Iris
7 Highway To Hell
Notas iniciais
Damon
Aquela diaba de olhos castanhos. Quem ela pensava que era? Havia chegado a menos de meia hora e já havia conseguido me irritar como o inferno.
No que diabos minha mãe estava pensando? Trazer aquela louca para a minha casa, colocá-la no único lugar que eu gosto de ficar nesse mundo e ainda por cima deixar com ela mais da metade do meu estoque de tintas.
– Existem centenas de quartos nessa casa, por que ela tem que ficar com o meu? — reclamei em voz alta.
– Porque é o melhor da casa — ouvi atrás de mim.
Fiz uma careta e me virei para encarar Stefan, meu amado irmão mais novo.
– Grande coisa — falei.
Ele riu, colocando as mãos nos bolsos de sua calça jeans.
– Acho que nossa mãe queria causar uma boa impressão — ele opinou.
– Não precisava dar meu quarto de pintura para ela — discuti. — Ela é pobre, ia ficar impressionada até se fosse dormir na garagem.
Stefan balançou a cabeça, como se o que eu tivesse dito fosse um absurdo.
– Não seja tão arrogante, Damon — disse. — Elena parece ser uma jovem bastante justa e educada, aposto que se pedisse gentilmente ela lhe daria o quarto com toda a certeza.
Contive a vontade de rir.
– Claro que ela iria — resmunguei. — Depois de pintar minha parede, sujar meu chão de tinta, inundá-lo com suas coisas... Claro que ela vai me devolver o quarto.
Stefan arqueou uma sobrancelha.
– Ela está pintando a parede?
– Está! — gritei — A diaba está desenhando borboletas azuis na parede do meu quarto.
– Ela pinta? — Stefan perguntou, parecendo surpreso.
Lembrei de Elena Gilbert utilizando o pincel com delicadeza e maestria enquanto preenchia as belas borboletas que havia feito. Ela pintava como se soubesse exatamente o que fazia e por sua roupa simples manchada de tinta velha, parecia que fazia aquilo há algum tempo.
Ótimo. Eu tinha algo em comum com aquela odiável garota de língua afiada.
O inferno devia ter congelado.
– Pinta — murmurei rispidamente.
O sorriso de Stefan aumentou.
– É bonita, talentosa, salva bichinhos perdidos na rua e sabe impor o que acredita — disse com aprovação. — Absolutamente é o meu tipo.
Encarei ele. Céus, meu irmão só podia estar louco. Elena não era bonita... Ok, ela era certamente um pouco bonitinha, mas também era o diabo em forma de gente. Nem que ela parece uma modelo da Victoria Secret, ainda assim ela seria o ser humano mais irritante do planeta.
Nenhuma beleza do mundo pode compensar uma personalidade tão insuportável.
– Se eu fosse você eu não me encantaria por ela — avisei. — Logo Elena Gilbert voltará para o buraco de onde saiu.
Meu irmão franziu a sobrancelha e me olhou desconfiado.
– E como pretende fazer isso? — questionou.
– Tenho um plano diabólico — respondi.
Ele sorriu, um brilho passou pelos seus olhos.
Stefan era o maior fã das coisas que eu aprontava.
– E qual é o plano?
Lancei um meio sorriso malicioso.
– Se eu te contasse, não seria tão diabólico.
Elena
Eu havia terminado de pintar a parede quando olhei a hora e percebi que já era meio dia.
Suspirei alto, pensando que eu teria que ver um odioso rapaz de olhos claros enquanto almoçava.
Fui até o banheiro e lavei rapidamente minhas mãos. Tirei minhas roupas manchadas de tinta e coloquei outro par de shorts e camiseta limpos. O tempo estava quente e meu cabelo longo e escuro estava esquentando meu pescoço então o amarrei em um rabo de cavalo para evitar o suor.
Não me olhei no espelho para ver minha aparência, muito menos fiz qualquer coisa para ficar mais apresentável que isso. Por mais que os Salvatore se vestissem como modelos em sua própria casa eu ainda prezava o conforto e duvidava que isso fosse mudar algum dia.
Desci rapidamente as escadas e um cheiro delicioso me atingiu assim que cheguei perto do lugar que presumi ser a sala de jantar, pois havia uma mesa enorme ali com diversas coisas deliciosas arrumadas minuciosamente em cima dela.
Os Salvatore estavam perfeitamente sentados, cada um em um lugar da mesa como se o mesmo os pertencesse.
Jenna se levantou assim que me viu.
– Elena — cumprimentou com um sorriso. — Espero que goste de cogumelos — disse, — Magda preparou ravióli.
Retribui seu sorriso. Eu estava decidida a ser educada e gentil com todos ali — menos Damon, que eu pretendia ignorar, — pois não era culpa deles que eu teria que ficar ali por dois anos.
O máximo que eu podia tentar era fazer com que o tempo que eu passasse ali não se tornasse um fardo para Jenna.
– Tenho certeza que deve estar delicioso — falei, sendo o mais gentil que eu conseguia.
