Inverno Nuclear — Interativa
8 Capítulo 7 - No Limite
Notas iniciais
Capítulo 7 — No Limite.
Clark jogou-se no chão, agarrado a Amy.
Ao seu lado, Crystal também se jogara e Miller estava ajoelhado, agarrado a algo dentro da jaqueta. Só agora Clark repara em Miller. Ele tinha cabelos negros repicados, com uma grande franja que cobria parte dos seus olhos, estes azuis elétricos, que cintilavam vez ou outra. Tinha uma pele bronzeada, como se tivesse acabado de passar um final de semana na praia.
Os pacificadores entraram correndo pelo salão, armas em punho e com suas roupas básicas e suas mascaras de gás. O pacificador que tinha o símbolo com Yin Yang em cima do mundo entrou por último, carregando uma enorme metralhadora.
— Grupo Fogo e Água, procurem reféns! Grupo Ar cuide conta da porta! Grupo Terra procure-no!
Os respectivos grupos, cada grupo com uma faixa no braço com cores diferentes — Vermelho, azul, verde e amarelo — separaram-se.
— Silêncio — Miller sussurrou, fazendo Clark assentir. O moreno girou o corpo, se virando para Crystal. — Consegue fazer algum barulho para distrai-los?
Crystal agarrou uma xícara que estava caída levantando.
— Isso serve? — Miller sorriu, assentindo.
Crystal agarrou e jogou a xícara para o balcão.
Alguns pacificadores com a faixa azul foram em direção do barulho, enquanto que um com a faixa vermelha foi em direção à mesa onde os quatro estavam escondidos. Os reféns estavam jogados na parede com armas apontando para eles. Miller virou-se para Amy que olhou para os reféns.
— Quer que eu me esconda entre eles? — Amy sussurrou, olhando para os reféns e os pacificadores armados até os dentes.
— Sim, e use isso quando eu disser — Disse e entregando uma faca para Amy, esta a escondeu. Fechou os olhos e contou até três, guardando a faca no bolso do casaco, saindo do esconderijo e correndo para a cozinha, fazendo com que o pacificador que antes ia até detrás da mesa virar-se para Amy que correu e escondeu-se no balcão.
— PARADA! — Gritou, apontando o fuzil para a de cabelos castanhos.
Amy foi surpreendida por dois pacificadores com faixas azuis que a levantaram, e a jogaram nos reféns.
— E agora? — Clark sussurrou, olhando para Miller, este ainda estava com a mão na jaqueta, e olhava para o pacificador líder.
— Deixa comigo. — Falou, fazendo algo que surpreendeu tanto Clark, quanto Crystal.
Miller levantou-se, sorrindo, com a mão na jaqueta e gritando alto:
— EI! SEUS PASPALHOS!
Clark arregalou os olhos.
— Ele endoidou? — Crystal questionou.
Todos os pacificadores miraram suas armas em Miller, este continuou sorrindo.
— Eu darei uma chance para abaixarem as armas, filhos das putas comidas por meu pai!
O Líder sorriu, retirando a máscara de gás, revelando um rosto que parecia divertir-se com a situação.
— Sou Mark Peace, meu caro, acho melhor parar de delirar. Estamos em maior número e eles irão atirar em você se mexer um músculo.
Miller sorriu amplo, fazendo Crystal e Clark prenderem a respiração.
— Então os mande atirar, Mark — Ele abriu os braços, fazendo todas as armas serem erguidas e fazerem os reféns gritarem. — Pois eu vou mexer o músculo do meu dedo. — Sorrindo, mostrando a granada presente na mão que antes estava na jaqueta. — E todo mundo vai morrer.
Mark rangeu os dentes. Miller sorriu.
— ATIREM NESSE FILHO DA PUTA!
Antes que qualquer bala fosse disparada, Miller soltou o pino da granada.
☯☯☯
Antony nunca odiou uma garota como estava odiando naquele momento.
A pacificadora era bonita, Tony tinha que admitir. Seus longos cabelos negros caiam feitos uma cachoeira em seus ombros. Tinha olhos verdes parecidos com esmeraldas, seu sorriso malicioso, sua pele esbranquiçada feito um fantasma, tudo isso a dava um tom maléfico. Ela apontava a arma para Antony e tinha um porte malicioso.
— Solte sua arma, queridinho. — A pacificadora falou, sarcástica e apontando a arma para a cabeça de Antony.
— Acho que não. — Tony disse, sentindo a respiração forte de Adam em seu pescoço. — Queridinha.
