Inverno Nuclear — Interativa
7 Capítulo 6 - Pacificar ou Odiar.
Notas iniciais
Capítulo 6 — Pacificar ou Odiar.
Amy sabia que os pacificadores eram encrenca, mas parecia que ela era um imã para encrenca.
Claro que estava se lembrando de como entrara naquela situação.
Ela havia ido até uma cafeteria próxima à sua casa — ou o que sobrara dela. Ela e Ian iam ali diariamente... Balançou a cabeça. Não pensaria em Ian. Ela adentrou no aconchegante local, sentindo o ar quente e ouvindo o sininho balançar ao entrar na cafeteria. Ela olhou em volta, vendo boa parte das mesas ocupadas, com pessoas rindo e conversando, outros comendo e alguns casais se pegando, suspirando Amy prendeu seu olhar nos fundos da cafetaria. Ela aproximou-se de uma mesa que estava mais vazia que as outras, apenas ocupada por um garoto, mesa esta à frente de uma em que um homem escrevia em um notebook, entretido e com um sorriso frio presente nos lábios. Amy chegou até o lado da mesa.
— Posso sentar-me aqui? — Amy questionou, enquanto o garoto a encarava.
Tinha cabelos castanhos e olhos cor de âmbar, um rosto quadrado e uma pele clara, mas morena, um verdadeiro mestiço. Tinha uma enorme franja caindo sobre seus olhos e lábios avermelhados em um sorriso tímido. Usava uma camisa de gola em V, azul, com uma calça jeans negra.
— Pode, claro! — Falou, sorrindo. A voz era grossa, mas também gentil e aconchegante.
Amy sorriu e sentou-se à frente do garoto, que tomava uma xícara de café, e mordiscava algumas vezes uns biscoitos de água e sal, enquanto lia em uma espécie de tablet, com os dizeres Kindle atrás. O de cabelos castanhos levantou a mão, desviando alguns segundos o olhar do aparelho até perceber que algum funcionário vinha até a mesa deles, com a xícara vazia. Uma garçonete aproximou-se deles, andando sensualmente, olhando para o lindo garoto que tomava mais um pouco de sua xícara. Amy percebeu que ela mordiscava o chiclete e estava com o decote um pouco grande demais para uma roupa de trabalho.
— Algo mais, querido? — Disse, com uma voz que falhava ao tentar ser sensual, focando-se no “querido” enquanto ela encarava o companheiro de mesa de Amy.
— Não é para mim, é para a senhorita. — O de olhos âmbar disse, não percebendo a atitude da mulher. A garçonete olhou irritada para Amy, que apenas sorriu.
— Um pouco de Café, por favor.
— Descafeinado, normal...
— Descafeinado, por favor. — Amy disse.
— Quero também um pouco de água com gás, obrigado. — Disse o homem.
A garçonete olhou mais uma vez irritada para ela e saiu de perto da mesa, voltando alguns segundos depois com o café e a água em mãos, voltando para a cozinha logo em seguida.
— Sou Amy, prazer. — Revelou a garota para o estranho, que sorriu.
— Meu nome é Clark, Clark Evans.
— Então, Clark, o que faz aqui? — Questionou a garota para Clark, que balançou a cabeça sorrindo.
— Apenas lendo, sabe como é, estava entediado. — Falou, abrindo a garrafa d’água e tomando um gole. Amy tomou um pouco de seu café.
— Sei, fico entediada muitas vezes na semana, mas essa foi bem agitada. — Sentiu o estômago embrulhar, Ian diria isso, que foi agitada essa semana, mas que surpresa! Ele foi um dos motivos dessa agitação toda...
— Concordo — Clark disse, sem perceber a confusão que se passava na cabeça de Amy. — Principalmente por causa desse tal de “Grande Cogumelo”. Sério, quem deu esse nome? Parece que estamos com medo de uma planta, credo!
Amy riu, fazendo seus pensamentos de Ian da sua cabeça.
— Idem. Prefiro o nome A Grande Treta. — Clark riu também, uma risada gostosa de ouvir.
— Você é divertida, Amy. — Sorriu o Evans, tomando mais um pouco da água.
