- Posso ver isto?

- Claro. – O garoto entregou o colar a Tumnus, que pôs-se a observar o objeto de ouro. Atrás do pingente, estavam gravadas as seguintes palavras:

Pertence á príncipe Corin, filho de Rainha Lúcia, do Reino de Nárnia.

Tumnus entregou o colar a Justin, perplexo. O garoto perguntou o que havia acontecido, e Tumnus inventou uma desculpa esfarrapada. Depois, perguntou se aquela não era a hora certa para irem para Cair Paravel.

- Os guerreiros estão no acampamento, eu vi enquanto vinha para cá.

Sr. Texugo concordou, juntamente com Jazmyn e Justin, e assim foi feito. Em minutos os dois humanos e os três seres estavam caminhando pela floresta, com cuidado.

- Cuidado por onde andam. – Tumnus os alertou. – Podem haver revoltosos. Não façam barulho.

- Está bem. – Responderam os três. A menina, o garoto e o texugo. Foram se embrenhando na mata densa, e logo se depararam com um rio. Um pequeno riacho, dava para passar andando sem se molhar muito. As crianças, o fauno e o texugo atravessaram o riacho e continuaram a caminhada. Tumnus e o texugo guiavam Justin e Jazmyn pela floresta, e nada de estranho acontecia, até eles serem cercados por três guerreiros com armaduras brancas.

- Essa não. São quem eu estou pensando? – Justin perguntou para o texugo.

- São. Prepare-se, eles com certeza vão nos atacar. – O animal respondeu. Justin posicionou a mão esquerda no punho da espada, pronto para sacá-la a qualquer momento. Trocas de olhares tensos entre o garoto, o fauno e o texugo foram visíveis, até que os guerreiros atacaram. Justin sacou a espada, Tumnus preparou seus fortes coices, eles contra atacaram. Sr. Texugo escondeu Jazmyn num arbusto, enquanto espadas se batiam e homens voavam.

A única arma de defesa era a espada do garoto, que lutava corajosamente contra cinco guerreiros, e cada vez mais ficava mais difícil a luta. Os guerreiros da feiticeira foram acuando Justin, Tumnus e Trumpkin, e logo Justin se viu com uma espada apontada em seu pescoço.

Tumnus e Trumpkin foram jogados para longe, o único que interessava aos guerreiros era o filho de Adão.

O homem com elmo de prata iria dar o golpe final no garoto, que recuou o rosto e prendeu a respiração, quando foi derrubado do nada. Justin abriu os olhos ao ver o homem caído no chão, e em seguida os outros guerreiros sendo derrubados, e liberou o fôlego.

O fauno e o anão foram ver se Justin estava ferido, um pequeno corte, devido á pressão da espada sobre seu pescoço, nada grave, foi estancado em segundos, e eles se perguntaram o que havia acontecido ali. De repente, por entre as plantas rasteiras, surgiu um ser pequenino, parecia um rato, mas era maior, cinza, com rabo comprido, cinto de couro e espada de aço. Se apresentou solenemente como Ripchip, e disse que era mosqueteiro.

- Mosqueteiro?! – Justin perguntou, confuso. – Mas é só um rato!!

- Eu vou mostrar o rato aqui!! – Ripchip esbravejou, indo para cima do garoto. Foi impedido por Tumnus e Trumpkin, que disseram ao animal que Justin era de fora.

- De fora aonde?

- Telmar.

- Já falei que nasci em Narnia! Quantas vezes tenho de repetir?! – O garoto protestou.

- Mas foi criado em Telmar! – O anão bravinho disse, em alta voz.

- Mas eu sou narniano!!

- Está bem, chega!! – O texugo disse, separando os dois, antes que começassem uma briga. Depois, disse que era melhor voltarem a seguir o caminho, antes que algo os parasse. Justin bufou para Trumpkin, que devolveu a afronta, e então voltaram a seguir para Cair Paravel, junto com Ripchip.

O leve luar claro já se refletia em qualquer superfície úmida, lagos, rios, trazendo uma sensação boa ao ambiente, já frio, quando os peregrinos resolveram parar para descansar. Foi fácil armar uma fogueira para se esquentarem, e arrumarem comida, o desafio foi fazer com que Trumpkin e Justin não brigassem novamente. Mas o sono e o cansaço que já dominava os peregrinos, fez o garoto, o anão, a menina, o fauno, o rato mosqueteiro e o texugo adormecerem em pouco tempo.

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Justin abriu os olhos. Não estava no acampamento improvisado feito por ele, Sr. Texugo e Tumnus. Estava á beira de um rio. E as vestimentas que usava eram diferentes da malha que estava vestindo quando adormeceu. Estava com trajes de batalha, uma espécie de malha de aço, com botas de couro, espada, peitoral de aço, e escudo, mas estava sem elmo. Sentou-se no chão de terra, e tentou localizar aonde estava. Nada.

De repente, ouviu um barulho em suas costas. Virou-se. Um lobo cinza estava prestes a atacá-lo. O animal saltou com uma velocidade incrível em sua direção. Num reflexo, Justin se protegeu com o escudo do lobo, que chocou-se contra o objeto de ferro, e caiu para sua direita. Justin, perplexo, caiu sentado para a esquerda, pensando que o lobo estivesse morto.

Mas não estava. Alguns segundos com um silêncio mortal, interrompido pela respiração ofegante do garoto, e o animal se ergue novamente, rosnando para Justin, que se levanta e saca a espada. O lobo lançou-se contra Justin, que foi derrubado. Ficou frente a frente ao lobo, que o atacou.

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Justin abriu os olhos, num sobressalto, sentando-se. Suspirou, tentando acalmar a respiração agitada. Olhou ao seu redor, o sol brilhava veemente no céu por trás das montanhas, viu a roupa que vestia. Ele estava exatamente aonde estava quando adormecera. Foi só um sonho, concluiu, aliviado. Tinha problemas com sonhos estranhos já fazia tempos. O último havia sido no dia que sua aldeia havia sido atacada, antes de sua vida dar a reviravolta que estava dando.

Jazmyn abriu os olhos um tempo depois dele. Depois dela, Tumnus acordou, seguido por Trumpkin e Sr. Texugo. Eles levantaram acampamento rapidamente e voltaram a caminhar. Em algum tempo, o sol já ardia nos peregrinos, quando chegaram ao rio Veloz. A primeira reação de Jazmyn foi se jogar na água, para se refrescar. Foi seguida por Justin, e Trumpkin.

Tumnus só bebeu um pouco de água, Ripchip só umideceu os pêlos, e Sr. Texugo nem chegou perto da água. O último tinha um certo temor por água, desde que havia se afogado no mesmo rio. Não sabia nadar.

- E então, estamos perto de Cair Paravel? – Justin perguntou para Tumnus.

- Sim. Vamos seguir esse rio, e na foz, que dá nos Mares Orientais, — Tumnus apontou para a direita de Justin. – lá, está Cair Paravel.

Justin olhou a paisagem a sua direita, e deu um belo sorriso. E se ele fosse filho de Rei? Se fosse herdeiro do trono?

Não... Ele disse, suspirando, reprimindo a si mesmo. Eu sou um mero pescador, o que eu estaria fazendo num trono? Só se eu fosse o copeiro real!

Sim, para ele era uma idéia muito absurda, pensar que ele tinha sangue real correndo por seu corpo. Era como todos os sonhos que já teve. Naufrágios, lobo cinza? Armadura, espada de prata? Era muito surreal...