Iris

6 Encontro


Notas iniciais
Olá, como você está? Boa leitura!

Olívia P.O.V.

A primeira aula ainda não está nem na metade e já estou de saco cheio. Não entendo a necessidade de os professores explicaram item por item do plano de aula sendo que eles já falaram de maneira geral e disponibilizam o arquivo. Senti meu celular vibrar dentro do estojo.
Ruby Lucas: Claro que sim!
Ruby Lucas: Quer almoçar comigo?
Me chamar para comer é querer que eu me apaixone.
Liv Mills: Quero! Onde vamos?
Ruby Lucas: Gostaria de passar um tempo basicamente só nós duas? Para nos conhecermos
Responde o que eu perguntei, querida.
Liv Mills: Sim, mas tu não vai roubar meus órgãos não né?
Ruby Lucas: Não prometo nada, mas tô querendo roubar outra coisa
Liv Mills: O que seria?
Ruby Lucas: Uns beijos, talvez
Precisa rouba não linda, dou de livre e espontânea vontade.
Liv Mills: Por que talvez?
Ruby Lucas: Pq acho que não vou precisar roubar nada
Liv Mills: Eu tenho certeza que não. Onde te encontro?
Ruby Lucas: Pensei em irmos a praia, o que acha?
Liv Mills: É uma boa. Qual horário?
Ruby Lucas: Lá pelo meio dia está bom pra você?
Putz! Será que vai ter ônibus?
Liv Mills: Está sim, mas talvez eu atrase um pouquinho. Estou do outro lado da cidade e não sei horário de ônibus.
Ruby Lucas: Sem querer ser entrona, mas onde cê tá?
Que isso? Já está querendo me controlar?
Ruby Lucas: Eu não tô querendo te controlar, é que tem a possibilidade de eu estar perto de vc
Liv Mills: Você lê pensamentos é? Estou na faculdade, na US*.
Ruby Lucas: MENTIRA!
Ruby Lucas: Eu trabalho praticamente do lado
QUE ISSO UNIVERSO? Tá conspirando tanto ao meu favor que já estou achando estranho. Qual é a pegadinha? Ela é casada? É yandere?
Liv Mills: Caralho, que coincidência
Liv Mills: Não é melhor almoçarmos por aqui então?
Ruby Lucas: CLARO QUE NÃO!
Ruby Lucas: Quero que nosso primeiro encontro seja legal
Ruby Lucas: Cê deve tá me achando besta né?
Liv Mills: Nem um pouco. Na verdade eu achei fofo.
Ruby Lucas: Acho que você gostaria de me ver agora só por vingança
Ruby Lucas: Tô toda vermelha
Liv Mills: Droga! Queria estar rindo da sua cara.
Ruby Lucas: Não tem graça
Ruby Lucas: Tenho que voltar ao trabalho, presta atenção na aula
Ruby Lucas: Me espera no portão principal
Ruby Lucas: Até daqui a pouco, Liv
Liv Mills: Até daqui a pouco, Rubs.
Fiquei tão concentrada na conversa que nem vi que a aula já havia acabado. Meu professor estava terminando de arrumar suas coisas e não tem quase ninguém na sala. Caralho, já é intervalo.
— Com quem a senhorita estava falando? — Henry me questiona e me viro para o olhar.
— Com uma garota aí. — A expressão dele fecha.
— Não vai me dizer que caiu na da ruiva de novo? Liv, tu quer um relacionamento e ela só quer pegação, não faz isso com você.
Aí como meu melhor amigo é um irmãozão.
— Hen, não é a Mel. — Ele me olhou surpreso.
— Tá usando Tinder é?
— Claro que não, não tenho a mínima vocação pra seduzir alguém em aplicativo. — Rimos.
— De onde ela surgiu?
— Meio que da festa. — Me olhou confuso. – Ela estava na praia mas não para a festa.
— Posso ver quem é a garota que está tentando dar uns pegas na minha baixinha? — Abri a foto dela do WhatsApp. – Porra!
— Ela é linda né? — Concordou. – Vou sair com ela hoje.
— Que rápidas vocês, onde vocês vão?
— Vamos almoçar na praia.
— Gostei desse programa, é respeitoso. — Comecei a rir. – Ri não, estou falando sério! Foi ela que te convidou né? — Assenti. – Ela podia simplesmente ter te convidado para ir beber, o que não mostraria querer algo sério, mas ela te convidou para um programa basicamente de casal, nem conheço ela e já estou gostando muito.
