Iris

10 Boletim de Ocorrência


Notas iniciais
Olá, como vai? Boa leitura!

Regina P.O.V.

Assim como combinamos as 7:30 eu saí de casa e ela já estava me esperando.

— Bom dia, Regina. — Sorriu.

— Bom dia, Emma. — Sorri de volta.

Começamos a caminhar e o silêncio se fez presente até metade do caminho. Ela ainda está visivelmente sonolenta.

— Dormiu bem? — Quebrei o silêncio.

— Dormi. — Bocejou. – E você? — Disse ainda bocejando.

— Parece que alguém ainda está dormindo. — Disse em tom zombeteiro.

— Um pouquinho, acordar cedo não é meu forte, mesmo eu fazendo isso todo dia.

— Eu sou ao contrário, adoro acordar cedo. — Ela fez uma careta e eu sorri.

— Você tem sérios problemas, acordar tarde é tão bom.

— Geralmente eu fico de meio lesada quando acordo tarde.

— Você é meio do contra viu. — Sorriu.

— Talvez. — Chegamos na delegacia e para minha surpresa ela está completamente vazia.

— Onde estão as pessoas que ficaram de plantão?

— Só meu pai ficou. — Se sentou e pegou um post-it que estava em cima de sua mesa. – E ele foi buscar nosso café da manhã, espero que ele volte logo, estou morrendo de fome. — Colocou uma mão na barriga. – Hoje é seu dia de escolher, o que vai querer ver?

— Podemos continuar vendo a série? — Assentiu, coloquei minha cadeira ao lado da sua e me sentei.

— Bom dia, meninas. — David entrou segurando um saco de papel branco escrito “Granny’s” em vermelho.

— Bom dia, Xerife

— Bom dia, Pai. — Eu e Emma respondemos em conjunto.

— Aqui está. — Começou a tirar as coisas da sacola e colocar em sobre a mesa da Emma. – Chocolate quente, café, rosquinha e croissant. — Regina, por favor não deixa ela comer todas as rosquinhas, ela é esganadas. — Disse bem humorado.

— Pode deixar. — Sorri.

— Mas que complô é esse? — Fez um tom de falsa indignação.

— Não tem complô nenhum, minha filha. — Fala enquanto pega uma rosquinha. – Já vou indo, não vejo a hora de dormir, tchau gente.

— Tchau. — Dissemos em conjunto.

— Obrigada pelo café.

— De nada, Regina. — Sorriu e foi em direção a saída.

— Você não vai mesmo controlar quantas rosquinhas eu vou comer né? — Me olhou séria.

— Claro que não! — Sua expressão suavizou. – Mas vou avisando que se você der bobeira eu como mais que você. — Peguei uma rosquinha.

— Eu duvido! — Disse brincalhona.

— Vai duvidando que eu vou comendo. — Rebati no mesmo tom. – Me passa o café e da play no episódio.

— Toma mandona. — Disse me entregando o copo.

Passamos a manhã toda vendo Game of Thrones, os policiais saíram em ronda pela cidade mas algo me diz que só foram para casa mesmo.

— Vamos almoçar no Granny’s? — Perguntou quando o nosso quarto episódio acabou.

— Vamos! — Sorri.

O caminho até a lanchonete foi tranquilo e rápido pois o trajeto é curto, escolhemos uma mesa próxima ao balcão e enquanto estávamos nos acomodando na mesa uma morena passou por nós.

— Loba, anota nossos pedidos. — Emma pediu a ela.

— Não da Em, tenho algo para fazer. — Sorriu e saiu da lanchonete.

— Loba? — Arqueei a sobrancelha e ela riu.

— Eu era babá dela e ela gostava muito de lobos, aí virou apelido. — Disse tranquilamente. – É ciumenta? — Disse em um tom sugestivo se aproximando um pouco mais de mim.

— Um pouco. — Disse no mesmo tom.

— Mãe? — Ouvi uma voz masculina chamar e Emma corou.

— Oi filho. — Sorriu.

Obrigada por interromper o clima, garoto.

— Posso me sentar com vocês. — Assentimos.

Fazer o que né?

— Olá, Senhorita Mills. Sorriu. – Começamos com o pé esquerdo né? Sou Henry, melhor amigo da sua filha. Disse meio sem jeito.

— Olá, Henry. — Sorri.

— Boa tarde, pessoal. — A senhora sorriu.

— Boa tarde, Granny. — Falamos em conjunto.

— O que vão querer?

— O mesmo de sempre. — Henry falou.

— Eu também. — Emma se manifestou.

— Quero filé de frango, purê de batatas com mix de legumes e uma coca.

