Intimidade
12 Estranho
Notas iniciais
Ric chegou exalando mal humor.
Ele não conseguia controlar, a maneira como se sentia.
Entrou batendo a porta.
Tentou aliviar o estresse, dizendo a si mesmo que o problema tinha sido a falta de aviso.
– Ela poderia ter me enviado um mísero recado... Eu não teria feito papel de bobo...
Ele caminhou por dentro do apartamento, como um animal enjaulado, quase que em círculos e por fim sentou-se com violência.
– Chega desta merda! Vou trabalhar que é mais vantajoso.
Ele acreditava verdadeiramente que iria trabalhar.
– Ora, ora, ora... Estressado Saltzman?
Damon vinha saindo do corredor que dava acesso aos quartos.
– Damon? Mais que porra de susto!
Damon riu.
– Achei que quem devia a polícia era eu. Não grave isso.
Ric o olhou de lado com cara de poucos amigos.
– O que tá fazendo aqui? Você tava no meu quarto? Damon se você trouxe mulheres para o meu apartamento eu...
– PFFF! Sério? Trazer pra cá? Olha Ric nada contra, sério mesmo, eu adoro seu apartamento, me sinto em casa aqui, mas... Um: As garotas dariam entrevista em programas idiotas no dia seguinte. Dois: Sua sobrinha é um dragão alado de três cabeças que cospe fogo, então... Não.
– Para de chamar minha sobrinha de monstros mitológicos estranhos e perigosos.
– Mas sua sobrinha é estranha e perigosa... E cospe fogo, alguém se esqueceu de cataloga-la na Grécia.
– Idiota.
– Eu acabei de chegar, tava te procurando, mas... – Um barulho vindo do quarto de Elena seguido de um grito o calou por uns momentos – Vi que sua sobrinha estava em casa e ia embora... A propósito, ela está cuspindo fogo.
Ric virou os olhos.
Outro barulho, agora pareceu algo quebrando.
– O que a Elena tem?
– E eu que sei? Acha mesmo que eu cheguei perto o suficiente para que ela me visse?
Eu estaria fatiado agora.
– Tava espiando a Elena?
Damon estreitou os olhos, com a expressão mais debochada do mundo.
– Ric às vezes eu acho que você tem problemas mentais.
– Não exagera mano, a Elena é bonita.
– Sua sobrinha é quase um Voodoo, beleza não é tudo, integridade física e mental contam.
– Ah, vai se ferrar Damon.
Um barulho mais alto seguido de outro grito.
– Não é melhor ajuda-la? Eu acho que seu apartamento não vai ficar inteiro se continuar desse jeito.
Ric arriou na cadeira.
– Isso não é o pior. O pior é que eu tenho todo o projeto Mikaelson para entregar segunda feira, não fiz absolutamente nada, ganhei o fim de semana para termina-lo, mas não vou conseguir, não sem silencio absoluto. Ah e sem contar a novidade que descobri sobre a Jenna..
– Que novidade?
– Descobri que ela tem um filho, porra Damon um FILHO
– Hey calma ai tigrão o que tem de mais nisso, você já ta velho também, não pode exigir muito... Se é que me entende
– Vai se foder Salvatore, não estou velho e não é isso, a questão é o menino tem 4 anos , 4 ANOS exatamente o tempo que eu encontrei com ela em Veneza e transamos a noite toda
– É ok isso pode ser um problema, mas como eu disse você já ta velho e estava na hora
– Desisto.
– Tá tá, eu to brincando, olha só eu acho... Que eu tenho uma solução para o seu problema.
– O que?
– Minha casa de campo em Oxford.
– O que?
– Minha casa de campo em Oxford.
– Oxford?
– É. É perfeita pra você. Tem uns dois anos que eu não piso lá. A casa é grande, confortável e tem todo o silencio que você precisa. E pode levar a Jenny e o filho para conversarem direito
– Jenna – corrigiu — Hum...
– Acho que seria uma boa opção.
– Sabe Damon... Às vezes... Só às vezes... Você diz algo que preste.
Damon abriu um sorriso satisfeito.
– É cara, eu também gosto muito de você.
– Palhaço. O que vai fazer agora?
– Jogar seu vídeo game e você?
Ric olhou-o de lado.
– Vou dormir Salvatore, ao contrário de você eu trabalho e me canso.
– Pobre mortal...
– Damon, eu vou pro quarto, não quero responder seus comentários por que você foi de grande serventia hoje. Se Elena sair cuspindo fogo, favor proteger meu Playstation, fui.
– Vai com fé coroa...
Ele caminhou até o videogame e ouviu a porta do quarto de Ric se fechar. Relaxou no sofá enquanto via a abertura do game na tela. Ia carregar o jogo salvo quando sentiu um tabefe na cabeça.
“PAF”.
– AI caralho! Que porra é essa?
Se virou e viu Elena parada de braços cruzados em frente ao sofá.
– Então eu sou um Voodoo?
– Ai Lena... Precisava bater tão forte?
– Gostaria de ter arrancado sua cabeça seu palhaço sem calças.
– Que violência morena...
– Não me venha com morena...
– Eu só estava tentando disfarçar Elena.
– Precisava me chamar de Dragão?
– Você fica escutando atrás das portas é?
– Não seu idiota. Eu estava preocupada que Ric tivesse... Ouvido... Algo.
Damon deu de ombros.
– Quem manda ser escandalosa.
– Não começa e nem desvia do assunto Salvatore!
– Eu só tava tentando manter as aparências, pro seu tio a gente se odeia.
Ela rodeou o sofá e encostou o dedo no peito dele.
– Acho... Melhor... Se empolgar...bem...menos...Damon...Giuseppe...Salvatore.
– Ai Elena isso machuca.
– Bom saber.
– Ric vai ouvir.
– É bom, assim ele te mata de uma vez.
– Birrenta.
– Safado.
– Se continuar assim eu vou te beijar.
– Não! Não vai.
– Vou sim...
– Damon não.
– Cinco segundos pra correr para o quarto, é a sua vantagem.
– Damon...
– Quatro
– Eu to...
– Três...
– Louco!
Ela soltou um gritinho baixo e correu para o quarto com ele em seu encalço.
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