— Meio que somos dois, Hen. — Sorri e me arrumei na cadeira pois o professor das últimas aulas chegou.
Ruby P.O.V.
Durante o período da manhã a lanchonete sempre é mais tranquila, mas por ainda ser o primeiro dia de aula ela está praticamente vazia com exceção de alguns policiais que vieram tomar café. As poucas horas que faltavam passar para eu poder ir buscar a Liv pareceram séculos mas finalmente passaram.
— Granny? — Saí da cozinha e fui até o balcão. – Estou saindo para o almoço, por acaso eu posso tirar o resto dia de folga? — Dei meu melhor sorriso e ela riu.
— Não precisa se esforçar tanto para me convencer, você está me ajudando todo dia o dia todo a um tempão, claro que pode. — A abracei e dei um beijo em sua bochecha.
— Você é a melhor avó do mundo! Tchauzinho. — A abracei mais forte
— Tchau, juízo viu dona Ruby.
— Pode deixar, vovó.
Peguei a bolsa que já tinha preparado com as coisas e meu capacete, fui em direção a minha moto, abri o baú coloquei a bolsa e peguei o outro capacete e encaixei no meu braço, subi na moto e dei partida. O trajeto até o onde marcamos é tão curto que não demorei nem cinco minutos. Cheguei e ela já estava me esperando, mas não estava sozinha. Quem será esse cara? Parei a moto em frente a eles.
— Acho que sua carona chegou, tchau baixinha. — Beijou a testa dela e saiu.
— Tchau, Hen. — Olhou para mim e abriu um puta sorriso lindo. – Oi, Rubs. — Tirei o capacete e beijei a bochecha dela, bem no canto da boca, ela corou.
— Oi, Liv. Estiquei o braço em que estava o capacete ela o pegou e colocou.
— Onde vamos comprar comida?
— Não se preocupa com isso, já está tudo no baú.
— Isso é injusto, não quero te fazer pagar nada para mim. — Fez uma carinha emburrada muito fofa.
— Relaxa, eu trabalho em uma lanchonete, então é de graça. Sorri. -Bora?
— Bora! Mas dá próxima eu que pago. — Subiu na garupa e pegou na minha cintura, eu dei partida e segui em direção a praia. O caminho foi tranquilo e como pouquíssimas pessoas vem a praia durante a semana ela está vazia. Descemos da moto, guardei os capacetes no baú e peguei a bolsa.
— Temos a praia todinha só para nós duas. — Passei meu braço livre sob seus ombros a fazendo ficar mais perto e ela passou o braço por trás das minhas costas e segurou minha cintura.
— Quais são seus planos para nós?
— Comer, conversar e ver o Sol se pôr, o que acha? — Sorri.
— Olha, não sei muito sobre encontros, para mim está perfeito!
— Como assim? — Ela corou.
É eu estava certa, ela fica linda com vergonha!
— Eu nunca tive um encontro. — Sorriu timidamente.
— Sério mesmo? — Confirma com a cabeça.
Caraca viado! Realmente não esperava por essa.
— Então vamos, agora sou obrigada a fazer desse o melhor primeiro encontro do mundo! — Caminhamos pela areia até chegar perto de umas pedras grandes que faziam sombra e facilmente nos protegeria do Sol. — Abri a bolsa para pegar a toalha vermelha que trouxe e a estiquei na areia.
— Nossa! Você pensou em tudo não é? — Não sei se é a luz do Sol ou se os olhos dela realmente brilharam forte mas tenho certeza que quero ver isso de novo.
— Você não faz ideia, senta aí e fecha os olhos.
— Ok. — Fez o que eu pedi e eu comecei a tirar as coisas da bolsa.
— Não vale espiar.
— Não sou trapaceira, Rubs.
Tomara que não seja mesmo, estou sendo bonitinha.
— Pronto, pode abrir. — Ao abrir os olhos aquele brilho voltou a habitar novamente aquelas lindas íris castanhas e deu um dos sorrisos mais lindos que já vi. – Não sabia o que você iria querer comer e como sou tapada esqueci de perguntar, então trouxe algumas opções. — Me olha atentamente. – Trouxe duas porções grandes de batata com cheddar e uma sem, um x-bacon e um x-salada vegetariano pois não sabia se você come carne, e também tem coca e alguns molhos.
