Intimamente Emma
45 A última carta
Notas iniciais
Nas antevésperas do julgamento de Ingrid, Emma tinha uma ingrata tarefa de se preparar para seu depoimento contra a mãe. Desde que decidira testemunhar contra Ingrid, não havia um momento em que não imaginasse a cena; ela sentada no banco das testemunhas sendo obrigada a encarar Ingrid à distância. Mas olhar para os olhos da mãe não seria tão destrutivo quanto lembrar de como encontrou o corpo de Daniel na manhã seguinte ao crime. Emma estava jurando para si mesma que ia controlar suas emoções, não ia chorar, não ia sofrer com as lembranças, não ia esquecer o motivo para o qual estaria no tribunal.
O promotor Wlash, vindo da capital, levou uma hora dando-lhe as derradeiras instruções. O que podia e o que não devia dizer quando a interrogassem.
Emma estava sentindo-se segura sob os conselhos do advogado, ele parecia ser aquele homem indignado com crimes brutais e disposto a colocar sua mãe na cadeia tanto quanto ela mesma. Porém só sua impressão era pouco para dar um fim em Ingrid e sua vida de libertinagens e crimes contra a boa fé dos moradores de Mary Village. Wlash vinha de outros dois casos muito sérios e condenações a prisão perpetua advogando para a polícia do estado. Se existia alguém mais competente que ele, Emma não conheceria. Havia uma série de perguntas que a moça queria fazer ao homem, mas a principal resposta ela só saberia na hora da sentença. Se sua mãe era ou não culpada, se ficaria presa ou solta. Nunca em tão pouco tempo ela sentia-se insegura.
— Seria bom que atentasse para alguns pontos muito corriqueiros em julgamentos desse porte, srta. Swan. O advogado de defesa pedirá que a cliente dele atue, prepare-se para ver cenas de novela. — dizia o homem, sentando-se pela terceira vez no sofá da sala de Emma.
— Não vai ser muito difícil para ela, eu acho. — comenta Emma, juntando as mãos sobre o colo após um suspiro.
— Ele deve ensiná-la como se comportar, como entrar em um tribunal, como se sentar, como manter a postura alheia e abatida para causar alguma comoção nos jurados. É nessa linha que se trabalha a favor dos réus. Diferente do que estamos conversando agora, o advogado de defesa quer causar boa impressão enquanto nós queremos desmontar a ré. — o homem complementou.
Regina atrás de uma cadeira, refletia.
— Mas não seria ilegal instruir o réu a um comportamento desse tipo?
— Fala da maneira como ela pode ludibriar os jurados? Na verdade, não seria ilegal, os jurados são instruídos a notarem qualquer comportamento diferente do réu.
— Espero mesmo que eles percebam que ela não é inocente. — Emma não segura. — Mesmo que o que venho imaginando tenha acontecido, ela tem culpa.
— O que a senhorita imaginou? — o promotor questiona dividindo um olhar preocupado com Regina.
— Que Daniel pode ter atirado em si acidentalmente. — Emma fala. — Sonhei com isso há duas noites. Coincidência porque o senhor vinha aqui hoje. Fiquei pensando se era possível ter acontecido algo imprevisto por ela e se isso mudaria a sentença.
— Isso deve ser provado e, se for, há uma chance muito grande de reverter a culpa da ré. De acordo com as provas que a polícia me forneceu, sua mãe tocou na arma, sua mãe esteve na cena do crime pela quantidade de evidências que apontam para ela, se o caso for um acidente, o único depoimento que pode salvá-la é o dela própria. Até agora há cinco pessoas dispostas a depor confrontando Ingrid Swan: Os funcionários da mansão Colter, Belle e Graham, o dr. Whale, o policial que atendeu a ocorrência e a senhorita. — ele se torna para Regina. — A senhora tem certeza quanto a decisão de não depor?
Mills joga os cabelos ligeiramente mais compridos para o lado e não muda de opinião.
— Em que poderia ajudar o meu depoimento? Seria um triunfo para Ingrid me ver depondo contra ela e não seria interessante expor mais ainda o meu relacionamento com Daniel.
— Insisto que com a sua colaboração, a sentença de Ingrid poderia ser maior, sabendo que existia um envolvimento amoroso extraconjugal entre seu ex-marido e ela. Qualquer coisa que saiba pode ser de grande valia.
