Iris
6 Blitzkrieg Bop
Notas iniciais
Virei para Damon Salvatore e observei enquanto seus olhos extremamente claros me mediam de cima a baixo.
Ele parecia definitivamente zangado.
– Desculpe — falei para ele, sendo completamente sincera. — Eu pretendo te comprar tintas novas, e eu...
Ele se aproximou e arrancou o pincel e a tinta azul das minhas mãos, antes mesmo que eu terminasse de falar.
– Não gosto que mexam nas minhas coisas — disse friamente. — E não quero que me compre nada.
Eu podia aguentar a sua falta de educação, mas, céus, ele havia arrancado as coisas da minha mão! Que tipo de animal fazia isso?
Endireitei minha coluna, tentando ficar da altura dele e levantei o queixo em sinal de desafio.
– Sugiro que diminua o seu tom de voz — aconselhei irritada.
Ele riu, como se achasse graça.
Damon tinha um sorriso bonito, não pude deixar de notar, mas isso estava mascarado por uma personalidade completamente abominável.
– Ah, você sugere? — ele zombou — E eu sugiro que você saia dessa casa e volte para o buraco de onde veio.
Dei um passo à frente e tomei de volta a tinta e o pincel.
– Saia do meu quarto! — mandei.
Ele continuou parado, um sorriso sombrio tomando conta de seu rosto.
– Seu quarto? — repetiu com escárnio — Acho que quis dizer meu quarto.
Joguei o pincel e a tinta em cima da primeira caixa que vi.
– Por isso está irritado? — perguntei — Te tiraram seu pequeno atelier? Ah, pelo amor de Deus, cresça.
Ele estufou o peito, seus olhos escurecendo em sinal óbvio de ódio absoluto.
– Devolva o quarto e as tintas — ele disse devagar, tão frio que congelaria o iceberg que afundou o Titanic, — e eu prometo não fazer da sua vida nessa casa um inferno.
Eu ri. Céus, ele estava me ameaçando?
– Se viesse aqui e tivesse me pedido educadamente — retruquei, — como um ser humano de verdade faria, eu te devolveria tudo com o maior prazer — eu dei outro passo na sua direção, encarando diretamente seus olhos. — Mas como está agindo como um animal anencéfalo, te tratarei como um animal anencéfalo. Esse quarto agora é meu. As tintas agora são minhas. Assim como os pincéis e todo o resto. Não gostou? O problema é seu. Agora vá se queixar com sua mãe, seu garoto mimado. Faça ela me tirar dessa casa. Eu iria embora com o maior prazer. Mas antes faça o favor de sair do meu quarto.
Ele deu um passo na minha direção também, talvez esperando que eu recuasse, porém continuei parada como uma estátua, o desafiando e me recusando a ceder.
– Olha aqui sua magrela esquisita — disse perigosamente perto do meu rosto, — você vai se arrepender de cada palavra que acabou de dizer.
Sorri com escárnio.
– Esperarei ansiosamente.
Continuamos daquele jeito por mais um segundo ou dois. Seu hálito atingindo meu rosto até que, por algum motivo além do meu conhecimento, minha respiração começou a sair entrecortada.
Depois, sem nenhuma palavra ele deu meia volta e saiu do meu quarto.
Precisei de alguns minutos para normalizar minha respiração.
Qual era o problema daquele cara? Entrar assim no meu quarto e ainda me ameaçar!
Aparentemente ele era tão idiota quanto todos haviam me dito. Um mal educado, estúpido, narcisista, infantil, bonito, sexy e... Espera!
Céus, eu só podia estar ficando louca.
Eu estava estressada demais para voltar a pintar, então me joguei na minha nova cama e peguei meu telefone, decidindo ligar para Alaric.
Ele atendeu depois de quatro toques.
– Alô? — sua voz parecia longe, como se ele estivesse fazendo algo importante que o ocupasse.
