Notas iniciais
Ooooi pessoas, como estão? Sei q deveria postar nas outras fics antes de atualizar essa, mas não consegui esperar, to com muitas ideias pra colocar aq. O título do capítulo é da música Imagine do John Lennon, e eu achei perfeito, pq imagine se esses dois (damon e elena) se entendessem e dessem um passo a mais na relação?

Elena

A água estava maravilhosamente quente, e quando submergi totalmente meu corpo os sais de banho faziam um formigamento gostoso contra minha pele maltratada pelo frio do lago.

Duvidei de que algum dia eu sairia daquela banheira.

Mergulhei minhas mãos sob a água, e um gemido de dor escapou de meus lábios. O sais de banho fizeram as extensas picadas de abelha em minhas mãos arderem. Olhei para outras partes do meu corpo, apalpando e vendo até que ponto as malditas abelhas haviam picado minha pele.

As mãos estavam em pior estado, mas algumas picadas eram visíveis em meu braço, e, com uma leve pressão dos dedos, percebi que havia algumas em meu pescoço também.

Outra vez dei graças a deus por não ser alérgica a elas, ou isso teria causado um estrago infinitamente maior do que havia realmente causado.

Tomei um banho lento, tomando meu tempo. Lavei meu cabelo com certo esforço até que a água estivesse completamente cheia de sabão e imprópria para uso, então quando ela estava fria também, levantei, com os dedos completamente enrugados e sai do banheiro com uma toalha envolta em meu corpo.

Parei na porta, olhando para o quarto e incapaz de continuar, porque Damon estava sentado em minha cama, me encarando.

– O que faz aqui? — perguntei em um fio de voz.

Então me censurei. A visão dele em minha cama não deveria me afetar tanto.

Ele estendeu um braço, gesticulando para uma bandeja que continha algo parecido com sopa. Ao lado da bandeja, sobre a cama, também tinha uma pequena maleta vermelha e eu me perguntei para que aquilo serviria.

– Trouxe comida quente — disse. — E a caixa de remédios pra tentar amenizar as picadas das abelhas.

Encarei-o. Meu queixo caindo.

– Você o que? — perguntei, achando que não havia ouvido direito.

Sua boca sensual se abriu em um lento sorriso de lado.

Sensual não. Censurei-me novamente. Não pense nele como sensual, Elena.

– Trouxe um dragão para voarmos e um karaokê com as músicas de Glee — brincou. — Venha, sente aqui — deu uma batidinha na cama, do lado oposto onde a bandeja e a maleta estavam, — quero ver a extensão das picadas

Meu queixo continuou caído.

Ele queria me ajudar e estava bem-humorado e fazendo piadas?

– Você é um clone? — acusei.

Damon riu, uma risada aveludada e totalmente maravilhosa de se ouvir.

– Não sou — confessou, — não acho que o mundo mereça a dádiva de ter dois de mim.

Mordisquei meus lábios, ponderando sobre me sentar ao lado daquele Damon que era completamente o oposto do qual eu havia me acostumado.

– Estou de toalha — acusei, gesticulando para meu corpo.

O que obviamente foi a coisa errado a se dizer, porque Damon me olhou de cima a baixo, lentamente, seus olhos se demorando em minhas pernas descobertas e na parte dos meus seios que mantinha a toalha presa ao meu corpo. Seus olhos foram até meu cabelo molhado e vi quando ele acompanhou com o olhar uma gota que descia até o meio de meus seios.

Eu me senti nua e exposta como nunca havia me sentido em minha vida.

Os olhos dele, que antes estavam descontraídos, agora estavam escuros com uma emoção que eu não conseguia reconhecer.

– Eu vejo — ele murmurou, sua voz saindo mais rouca do que a segundos atrás.

Balancei a cabeça, afastando os breves pensamentos que eu havia tido com aquela voz rouca.

– Me deixe trocar de roupa — pedi, limpando a garganta para que minha voz saísse normal.

Damon negou com a cabeça, fazendo com que meus olhos se arregalassem.

– Quero fazer isso rápido — explicou. — Antes que a sopa esfrie, senão ela não terá nenhuma utilidade.

Apertei meus lábios juntos, sentindo uma onda de frustração me invadindo.

– Não vou me sentar na cama com você usando apenas uma toalha! — grunhi, frustrada.

Até bem-humorado aquele homem conseguia me tirar do sério.
O sorriso dele aumentou.

– Não tenho nenhum problema com isso — retrucou. — Mas se quiser realmente trocar de roupa, fique a vontade.