— Ruby, eu sei que a gente nem se conhece ainda mas quer namorar comigo? — A olhei completamente sem reação . – Com tudo isso de comida já sou todinha sua. — Disse em tom brincalhão.
— A é? — Assentiu. – Então como faço para te ter na minha cama? — Disse em tom malicioso e ela arqueou a sobrancelha.
Puta que pariu que bagulho sexy!
— Toma iniciativa e me dá tudo isso aqui antes e depois de a gente transar. — Ri e ela pegou o hambúrguer vegetariano.
— Você é vegetariana? — Negou com a cabeça enquanto começava a comer. – Não gosta de bacon? — Me olhou como se eu tivesse cometido um crime abominável.
— Eu estou só começando! — Pegou um punhado de batatas e comeu.
— Duvido uma pessoa tão pequena comer tudo isso.
— Não dúvida não, eu como, e se você der bobeira como o seu também! — Me olhou séria.
— Eu estou começando a ficar com medo desse seu apetite, pequena. — Falei o apelido de forma tão natural que nem percebi. – Desculpa pelo apelido. — Tenho certeza que corei.
— Está tudo bem, Rubs. — Sorriu. – Já estou acostumada com apelidos que se refiram a minha falta de estatura.
— Eu ouvi aquele cara te chamar de baixinha. — Mesmo não tendo o mínimo motivo, pois ainda nem temos nada, aquela cena me deu um certo ciúme e tenho certeza que deixei transparecer na minha voz.
— Aquele cara é meu melhor amigo, basicamente o irmão que eu não tenho, minha família me chama de baixinha. — Explicou calmante e sinto minhas bochechas esquentarem. – Então você é ciumenta é? — Provocou.
— Um pouco. — Sorri sem graça.
— Antes de a gente continuar o que está acontecendo eu preciso perguntar algo.
— Manda.
— Isso. — Apontou para mim e para ela. – Tem a possibilidade de se tornar algo sério ou você só vai ser legal até me levar para a sua cama e depois vai me dispensar?
— Liv, se minha intenção fosse só te levar para minha cama eu teria insistido nisso ontem. — A olhei no fundo dos olhos. – Não sei explicar o motivo, mas ontem quando te vi parada observando aquela zona eu senti a necessidade de falar contigo e a mistura desse seu humor ácido e esse jeito que na minha opinião é muito fofo me despertaram a vontade de te conhecer. — Ela sorriu – Além de você ser muito gata e muito gostosa. — Dei um sorriso malicioso e ela balançou a cabeça em forma de negação.
— Se não fosse essa comida estar tão boa, eu diria que você estragou o encontro perfeito. — Deu uma grande mordida no hambúrguer.
— Gostou mesmo? — Balançou a cabeça positivamente. – Eu mesma que fiz.
Quero é que ela experimente outra comida e goste.
— Esquece esse negócio de namoro, casa comigo de uma vez! — Rimos.
Passamos a tarde conversando sobre diversos assuntos e rindo. Adorei conhecer um pouco mais sobre ela e não vejo a hora conhecer mais. Vimos o Sol se pôr e levei ela para casa. Rua Mifflin número 108, que puta casão lindo! Descemos da moto e ela me entregou o capacete.
— Adorei o dia de hoje Rubs, foi o melhor primeiro encontro do mundo! — Disse timidamente.
— Ainda não Liv. — Me olhou sem entender, agarrei sua cintura e a puxei para um beijo intenso, só nos separamos pois o ar se fez necessário. – Agora sim! Encontro perfeito! — Sorriu.
— Concordo plenamente! — Guardei no baú o capacete que ela estava usando, subi na moto e coloquei o meu. – Me avisa quando chegar em casa, ok?
— Pode deixar, mocinha preocupada. — Pisquei e dei partida na moto.
O dia de hoje foi maravilhoso, só seria melhor se eu tivesse ouvido ela gemer meu nome, mas sinto que ainda não é a hora.

Notas finais
E aí, o que achou? Comenta aí Até o próximo capítulo, ele vai ter só Emma e Regina!!