Nesse momento Regina teve um estalo.
— Acho que tenho algo que pode comprovar o envolvimento deles. Está na mansão se ainda não foi vendido.
Emma se levanta.
— São as cartas, não são?
— Sim, as cartas que ela escrevia para ele e a carta onde ela diz que vai se matar, na época em que ela engravidou.
— Existe a possibilidade de fornecer estas cartas para serem anexadas as provas? — o promotor pergunta.
— Terei que reencontrá-las.
. . .
Para a sorte de Regina e Emma, as cartas do passado obscuro entre Daniel e Ingrid permaneciam intactas no mesmo lugar onde haviam sido apanhadas da última vez. Belle trouxe o exemplar do dicionário Larousse quando as duas chegaram, agora só restava a última das cartas e o trabalho de acha-la seria maior.
— Viemos assim que a Emma ligou. — dizia Belle, entregando o livro para Regina no Hall de entrada. Graham estava com ela, agora sem função, tinha voltado a trabalhar no hospital da cidade e aquele era seu dia de folga.
— Obrigada. — Regina abriu a Larousse e encontrou o envelope com o punhado de cartas amareladas. Tinham um cheiro horrível de mofo e o aspecto amarelado comprovava o tempo que estavam guardadas. — Eu tinha me esquecido que elas cheiravam a mofo.
— Acho que não tem problema. O promotor vai aceitar de qualquer maneira. — disse Emma, olhando para a porta do atelier e soltando um grande suspiro por saber que ia precisar entrar ali.
— Deu sorte, Regina, a galeria de arte que comprou os quadros do Daniel ainda não veio buscar tudo. — Belle diz.
— Imagino se já tivessem levado todos, logo a carta mais importante está escondida em uma moldura.
— Como ficou sabendo que está dentro de uma moldura? — questiona Emma.
— Sua mãe foi bastante específica na última conversa que tivemos e se eu ainda sou uma boa escritora, pensaria em esconder qualquer coisa em molduras falsas de quadros.
— Bom, cada um pode procurar em um grupo de quadros diferentes, assim vamos agilizar. — diz Graham, empolgado com a ideia.
Belle o cutucou de leve.
— Talvez não seja uma boa ideia fazer Emma e a Regina entrarem no atelier. O clima ali dentro é meio pesado.
Regina olhou para Emma, levantou o rosto dela para si.
— Não precisa entrar se não quiser, você já passou por muita coisa. — a mulher fala suavemente.
— Para de tentar me proteger. Eu preciso enfrentar alguns fantasmas. A morte do Daniel é um deles e entrar de novo no lugar onde ele morreu é um desafio que eu quero cumprir. Eu não tenho medo de mais nada do que eu for sentir daqui pra frente.
Todos ficaram em silêncio. Foi então que os quatro decidiram entrar no atelier. Graham abriu a porta, Regina veio na frente, Emma em seguida e Belle por último. O ar estava muito sinistro ali dentro, no chão não havia uma mancha do crime, era um brinco de tanto brilho e ao redor deles um mar de quadros emoldurados. Emma procurou pela cadeira de rodas que sobrou no cenário quando ela viu o corpo do pintor estirado no chão, mas alguém a tirou dali, provavelmente Belle antes de limpar o recinto, e ela não ia perguntar. O coração da moça parecia mais conformado com aquela história maluca de ser filha do ex-marido de Regina, além de ser filha da assassina dele. Regina estava certa, ela já havia passado por muita coisa, era seu dever ser forte e superar. Olhando ao redor a jovem começava a pensar que estava no caminho certo, tudo passou, acabou e ela não tinha mais que sofrer.
Emma viu Regina andando até uma pilha de quadros no canto da parede. A escritora estava levemente comovida. Ela também olhou tudo ao redor, respirou fundo e puxou a primeira moldura. Nada. Não havia fundo falso no quadro de pôr do sol que ela escolheu. Que pegasse outro. Belle se dirigiu aos quadros das paredes, tirou um por um do lugar com a ajuda do namorado, eram pesados. Emma caminhou até uma pilha de molduras sobre a mesa perto do armário e vasculhou cada um, quadros menores sem muita importância e beleza.
Nem meia hora se passou quando o último quadro da pilha escolhida por Emma desabou de sua mão. Era ele. Estava nele. A carta estava ali dentro.
— Emma, o que foi? — chamou Regina do outro canto da sala.
