Into a New World

5 Jill - Os herdeiros perdidos


- Logo se acostumará. Eu me acostumei. – Deu uma pausa, mas logo foi chamado. – Preciso ir. Tenho um conselho agora, na Câmara. Phillip, cuide bem dele, sim?

- Sim, Vossa Alteza. – O animal respondeu, e Edmundo foi embora, deixando Justin e o cavalo sozinho. Phillip apresentou Cair Paravel por fora para o garoto, que observava a tudo, controlando-se para não dizer nada do que não devia. Era estranho, os costumes de Telmar eram diferentes dos de Nárnia, a cultura era diferente, até os animais eram! Seria difícil se adaptar...

Justin se limitou a suspirar quando viu no jardim real, uma garota. Não uma qualquer, ela era morena de olhos castanhos, os cabelos cacheados longos negros escorriam pelos ombros, e ela usava um vestido branco que deixava os braços nus. Estava sentada na grama, com um livro na mão. Enquanto andava, ele sentiu algo estranho, como se ele estivesse descontrolado, o coração batia desesperadamente.

- Quem é ela? – Ele perguntou ao cavalo.

- É Jill, filha de criação de Rei Edmundo. – Phillip respondeu.

- Princesa?

- Sim. – Justin suspirou. Decididamente não teria nada com a moça, mas resolveu ir até ela, separando-se de Phillip, que foi pastar grama fresca. Justin foi caminhando até Jill, e, ao chegar perto da moça, entretida no livro, disse:

- Olá. – A garota olhou para cima, e cumprimentou Justin. – Posso sentar?

- Pode, por que não? – Ela perguntou, e o garoto se sentou ao lado dela.

- Que livro é esse?

- A Bela e a Fera. Acho tão lindo esse tipo de história...

- Mesmo? Eu já li uma vez para a minha irmã. É sobre a garota que vai presa no castelo de um monstro, daí os dois se apaixonam, e ela descobre que ele é um príncipe, não é?

- É sim. – Jill, percebendo que não conhecia Justin, se manifestou. – Desculpe a pergunta, mas... Eu conheço você? Digo, nunca te vi por aqui...

- Nunca mesmo, cheguei em Nárnia ontem, e em Cair Paravel, hoje. Meu nome é Justin. – Ele disse, estendendo a mão para a garota.

- Eu sou Princesa Jill. – Ela disse, cumprimentando Justin. Os dois sorriram um para o outro, e ficaram um tempo em transe. Talvez um minuto. Mas, um minuto que pareceu uma hora. Talvez mais. Ficaram em silêncio até alguém se manifestar, que foi Jill, perguntando a Justin se ele já conhecia o castelo.

- Um pouco, Alteza. – Ele respondeu, cuidando de tratá-la de acordo com sua camada social. – Só por fora. Phillip me guiou.

- O cavalo de meu pai? Sim, ele é bom guia. – Ela disse indiferente, num risinho.

- Mesmo? – Para Justin, cavalos eram bom carregadores de carga.

- Quer vê-lo por dentro? – Jill perguntou, serena. Justin abriu um sorriso, e disse:

- Mas é claro, Majestade.

Então a princesa guiou o garoto por todo o castelo, apresentando aposentos e salas, quartos e arsenais. Pararam na biblioteca, aonde Jill pegou um livro de Ciência e começou a ler. O garoto achou a atitude da garota estranha, no lugar de onde fora criado, garotas não liam. Mas, ficou em silêncio, observando uma estante de uma série de livros de que nunca ouvira falar. Apanhou um qual o titulo, do qual não lembro bem, estava escrito em ouro.

O livro falava sobre Nárnia, coisas que ele não sabia, e, talvez nunca saberia, se não tivesse lido. Falava sobre as Ilhas Solitárias, a Ilha Negra e o fim do mundo. O garoto devorou o livro em pouco tempo, fascinado, e logo apanhou outro. Já era escuridão quando os dois saíram da sala, para a ceia real.

Justin e Jazmyn foram convidados especiais, e sentaram-se ao lado do Grande Rei Pedro, Justin á direita, seguido por Rei Edmundo e Princesa Jill, e Jazmyn á esquerda, seguida por Rainhas Lúcia e Susana. A refeição foi farta, e, no fim do banquete, os dois hospedes foram levados aos seus aposentos.

Justin mal conseguiu dormir. Estava sendo pertubado por sonhos sobre um barco, e um naufrágio, um bote...

Mas aquela noite foi diferente.

