Intimidade
18 Conversa
Notas iniciais
Damon e Elena não se viam há semanas.
Nenhum dos dois deu o primeiro passo em busca de uma conversa, ou qualquer contato. O julgamento de Damon seguia a passos lentos, os promotores acusavam, ele refutava, era um jogo de empurra-empurra que estava irritando a LCC Associados.
Elena seguia morando com Colin, embora não parecesse, pois eles mal se viam. Ela passava o dia inteiro na rua, trabalhando, estudando e à noite, quase sempre, o rapaz nunca estava em casa. Eles raramente se encontravam mesmo que para um boa noite.
Damon sabia disso... sabia por que mesmo que houvesse tentado desesperadamente ficar longe dela não havia conseguido. Seguia os passos de Elena, sabia o que ela fazia e onde ia.
Sabia também que estava sendo ridículo, que seria muito fácil apenas ligar, mas não queria ceder, não queria atestar a sua dependência irritante daquela mulher, não tão descaradamente, mesmo que para si mesmo, já tivesse feito isso.
Maldita Elena, que não saia da sua cabeça.
A musica soava alto, era assim que ele gostava. Ele acompanhava as frases, tentando fazê-las soarem o mais verdadeiras possível.
Honey you ain't the first
Lots of others came before you woman
Said but you been the worst
Sa' you been the worst♪.
Querida, você não foi a primeira
Várias outras vieram antes de vocês, mulher
Digo, mas você foi a pior
Digo, você foi a pior.
Quando havia sido a ultima vez que uma mulher havia atrapalhado seus planos?
Ele lembrava bem... Rose Marie... A Belíssima víbora Rose Marie...
Depois dela...
Damon nem sempre havia sido um galinha inveterado, um canalha... Ele já tinha tido sonhos...
Com Rose ele conhecera a ilusão... A paixão... O primeiro amor... A primeira experiência sexual e uma dor que achou que o mataria.
A bela Rose era como uma sereia, encantava, seduzia, usava e descartava quem queria e como queria. Fora mais uma professora na escola da vida de Damon, aquela que o havia ensinado que o amor era uma fraqueza e a sedução, uma arma.
Tão linda... Tão cachorra... Rose havia sido sua porta para o inferno... Mas havia sido sua chave para a liberdade. Depois dela, ele jurara, mulher nenhuma o amarraria de novo... Até Elena chegar.
Aquilo era um absurdo! Um absurdo que ele não podia deixar acontecer.
Nem fodendo ia ceder a outra mulher.
– É só mais uma mulher, só... Mais... Uma...
Ele disse para si mesmo andando pela sala enorme.
Damon parou de frente para o enorme quadro que cobria um quarto da parede, a foto de sua mãe.
– Você... Você é a única mulher que Damon Salvatore amará até a morte.
– Tá falando sozinho, maluco?
Ric, perguntou, entrando na sala.
– Estou falando com a minha mãe... – Damon disse calmamente – Ora, ora, ainda está vivo Saltzman? Pensei que a ruiva, que agora esta morando com você, era mais... Selvagem.
– Idiota.
– Eu pensei que você perderia pelo menos um dente.
– Eu não durmo com animais, Damon... Você costuma fazer isso.
Damon riu.
– Você engoliria o que disse se visse que eu to pegando a... enfim, a gostosa que eu estou pegando.
– Claro, claro... Mais uma das suas mulheres de plástico.
Damon deu de ombros.
– É... é... mais uma...
– Anda falando com os mortos?
– Não... Apenas os mortos de sangue azul, que é o caso da minha linda mãe...
– De fato, a sua mãe...
– Sou seu amigo, Saltzman... Mas não abuse.
– Ok, parei, não foi pra isso que eu vim aqui... Eu... Quero conversar com você. Estou preocupado.
– Problemas no paraíso?
Ric sentou...
– Não sei bem... se isso é um problema.
– O que tá te consumindo, abra seu coração para mim.
– Não seja palhaço, Damon. Opa, malz, é o mesmo que pedir pra você não respirar. Enfim, são dois assuntos. Quero falar de Jenna também, mas... Depois, agora eu queria falar sobre Elena.
Damon sentiu a espinha enrijecer.
– O que tem ela?
– Cara... Eu conheço minha irmã, tem alguma coisa errada com ela.
– Errada como?
– Ela... Olha Damon, eu não conheço ninguém mais organizada que a Elena... Ela... Cara, ela... Anda distraída, sabe? Acho que tem algum cara na jogada.
– Um cara? Que cara?