— Eu... Eu acho que... eu encontrei. — a jovem se assustou, mas segurou firme o quadro do chão até a mesa. Um grupo de ciganos dançando em volta de uma fogueira escondia algo num fundo mal encaixado de tantas vezes ter sido aberto. — Tá aqui, olha, é isso, não é? — ela puxou um pedaço de papel velho de dentro e lá estava.
Swan nunca tinha visto aquela carta, sequer imaginava que havia um primeiro ponto final no caso de sua mãe com o pintor. Ela olhava para o papel, temendo abri-lo, mesmo assim fez isso antes de Regina chegar perto. Se Regina fosse Emma não pensaria em ler a carta, mas ela não era teimosa como a moça e para alguém como Emma desbravar segredos antigos era uma tentação desconhecida.
Emma leu tudo o que Ingrid escreveu para seu pai, desde o ódio encruado nas palavras até dizer que nunca mais se veriam porque se mataria. Tinha consciência de que naquela época era apenas um bebê na barriga dela, sem qualquer chance de se defender, completamente submissa as escolhas da mãe. Emma dobrou a carta novamente, entregando para a mulher. Não estava mais disposta a lamentar as decisões da mãe, não adiantava mais sofrer por Ingrid.
— Toma, leve-a até o promotor, ele vai precisar. — pediu a jovem, olhando-a por um breve momento.
A moça não queria mais ficar ali, deu as costas, saindo na direção do segundo andar.
Diferente do Hall, Emma sentia-se estranhamente confortável andando pelo corredor do segundo andar na mansão. Daniel tinha deixado de habitar a casa, os quartos e a essência. Além do atelier, a mansão voltara a ser novamente uma casa grande sem moradores. Ela ouvia seus passos pelo chão acarpetado, o som abafado dos sapatos se embrenhando pelas sombras das portas fechadas. O quarto onde Regina e Daniel dormiam ficava no meio do andar e Emma soube qual era por causa da fechadura. Ela abriu a porta e entrou como uma visita inesperada, levando um susto ao ver o quarto completamente vazio. Mas o que ela estava esperando? Regina havia mesmo dito que arranjara donos para os móveis e não achava prudente vende-los e sim doá-los. Emma sentiu o coração mais aliviado quando lembrou disso e andou para uma janela. E como se tudo estivesse combinado desde o começo, lá estava sua casa no fim da rua.
Emma olhava para sua sacada ao longe e se lembrava de como tudo começou. O primeiro pedaço de papel, a primeira vez que viu Regina, as primeiras palavras trocadas. Se não fosse do jeito que foi, como se encontrariam? Se perguntava.
— Também não consigo imaginar de outra forma. — a voz da mulher se fez presente, mexendo com a surpresa de Emma.
A moça de virou e viu Regina com as mãos nos bolsos do casaco comprido, parada na porta do quarto.
— Há quanto tempo está me observando?
— Poucos minutos. — disse Regina com calma. — Belle e Graham já foram. Estamos sozinhas dentro desta mansão.
— Se pelo menos você não tivesse escolhido doar os móveis, poderíamos conversar na cama. — Emma abriu um sorriso, puxou os cabelos para trás de uma das orelhas. — É uma ideia bizarra, eu sei.
— Sou suspeita para falar de ideias bizarras. Você tem a mesma sensação que eu tenho? De que ele não está mais aqui?
A jovem fez que sim.
— Tenho e parece que é melhor assim, melhor para ele.
Regina olhou na direção da janela.
— Daniel me decepcionou, eu o decepcionei, ainda assim sinto que devo respeitá-lo, principalmente por ele ser o seu pai.
— É, eu antes queria que ele pagasse por tudo o que fez a você, só não que fosse desse jeito trágico. Como é curioso que alguém que odiei tanto fosse o meu pai. — suspira Emma.
— Como é curioso que o homem com quem me casei fosse o seu pai.
— Curioso e agora apenas um detalhe pequeno no meio dessa história. — Emma chamou Regina com uma mão estendida, a mulher veio e entrelaçaram os dedos. — Está vendo ali? Minha casa? Consegue ver que estávamos ligadas desde sempre?
— Tem razão. Já havia notado a sacada do seu quarto daqui. Por isso que às vezes eu me sentia observada, era você de lá olhando para cá, esperando que eu aparecesse.