— Já trago os pedidos de vocês. — Se dirigiu para trás do balcão e em poucos minutos nossos pedidos já estavam na mesa, já deixamos pago para deixar a Granny mais tranquila, pois o movimento na lanchonete começou a aumentar.

Almoçamos em um clima agradável e divertido. Apesar de a minha primeira impressão do Henry ter sido péssima ele parece um bom garoto.

— Cadê o Hobbit? — Emma perguntou para o Henry.

— A Liv foi almoçar com a futura namorada. — Falou sorridente.

— De novo? — Perguntei e ele assentiu. – Ainda não estou preparada para ser sogra. -Massageei minhas têmporas e eles riram.

— Gente, é a Liv ali não é? — Falou apertando os olhos para tentar enxergar. – Liv? -1 Falou mais alto. Minha filha caminhou em nossa direção de mão dada com a morena que Emma chamou de “loba”, elas nem namoram ainda e já tenho algo para brincar com minha nora. Eu estou virando minha mãe. Ao Liv se aproximar avistei uma marca vermelha no formato de uma mão em sua pele pálida.

— Oi gente. — Me levantei para olhar seu pescoço.

— O que houve? — Ruby falou algo baixo demais para que eu ouvisse e foi direção a cozinha.

— Mãe, senta aí, calma! Eu estou bem. — Pegou em minha mão, definitivamente não esperava isso, não é o momento mais não pude conter meu sorriso.

— Bem marcada isso sim. — Henry falou sem humor.

— Liv, o que aconteceu? — Emma se pronunciou preocupada.

— Já vou contar, estou esperando a Ruby, ela me salvou, merece saber o porque disso. -Em poucos minutos ela estava de volta, entregou o gelo a Liv e se sentou.

— Antes de tudo, Hen como eu defino o que a Melody é minha?

— Quase ex? Ex sexo fácil? Ex peguete? Peguete possessiva?

— Essa última é mais minha cara. — Sorriu.

Ouvir ela falar tão tranquilamente sobre esse “relacionamento” fez a minha ficha cair, percebi que perdi toda a evolução dela durante a vida. Tenho muita coisa para tentar correr atrás.

— Gina, está na nossa hora. — Emma me despertou dos pensamentos. – Quer ficar com ela? Eu falo para o meu pai ele vai entender.

Comecei a trabalhar ontem, não posso faltar metade do dia, mesmo que aqui não aconteça nada, mas já coloquei meu trabalho em primeiro plano por muito tempo.

— Mãe, pode ir! Eu juro que estou bem. — Não é pelo tom nem pelas palavras, mas sinto que ela está me expulsando.

— Tem certeza? — Balançou a cabeça positivamente.

— Ok. — Ruby olhou para mim

— Pode ir trabalhar tranquila, não vou desgrudar dela hoje. — Disse de forma acolhedora e sorriu.

Alguém aqui já conquistou a quase sogra.

— Muito obrigada! — Retribui o sorriso.

— Loba, se ela tiver um arranhão a mais eu vou te bater. — Emma praticamente berrou da saída enquanto eu caminhava até ela. – Tem certeza que não quer ficar? — Perguntou assim que saímos e assenti.

— Ela precisa de um tempo. — Henry disse saindo da lanchonete.

— Até você ela mandou embora. — Emma passou um braço por cima dos ombros dele. – Isso é bem fora do comum. — Disse em um tom preocupado.

— É, mas ela está com quem ela quer estar. — Sorriu. – Distrair um pouco pode ajudar ela a digerir essa situação com mais calma, vou indo para casa, tchau gente. — Disse e atravessou a rua.

— Tchau, Henry. — Dissemos juntas.

Andamos em silêncio até a delegacia. Liguei meu computador e arrastei minha cadeira de volta ao seu lugar e me sentei.

— Não vai mais querer ver série? — Emma se sentou em minha mesa.

— Pode ser daqui a pouco? Vou agilizar o boletim de ocorrência.

— Ela colocou gelo e você sabe muito bem que a queixa só vai ter peso se os hematomas forem evidentes né, Senhorita advogada

— Só vou adiantar as coisas, Emma.

— Ok, mas talvez a Liv não queira dar queixa da Melody.

— Essa garota a agrediu e tinha uma postura abusiva no “relacionamento”. — Fiz aspas com as mãos. — Por qual razão ela não faria?

— Primeiro porque elas são ou eram amigas desde criança e segundo porque a Liv é inteligente. — Enumerou levantando os dedos. – A família Fisher é basicamente toda de advogados. — Fez careta e eu massageei minhas têmporas.

Infelizmente essa história tem um grande potencial para não dar em nada!

Notas finais
O que achou? Comenta aí! Até o próximo capítulo! :3