Caminhei até a mesa e me sentei no lugar vago que havia entre Caroline e Claire.
Então olhei para cima e encontrei duas poças prata-líquida me encarando e percebi o quão terrível havia sido minha escolha não pensada.
Ótimo. Eu teria que comer frente a frente com o arrogante narcisista.
Caroline limpou a garganta do meu lado e eu desviei o olhar rapidamente para ela.
– Tem tinta no seu rosto — avisou com um pequeno sorriso, sua voz soando muito mais gentil e fluida que a minha.
Passei a mão na bochecha, corando um pouco.
– Ah — murmurei envergonhada, — obrigada.
– Estava pintando? — alguém perguntou.
Levantei o olhar e vi que havia sido Stefan, o gêmeo de Caroline.
Havia um brilho estranho em seus olhos, porém não consegui decifrar exatamente o que era e ignorei isso.
– Sim — respondi, minha voz saiu em um fio.
Céus, porque eu estava tão envergonhada? Tudo bem que eu não gostava de ter todos aqueles olhos em cima de mim, mas isso não justificava minha voz fraca e meu rosto vermelho.
– Você pinta? — outra voz, mais fina dessa vez, abaixei os olhos e encontrei os enormes olhos brilhantes de Claire.
Eu sorri. Um verdadeiro sorriso brilhante.
Olhando para aquela linda criança eu não me senti envergonhada.
– Pinto sim — respondi. — Desde que eu tinha mais ou menos a sua idade. Mamãe achava importante estimular a minha criatividade.
Seu sorriso aumentou.
– Damon também pinta — ela anunciou, como se fosse algo inédito. — Mas ele aprendeu sozinho, não é, Damon? — ela virou e encarou o irmão, que murmurou algo incompreensível — Mas ele prometeu que vai me ensinar.
Meu sorriso vacilou um pouco o pensar nele, mas consegui mantê-lo colado no rosto.
– Isso é ótimo — respondi, sem saber mais o que dizer.
A voz de Caroline voltou a inundar meus ouvidos:
– Elena — disse. — Eu queria me desculpar por mais cedo. Eu não devia ter criticado suas roupas. De verdade, eu só queria...
– Eu sei — a interrompi, sorrindo também, pelo canto do olho eu podia ver Damon rolando os olhos. — E eu que devo pedir desculpas, fui rude com você, mas juro que foi por causa do voo. Foi completamente exaustivo, acredite. Na verdade, prometo te acompanhar no shopping no dia que você quiser.
Ela sorriu tanto que parecia que iria partir seu rosto ao meio.
– Isso seria ótimo! — disse alegre. — Eu tenho tantas ideias do que comprar, afinal você é tão bonita! Já pensei em diversas roupas que vão iluminar a sua pele e acentuar suas curvas, afinal você tem lindos...
– Caroline — Jenna a censurou com uma voz firme. — Acredito que isso não seja assunto para ser discutido na mesa.
Caroline assentiu, porém seu sorriso permaneceu intacto.
Ela se virou para mim novamente.
– Me fale de você, Elena — pediu. — Mamãe apenas disse que aconteceu uma coisa onde você morava em Oregon e que agora vai passar um tempo com a gente. O que aconteceu? Algo ilegal? Não foram drogas, ou foi?
Olhei brevemente para Jenna.
Ela não havia dito a verdade para os filhos?
– Caroline — a mãe voltou a repreendê-la.
– Qual é, mãe — a loira disse. — Estamos curiosos.
– Car tem razão — Stefan concordou. — Queremos saber mais sobre a linda garota que vai passar um tempo na nossa casa.
Jenna abriu a boca, talvez para censurar novamente seus filhos, mas na mesma hora Magda entrou na sala, passando a servir cada integrante da família.
Eu estava focada demais nos Salvatore para reclamar o fato de que eu poderia muito bem colocar minha própria comida.
Os Salvatore continuavam me encarando fixamente enquanto eu olhava para o ravióli no meu prato. Uau, parecia ser gostoso, apesar de ter uma estranha cor avermelhada.
Espetei um cogumelo, ignorando os olhares em meu rosto, Caroline disse algo, mas eu estava ocupada experimentando o tal ravióli. Coloquei o cogumelo na boca...
E o inferno explodiu na minha língua.
Meus olhos lacrimejaram enquanto pimenta pura queimava minha garganta e ameaçava deteriorar meu sistema digestivo.
Estiquei a mão, pegando o copo de água que havia ali e o bebi avidamente.
Quase vomitei.
Aquilo não era água. Era vinagre.
Levantei em um pulo.
Céus, eu precisava de água.
Corri até a cozinha e me lancei sobre a primeira torneira que eu vi, bebendo água como se houvesse passado a vida em um deserto.
Porque diabos alguém colocaria tanta pimenta em uma comida? E vinagre em um copo!
Quem faria isso? Porque alguém...
“Você vai se arrepender de cada palavra que acabou de dizer” a voz de Damon invadiu minha mente.
Aquele filho de uma...!
Aquele desgraçado de olhos claros não sabia com quem estava lidando... Mas iria descobrir.
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