Invasão Extra-terrestre
3 Entre música e baratas
- Ás vezes no silêncio da noite/ Eu fico imaginando nós dois...
– Ah, Alice, sem cantoria!
– Eu fico ali sonhando acordado/ Juntando o antes, o agora e o depois...
– Clara, você sabe que ela não vai calar a boca...
– Ah, vai sim! CALA A BOCA, ALICE!
– POR QUE VOCÊ ME DEIXA TÃO SOLTO?/ POR QUE VOCÊ NÃO COLA EM MIM?
– Puta que pariu!
– TO ME SENTINDO MUITO SOZINHO! OLHA UM MOTEL ALI! — Canta ela ainda no rítmo da música.
Já passavam de meia noite e todos estavam verdadeiramente exaustos, estavamos no meio do nada, sem nada, um motel aos pedaços no meio da Serra era como um pequeno paraíso.
Bruna estacionou o carro próximo a porta e todos descemos, o lugar parecia largado as baratas.
– "Motel do Gordo, onde uma trepada sai a preço de esmola" — leu Rafael — Convidativo, não?
Entramos, havia um homem incrivelmente gordo sentado em uma pequena mesa, ele nos olhou enfesado e não nos dirigiu a palavra.
– Com licença, o senhor é o Gordo?
– Não, sou o Magro, o Gordo morreu ano passado, tem ali uma foto dele. — Disse apontando para a foto de um homem magro, ironia do destino.
– Enfim — Digo, ignorando a leve confusão que os apelidos fizeram — Quanto custa os quartos?
– Geralmente por 20 reais você passa a noite aqui, mas como eu ouvi rumores de que no litoral o mundo tá acabando vamos subir pra cem.
– Que trepada cara! — Reclama Carol.
– Não gostou? O próximo motel é a três quilometros daqui.
– Vamos pegar um quarto. — Diz Bruna enfiando a mão no bolso do short e tirando o dinheiro que tinhamos reunido e deixado com ela, só que tal ato atiçou os sentidos masculinos de Magro, assim que ele reparou no tamanho do seu short.
– Ou, se você quiser, podemos fazer uma troca, o quarto pelo seu corpo, coisa linda. — Disse ele, tentando sem eficiência fazer uma cara sedutora.
– Eca! Aqui estão seus cem reais, seu merda! — Bruna tacou o dinheiro no balcão, pegou a chave que estava pendurada em um quadro, tirando-a de suas irmãs, e rumou batendo o pé até o fim do corredor, a seguimos, deixando um Magro gordo sem graça e com raiva.
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