais
Olá, boa leitura

Parabéns Olívia, nunca sai de casa, e quando sai termina a noite na delegacia, brilhante! Por que deixei a Victória me convencer a sair? Agora estou em uma sala de interrogatório porque sou a única sóbria.

— Ei Liv. — Diz adentrando a sala.

— Oi tia Em.

De todos os policiais, tinha que ser justamente a mãe do Henry a me interrogar? O que mais você vai me mandar universo? Um meteoro?

— Acho que não preciso dizer o quão grave foi o que vocês fizeram, não é? — Assenti. — Me conta o que aconteceu. — Esboçou um breve sorriso como forma de incentivo.

— Estávamos na praia e ...

— OLÍVIA CORALINE MILLS. – Escoto gritando atrás de mim.

Ou eu estou alucinando ou quem está atrás de mim apareceu na pior hora possível! Não é um meteoro, é bem pior. Universo, hoje você tirou o dia para brincar com o meu psicológico né? Já pode parar OK?

— Oi mãe. — Respondi de cabeça baixa, ela me abraça forte.

— Está tudo bem? — Pergunta passando delicadamente a mão em meus cabelos.

— É claro que está Sis.—- O susto de ver minha mãe foi tão grande que nem tinha percebido que tia Z estava com ela.— Se não estivesse ela teria reclamado quando você a esmagou. – Minha mãe revirou os olhos, ri. – Oi Emma, onde estão meus filhos desmiolados?

— Estão em uma das celas.

— Sério? Como ele fizerem isso?

— Era isso que a Liv ia começar a me contar quando vocês chegaram. — Sorriu sem graça.

— Me desculpe pela gritaria, acabei de chegar de viagem, ligaram dizendo que eles estavam na delegacia, tudo que eu queria era saber se ela estava bem.

Ah claro, melhor mãe do mundo, me poupe, faz quase dois anos que ela não me vê.

— Entendo perfeitamente senhora Mills, quando meu pai ligou dizendo que meu filho e minha irmã estavam no carro, sai correndo, cheguei em um estado bem semelhante ao seu. — Sorriu de forma cumplice.

— Só Regina por favor. — Sorriu.

— Liv, acho que agora você pode contar o que aconteceu.

— OK, estávamos na praia bebendo, ou como meus amigos idiotas nomearam, estávamos em um “luau”, desculpa seu filho e sua irmã estão inclusos, não quis ofender. — Corei e ela riu.

— Tudo bem, eu concordo com esse adjetivo. — Ri. – Pode continuar.

— Não vi muita coisa do tal luau, mas como o Henry nos levou de carro achei que ele tivesse consciência e não tinha bebido nada, estava tudo nos conformes até que quando íamos ficando próximos a delegacia ele pareceu ficar nervoso. Quanto mais próximos, mais nervoso ele ficava, e quando passamos aqui do lado ele enfiou o carro no poste e o tio David veio correndo para saber o que havia acontecido e aqui estamos.

— É evidente que o Henry ficou nervoso pois a delegacia está diretamente ligada a família. – Tia Zel se manifesto.- Mas tinha que ser bem do lado da delegacia? Não podia ser antes ou depois? Pelo menos assim ninguém ia ouvir direito nessa rua só tem comércio.

— Pois é, tia Z.

— Meu pai é o Xerife e o de vocês é o prefeito, mesmo que seja um tanto quanto antiético, acho que podemos fingir que nada aconteceu, e liberar as crianças, afinal, ninguém se machucou. Alguma objeção?

— Não. — Dissemos juntas.

— Então vou buscar os outros, podem ir para o hall de entrada que já os levo. — Disse saindo.

— Seus primos estavam em um estado muito deplorável? — Perguntou assim que sai da sala.

— Olha tia Z, já os vi pior. – Ri. — A vó e a minha madrinha estão surtando né?

— Você não tem ideia.

Não creio que vou me foder de graça.

— Olívia, você tem noção de que isso terá serias consequências não tem? — Me encarou séria.

Até parece que tem alguma autoridade.

— Sis, calma é besteira de adolescente, e de todos a Liv é a única que não faz merda.

Que bonitinha me defendendo.

— Zelena, para de passar a mão na cabeça dela, ela tem que entender que...

Ela nem sabe sobre minha vida, o que caralhas ela quer opinar?

— DA PARA VOCÊS DUAS PARAREM? — Minha mãe me olhou de uma forma que nunca tinha visto antes, não gostei nadinha, parecia um animal enfurecido. – Deixem para discutir isso em casa ok? Sabemos que essa noite ainda está longe de acabar. — Elas concordaram, alguns minutos depois eles apareceram.

— Tia Gina? — Lily e Tony disseram juntos assustados

— Madrinha?

— Oi gente. — Ela os abraçou forte eu e minha tia saímos andando.

— Vamos para casa?

— Pelo amor dos deuses tia Z, tudo o que eu mais quero nesse momento é deitar na minha cama e fingir que não sai dela hoje.

— Você sabe que não vai ser bem assim, não é? — Passou o braço em volta do meu ombro.

— Infelizmente sim, mas a menos que eu seja expulsa de casa essa noite uma hora eu vou parar lá. — Ela riu.

O caminho foi estranhamente silencioso, acho que estavam se preparando para ao belo sermão que vão ouvir. Chegando em casa estavam meus avós, meus padrinhos e minha tia na sala. É realmente a noite ainda vai demorar para acabar.

— Puta que pariu vocês estão inteiros. — Minha avó nos abraçou, ou melhor, esmagou mesmo.

— Vó, está machucando, me solta por favor.

— Antony Bauer Mills, cala a porra dessa boca, vocês não estão em posição de pedir nada. — Deu um apertão mais forte e nos soltou. – Vocês estão cheirando a vodka barata. — Fez cara de nojo e sorriu. – Posso saber o que diabos aconteceu? -Refiz meu monólogo.

— Agora que já contei tudo vou para o meu lindo quarto e pretendo nunca mais sair de lá. Da próxima vez que vocês fizerem discursos motivacionais dizendo que eu devo sair de casa e ter vida social, eu juro que vai ter morte. -Eles ficaram meio envergonhados, caminhei em direção as escadas.

— Nada disso mocinha. — Refiz o caminho e parei em frente a ela.

— O a ilustre visita quer?

Talvez eu tenha falado de uma forma grosseira demais, todos me encararam surpresos.

— Já te disse, você vai arcar com as consequências. — Não me aguentei e ri, ela arqueou a sobrancelha esquerda.

— Vai me deixar de castigo? — Ela assentiu. – Ah, que linda. — Ironizei. – Não moro contigo a 11 anos, então você não tem autoridade para me dar castigo nenhum. — Falei sem alterar minha voz e de um jeito tão firme que até me assustei, ela ficou sem reação. Me virei para meus avós. – Sei que fiz merda, decidam meu castigo e a partir de amanhã eu executo. — Eles concordaram. – Lilian, Antony e Victória da próxima vez que vocês pensarem em quer me convencer a ir em uma “festa” se lembrem do carro e do poste, porque eu juro pelos deuses novos e antigos que não vai ser no poste que o carro vai bater, vai ser em vocês mesmo.

Subi as escadas o mais rápido que pude me tranquei em meu quarto e finalmente pude fazer o que pretendia desde que sai, deitar na minha cama e fingir que nada aconteceu. Ou quase isso.

Notas finais
E aí, o que achou?