Into a New World

4 Soberanos de Narnia - Rei Edmundo e Phillip


Justin olhou a paisagem a sua direita, e deu um belo sorriso. E se ele fosse filho de Rei? Se fosse herdeiro do trono?

Não... Ele disse, suspirando, reprimindo a si mesmo. Eu sou um mero pescador, o que eu estaria fazendo num trono? Só se eu fosse o copeiro real!

Sim, para ele era uma idéia muito absurda, pensar que ele tinha sangue real correndo por seu corpo. Era como todos os sonhos que já teve. Naufrágios, lobo cinza? Armadura, espada de prata? Era muito surreal...

Depois de se molharem até os ossos, Jazmyn, Trumpkin e Justin saíram da água, prontos para continuar a caminhada. Algum tempo depois, chegaram á foz do rio Veloz, nos Mares Orientais. E Justin viu a enormitude de Cair Paravel. Agora entendia o porquê de tanta menção ao lugar.

O fosso era enorme, haviam várias torres altíssimas, o portão era de madeira escura como ébano, com correntes... E os jardins eram tão lindos, tão verdes, tão enfeitados... Era impossível imaginar que Nárnia estava passando por uma pré-guerra. Talvez já era guerra. Ou motim. Um conflito.

Depois disso, e mais experiência, Justin aprendeu que NUNCA, nunca mesmo, é visível que Nárnia está á beira de um conflito. Da mais fútil briga entre anões e faunos, á mais poderosa guerra entre Nárnia e reinos inimigos. O reino era sempre esplendoroso, sempre belo, passe pelo que passar.

Era sempre brilhante e cheio de magia. Sempre a mesma Nárnia que ele conheceu aos 16 anos, fugindo de um conflito em sua aldeia com a irmã mais nova, que, aliás, estava fascinada com tudo. Com o castelo e suas torres, com a beleza de Nárnia, com seus novos amigos, Tumnus e Ripchip, com o colar de ouro com o pingente do leão rubro que pendia ao pescoço do irmão, e dava ao garoto um ar mais poderoso, mais maduro, e, mais do que tudo, com a impressão de ver um leão dourado e majestoso por onde ela passava.

Tumnus se identificou e disse a que veio a um soldado no enorme portão de Cair Paravel, e o soldado (que era um Minotauro de mais de dois metros de altura) abriu o portão, dando passagem aos peregrinos, que chegavam ao seu destino. O fauno foi guiando os peregrinos até a sala do trono, aonde as Majestades de Nárnia já o esperavam.

- Sr. Tumnus! – Uma voz feminina, doce, solene e suave, disse, logo que o fauno adentrou a sala do trono. Jazmyn e Justin se depararam com quatro adultos, dois homens e duas mulheres, sentados nos tronos de pedra. – Aonde esteve?

- Fui em minha toca, e acabei encontrando mais narnianos, Majestade.

- Como assim, mais narnianos? Revoltosos?

- Não, majestade. Foram criados em Telmar. – O fauno disse. – Um garoto e uma menina.

- Ah, sim... Então, quem são? – Tumnus indicou Justin e Jazmyn, e a mulher sentada na ponta direita, mais baixa que a que sentava-se ao lado dela, levantou-se, e foi até eles.

Justin sentiu um arrepio, não sabia o motivo, mas havia sentido que ela não era uma boa pessoa. O que era duvidoso, por que de um lado, o belo sorriso no rosto da moça dizia a ele que ele a conhecia, e que era uma boa pessoa, de outro, ele sentia algo ruim por ela, mesmo sem conhecê-la.

- Eu sou Rainha Lúcia, uma das soberanas de Nárnia. – A mulher de cabelos longos, enrolados, castanhos cor-de-mel, trajando um vestido longo vermelho, todo enfeitado de pedras brilhantes, e uma coroa de prata, pedrada com esmeraldas disse, fazendo uma reverência. – Como se chamam?

- E-eu sou Justin, e essa é minha irmã, Jazmyn. – Justin disse. Jazmyn, que adorava histórias com reis e rainhas, deu uma cotovelada de leve no irmão, lembrando-o do modo de falar e agir perante uma rainha, e ele logo se corrigiu. – Majestade... – Recebeu outra cotovelada, e encarou a irmã.

Ela o fitava como se dissesse “Faça uma reverência!”. Ele respondeu com um olhar de “De jeito nenhum!”, e recebeu mais uma cotovelada. Suspirou, e fez uma reverência solene, sentindo-se o mais tolo de Narnia.