Ele se viu numa guerra, com uma espada de ouro de dois gumes nas mãos, e vestido de armadura. Edmundo estava á seu lado, lutando contra um Minotauro. Estava em desvantagem contra o animal. Assim como toda Nárnia. De repente, ele fechava os olhos, e gritava palavras estranhas. Se via numa caverna, um leão dourado colossal á sua frente.

- Você terá de morrer. – Disse o leão.

- Por quê? – Justin perguntou, confuso.

- É seu destino. – O leão respondeu. – Para cancelar a professia...

Não terminou de ouvir. Alguém o sacudia. Abriu os olhos. Era Jazmyn. Justin sentou-se na cama, e um raio estourou fora do castelo. Ele, olhando para a irmã, e perguntou:

- Está tudo bem, Jazzy?

- Estou com medo. – A menina disse. – Os raios...

- Tudo bem... Pode dormir comigo... – Ele disse, dando espaço para a irmã na cama. Ela deitou-se ao lado do irmão, e Justin fez a garota adormecer, acariciando seu cabelo. Quando viu que Jazmyn dormia a sono solto, deitou a cabeça no travesseiro, e adormeceu.

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Jazmyn acordou, e seu irmão ainda dormia. Levantou-se, e foi caminhando pelos corredores do castelo. Haviam quadros e esculturas, e parou na frente de uma pintura. Havia uma mulher, uma menina muito pequena, Jazmyn deu um palpite de meses de idade, e um garoto, que aparentava ter sete, oito anos. A mulher parecia Rainha Lúcia.

Falando na Rainha, Jazmyn havia adorado a moça. Haviam se tornado grandes amigas, Lúcia sempre sorridente, mostrou tudo em Cair Paravel á menina. Ao contrário de Justin, Jazmyn achara a moça a melhor pessoa de lá. Voltando á pintura, quem seriam as duas crianças com a Rainha Lúcia?

Enquanto pensava na resposta, mal percebeu que Rainha Lúcia havia se posto atrás dela. A surpresa foi inevitável, quando a Rainha perguntou se estava tudo bem.

- Quem são essas duas crianças? – A menina perguntou, um tempo depois. – E essa moça... É Vossa Alteza?

- Sim, esta sou eu. E essas duas crianças são meus filhos.

- Mesmo?

- Sim. Eles desapareceram faz muito tempo. Foram seqüestrados. Procuraram, procuraram, mas não os acharam. Então... Tentei lidar com a perda deles...

- Ah... – Jazmyn concluiu que não fora um bom assunto para falar. Mas a Rainha Lúcia foi forte, e a convidou para ver o nascer do sol das janelas do castelo de Cair Paravel.

A cena era bonita, o sol tinha um... Brilho mágico em Nárnia. As duas ficaram debruçadas á janela por um tempo, até que foram chamadas pelos arautos reais para a ceia da manhã. A essa altura, Justin já havia acordado. Ele havia visto o quadro do príncipe e da princesa perdidos. Não conseguia explicar o que sentia. Era como se... Se conhecesse aquela menina. Jill não podia ser. Jill era morena, a menina da pintura era castanha.

Aquela sensação despertou a Justin um novo interesse. Saber seu passado.

O mais rápido possível.

O mais rápido possível, ele repetiu em sua mente.

Justin precisava saber quem era! Antigamente (há quase dois dias), mal fazia questão disso, se estivesse com quem ele chamava de pai e mãe, sua irmã, na sua aldeia, aonde vivia desde os oito anos, já estava tudo bem.

Mas ele sentia agora que sua vida podia ser bem mais diferente do que ele imaginava.

Suspirou, e foi caminhar pelo palácio. Encontrou alguns soldados conhecidos, e os cumprimentou com uma leve reverência. De repente, quando entrava em um corredor, distraído, deu de frente com rei Edmundo, sendo derrubado.

Rei Edmundo ajudou o garoto a se levantar, e Justin, assim que se viu de pé, já tentou se desculpar:

-M-me desculpe, e-eu, e-eu não o vi, Majestade. – Ele gaguejou. O homem sorriu.

-Está tudo bem, monseur. Foi um acidente.

Justin suspirou. Bem, pelo menos não iria para as masmorras por causa de sua falta de atenção por onde andava. Isso era bom.

-Está com fome, Justin? – Edmundo perguntou. Tímido, o garoto respondeu que estava. – Vamos. Já devem estar servindo a ceia matinal.

Justin demorou bastante para perceber que “Ceia matinal era a mesma coisa que “Café da manhã”, mas, assim que descobriu, foi direto para a sala de refeições. Estava faminto.