Iris

14 What About Now?


Notas iniciais
HELLOOOOO SWEETIEES O título do capítulo é de uma música do Bon Jovi, se puderem parar para olhar a letra, eu incentivo kkk espero que gostem do capítulo e desculpem a demora para postá-lo.

Elena

Damon havia saído do meu quarto, me dando tempo para vestir uma roupa e tomar a sopa, que estava um pouco fria. Vesti a calça de pijama azul com estampa de flocos de neve que minha mãe havia me dado no ano retrasado e meu velho e enorme moletom cinza com o símbolo do Batman que eu adorava.

Senti-me quente instantaneamente.

Calcei minhas pantufas de panda também, apenas por que eu gostava delas, e me olhei no espelho, gostando do meu visual desleixado e infantil. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e dei meia volta, saindo do meu quarto.

Agora eu só tinha que bater na porta do diabo.

Damon, o diabo, abriu sua porta depois da minha primeira batida. Sua sobrancelha arqueando quando ele me analisou de cima a baixo.

– É quente — falei defensivamente.

E tampa completamente meu corpo, acrescentei mentalmente, o que me protege de qualquer toque indevido seu.

Ele sacudiu a cabeça.

– Isso é tudo, menos quente — retrucou.

Bufei, percebendo seu uso completamente indevido da palavra.

– Vai me deixar entrar ou devo definhar na porta? — perguntei com um resmungo.

Damon deu um passo para o lado, dando espaço para que eu entrasse em seu quarto. Meus olhos percorreram rapidamente o mesmo e eu percebi que ele estava bem mais arrumado do que da última vez que eu havia estado ali, mas eu não disse nada.

– Então, estou aqui como você pediu — falei, — enquanto eu trocava de roupa conseguiu se tornar um exímio psicólogo?

Ele sorriu, acenando com a mão para que eu me sentasse na cadeira que havia perto de sua cama.

– Ainda não — respondeu, — mas eu tive algumas ideias que podem te ajudar.

Sentei e o encarei, tendo certeza de que minha expressão parecia, no mínimo, duvidosa.

– Ah, é? — perguntei — E que ideias você teve?

Ele caminhou até sua cama e se sentou na borda, olhando diretamente nos meus olhos.

– Podemos começar testando sua resistência — respondeu. — Me aproximarei de você aos poucos, até se acostumar em ter a presença de um homem próximo, tocando você.

Fiz uma careta, não gostando nenhum pouco da forma como ele usou a palavra ”tocando”.

– Você vai me tocar? — repeti rispidamente — Espero que isso não queira dizer o que estou pensando, porque se for, cuidarei para que nunca tenha filhos.

Damon negou com a cabeça, mas o sorriso que ele me lançou ainda parecia incrivelmente malicioso.

– Você tem uma mente muito suja, Elena, que horror — caçoou.

Contive uma vontade de dar língua para ele, o que não seria muito digno.

– Então explique o que você quis dizer — retruquei.

Ele continuou sentado, me olhando muito intensamente.

– Quero que venha até aqui e me abrace — disse.

Olhei para ele como se ele fosse louco.

– Como é que é? — perguntei, achando que havia escutado errado.

O sorriso de Damon aumentou.

– Você — ele levantou um dedo e apontou para mim — venha até aqui — apontou para o próprio peito — e me abrace.

Neguei com a cabeça.

– Nem pensar — resmunguei.

– Se você não vier aqui — ele retrucou, soando um pouco ameaçador — eu vou ter que ir ai. E você não vai gostar se eu for.

Encarei ele, começando a ficar realmente um pouco assustada.

– E se me der outro ataque de pânico? — perguntei, mordiscando meu lábio inferior.

A expressão no rosto de Damon suavizou um pouco.

– Você não vai ter outro ataque de pânico — ele disse como se tivesse certeza, — e se você tiver um, iremos pará-lo, ok? Como da última vez.

Fiquei vermelha como um pimentão lembrando-me do beijo que havíamos trocado, mas eu não disse nada, decidindo fazer do jeito dele. Levantei de onde estava sentada e caminhei lentamente até ele. Damon continuou sentado, não se mexendo nenhum centímetro. Parei bem perto dele, entre suas pernas, abaixei um pouco meu tronco e rodeei seus ombros com meus braços, mantive minha bochecha grudada na lateral de seu rosto e, com os olhos fechados, inalei seu perfume. Senti os braços de Damon rodeando minha cintura, trazendo-me mais próxima dele.

Calor irradiava de cada pequeno pedaço do meu corpo e ao redor dele. Damon parecia tão quente contra mim, que fiquei com medo de derreter em líquido aos seus pés.

– Você não está tendo um ataque de pânico — ele sussurrou contra meu cabelo.

Assenti, confirmando suas palavras, mas eu não disse nada.

Surpreendi a mim mesma com os pensamentos de como era maravilhoso estar tão próxima de Damon. Então varri os mesmos para longe, censurando a mim mesma por eles.

