Iris
15 Back in Black
Notas iniciais
Elena
– Quero algumas flores douradas — Caroline dizia euforicamente quando entrei em seu quarto, estendendo a mão para suas paredes rosa bebê. — Como se fossem de ouro. O caule prateado, e muito brilho! As flores podem ter uma ordem como você fez com suas borboletas azuis. Então pode ter algumas pétalas caindo em direção do chão. Pode ficar parecendo pó de ouro? Como o pó mágico da Tinker Bell?
Ela me encarava avidamente.
Assenti devagar, sem saber exatamente qual ela queria que fosse minha resposta.
Eu estava quase começando a me arrepender de prometer pintar as paredes do quarto de Caroline. Sério.
– Ótimo! — ela deu um gritinho feliz — Vai ficar tão bonito! Eu contei para Claire que você ia pintar minhas paredes e ela ficou toda animada, pedindo para que eu te perguntasse se tem alguma chance de você pintar A Bela e a Fera na parede dela. Acredita? Se anunciasse seu talento você ficaria rica pintando paredes!
Assenti novamente, duvidando muito que pintar o quarto de uma garotinha e de Caroline fosse me deixar rica algum dia.
– Amanhã mesmo eu começo a pintar — prometi a ela, apenas para acalmá-la um pouco.
Seu sorriso aumentou e ela ia dizer mais alguma coisa, mas uma batida na porta atrapalhou. Agradeci mentalmente para quem quer que estivesse na porta.
Eu havia passado a gostar muito de Caroline nesses poucos dias que eu havia ficado na casa dos Salvatore, mas isso não significava que eu havia adquirido paciência o suficiente para ouvir mais de um de seus extensos discursos sem fim, seja sobre moda ou sei lá o que.
– Car — ouvi uma voz conhecida soando da porta que Caroline Salvatore havia aberto. — Jenna mandou perguntar se você vai ficar para o jantar ou se pretende sair para algum lugar.
– Enzo — ela sorriu para o amigo de Damon, — não sabia que tinha virado garoto de recados. Paga bem? Melhor que gigolô, eu espero.
Aproximei-me da porta para vê-lo melhor. Ele estava sorrindo maliciosamente.
– Oh, sim, muito melhor — brincou. — Mas não se preocupe, linda, para você meus serviços sempre serão de graça.
Caroline fez uma careta.
– Diga para minha mãe que vou sair — ela disse e pausou, então me olhou com o canto do olho, um sorriso perverso se abrindo em seus lábios. — Eu e Elena vamos para uma festa no centro — acrescentou.
Meu queixo caiu e eu a encarei atordoada.
– Eu e você vamos fazer o que? — perguntei, apenas para ter certeza de que não estava ouvindo coisas.
Enzo se aproximou, interessado.
– Você vai à festa da Andie? — perguntou — Ouvi dizer que todos os jovens de Mystic Falls estarão lá.
Encarei Caroline horrorizada. Todos os jovens de Mystic Falls?E ela pretendia me levar para lá? Céus. De jeito nenhum.
– Claro que vou — ela disse, ignorando o jeito com que eu a encarava. — As aulas começam em menos de duas semanas, essa pode ser a última boa festa até lá. Eu seria estúpida de não aparecer.
Enzo abriu a boca para responder, mas eu o cortei, ficando levemente irritada.
– E porque eu devo ir? — perguntei — Nem sequer gosto de festas.
– Por favor, Elena — ela pediu. — Você tem que ir. Sério. Quero que vá comigo. Precisa sair desse casulo que você se enfiou e precisa conhecer pessoas novas. Encare isso como uma nova experiência de vida.
Balancei negativamente.
– Desculpe, Caroline. Realmente acho que esse tipo de coisa não seja para mim.
Ela me encarou, seus olhos brilhando um pouco, como se ela estivesse chateada.
– Uau, Elena. Nunca imaginei que você fosse uma medrosa.
Até Enzo a encarou quando ela disse isso.
– Como é? — perguntei, achando ter ouvido errado — Me chamou de medrosa?
Ela assentiu firmemente, parecendo feliz por me abalar com suas palavras.
– Chamei sim — afirmou, — e chamo de novo. Medrosa. Não acredito que está com medo de ir a uma festa. Pensei que fosse mais forte que isso, Elena, mas vejo que estava enganada. Que pena, odeio me enganar.
Meu queixo travou. Caroline estava tentando me manipular!
E eu estava caindo direitinho na manipulação dela. Odiava parecer fraca na frente dos outros, e odiava ainda mais ser taxada como medrosa.
– Que horas é a festa? — as palavras escaparam de minha boca antes que eu pudesse me conter.
***********
– Elena! — um Damon muito impaciente gritava na porta do meu quarto — Ande logo! A festa já deve ter começado e você ainda está trancada ai dentro.
Gemi completamente frustrada.
