Iris
9 Wonderwall
Notas iniciais
Damon
Vesti-me com um sorriso enorme em meu rosto.
Kelly não era a melhor com quem eu já havia transado, mas com certeza ela sabia o que fazer com a boca... E que boca.
Porém ela só funcionava dessa forma, pois quando começava a falar, Kelly era insuportável.
– Já vai, docinho? — ela perguntou da cama, com uma voz dez vezes mais enjoada do que realmente era.
– Tenho que ir — respondi, terminando de calçar meus tênis. — Mas adorei a tarde que tivemos.
Ela fez um bico.
– Porque não passa a noite aqui? — pediu. — Meus pais viajaram e só voltam sábado — então ela se aproximou na cama, apenas com a lingerie vermelha que não contrastava tão bem com seu cabelo loiro. — Podemos fazer muita coisa.
E sua mão subiu até a minha coxa, chegando perigosamente perto de onde ela queria.
Porém antes mesmo que eu pudesse me animar e me livrar dela, seu telefone tocou, me liberando da tarefa.
Sorri quando ela bufou, fazendo uma careta e indo pegar o telefone.
Sua testa franziu quando ela olhou o número, o que me fez pensar que havia sido um número desconhecido.
– Alô? — ela atendeu. Sua vez ficando muito menos chata do que quando ela falava comigo. — Sim, eu o conheço — disse, então olhou para mim, seu cenho franzindo ainda mais. Porém em menos de cinco minutos de ligação depois sua boca estava escancarada e ela me olhava horrorizada. — Você tem certeza disso? — perguntou. Então me encarou de novo, dessa vez com raiva. — Ok, eu entendo. Obrigada por ligar.
Então ela jogou o telefone longe.
– Meu Deus — ela murmurou, começando a catar suas roupas no chão e se vestindo. — Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Isso não pode estar acontecendo.
– O que foi? — perguntei, começando a ficar realmente preocupado.
Kelly me olhou com mais ódio.
– SEU IMBECIL! — ela berrou — SAI DA MINHA CASA!
Ela pegou as roupas que ainda não tinha vestido e jogou em mim, abaixando, pegando seu celular e jogando em mim de novo.
Desviei, por pouco ele não acertando minha cabeça.
– Ficou maluca? — perguntei.
Kelly pegou um travesseiro e jogou, pegando mais coisas da cama e da cabeceira para jogar em mim.
– VOCÊ É UM PORCO! — continuou gritando, — MENTIROSO! SUJO! MAL CARATER!
Desviei de um sapato, caminhando até ela e segurando seus braços com força.
–Tá doida? — voltei a perguntar.
Ela se sacudiu, tentando sair do meu braço.
– Me solta — pediu. — Me solta. Me solta. Me solta.
– Só se você parar de jogar coisas em mim e me contar o que aconteceu — ofereci.
Ela voltou a me encarar com ódio.
– Você me enganou — acusou. — Sua médica acabou de me ligar. Quando ia me contar que tinha DST?
Meu queixo caiu.
Do que diabos aquela maluca estava falando?
– O que? — consegui perguntar.
Kelly aproveitou meu momento de desnorteamento e se soltou. Desferindo um tapa em meu rosto.
– Quando uma pessoa descobre que tem AIDS ela não sai transando por ai — exclamou irritada, me enxotando para fora do quarto dela. — Já pensou se não estivéssemos usando camisinha?
Então ela continuou me enxotando até estar fora do apartamento dela.
– E não me procure mais! — finalizou, antes de fechar a porta na minha cara.
Encarei a porta sem entender nada.
Sempre fiz exames anuais, eu não tinha qualquer doença. Sempre usei camisinha e eu nunca relaxava. Eu não tinha AIDS.
Dei as costas para o apartamento, suspirando.
Quem perdia era aquela louca. Eu nem gostava dela mesmo. Ela havia me feito um favor.
Fiz meu caminho para casa tranquilamente, até que as mensagens chegaram. Todas as garotas com quem eu havia marcado encontros naquele mês estavam me ligando para desmarcar.