Mas apesar disso, eu ainda não conseguia soltá-lo.

– Elena? — ele chamou, sua respiração perto da minha orelha. — Eu vou levantar — anunciou. — Tente manter a mesma posição do abraço, lembre-se do que está sentindo nesse momento, pode me narrar o que é?

– O que é o que? — perguntei, me sentindo um pouco inebriada com o cheiro dele. Qual perfume será que ele usava?

– O que está sentindo nesse momento? — ele perguntou.

Inalei profundamente.

– Seu perfume — sussurrei.

Senti o peito de Damon vibrar com uma leve risada.

– O que está sentindo com o abraço, Elena? — tentou novamente.

Entendi sua pergunta e clareei meu cérebro, forçando a mim mesma a responder corretamente dessa voz.

– É estranho — murmurei devagar, — mas não estou com medo. É um pouco... Confortável. Eu acho.

– Quando eu levantar, lembre-se dessa sensação — ele instruiu. — Se você se sentir segura perto de mim, mesmo eu sendo maior que você, não terá um ataque de pânico.

Assenti suavemente, esperando ele se mover e me mantendo na mesma posição o tempo inteiro.

Damon levantou devagar, como se temesse me assustar.

Senti como seu corpo crescia em volta de mim e mantive os olhos completamente cerrados. Esse é Damon, sussurrei para mim mesma, ele é um idiota e um pé no saco, mas não tenho medo dele. Não tenho medo dele. Não tenho medo dele. Não tenho medo dele. Não tenho...

– Elena? — ele chamou no meu ouvido, parando minha reza silenciosa. — Tudo bem?

Então de repente aquilo se tornou muito real. Eu estava muito consciente da proximidade dele, cada pedaço do meu corpo estava grudado ao corpo dele, ele era grande, ele era quente e ele tinha algo muito suspeito levemente pressionado na altura da minha barriga. Pânico lutou através de mim e Damon deixou de ser Damon. Agora era ele quem me abraçava.

Sacudi-me em seus braços, tentando me soltar desesperadamente.

– Por favor — implorei, memórias antigas me inundando. — Porque está fazendo isso? — bati nele mais forte, senti lágrimas queimando meus olhos — Por favor, está me assustando. Não faça isso. Por favor, pare, eu estou com medo. Por favor...

– Elena? — ele chamou, sua voz soando distante e diferente.

– Porque está fazendo isso? — voltei a perguntar entre lágrimas — Eu te fiz alguma coisa? Se eu fiz me perdoa — solucei alto. — Não me machuque, por favor...

– Elena? — ele chamou novamente, um pouco desesperado — Abre os olhos — pediu de forma suave.

Uma voz na minha cabeça pediu para que eu me acalmasse, percebesse as coisas ao meu redor e o ouvisse.

Tentei conter meu pânico, respirando fundo. Eu senti o inconfundível cheiro de perfume do Damon, aquele pelo qual eu havia ficado tão fascinada minutos atrás.

Então eu voltei a me sentir calma, segura. Voltei a me apertar em Damon, me sentindo tão protegida em seus braços que parecia impossível.

Um sorriso rasgou meu rosto ao meio.

Eu havia parado um ataque de pânico na metade.

– Você está bem? — Damon sussurrou no meu ouvido.

Senti sua mão acariciando meu cabelo e me peguei apreciando imensamente o gesto.

Afastei-me lentamente dele, apesar do meu corpo parecer não querer a distância. Olhei para ele e assenti.

– Consegui parar o ataque, sozinha — falei vitoriosa, sorrindo para ele.

Seus dedos foram até meu rosto e limparam gentilmente o caminho de lágrimas que eu havia derramado.

– Sozinha? — caçoou — Acho que minha presença aqui é inútil então.

Eu ri, saltando em seu pescoço e voltando a abraçá-lo.

– Obrigada — sussurrei.

Seus braços voltaram a me rodear.

– De nada — respondeu. — Mas tenho que admitir que foi um pouco desesperador te ver chorando e implorando para que eu te soltasse. Tem certeza de que você está bem?

Assenti, me afastando dele e o encarando.

– Os ataques não são um mar de rosas — admiti. — Mas conseguir pará-lo, assim, foi um alívio. Talvez você possa realmente me ajudar.

E eu estava feliz com isso.

Só não conseguia imagina o que mais ele iria fazer comigo depois desse abraço. Abraçaríamos-nos mais? Como ele iria extinguir minha fobia com apenas toques amigáveis?

Uma voz maliciosa dentro da mim rezou para que depois de hoje, seus toques fossem menos impessoais.

Eu ignorei essa voz.

Notas finais
O que acharam? Tentei narrar o abraço com um toque de sentimentalismo, deu certo? Comentem por favor. Já sabem o que aconteceu com Elena no passado? Todas teorias são bem vindas. Ideias para o rumo do nosso casal amado também. xoxoxo Nana