– Ai é que entra você... Eu queria descobrir, mas... Não consigo pensar em meios lícitos para fazer isso.
– Perguntar a ela, não seria um método mais simples?
– Perguntar a ela, seria um método impossível. Elena é individualista desde pequena. Ela não deixa nenhum de nós intervirmos em sua vida.
– E respeitar isso, não seria uma opção?
– Não! Por que se eu descobrir que tem algum safado fazendo minha sobrinha sofrer, ele e eu teremos... Uma conversinha.
Damon riu, mas não havia graça em seu sorriso.
– Tem alguma desconfiança sobre quem seja?
– Não. Primeiro achei que era o Donovan, mas... O babaca anda que nem cachorro atrás dela... Não é ele... É alguém novo. Preciso descobrir quem é.
– Ric... Elena é a caçula da família não é?
– Sim. Sem contar Jonas o filho de Jeremy, mas de mulher é ela sim
– E são... Quatro homens na família não é?
– Isso mesmo. Eu, Jeremy, John, Mason.
– Vocês são muito ciumentos?
Ric riu, sem nem imaginar a razão das perguntas.
– Você nem imagina.
– Os namorados da Elena, sofreram muito com vocês?
– Nossa cara, e como. O ultimo deu queixa na policia.
– Ah...
– E ela... Já namorou algum amigo seu?
– Meu? Claro que não! Eles não eram malucos de dar em cima da minha sobrinha. Nossa, não quero nem imaginar o que eu faria com aqueles caras se eles encostassem na Lena, eu acho que mataria um.
– Não é exagero?
– Você diz isso por que não tem uma sobrinha, quase filha... Sinta-se a vontade para matar o cara junto comigo.
– Hum... ok... Qual era o outro assunto mesmo?
O outro... tinha outro? Ah sim, é... Jenna.
– Hum.
– Ela me contou sobre o ex-marido dela, ele batia nela. E aparentemente ele voltou, só que ela não sabe como ele foi descobrir onde ela estava.
– E qual é o nome desse ex-marido?
– Logan, Logan Fell se não me engano. O conhece?
– Ate o momento não, mas digamos que eu fiz umas pesquisas sobre a sua mulher, não me leve a mal, e digamos que descobri que a bastante gente envolvida...
– E você não vai me falar quem são?
–Ainda não caro amigo, na hora certa.
– Ok , isso esta estranho, mas enfim, só sei que estou ficando louco.
– Mulheres são perigosas demais meu caro, quando você vê, elas já lhe tiraram as calças.
– Nem me diga, mas nem é isso que me preocupa tanto, é... bom... acho que fiz uma
merda muito grande cara.
– O que foi que você fez Saltzman? Dormiu com a irmã dela?
– Não, filho da puta, só pensa em sexo... ela nem tem irmã.
– Ah que pena, linda daquele jeito, eu ia até gostar de conhecer uma irmãzinha.
– Se fode Damon, presta atenção.
– Parei... Pode falar.
– Se você rir, eu quebro sua cara.
– Não tô rindo.
– É sério Damon.
– Palavra. – ele levantou os dois dedos da mão direita.
– Eu... Eu acho... Bom, eu só acho... Que... Cara, eu acho que me apaixonei por ela.
– Alaric! Caralho! Como é que você faz uma merda dessas cara? Eu não te ensinei nada? Levanta, vem comigo...
– Pra onde?
– Pra onde? Pra onde? – Damon levantou – Pra um cabaré... Pra zona... Pra um puteiro... pra uma daquelas espeluncas baratas onde as mulheres fazem fila pra te fazer um bom... – Ele parou e respirou fundo – Você está precisando de um tratamento de choque. Venha comigo... conheço um lugar que...
– Calma ai. Para com isso, não vou pra zona nenhuma, ta maluco?
– Maluco tá você, cacete. Eu sempre repeti pra ti, Ric... um cara esperto não se apaixona, paixão é pra otários, um cara esperto, come e troca... Puta merda...
– Damon...
– Se você se apaixonar, a mulher vai te engolir vivo cara...
– Damon...
– Ela vai tirar tudo de você, até que ande nu pedindo moedas num sinal de transito...
– Damon...
– E vai te por um par de chifres na sua cara, e ainda vai rir, por que mulher... ela se aproveita de...
– Esquece a Rose um minutinho, pode ser?
Damon parou.
– Ninguém falou da Rose...
Ele emburrou como um pirralho.
– Cara é sério... Me ouve como se você realmente tivesse 33 anos.
– Estou ouvindo.