Ela revirou os olhos, fazendo Tony sorrir.
— Estamos em maior número, caro Antony Carter. — Tony ficou estupefato,, com a boca aberta em “O”.
— Como sabe meu nome?
— Sei de muitas coisas, querido.
— Pode parar de chamar todo mundo de querido, está me irritando? — Demetria pronunciou-se.
A Pacificadora riu, e apontou com a cabeça para os três, fazendo os pacificadores avançarem. Tony atirou na morena que conversava com ele, porém ela foi para o lado e desviou do tiro, como se tivesse supervelocidade e atirou no braço de Antony, que gritou de dor e teve a arma roubada por um dos pacificadores. Adam e Demetria debateram-se, mas foram imobilizados e a pacificadora riu.
— Finalmente! — Ela olhou para os outros, com um sorriso no rosto. — Levem-nos para a base.
— EI! — Adam debateu-se, fazendo a mulher o encarar.
— Um traidor! — Ela riu, apontando a arma para a cabeça de Adam que ofegou.
— Por favor, May, não me mate! — Implorou Adam.
Ela riu mais alto pressionando a arma mais profundamente na cabeça do ex-pacificador.
— Não me chame de May! — Disse, com o símbolo do Yin Yang tremulando ao se mover.
— Para! — Demetria soltou-se dos braços dos pacificadores caindo para cima de Maya. Ambas rolaram, deixando o fuzil da pacificadora cair no chão. Adam e Antony tentaram avançar, mas foram puxados para trás enquanto que levantavam as armas e apontavam para as duas que rolavam no chão, lutando.
May socou o rosto de Demetria, que ofegou, enfiando as unhas na pele da pacificadora, que rangeu os dentes e tentou se levantar, mas foi derrubada pelo chute da Morgan. Rolaram pelo sujo chão, até que Demetria foi empurrada com força para a parede, enquanto May levantava e agarrava e apontava a arma para a outra garota.
— Vamos acabar com isso. — Disse, agarrada ao fuzil com o dedo no gatilho.
— Não! — Gritaram Adam e Tony enquanto o dedo de May pressionava o gatilho.
O barulho de tiro deixou ambos surdos, e a bala cruzou o ar.
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Karan não era um psicopata, mas isso não mudava o fato dele, basicamente, não sentir nada em relação à mãe.
Basicamente, quando uma mãe alcoólatra deixa o filho de quatro anos para ter que ser criado e cuidado pelo ex-marido, e não dar qualquer sinal de vida durante 15 anos é normal o garoto não saber como se sentir em relação à mãe. Então, quando Sofia Costa, a mãe de Karan, aparecera na virada da esquina na rua em que Karan estava, uma explosão de sentimentos e sensações surgiu de uma só vez para o garoto. Se alguém olhasse para ele agora, veria um garoto parado, feito uma estátua e olhando fixamente para uma mulher que era muito parecida com ele, com os mesmos cabelos e com olhos verdes, diferentes do garoto.
Karan encarou a mãe, olhando com o canto do olho para Carter e Polyanna, esta com James dando as mãos para a garota.
— Karan? — Sussurrou a mãe do Costa, incrédula.
— Sim. — Parou por um momento — O que está fazendo aqui? — Karan perguntou frio, Sofia Costa suspirou.
— Karan, escute...
— Não! — Disse frio, encarando sua mãe. — Para onde estava indo?
— Estava indo com o John para a clínica. — Sofia falou, olhando para o filho que fechava os olhos com força, impedindo a queda das lágrimas.
— Clínica? — Karan questionou, com o cenho franzido e os olhos marejados de tanto ódio e magoa.
— De reabilitação — Disse, olhando para Carter e Poly, arqueando as sobrancelhas — sabe, por causa da bebida... — Franziu novamente o cenho. — Quem são esses?
— Meus amigos, mamãe. — Disse a última palavra, em um sarcástico.
— SOFIA! — John, o pai de Polyanna, gritou, aparecendo na rua, olhando fixamente para a Costa, sem perceber os três jovens que ela encontrara. — Tenho que te deixar ir sozinha, preciso encontrar a Pol-
— PAI! — Poly gritou, soltando-se de James e o entregando ao irmão, e correndo até John.
— Oi! — John exclamou, sorrindo e abraçando a filha. — Hã... Sofia, eu irei levá-los até em casa, rápido, você consegue ir à clínica sozinha, ou vai querer ir conosco até minha casa de campo?