Mas ele não saiu. Não. Damon se acomodou melhor em minha cama e me encarou, esperando o que eu iria fazer.

Ele realmente achava que eu iria trocar de roupa na frente dele? Só podia estar louco!

Suspirando de frustração, segurei firmemente as laterais de minha toalha e me sentei ao lado dele.

Damon sorriu satisfeito e por um momento eu me arrependi de não ter levado minha roupa para me trocar no banheiro.

– Onde foi picada? — perguntou, abrindo a caixa e tirando alguns remédios e um pacote de algodão.

Estendi uma das mãos, enquanto a outra pressionava minha toalha, mantendo-a colada em meu corpo.

Mordisquei os lábios quando ele mergulhou o algodão em um dos remédios e pressionou gentilmente contra minha palma maltratada.

Aquilo ardia um pouco, mas me mantive calada.

– Lamento que as flores tenham atraído abelhas — ele murmurou, parecendo muito focado no trabalho que fazia em minha palma.

Encarei ele, completamente pasma.

– Está... Está se desculpando? — gaguejei.

Seus lábios sensuais pressionaram-se em uma linha fina.

– Claro que não — resmungou. — Só estou lamentando uma coisa pelo qual não tive qualquer controle.

Rolei os olhos.

– Talvez não tivesse atraído abelhas se você não tivesse mandado colocar aquele maldito perfume doce nas flores — retruquei.
Ele me encarou, como se não entendesse o que eu havia dito.

– Não mandei que colocassem perfume — se defendeu. — Apenas pedi para que Bianca trouxesse flores bonitas e entreguei o cartão que eu fiz para que ela lhe entregasse.

Estiquei mais o braço, mostrando as picadas em meu pulso e meu antebraço, onde ele passou a trabalhar com o algodão e o remédio ardido.

– Bom — murmurei, — ela obviamente colocou perfume nas flores — então me lembrei dela me entregando as flores e correndo apressada para longe. — Acho que foi de propósito — acusei. — Ela tinha algum motivo para me ver sendo atacada por insetos?

Observei enquanto ceticismo assumia o rosto de Damon.

– Dormi com ela uma vez — admitiu, — mas não acho que ela iria...

Arranquei meu braço de suas mãos.

– Você mandou uma antiga amante sua me entregar flores? — perguntei alto.

Ele deu de ombros.

– Não achei que fosse nada demais — se defendeu, — e ainda não acho que ela tenha...

– Nem eram flores bonitas! — lamentei, irritada, o interrompendo novamente — Foi a coisa mais clichê que recebi na vida!

Damon apertou os lábios, minhas palavras o atingindo.

– Você não gostou? — perguntou.

E uma pontada atingiu meu peito quando percebi que ele pareceu realmente chateado com isso. Minha raiva e frustração amenizaram e eu lhe estendi minha outra mão, que ele não havia passado o remédio ainda.

– Eu não disse isso — tentei me defender. — Apenas tenho certa aversão aos clichês.

Não acrescentei, é claro, o fato de que eu evitava o máximo possível coisas que me lembrassem de romance, tais como filmes e livros que abordavam o tema, simplesmente porque eu não queria me iludir com algo eu nunca teria: um relacionamento de verdade.

Acho que já havia aceitado esse fato sobre minha vida. Como eu poderia me relacionar com qualquer homem, se eu sequer suportava que eles se aproximassem?

Damon assentiu, como se entendesse e pegou meu outro braço, molhando novamente o algodão no remédio e passando em minha pele.

– Você é bastante excêntrica, não é? — comentou.

Fiz uma careta, mas não disse nada.

Ele colocou o remédio calmamente em cada ponto avermelhado de minha pele. Todo o tempo eu evitava pensar no quanto seus dedos eram quentes contra minha pele e o formigamento que aquilo me causava.

Qual diabos era o meu problema?

– Onde mais você foi picada? — ele perguntou, soltando minhas mãos.

Eu não disse nada. Também não pensei, apenas virei de costas para ele e levantei meus cabelos úmidos tirando eles do caminho do meu pescoço.

O movimento fez com que a toalha se afrouxasse, pendendo na base das minhas costas, tive que segurá-la na frente para manter meus seios cobertos.

Damon

Eu não ousava respirar.

Se já era difícil raciocinar com Elena sentada apenas de toalha do meu lado, imagine agora, com boa parte de suas costas nuas e ela tendo que segurar a toalha sobre os seios para mantê-la no lugar?