Céus, como eu deixei isso ir tão longe? Além de aceitar ir a uma festa com Caroline, eu ainda teria que aguentar Damon e Enzo na maldita festa porque eles simplesmente resolveram que já que Caroline ia, eles poderiam ir também.
Maldita hora em que decidi sair da cama hoje.
– Elena! — ele deu outro grito.
– Estou indo! — berrei, começando a ficar estressada.
Caminhei até a porta e a escancarei.
Damon abriu a boca para dizer algo, provavelmente reclamar da minha demora, mas sua boca congelou no lugar enquanto ele me olhava de cima a baixo.
Então eu fiquei completamente envergonhada.
Como eu nunca ia para festas — nunca mesmo. Nunca. — eu não fazia a menor ideia de como deveria me vestir, então deixei Caroline decidir.
Péssima escolha.
Ela havia me enfiado dentro de um jeans extremamente apertado e um top azul claro bem solto e um pouco curto, que deixava um pouco da pele da minha barriga aparecendo. Caroline havia me proibido de prender os cabelos em um rabo de cavalo, então eles estavam caídos sobre meu ombro.
Eu estava calçando um coturno preto de cano baixo que eu adorava. Caroline teve que aceitar isso porque eu me recusei a tirá-lo. Também recusei toda e qualquer maquiagem que ela tentou passar em meu rosto. Eu não estava a caminho de me transformar uma espécie de Barbie. De jeito nenhum.
– Estou ridícula — lamentei, vendo a expressão fixa no rosto de Damon. — Vou colocar outra roupa.
Mas quando fiz menção de me afastar, ele esticou a mão e me segurou no lugar pelo braço.
– Não faça isso — ele pediu. — Não temos tempo e já estamos atrasados. Além disso, você não está ridícula. Está bastante apresentável.
Arqueei uma sobrancelha para ele.
– Isso era para ser um elogio? — questionei.
Ele deu de ombros, um sorriso ameaçando despontar de seus lábios.
– Aceite como quiser — disse, — mas se eu quisesse te elogiar diria algo como... — ele me puxou pelo braço que ainda segurava e fez com que meu rosto ficasse muito próximo do rosto dele — você parece malditamente deliciosa nesses jeans, porém tenho certeza de que estaria muito melhor sem eles... — e como se suas palavras não fossem indicação suficiente do que ele queria dizer, acrescentou: — Nua.
E eu tenho vergonha de admitir que eu me arrepiei com suas palavras.
– Que elogio horroroso — murmurei, tentando reerguer meu orgulho.
Ele deu de ombros novamente.
– Funciona — confidenciou, porém não me soltou, continuando perigosamente perto de mim.
Não fiz questão de me afastar também. Aquele era um jogo que Damon havia inventado essa semana, sempre que podia ele se aproximava o máximo que podia, testando minhas reações e observando se eu entraria em pânico.
E era isso. Uma semana de aproximações furtivas. Só.
Damon não havia voltado a me abraçar depois da última vez. De acordo com ele, foi um erro se aproximar tanto e que de acordo com o que ele leu em seus resumos psicológicos da internet, eu deveria ter tido um ataque de pânico extremo naquela hora.
Grande merda, lembro-me de ter pensado, funcionou, seu idiota.
Ele deu um curto passo para frente, de forma que seu corpo ficasse a centímetros de tocar no meu.
Prendi a respiração.
O maldito fazia aquilo todos os dias e eu ainda não havia me acostumado.
– Como se sente? — ele perguntou. Ele sempre perguntava.
Balancei a cabeça positivamente, para mostrar a ele que eu estava ótima.
“Podemos voltar aos abraços agora?”, fiquei tentada a perguntar.
Damon levantou uma mão e colocou um pouco do meu cabelo atrás de minha orelha, seus dedos roçando suavemente minha bochecha.
Suguei minha respiração com força, não conseguindo ar o suficiente.
Ele se afastou.
– A aproximação ainda mexe com você — ele constatou, ainda me analisando com olhos críticos. — Sentiu algum medo? Sentiu que iria entrar em pânico?
Balancei a cabeça negativamente, meu coração um pouco disparado por causa de seu toque em meu rosto. E a aproximação. E seus malditos olhos com aquela tonalidade única.
– Ainda acho que eu deveria trocar de roupa — murmurei, apenas para mudar de assunto.
Ele me encarou como se eu estivesse louca e pegou meu braço, puxando-me para fora do quarto.
– De jeito nenhum — disse, — já estamos muito atrasados. Como vou me embebedar e acordar na cama de alguma garota bonita se eu chegar no fim da festa?
Fiz uma careta, me deixando ser arrastada por ele escada abaixo.
– Essa é sua definição de noite perfeita? — perguntei zombeteira — Encher a cara, dormir com alguma piranha e nem lembrar no outro dia? Uau. Romântico.
Damon riu.
– Oh, minha doce diabinha, não é isso. Mas talvez um dia eu te mostre minha definição de noite perfeita.
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