Into Your Arms
23 Capítulo 22
Chamei uma ambulância para Kate assim que chegamos perto do centro da cidade, dizendo que a havia encontrado na rua com os ferimentos. Deixei o carro de Dave na frente de sua casa e parti para a minha a pé, mesmo sendo tarde demais. Não me permiti pensar em nada, apesar da agonia em meu peito. Não deixei uma gota de lágrima cair durante o caminho, pois saberia o que aconteceria se o fizesse. Apenas senti a dor em minha cabeça se alastrar por todo meu corpo e o frio congelar meus dedos dos pés.
(ouçam: Jar Of Hearts — Christina Perri)
– Lissa.
A voz de Andrew me repreendeu, antes que eu pudesse atravessar a porta de casa. Me virei e o vi a centímetros de meu rosto. Eu deveria saber que ele me procuraria.
– Foi você quem me salvou. – sussurrei.
As palavras pareceram rasgar minha garganta, como se eu tivesse tomado ácido. Agora com ele na minha frente, parecia mais doloroso. Na verdade, eu não conseguia acreditar que Andrew — o meu Andrew – foi quem havia feito aquilo.
– Não é o que você está pensando.
– Então você não é um mentiroso traiçoeiro? – quase gritei.
– Hunter a fez acreditar em uma coisa que não é totalmente verdade.
– Você deveria ter me dito a verdade!
– Eu queria.
– Andrew, eu posso aguentar o fato de você ser um híbrido, de ter um amigo vampiro e um cara também vampiro, me perseguindo. Mas isso, essa mentira, não posso aceitar.
– Não é o que você está pensando. – ele repetiu.
– É o que então? Qual será sua próxima mentira? Eu nunca quis ser salva daquele acidente. Por que fez aquilo?
– O dia em que o carro de seus pais caiu no lago, eu estava fugindo de New Orleans, eu havia acabado de recuperar minha humanidade. Toda a dor, tudo o que eu sentia por Brooke, voltou também. O nome dela gritava ainda em minha mente. — Andrew hesitou. – Eu ouvi o barulho dos pneus do carro e corri para lá. Achava que havia chegado a tempo. O carro estava submerso e havia você. Eu tentei ajudar seus pais, mas era tarde demais.
– No hospital falavam que não sabiam como eu havia conseguido me salvar. Haviam dito que foi um milagre...
As lágrimas invadiram meus olhos e tapei a boca, repreendendo um soluço.
– Eu confesso que foi a semelhança que me atraiu primeiro. Eram poucas, mas tão claras. Eu não pude deixá-la morrer. Fui injusto com você, te salvei pelo meu interesse por Brooke.
– Por que você me visitou todo dia no hospital?
– Eu a observava. Você estava sozinha, eu queria me aproximar de você, e a conhecer.
– Isso não é o suficiente. – murmurei. – Você foi um egoísta!
Continuei a caminhar em direção da casa, mas Andrew agarrou meu braço.
– Você não entende. – ele murmurou.
Me virei, furiosa, sentindo algo profundo e escuro se erguer dentro de mim.
– Você não entende! Por que não me contou que foi você? – minha voz saiu agoniada.
– Eu saberia que doeria para você.
– Está doendo mais agora. – sussurrei.
Andrew estremeceu.
– Eu nunca quis isso, Lissa. – ele disse com a voz áspera.
– O que eu sou pra você? Quem eu sou pra você? Uma substituta para a sua perda? E a minha perda? – indaguei.
Ele ficou em silêncio.
– Você não deveria ter entrado em minha vida. Não posso mais dar um passo em sua direção, pois tudo o que eu sinto é arrependimento!
– Não me diga isso. Não depois de tudo que vivemos. Eu perdi minha fé nos meus dias sombrios, mas você me fez querer acreditar. Eu me arriscaria outra vez, levaria a culpa, levaria um tiro por você. Eu preciso de você como um coração precisa de uma batida.
– Eu não vou voltar para seus braços, Andrew. – falei baixo.
Senti as lágrimas escorrem por meu rosto, junto com a verdade que sai em minhas palavras.
– Você foi o único que me fez sentir viva. Foi você quem colocou de volta o brilho no meu olhar e me fez acreditar que tudo ficaria bem. Você fez tudo parecer tão possível, e eu senti vontade de viver novamente, apesar de tudo. Me fez sentir como se a vida valesse a pena. Eu não pedi nada disso, mas mesmo assim você fez. Lembra quando eu disse que me sentia extraordinária ao seu lado? Eu era tão grata por isso, porque pra quem não tinha nada, ter você já era muito. Eu não pedi nada em troca, eu queria apenas que me amasse.
– Liss, eu te amei, e eu te amo!
– Andrew, você brincou comigo todo esse tempo. Você me quebrou, assim como todas as suas promessas. Você mentiu para mim. Eu acreditei tão honestamente em você, achando que havia aparecido do nada fazendo seu toque parecer tudo certo e perfeito por um momento. Você tinha todas as respostas em suas mãos, mas fingiu não saber de nada. Você disse que não erraria comigo, mas errou. Não se trata mais apenas do que você é, mas sim do que você fez. E eu nunca vou te perdoar por isso.
Andrew soltou um suspiro, frustrado e pela primeira vez olhei em seus olhos. Eram uma mistura de dor, raiva e arrependimento, junto com as lágrimas que ele nunca deixava escapar.
– Você não sabe o quanto essas palavras me machucam.
– Você não sabe o quanto seus atos me machucaram. – retruquei.
– Lissa, eu... – começou ele.
– Pare Andrew! – gritei, enquanto mais lágrimas caiam. – Pare de se desculpar. Está feito. Eu cansei disso tudo. Não quero escutar mais nada. Apenas pare.
– Não posso suportar a ideia de que você me odeie pra sempre. – ele sussurrou.
– Você nunca foi o que eu pensei, lembra? Você deveria saber que isso terminaria assim.
– Mas não quero que termine.
Respirei fundo.
– Não volte para mim. Não volte, nunca mais.
O fitei com a visão embaçada pelas lágrimas e com a respiração entrecortada. Minhas mãos seguiram para minha nuca e abriram o pequeno gancho do colar. Eu o tirei.
– Não preciso mais disso. Não preciso da sua proteção.
Deixei o colar cair no chão, aos seus pés. Eu odiei ver seu coração se quebrar. Eu odeio ver seus olhos ficarem mais escuros.
Abracei os cotovelos e entrei em casa, fechando a porta com um baque. Assim que a porta se fechou, desabei, apoiada contra ela. Meus olhos ardiam com as lágrimas que caiam mais violentamente agora e os soluços que chicoteavam meu corpo. Fui forte o suficiente para lhe deixar. Mas fraca o suficiente para lhe precisar. Cuidadosa o suficiente para deixá-lo ir embora. Fechei os olhos, a dor em minha cabeça era intensa, mas não páreo para a que sentia em meu coração.
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