Ela iria me matar de desejo frustrado.

Por que sim. Céus. Eu desejava aquela mulher. Muito. Eu a queria como não queria ninguém fazia muito tempo.

Aproximei-me mais, olhando para os pequenos pontos vermelhos em seu pescoço e pressionando o algodão com o remédio ali.

Deixei que meus dedos deslizassem sobre sua pele por mais tempo do que era realmente necessário.

Elena estremeceu sob meus dedos e eu não consegui evitar me aproximar mais dela. Meu nariz pegando o cheiro puro da essência de sua pele, mesmo ela tendo acabado de sair do banho.

Toquei os lábios em seu pescoço, sentindo uma vontade incontrolável de beijá-la.

Céus, sim. Aquela mulher iria me matar.

Elena saltou para longe de mim quando sentiu meus lábios. Saltou quase dois metros para longe e continuou se afastando até chegar à parede oposta de seu quarto, de onde me olhou aterrorizada.

Então eu lembrei o porquê de eu não poder tê-la realmente.

– Por favor, saia — ela pediu em um sussurro. Sua respiração saindo entrecortada e seus olhos arregalados.

Levantei, me sentindo extremamente culpado por tê-la feito se afastar assim.

– Elena — sussurrei também, lentamente, tentando acalmá-la.

– Vá embora — ela pediu com desespero. — Por favor. Só vá embora.

Ela parecia tão frágil. Como se a qualquer momento fosse quebrar, como porcelana. Meu coração se despedaçou ao vê-la daquele jeito.

Eu só queria aninhá-la em meus braços e tentar acalmá-la, dizer que nada de ruim poderia lhe acontecer porque eu iria protegê-la.

Quase balancei a cabeça, trazendo meus pensamentos de volta para a realidade.

O que havia de errado comigo?

– Vá embora — ela pediu de novo.

Por um momento achei que ela iria chorar, o que aumentou meu desespero.

– Deixe-me lhe ajudar — pedi.

Ela negou com a cabeça, um sorriso cruel despontando de seus lábios.

– Não acho que possa me ajudar — resmungou.

– Não vai saber se não tentar, não é? — insisti com uma maldita ideia se formando em minha cabeça.

Elena me olhou ceticamente.

– Como vai me ajudar? — retrucou.

Dei de ombros.

– Pensarei em alguma coisa — falei. — Mas quero ajudá-la a superar essa fobia que sente. Acho que posso ajudá-la se tentar.

Ela negou com a cabeça.

– Não acredito que possa — disse, parecendo ficar irritada comigo. — Não é profissional. Não é psicólogo ou psiquiatra. Como saberia tratar qualquer coisa relacionada à fobia, medo, trauma ou...

Elena parou, fechando os olhos e mordendo os lábios, como se tivesse falado mais do que deveria.

Mas eu não deixei de perceber, é claro, que ela havia usado a palavra “trauma” para se referir ao seu medo de homens.

Quase cerrei os punhos ao imaginar como ela tinha adquirido isso, mas só pensando em uma forma: alguém havia tocado Elena sem que ela permitisse, de uma forma tão estrema que ela havia ficado traumatizada.

– Não sou nada disso — admiti, ignorando meus pensamentos e me focando em suas palavras. — Mas sei que quer ter uma vida normal, namorar, se relacionar, até casar algum dia. Eu não sei, mas sei que gostaria de ter escolha, pelo menos. E eu posso ajudar. Posso tentar. Lerei tudo que puder sobre o assunto, eu juro. Deixe-me ajudá-la, Elena.

Ela abriu os olhos, me avaliando lentamente, como se medisse minhas palavras e avaliasse minhas intenções.

– O que de pior pode acontecer? — tentei. Minha última cartada.

Se ela negasse eu iria simplesmente esquecer, dar as costas e ir embora, mas por algum motivo eu queria que ela aceitasse.

Porque, uma voz cruel murmurou em minha cabeça, essa é a única forma de tê-la em sua cama.

Afastei a voz, mesmo sabendo que ela estava possivelmente correta.

Elena suspirou, seu corpo tensionado relaxando um pouco.

– Ok — ela sussurrou mais para si mesma, como se tentasse se convencer. — O que de pior pode acontecer? — repetiu.

A voz cruel em minha cabeça sorriu satisfeita.

Notas finais
E então? Gostaram? Como vcs acham q o Damon vai fazer a Elena superar essa fobia dela? Oq vcs acham das verdadeiras intenções dele?