— Você também é, Clark. — Afirmou Amy, retribuindo o sorriso.
Foi então que a porta foi escancarada. Uma garota, com uma aparência fria e esbranquiçada entrou, correndo até o fundo da cafeteria, agora mais vazia, indo até a mesa de Clark e Amy.
— Ajudem-me, por favor! — Berrou, sendo parada por Clark, que se levantou percebendo Amy que ele era, em torno de um metro e noventa.
— Acalme-se! Quem é você? O que houve?
— S-sou Crystal, e estou fugindo dos caras das máscaras! — Falou, abalada.
— Do que você está falando? — Amy questionou.
— Dos Paz na Terra — O homem que estava antes escrevendo em seu notebook se pronunciou, levantando-se e fechando com cuidado o notebook. — Um grupo de terroristas infernais. Achei que conhecessem esse novo mundo. — Disse irônico. — Ou são infantis demais para verem a internet?
— E quem você é? — Clark questionou, parecendo irritado com o tom do homem, este sorriu para o Evans.
— Sou Miller, prazer em conhece-lo. — Falou, retirando uma mecha de cabelos negros dos olhos.
— Miller? — Disse Clark — Que raios de nome é esse?
— O meu — Falou Miller, como se fosse óbvio, o que era se parasse para pensar. Ele olhou para a porta, franzindo os lábios. — Os pacificadores chegaram, acho melhor que nós nos escondermos, antes que a gente morra.
Porém, antes de fazerem qualquer coisa, a porta foi explodida e os pacificadores invadiram o local.
— Fudeu.
☮☮☮
Demetria Morgan viu quando os pacificadores entraram na casa de Antony Carter.
Demetria tinha em torno de um metro e sessenta, tinha pele bronzeada, olhos verdes com um tom cinzento e longos cílios que entravam em contraste com os lábios pequenos e cheios. Tem cabelos negros, retos, e que pareciam mudar de cor. Agora Demetria pensava como conhecera Tony.
Ela o conhecera ao esbarrar com ele na porta da universidade em que Tony ensinava, conversaram um pouco e eles trocaram informações, como a história de vida deles e ela disse sobre a caça esportiva do pai, e Antony contou sobre seu pai, August. Ao perceber que algo maior poderia ocorrer, Morgan lembrou-se de Tony, e fora até a casa dele para ter alguém com quem poder contar. Foi assim que viu os pacificadores invadindo a casa do Carter. Ela prendeu a respiração e agarrou uma das pistolas que carregava consigo. Entrou no prédio, vendo um grupo de pacificadores à frente do elevador, impedindo a passagem. Agarrou-se à mochila pensando numa maneira de conseguir ir até a escada, também bloqueada pelos pacifistas. Fechou os olhos, pensando. Deveria criar uma distração para poder ir até a casa de Tony. Ela agarrou a bolsa, lotada de coisas que ela nunca saia sem; uma garrafa d’água, uma garrafinha de rum, um isqueiro, um pouco de álcool...
É isso! Abriu a mochila, agarrando o álcool e o isqueiro. Jogou um pouco no chão e ligou o isqueiro, queimando o álcool. Como era inflamável, o álcool ardeu em chamas, aumentando o fogo. Demetria escondeu-se na parede. Os pacificadores da escada foram até o álcool, correndo. Aproveitando-se da situação, Morgan foi até a escada abrindo e fechando rapidamente a porta.
— FOGO! — Ouviu o grito por detrás da porta.
Subiu as escadas correndo, chegando até o quinto andar, o andar onde Antony morava. Abriu a porta e entrou no andar, vendo a porta do 53 escancarada e com marcas de tiros.
— Então, Adam, quantos tem lá embaixo mesmo? — Ouviu a voz de Antony.
— Doze — Disse o tal de Adam — Estão vigiando todo o térreo não sei se poderemos sair daqui sem levantar suspeitas ou fazer mais um massacre...
— Há um jeito! — Disse Demetria, adentrando na casa, fazendo os homens olharem-na assustados. — Hã... oi Tony!
— Demetria! Há quanto tempo! — Disse Tony, a abraçando rapidamente. — Do que você está falando?