– Estou com medo.
– Por que?
– Não faço ideia.
– E o que você vai fazer?
– Não sei, sinceramente eu não sei. Acho que... Não sei se precisa fazer alguma, estamos juntos, lá em casa. Já colocamos a casa dela à venda, Depois do que aconteceu com aquele filho da puta do ex, eu não vou permitir que ela volte para lá.
– Então... Vocês vão se casar.
– Não!
– Não?
– Não... Quer dizer... Eu acho que não... Eu... Eu acho que... Pensei em só... Não tocar no assunto de ela ir pra outro lugar, quem sabe ela não vai ficando?
– Cara... Não é mais simples você simplesmente perguntar se ela não quer morar com você de uma vez?
– É que... Eu não sei e se ela não quiser? Se ela disser não?
– Ah pelo amor de Deus cara, ce tá com medo de levar um não? Não fode Saltzman! Se ela disser não, a única diferença que vai haver é que você vai continuar comendo ela sem usar aliança. Não é assim que vocês estão?
– Poderia mostrar só um pouco de respeito pela minha mulher, por gentileza, Salvatore?
– É só maneira de falar. Qual é cara? Tá gostando da mulher de verdade? Por que simplesmente não diz? Não deve ser tão difícil.
– Não era você quem estava dando um piti ainda agora, por causa da palavra paixão? Associando o sentimento a perdas de calças e chifres?
Damon deu de ombros.
– Foi apenas uma reação espontânea à palavra relacionamento... Na verdade, você e a Sommers formam um casal, até bonitinho.
– Eu não sei... Eu... Realmente não sei...
– Que tal um jantar de noivado?
– Como é?
– É, um jantar, um jantar legal e você a pede em casamento.
– Damon...
– Pensa bem cara, uma festinha, só os amigos... Ai você pede, ou sei la, pede depois da festa, ou não pede, mas uma festa cairia bem... Jenna não conhece nenhum dos seus amigos.
– Que amigos?
– Eu, obviamente.
– E pra que, Jenna tem que conhecer você?
– Pra eu levá-la no primeiro motel... — Ele disse irônico — Vai se foder Alaric. Eu sou o padrinho.
– Padrinho do que, maluco?
– De um futuro casamento. Se fode, vai ter festa. Sábado... Na sua casa por que sempre que eu trago gente aqui, alguém se perde.
– Damon...
– Deixa de ser chato Ric, você tem que deixar ela se integrar com sua família... E você tem amigos cara, sua antissocialidade me deixa puto.
– Desde quando você precisa de motivos para beber. Se quer beber, só vai lá e bebe.
– Eu só acho que dando uma festa, além de socializá-la conosco, você vai estar colocando-a na posição de anfitriã da sua casa, você acostumando ela aos poucos, entende? Sem assustá-la.
– Ah... Bom, eu não tinha pensando assim... Olhando por este lado...
– Claro cara, ela tem que se sentir em casa, não é mesmo.
– Sim, é isso que eu quero, assim, ela não vai procurar outro lugar...
– Então... Faça com que ela se integre a sua vida.
– Cara... É uma boa ideia, Damon, uma ideia muito boa cara.
– Claro que é, Ric, fui eu quem deu a ideia.
– Cara, as vezes eu me pego pensando... Por que será mesmo que eu te aturo?
– Por que eu sou o seu melhor amigo, lógico. Agora olhe para mim. Eu tenho sangue azul, amigão, por que será que eu te aturo?
– Por que eu sou seu único amigo, Damon. Ninguém te suporta.
Damon riu.
– Mentira, você tirou o bilhete premiado, e sabe disso.
– Tirei... Ganhei um mala como premio, pro resto da minha vida, sem direito a devolução. Vai me ajudar com a Elena? — Ele levantou e seguiu em direção a Damon para lhe dar um abraço.
– Er... Mas... É claro. — Ele deu um sorriso forçado.
– Ótimo, faça sua mágica. — Ele lhe deu um tapinha amigável nas costas, mas para Damon pareceu quase uma sentença — Eu tenho que ir. Tenho trabalho para terminar.
– Ok... Não esquece, festa... Sábado. Vou agitar tudo.
– Ninguém te merece Damon.
Ric disse saindo.
– Mas você merece, Saltzman. Você não vive sem mim.
Ric lhe mostrou o dedo médio e saiu.
Ele arriou na cadeira, o sorriso desapareceu do rosto, e a preocupação tomou conta.
O que iria fazer para tirar da cabeça de Ric, a ideia de vigiar Elena?
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