Iris

12 Cold Water


Notas iniciais
Oooooi pessoas. Demorei dessa vez? Aqui está um capítulo novinho pra vcs que queriam saber da reação da Elena ao receber as flores. A música do título é do cantor Damien Rice, a voz dele é linda, mas a música é muuuito lenta, pesquisem apenas se gostarem. xoxoxo Nana

Elena

Eu havia passado o dia no shopping com Caroline e tinha mais roupas em sacolas do que no meu guarda roupa em toda a minha vida. Eu não comprei nenhuma, porque Caroline Salvatore tinha um ilimitado cartão platino e antes que eu pudesse sequer abrir a boca para reclamar, ela já havia passado todas as compras. Em milhares de lojas.

Passei o dia de provador em provador e absolutamente tinha uma nova definição da palavra “inferno”.

Agora eu também tinha milhares de roupas que provavelmente nunca usaria na vida, não importa o quão bonita elas fossem.

Deixei Caroline tomar minha frente e mudei de direção, caminhando até o jardim e me sentando no balanço protegido do Sol. Larguei as sacolas ao meu redor e fechei os olhos, aproveitando o silêncio e a calmaria do local por alguns segundos.

Mas é claro que o silêncio e a calmaria não duraram muito.

– Elena Gilbert? — alguém chamou do meu lado, fazendo com que eu voltasse a abrir os olhos.

Arqueei uma sobrancelha para a garota pequena e franzina que parecia totalmente deslocada com um imenso buque de rosas vermelhas em sua mão.

– Sou eu — murmurei, observando as flores com curiosidade.

Ela sorriu de forma vacilante.

– Meu nome é Bianca, trabalho para a floricultura Sunshine Flowers, tenho uma entrega para você.

Subi ambas as sobrancelhas, espantada.

– Pra mim? — repeti.

Quem me enviaria flores? E mais: quem seria tão clichê a ponto de me mandar flores vermelhas?

Aquilo parecia coisa de romance água com açúcar.

Ela assentiu e me deu as flores rápido, como se fossem pesadas demais para ela ou algo do tipo.

– Tem um cartão nelas — garantiu, então foi embora. Quase correndo.

Encarei as flores e o ponto onde a garota havia sumido. O que diabos estava acontecendo? O que tinha de errado com aquela garota para ela praticamente correr para longe de mim?

Estiquei a mão, caçando o cartão em meio às pétalas vermelho sangue. Um cheiro forte e doce alcançou meu nariz, e esse cheiro estava longe de ser o cheiro comum de rosas. A pessoa que me enviou as flores mandou colocar perfume nelas.

Ótimo, bufei mentalmente, quem me mandou isso era clichê e idiota.

Finalmente achei um pequeno pedaço retangular de papel e li o que estava escrito em letras fluídas que eu nunca conseguiria reproduzir com meus garranchos na vida.

Querida Elena, eu li, espero que goste das flores. Não existe um motivo especial para eu lhe dá-las, apenas senti vontade de presenteá-la.

Atenciosamente, Damon.

P.S.: Espero que goste da cor vermelha, afinal rosas vermelhas são clássicos.

P.S.2: Apenas para lembrá-la que dificilmente um idiota, narcisista, egoísta, e o que mais gosta de me chamar, se colocaria na situação de lhe presentear. Espero pelo menos um “Obrigado” da sua parte.

Meu queixo caiu.

Damon havia me mandado flores? Ele havia batido com a cabeça? Por que diabos ele...

Então eu parei, como se uma luz se acendesse em minha cabeça.

Um sorriso tomou conta de meus lábios quando a ficha finalmente caiu. Ele estava se desculpando.

Ele era orgulhoso demais para pedir desculpas pessoalmente, então me enviou flores. Era tão óbvio. Que tipo de pessoa envia flores para outra apenas “porque estava com vontade de presenteá-la”? Claro que havia um motivo. Tudo que Damon fazia tinha um motivo.

Comecei a pensar em uma forma de jogar aquele fato na cara dele enquanto espantava com a mão uma pequena abelha que havia passado a zumbir perto de meu ouvido.

Outra abelha se aproximou também, rondando extremamente perto de mim e das flores.

Aquele maldito perfume doce que colocaram nas flores estava atraindo insetos.

Continuei abanando abelhas, agora incapaz de pensar em qualquer coisa além daqueles insetos irritantes.

Um barulho maior fez com que eu olhasse para cima assustada.

Levantei com tudo, correndo de um enxame de abelhas que havia aparecido do nada.

Larguei as flores no chão de qualquer jeito, esperando que o enxame parasse de me perseguir e fossem para as flores, mas elas continuaram atrás de mim enquanto eu me debatia e minha mão acertava algumas abelhas no processo.

Acho que abelhas não gostavam de ser agredidas.

Apressei o passo, desesperada, senti algumas ferroadas em minha pele exposta, principalmente nas mãos que eu usava para me defender. Céus, graças a deus eu não era alérgica a abelhas, porque se eu fosse estaria ferrada.

Avistei o lago e antes de poder ao menos pensar, saltei para dentro dele e fiquei o máximo que pude imersa sob a água extremamente gelada.

Meus ossos doeram quase instantaneamente por causa do frio e do impacto e eu me desesperei por alguns segundos, lembrando o quão péssima nadadora eu era. Balancei minhas pernas abaixo de mim procurando algo no qual que pudesse me firmar para poder me impulsionar para fora da água.

Quando meus pulmões arderam por falta de oxigênio eu finalmente encontrei o fundo do lado, usando a força das minhas pernas para que eu pudesse sair dali. Deu certo, então tomei um longo fôlego antes de perceber que as abelhas haviam ido embora e então tentar nadar miseravelmente para a beirada do lago.