Para sua surpresa, a Rainha deu um sorriso calmo a ele e perguntou a que veio. Justin contou a sua história e a da irmã, o que não vou repetir, por que não vale a pena, você já sabe, e, quando terminou a história, a soberana perguntou se havia algo que provasse que eles eram narnianos. Justin mostrou o colar. Ela pareceu surpresa ao ver o objeto, e disse que eles poderiam viver no castelo.

Visivelmente, Justin e Jazmyn não entenderam nada. Perguntaram o motivo, e ela disse que queria ter o prazer de conhecê-los melhor. Jazmyn aceitou a proposta por Justin, estava fascinada em Cair Paravel, viver lá era um sonho que se realizava. Justin foi forçado a aceitar ficar lá com a Rainha Lúcia e os outros soberanos de Nárnia, os quais ele ainda não conhecia.

A mulher morena de cabelos longos lisos, com um vestido prateado, enfeitado com pedras preciosas e diamantes, com uma coroa parecida com a de Lúcia, só que de ouro, devia ser Rainha Susana. O homem louro que vestia roupas chiques e luxuosas, e uma coroa de ouro com detalhes em veludo devia ser Grande Rei Pedro. O rapaz, visivelmente mais novo que Pedro e Susana, moreno, com roupas parecidas com as de Rei Pedro, e uma coroa prateada, menor que a do irmão, devia ser Rei Edmundo. Logo foi apresentado aos outros soberanos, e percebeu que seus palpites estavam certos.

- Muito prazer em conhecê-los, Justin e Jazmyn. – Rainha Susana disse, com ar de sábia, fazendo uma reverência. Rei Edmundo e Grande Rei Pedro fizeram o mesmo. Justin simpatizou mais com Rei Edmundo, e Jazmyn simpatizou mais com Rainha Lúcia.

Algum tempo depois de os empregados de Cair Paravel instalarem o garoto e a menina, Justin estava no pátio dos cavalos, observando os animais, desejando saber cavalgar. Era uma pena que não sabia cavalgar, devia ser muito boa a sensação... E os animais eram muito belos.

Hipnotizado pela beleza dos cavalos com os pêlos brilhantes escovados, ele mal percebeu que Rei Edmundo se pusera á suas costas.

- Gostou dos cavalos? – Justin olhou para trás, e disse:

- Sim, Majestade.

- Sabe cavalgar?

- Não, Majestade. – O rei assentiu, e disse­:

- Você foi criado em Telmar, não é?

- Sim.

- Os cavalos de lá são diferentes dos de Narnia. – Justin franziu a testa, e perguntou o porquê. – Verá. – Edmundo assoviou e chamou por seu cavalo. No mesmo instante, o animal mais bonito do grupo foi trotando até eles. Era marrom-dourado, com pêlos brilhantes, e crina sedosa.

- Sim, Rei Edmundo? – O animal disse, deixando Justin de boca aberta, e sem reação.

- E-ele... O-o... O cavalo... Cavalos falam?!

- Aqui sim, Justin. – Edmundo disse. Justin trocou a cara de bicho assustado por um sorriso de fascínio, e perguntou se podia acariciar o pêlo do cavalo, que permitiu tal contato. Justin afagou a crina do animal, que relinchou.

- Talvez eu posso ensiná-lo a trotar, o que acha, Phillip? – Edmundo perguntou ao cavalo, que disse:

- É uma magnífica idéia, Vossa Alteza.

- O que acha, Justin?

- É... Uma boa idéia, Majestade... – Ele disse, encarando o cavalo. Depois, sacudindo a cabeça, se desculpou. – Desculpe, Majestade... Ainda não estou acostumado com cavalos falantes. – Dando um pequeno tapa no ombro do garoto, o homem disse:

- Logo se acostumará. Eu me acostumei. – Deu uma pausa, mas logo foi chamado. – Preciso ir. Tenho um conselho agora, na Câmara. Phillip, cuide bem dele, sim?

- Sim, Vossa Alteza. – O animal respondeu, e Edmundo foi embora, deixando Justin e o cavalo sozinho. Phillip apresentou Cair Paravel por fora para o garoto, que observava a tudo, controlando-se para não dizer nada do que não devia. Era estranho, os costumes de Telmar eram diferentes dos de Nárnia, a cultura era diferente, até os animais eram! Seria difícil se adaptar...