Iris
8 Poison Heart
Notas iniciais
Elena
Procurei algo para comer na cozinha mesmo, me negando a voltar à mesa com Damon e o resto dos Salvatore.
Magda tentou me ajudar, perguntando se eu me sentia bem o tempo inteiro e me acobertando quando tentei voltar sorrateiramente para o quarto, porém fui pega na metade do caminho pelo Salvatore mais novo, Stefan, que sorria afetadamente na minha direção.
– Tudo bem? — perguntou.
Eu parei e o encarei. Não conseguia saber se a preocupação em sua voz era real ou falsa.
– Estou bem — falei. — Apenas um mal estar. Avise a Jenna que sinto muito mesmo. Vou para meu quarto.
Continuei andando, mas Stefan se colocou na minha frente.
– Sinto muito por aquilo lá embaixo — disse. — Damon não tem limites às vezes.
Arqueei uma sobrancelha para ele.
Então Stefan sabia o que Damon havia feito. E provavelmente não havia tentado impedi-lo.
Céus. Aquela família era seriamente perturbada.
– Não tem problema — falei, dando de ombros. — Eu sempre posso me vingar.
Desviei dele e comecei a subir a escadas.
Ouvi Stefan rir atrás de mim enquanto me seguia.
– É bonita, protege suas causas e é vingativa? — comentou, então ouvi um “tisk tisk” antes dele continuar — Cuidado, Elena, posso acabar me apaixonando.
Terminei de subir as escadas.
– Seria uma pena para você — falei, — porque eu não saio com caras.
Mesmo sem olhar eu podia sentir Stefan estancando atrás de mim.
– Você é... — ele balbuciou — Lésbica?
Eu ri. Alto.
Virei para ele.
– Não — garanti. — Dificilmente.
– Então, o que? — perguntou sem entender.
Minha vontade de rir aumentou um pouco.
– Eu não saio com ninguém — expliquei.
– Por quê? — insistiu.
A vontade de rir sumiu completamente e eu dei de ombros.
– Não importa.
Então eu continuei andando até chegar a meu quarto.
Damon
– Você o que? — perguntei para meu irmão quando ele me contou o que havia se passado entre ele e a diaba no corredor da casa.
Ele sorriu timidamente, servindo a si mesmo de uma dose do uísque que nossa mãe havia proibido.
– Dei em cima dela — repetiu. — Mas ela se esquivou e disse que não saía com caras.
Fiquei surpreso.
– Ela é lésbica? — perguntei.
Ele levantou o copo de uísque antes de colocar na boca.
– Pensei a mesma coisa — disse. — Mas parece que não. Ela só não sai com ninguém. Eu perguntei por que, mas ela não disse. Deve ser uma daquelas virgens celibatárias que sonha em servir a Deus e frescuras desse tipo. Vai saber?
Neguei com a cabeça, bebendo minha própria dose de uísque.
– Duvido, irmãozinho — falei. — Ela provavelmente deve ser uma daquelas feministas radicais que acredita fielmente não precisar de homem na vida.
Então parei de falar quando o meu telefone vibrou no meu bolso.
Li rapidamente a mensagem que me enviaram, um sorriso enorme surgindo em meu rosto.
Terminei o uísque com um único gole e me levantei.
– Tenho que ir, Stefan. Uma linda loira me espera — então pisquei para ele. — Nua.
Ele bufou alto.
– Não sei o que essas garotas veem em você — disse.
Peguei a chave do meu carro e virei para ele novamente.
– Isso é porque você nunca transou comigo.
Elena
Damon havia saído. Eu vi quando ele entrou em um lindo carro azul com um sorriso muito suspeito em seu rosto.
Não me importava o que ele iria fazer, a única coisa que importava era que eu poderia colocar em prática minha vingança.
Eu tinha diversas coisas em mente, mas antes de fazer qualquer coisa, eu precisava conhecê-lo melhor.
Como o próprio A Arte da Guerra ensina: Conheça seus inimigos.
Então eu saí do meu quarto e caminhei despreocupadamente para o quarto dele, que convenientemente Magda havia dito onde era...
E adivinhem? Em frente ao meu. Azar ou sorte, vocês decidem.
Entrei sorrateiramente no quarto daquele demônio de olhos claros, esperando encontrar qualquer coisa que eu pudesse usar contra ele futuramente.
Passei a chave na porta para impedir que alguém entrasse e comecei a procurar.
O quarto de Damon era neutro. Nem muito bagunçado e nem muito arrumado. Na verdade eu estava surpresa por não encontrar roupas sujas no chão ou resto de comida sobre os móveis e debaixo na cama.
Vasculhei suas gavetas e seu guarda-roupa. Não encontrei muito mais que roupas e um pacote de camisinhas tamanho grande ao lado de sua cama.
Completamente vermelha, guardei as camisinhas e continuei minha procura.
Ele tinha uma montanha de livros empilhados do outro lado da cama, e pelo desgaste realmente parecia que ele os tinha lido. E mais de uma vez.
Fiquei muito surpresa com isso. Damon não parecia do tipo que gastava seus dias folheando páginas de um romance.
Também encontrei algumas inscrições para faculdades amassadas perto de uma mochila preta e uma agenda com diversos números de telefone. Fechei a agenda depois de ler “Muito gostosa” em cima de um número e “Ótima de cama” em outro.
Mas então uma ideia passou pela minha cabeça e eu voltei para a agenda com um sorriso malicioso no rosto.
Peguei meu telefone e disquei o primeiro número, onde estava escrito “Zoey Gata”.
Ela atendeu no segundo toque.
– Boa tarde — falei com minha voz mais formal, — meu nome é Denise, trabalho para o controle de doenças. Conhece Damon Salvatore?
– Sim — ela respondeu parecendo preocupada. — Ele está bem?
– Damon foi recentemente diagnosticado como portador do vírus HIV. Ou seja, ele tem AIDS — falei, fingindo sentir muito por ele e sua doença falsa. — Estamos ligando para todas suas possíveis parceiras para informar que tomem cuidado, afinal é uma doença realmente perigosa.
– Ah, meu Deus! — ela gritou no telefone.
Eu sorri satisfeita.
Nenhuma mulher queria sair com um cara que tivesse DST.
Levou uma tarde inteira para ligar para todas as mulheres da lista e deu bastante trabalho, mas no final, fazer da vida de Damon um inferno, não tinha preço.
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