– Ric — chamei, sua voz imediatamente acalmando alguns de meus nervos.
Senti que ele sorria do outro lado da linha.
– Elena — disse feliz. — O que achou da sua nova casa?
Suspirei alto.
– Não tenho muito que dizer — respondi. — A casa é enorme, meu quarto é maravilhoso, tem uma vista esplêndida. Os empregados também são muito legais.
Alaric parou o que quer que estivesse fazendo e se concentrou em mim.
– E os Salvatore? — insistiu — Jenna me pareceu uma boa mulher.
Contive um gemido frustrado ao pensar em Damon, aquele que eu estava com uma vontade maluca de matar.
– Não os conheci direito ainda — expliquei a Ric. — Jenna parece ser boa, e rígida. Caroline realmente é uma patricinha, mas parece ser boa pessoa. Claire é um amor, realmente, uma criança muito doce. Stefan também parece ser legal. E Damon... Argh!
Ric riu do outro da linha.
– Acho que você não se entendeu com o bad-boy Salvatore — caçoou.
Bufei irritada.
– Ele invadiu meu quarto e exigiu que eu devolvesse esse quarto e algumas caixas que estão nele. Ele disse que era tudo dele e prometeu fazer da minha vida um inferno.
Ric não se ofendeu por mim, ou disse algo nobre, sobre defender a minha honra. Ele apenas riu da minha cara.
– Mal chegou na casa nova e já arranjou um inimigo — disse. — Porque será que não estou surpreso, Elena?
Encarei o telefone, ofendida.
– Ei — reclamei. — O que quer dizer com isso?
Ele continuou rindo.
– Nada — disse. — Mas você sabe que tem uma personalidade forte, Elena. Você não deixa ninguém te contrariar.
Bufei alto, me negando a aceitar o que ele disse.
– O que está fazendo? — perguntei, mudando de assunto.
Ouvi o barulho de algo metálico colidindo. Ouvi Ric dizer um palavrão antes de me responder:
– Cozinhando.
Então eu ri. Eu ri alto.
Céus, eu daria tudo para ver essa cena.
– Você quer dizer tentando, certo? — zombei.
Ouvi novamente o barulho metálico e Ric soltou outro palavrão.
– Eu sei cozinhar — ele se defendeu, parecendo estar ofendido. — Minha comida é uma delícia.
Contive novamente a vontade de rir.
– Correção — falei. — Você sabe cozinhar miojo. Comida de verdade é muito mais do que colocar macarrão instantâneo em água fervendo.
– Eu também sei fritar ovo — retrucou.
Dessa vez não consegui segurar o riso.
– Sério? — perguntei, Ric sempre conseguia restaurar meu bom humor — Porque da última vez que fez ovo para mim ele saiu queimado... E cru por dentro! E acredite, você é a única pessoa do mundo que consegue fazer essa proeza.
Ou vi novamente aquele barulho. Deveria ser uma panela, constatei.
– Você disse que estava gostoso! — ele acusou.
– Não estava tão mal — falei.
Ric começou a dizer alguma coisa, mas logo em seguida gritou outro palavrão, ouvi o barulho de algo fritando.
– O que aconteceu? — perguntei, preocupada.
– A comida pegou fogo — ele disse. — Virou carvão.
Eu gargalhei alto, imaginando comida carbonizada e sua cozinha negra de fumaça.
– Porque não pede pizza? — aconselhei — Ou comida chinesa?
Ric suspirou derrotado.
– Farei isso.
Sorri satisfeita. Olhei brevemente a hora na tela do celular e percebi que já era meio dia.
– Tenho que desligar, Ric — avisei. — Se cuida, e não chegue perto do fogão.
Ele bufou do outro lado da linha, mas eu sabia que ele estava sorrindo.
– Tchau, Elena — disse. — Se cuida também. E infernize a vida daquele bad boy.
Um sorriso malicioso despontou de meus lábios.
– Pode deixar.
Fale com o autor