Algumas davam desculpas tão esfarrapadas que eu apenas revirava os olhos, outras eram mais diretas, porém teve uma que quase me fez bater o carro:
“Quando ia me contar que tinha DST? Imbecil”.
Parece que todos os meus encontros pensavam que eu tinha AIDS.
Céus, como diabos esse inferno havia acontecido?
Voltei para casa com o cérebro funcionando a mil, de nenhuma forma eu conseguia imaginar como aquela mentira havia se espalhado, e se continuasse nesse ritmo eu nunca mais faria sexo na minha vida.
E ser padre não estava nos meus planos. De jeito nenhum.
Mas não foi até chegar no meu quarto que eu entendi o que estava acontecendo, pois, em cima da minha cama estava minha agenda — e eu tinha certeza de que não havia sido lá que eu deixei ela.
Alguém havia entrado no meu quarto.
Soltando fumaça de ódio, caminhei até a agenda, indo guardá-la no lugar, porém um papel caiu dela, e nele estava escrito:
“A vingança não é uma merda?”
Elena
– Tem certeza, querida? — Alaric perguntou, soando preocupado pelo telefone. — Eu acho que você deveria ir.
– Eu não acho — retruquei.
Como eu havia terminado as borboletas na parede, eu havia decidido terminar de preenchê-la, deixando as borboletas azuis como destaque e fazendo desenhos completamente diferentes em preto e branco ao seu redor.
No momento eu estava fazendo o contorno do capacete do Darth Vader em um canto externo da parede. Mais abaixo eu havia decidido fazer uma nave e então quase no chão o R2-D2.
Sim. Eu gostava dessas coisas de Nerd. E pelo jeito que Litch saltava sobre meus pés toda vez que eu fazia um traço, ele parecia gostar também.
– Mas é o enterro dos seus pais– Alaric insistiu pelo telefone. Fechei os olhos, respirando algumas vezes antes de voltar para a tinta preta que eu estava usando.
– Eu já fui à cerimônia que fizeram em Klamath — retruquei, não querendo insistir no assunto.
– Elena, eu sei que é doloroso ir ao enterro dos pais – Alaric disse. — Mas eu realmente acho que é importante que você vá.
– Eu não acho — repeti. — Por favor, Ric, eu só quero esquecer isso.
Eu o ouvi suspirar do outro lado da linha.
– Você não pode esquecer seus pais , Elena.
Parei de pintar, colocando meu pincel sobre a tinta e o deixando lá.
– É isso que você acha? — perguntei, ficando chateada — Que eu esqueci meus pais? — então eu fechei os olhos, sentindo um leve ardor por trás de minhas pálpebras. — Eu não os esqueci, Ric. Lembro deles toda hora, a cada segundo. Tudo o que vejo quando fecho os olhos é o sorriso de minha mãe e quase posso sentir o abraço de meu pai. Eu não quero esquecê-los, Ric. De jeito nenhum. Eu só não quero lembrar que eles estão mortos. Por isso não vou no enterro deles. Não quero ver alguém colocando seus corpos debaixo da terra.
Alaric voltou a suspirar no meu ouvido.
– Você quem sabe, querida — disse. — Mas acho que deveria ir sim — voltou a dizer. — Precisa superar, Elena. Precisa se despedir. Não pode continuar fingindo que eles não morreram.
Abri a boca para responder, porém no mesmo segundo a porta do meu quarto voou escancarada.
– Ric, — falei, — preciso desligar.
Então olhei para a fúria em pessoa na minha frente.
– Acho que vou ter que começar a trancar minha porta — comentei para Damon Salvatore, colocando calmamente meu celular no meu bolso.
E ele parecia querer me matar.
– Quem te deu o direito de entrar no meu quarto? — ele perguntou, irritado.
Bufei alto.
– Engraçado você perguntar isso — retruquei, fazendo um gesto amplo com a mão, para mostrar que ele fazia o mesmo.
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