— Eu fiz um “incêndio” — Fez aspas com os dedos. — lá embaixo para tentar subir para aqui... — Olhou para os corpos no chão, apenas percebendo naquele momento o massacre. — Mais que merda...?
— Não dá tempo para explicar! — Adam gritou, com um rifle pego de um dos mortos no ombro, enquanto puxava Tony, agarrado a Colt e a mochila, que puxou Demetria, com a pistola em mãos, fazendo-os correrem para a escada.
Pulando de dois em dois degraus, os três chegarem ao térreo. Abriram a porta pesada. Não havia ninguém à vista. Tony foi na frente, agarrado a metralhadora e foi em direção à saída.
— Aonde pensam que vão?
Uma pacificadora — caracterizada pela exuberância dos peitos, pela voz e pelas curvas — entrou na frente de Tony, saindo da porta do armário de faxina, a qual estava agarrada a um fuzil.
Tony empunhou a arma, seguido por Adam e Demetria. Porém antes de qualquer um fazer algo, mais pacifistas apareceram, formando um círculo ao redor dos três.
— Acho que estão em desvantagem. — A pacificadora sorriu, retirando a máscara de gás, ainda agarrada ao fuzil. — Quem se mexer leva bala, queridinhos.
Demetria sabia que aquilo não poderia piorar mais, mas como estava enganada...
☮☮☮
Elijah Dragomir pulou os quatro últimos degraus em um só pulo.
Elijah foi até o quarto em que o grito de sua irmã mais nova vinha. Ele arrombou a porta, ouvindo os passos de Hector descendo a escada, enquanto olhava para a cena à sua frente. Reece estava no chão, tentando fugir da senhora que os acolhera, que agora estava com os olhos avermelhados e com saliva saindo de sua boca. Eli derrubou a idosa, antes que esta chegasse perto de Reece. Ela debateu-se nos braços de Elijah, que a jogou na parede. A anciã levantou-se, os olhos vermelho-sangues, e avançou na direção de Elijah.
Hector entrou na frente, agarrando o corpo da idosa que o mordeu. Alex a soltou, a fazendo cair, salivando. Avançou para Reece, esta rolou para o lado, fazendo a delirante bater a cabeça no sofá, com força. Cambaleou, mas Alex agarrou fortemente a cabeça da idosa, enquanto Elle aparecia na porta, e jogou a cabeça com tudo na parede fazendo a delirante desmaiar.
— O que foi isso? — Elle questionou com os olhos arregalados.
— F-foi a doença — Reece revelou tremendo e sendo aparada por Eli — Ela c-começou a me chamar de monstro e foi até mim, me empurrou e cai no chão, quando o Eli apareceu.
— Não acha que é melhor prender ela — Alex sugeriu e apontou para o corpo inerte da Delirante — e seu marido num quarto fechado em que não poderemos entrar?
— Acho que é uma boa idéia — Falou Elle, encarando a senhora de cabelos brancos e pele negra. — Não quero me ferir à noite por causa dessa senhora louca.
E foi o que fizeram. Alex encontrou um quarto ideal no primeiro andar, um quarto de hóspedes com banheiro, e colocou ambos lá dentro, enquanto Elijah trancava a porta e escondia a chave.
— Isso deve servir — Comentou o Brooks, encarando a porta trancada. — E agora?
— Agora devemos fazer algo, não acha? — Perguntou o Dragomir — Mas o que?
— Não Reece, não! — Elle berrou, entrando no cômodo com a irmã mais nova encolhida no casaco — Eli! Cuida dessa pirralha?
— Elle! Ela é a sua irmã!
— Não me lembre disso, por favor — Falou Elle, olhando com repulsa à irmã mais nova. Suspirou e saiu da sala.
— O que deu nela? — Questionou Alex.
— Ela tem uma repulsa inexplicável com a Reece — Lamentou Elijah, abraçando Reece. — Eu não sei o que há nela, basicamente ela parece odiar do fundo do coração a Reece.
— Vou falar com ela. — Disse Alex, seguindo para onde a Elle fora.
— O que deu nela, Eli? — Reece sussurrou.
— Não sei, Reece, não sei...
Elijah fechou os olhos. Odiava esse novo mundo.
Continua...
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