— Não, tudo bem, John. Eu não quero ir para sua casa. — Sofia disse, Poly saiu de perto do pai e foi até os irmãos que estavam numa distância em que era impossível de se ouvir aquela conversa. — Prefiro ficar sozinha.
— Assim como ficou depois de me deixar com o papai? — Karan questionou, magoado e melancólico.
— Karan... — Sofia suspirou, melancólica. — Um dia você vai entender o por que de fiz isso... Mas acho que você deveria saber que eu me arrependo até hoje pelo que te fiz, am-
— Já chega! — Karan deu as costas para Sofia. — Vai logo para sua clínica, mãe. E não me chame de amor... — falou indo até Carter e James.
— KARAN! — Sofia gritou, mas seu filho a ignorou.
— Deixe-o, Soph. — Disse John, olhando para Carter, James, Poly e Karan que conversavam. — Você só vai piorar as coisas para ele. — Colocou uma mão sobre o ombro de Sofia, que olhava fixamente para Karan. — Sabe... a minha proposta de ficar em casa ainda está de pé.
— Acho que não, John. Vou deixar o Karan em paz. — Ela fechou os olhos. — Cuidado com o Apocalipse, John. Cuidado...
E foi embora, sem olhar para trás.
☯☯☯
Aura White tinha a certeza de que era a única que odiava sua casa.
Sua casa não era a das mais caras e bonitas, nem a mais jeitosa ou aconchegante. Para falar a verdade, sua casa — pelo menos nas últimas duas semanas — era um prédio velho abandonado durante sua construção, assim sendo, nem estava terminada.
Aura tinha em torno de um metro e sessenta e seis de altura, cabelos castanhos lisos que caiam como uma cascata até a cintura, olhos cor de mel, tinha pele clara, com algumas sardas pelas maças do rosto e nariz. Tinha seios fartos num corpo curvilíneo que tinha uma cintura fina.
Ela estava deitada numa manta, de bruços, ouvindo num pequeno rádio velho e empoeirado o que ocorria no mundo lá fora.
“Uma forte fr---- fria está se aproximando dhackas Américas, o que pode significar uma gr--de queda de temperatura, principalmente p—causa da diminuição de temperatura n-s úl---as duas s--anas. Por isso recomenda-se que coloquem roup-s para climas frios. Avisam----“.
O rádio deixou de transmitir, para então apenas dar estática. Aura suspirou e fechou os olhos, tentando, finalmente, dormir...
— Aura...? — Ela ouviu uma voz que sussurrava, temerosa. — Tudo bem?
Aura levantou-se e foi até o garotinho que se apertava num cobertor fino e arrebentado, tremendo de frio.
— Hey! — Disse Aura numa voz carinhosa. O garotinho abriu os braços, fazendo Aura sorrir e abraça-lo. Ele colocou a cabeça na curva do pescoço da White que começou a cantar uma canção de ninar, baixinho.
Arthur White tinha apenas seis anos, um rosto angelical tinha olhos claros, numa mistura de castanho, azul e cinza, cabelos castanhos repicados, com uma enorme franja que parecia desconfortável para o garotinho, mas que era algo que até ele gostava. Aura nunca entendera o porquê de seu irmão gostar tanto da mecha de cabelos que cobriam seus olhos nos momentos mais incovenientes.
— Estava sem sono. — Sussurrou Arthur, levantando a cabeça para se deparar com um olhar meigo da irmã mais velha. — Dorme comigo, por favor, Ara?
A White riu, ao lembrar-se do apelido que Arthur dera a ela quando ele tinha entre dois e três anos. Abraçando-o, deitou na manta que antes estava deitada, agora com Arthur em seu colo. Ele agarrou-se ao corpo da adolescente, que suspirou. Arthur era sua única família, já que seus pais estavam mortos o irmão mais novo era a única família que sobrara para a jovem de dezessete anos.
Com os olhos fechados e os braços em torno do garoto mais novo, Aura lembrou-se dos últimos anos, tendo que tentar sustentar seu irmão mais novo — responsabilidade sua desde seus onze anos — e a si própria com empregos que nunca duravam mais do que dois ou três meses. E também teve a vez em que fora e-
Balançou a cabeça, encolhendo-se. Não deveria pensar nessas coisas, ela jurou que esqueceria isso, tinha que ser forte para Arthur, não tinha o luxo de chorar. Ela tinha que ser forte. Fechou os olhos, deixando uma lágrima cair.
Era o máximo que podia ser derramado.
Continua...
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