Já mencionei que sou péssima nadadora?

Alguns minutos depois eu estava entrando na mansão Salvatore, totalmente molhada e com meus dentes batendo por conta do frio. Eu não havia tido coragem de voltar para buscar minhas sacolas de compras, então minhas mãos estavam livres e eu tentava me esquentar inutilmente.

– Elena? — alguém chamou da sala, correndo até mim como um flash.

Levantei os olhos, vendo Jenna me olhar preocupada. Seu olhar seguiu de meu cabelo encharcado para a poça de água que eu havia feito eu seus tapetes caros.

– O que aconteceu? — perguntou.

Outra forma menor apareceu na minha frente.

– Você foi nadar? — Claire perguntou com sua voz infantil.

Soltei uma pequena risada entrecortada pelo frio.

– M-mais o-ou m-menos — gaguejei.

– Você não tem biquíni? — ela perguntou, parecendo genuinamente preocupada ao olhar para minha calça jeans arruinada. — Quer que eu te empreste os meus?

Eu ri, mais dessa vez.

– D-duvido q-que s-sirva — brinquei.

Jenna continuou me encarando.

– O que aconteceu? — insistiu.

– U-um p-pequeno a-acidente c-com a-abelhas — resmunguei.

Ela não pareceu entender o que eu queria dizer, mas também não insistiu no assunto.

– Suba — Jenna disse. — Tome um banho e vista roupas quentes. Mandarei Magda levar uma sopa para seu quarto.

Assenti.

– D-deixei a-algumas s-sacolas n-no b-balanço- informei, meus dentes batendo mais.

– Mandarei Matt buscar — prometeu. — Agora suba.

Assenti novamente, muito feliz em poder voltar para meu quarto.

Porém, como alegria de pobre dura pouco, eu mal cheguei ao final da escada e tinha dois pares de olhos cor de prata líquida me encarando espantado.

– O que aconteceu com você? — Damon perguntou — Perdeu uma briga com um peixe?

Meu frio e cansaço viraram raiva.

– É-é s-sua c-culpa — acusei, odiando a mim mesma por tremer os lábios ao falar. O maldito frio estava arruinando minha credibilidade.

Um sorriso repuxou os cantos de seus lábios, como se ele estivesse divertido com meu estado.

– Como isso é culpa minha? — questionou, arqueando uma sobrancelha — Por acaso mandei você sair por ai se jogando em lagos com roupa e tudo e fingir que é uma sereia?

Meu ódio aumentou.

– Flores — acusei firmemente, feliz por pelo menos essa única palavra não sair tremida.

Seu sorriso vacilou um pouco.

– Meu buquê? — adivinhou — Você recebeu? Onde está?

– Chão — resmunguei, me atendo a monólogos.

Ele franziu a testa.

– Você jogou minhas flores no chão? — tentou.

Assenti.

– Abelhas — expliquei.

– As flores atraíram abelhas, então você as jogou no chão e se jogou no lago? — voltou a adivinhar. Acertando toda a história.

Assenti novamente.

Damon franziu mais a sobrancelha, se aproximando de mim e olhando rapidamente minha pele parcialmente picada pelas malditas abelhas.

– Você é alérgica? — perguntou preocupado.

Encarei ele por alguns segundos e neguei com a cabeça.

Ele soltou uma respiração aliviada e olhou rapidamente para meus lábios que provavelmente estavam azuis. Seus dedos foram para minha mão esquerda e ele parou o movimento que eu fazia para tentar me esquentar. Sua mão queimou contra a minha pele.

– Venha — pediu, me guiando pela mão. — Você está gelada.

E por algum motivo bizarro, eu o segui.

– V-você m-me m-mandou a-as f-flores — resmunguei, esquecendo os monólogos para deixar uma mensagem clara. — E-eu d-deveria c-colocar u-um r-rato n-nas s-suas c-cuecas.

Damon bufou.

– E voltar para as pegadinhas infantis? — retrucou. — Não. Obrigada. Você já me mostrou que você não brinca em serviço. Meu celibato forçado prova isso.

Eu ri novamente. O som saindo estranho por causa de minha mandíbula tremida.

Quando Damon finalmente parou comigo, eu percebi que ele havia me levado até o meu quarto. Ele abriu a porta e entrou comigo, mas antes que eu pudesse abrir a boca para reclamar, ele já estava abrindo meus armários e pegando um cobertor para cobrir meu corpo gelado.

E nesse momento eu estava realmente muito agradecida pela fonte de calor para poder reclamar de alguma coisa.

Damon caminhou até meu banheiro e então sumiu lá dentro.

Senti algo pequeno roçando contra a minha calça molhada e olhei para baixo, vendo Litch mostrando sua felicidade por eu ter voltado.

Sorri para a forma pequena, fazendo notas mentais de comprar o melhor petisco de gato que eu encontrasse depois.

Ouvi o barulho inconfundível de água escorrendo e alguns minutos depois vi um vapor quente sair do meu banheiro.

Damon saiu de lá também.

– Enchi sua banheira e esquentei a água — ele avisou. — Não sei se gosta de sais de banho, mas coloquei alguns dentro da água também.

Arregalei os olhos, espantada. Ele havia preparado meu banho?

– O-obrigada — gaguejei, sem saber muito bem o que dizer.

Ele abanou com uma mão, como se não fosse nada demais.

– Apenas vá logo antes que a água esfrie — resmungou, então caminhou por mim, voltando para minha porta. — Cuidarei para que quando sair tenha algo quente para comer.

E eu não pude dizer mais nada, porque ele já havia ido.

Notas finais
Gostaram? Comentem! Desculpe se tiver erros de portugues.