— Lembro de um dia que te vi fechando a janela, ainda me dava os rascunhos de Intimamente de presente e eu quase morri desejando você comigo aquele momento. Foram tantas sensações nesses meses vivendo meu amor por você que me assombra, no sentido de surpresa, entende?
— Entendo, porque quando eu comecei a me dar conta da nossa proximidade eu também me assombrei. Foi muito para nós duas e só deu certo porque aprendemos a amar juntas. — Mills apertou a mão dela contra a sua. Emma a olhou quase sem ar, levemente rosada e boba após ouvir a amada.
— Eu não sabia diferenciar paixão de amor antes de você chegar, Regina.
Elas se olharam e de repente estavam preenchidas, completas, inabaláveis.
— Cheguei à conclusão de que eu também não sabia amar antes de você.
A moça fechou os olhos e encostou a cabeça no braço da mulher, sorrindo por dentro, por fora, sendo apenas a Emma, a Emma que sempre quis ser ao lado da Regina escritora, Regina amante, Regina sua razão.
Emma teve a sensação de ficar acordada por horas, reunindo coragem para sobreviver ao julgamento de Ingrid. Quando finalmente conseguiu pegar no sono era quase dia, já amanhecera e não ia mais conseguir descansar. Levantou, escolheu sua melhor roupa, desceu e fez o café da manhã.
Quando Regina apareceu no pé da escada uma hora inteira havia se passado e Emma mostrava um semblante demasiadamente preocupado, olhando para o vapor quente da chaleira.
— Bom dia — disse a escritora baixinho, inclinando o corpo para beijar o rosto da moça que apenas levou um susto pela distração. — Como se sente?
— Até que bem, ansiosa talvez. — Emma desligou o fogo e se virou. — É hoje.
— É hoje e você vai se sair bem. — Regina molhou os lábios rapidamente.
— Eu espero não fazer nada de errado.
Mills tratou de acalmar a moça com uma relaxante massagem em seus ombros. Elas terminaram o café em silêncio e se arrumaram.
Como alguém de luto, Emma se vestira cautelosamente de negro. O simples blazer de linho e a saia, o sapato fechado e os cabelos em trança. Regina, pronta, a viu descer as escadas, séria. Sem questionar uma palavra deram os braços e saíram juntas.
Elas imaginavam que encontrariam toda a cidade nas imediações do tribunal e não foi diferente do que tinham pensado. Emma olhava da janela do carro as pessoas se amontoando nas escadas do fórum, o que parecia uma situação desconfortável e perturbadora. De repente Mary Way Village não parecia suportar a multidão de curiosos, esperando para assistirem a uma representação quase teatral. Aos poucos os personagens chegavam e deviam enfrentar um corredor de pessoas os julgando no lugar da verdadeira culpada.
Emma esperou muito, até o promotor avisá-las de que deviam sair do carro e entrar.
— Está ficando tarde, meu amor, precisamos sair. — diz Regina, desligando o celular do bolso.
— Perdi a noção do tempo olhando para as pessoas na frente do fórum. — a moça fala, desgrudando da janela do carro.
— Não se preocupe, talvez seja a primeira vez que essa cidade esteja do seu lado. — Mills piscou e saiu do veículo.
Buscando a coragem que não sabia possuir, Emma entrou com Regina e o corredor se abriu para ela, como se o mundo tivesse emudecido. Viu caras conhecidas, além de rostos de pessoas que nunca viu pelas bandas de Way Village e os murmúrios inaudíveis, os olhares de pena que ela não queria para si.
. . .
Um julgamento daquela proporção nunca havia sido retratado por Regina em um de seus livros, porém, para a escritora, não parecia novidade se ver sentada em um daqueles bancos da assistência, ao lado de pessoas que já vira corriqueiramente na cidade; A sra. Lucas e Cristina De Vil a cumprimentaram quando adentrou o tribunal e procurou um lugar para se sentar. Archie Hopper sentava-se bem a frente, roía as unhas e ajeitava os óculos a todo momento. Todos estavam ali, quase a vida social inteira daquela cidadezinha estava abarrotada dentro da sala de julgamento e as reações eram as mais distintas quando a escritora se mostrou presente. Felizmente havia um lugar ao lado de Mary, David e Zelena na primeira fileira e foi ali que Regina decidiu ficar.
— Como Emma está? — perguntou David cauteloso.
— Ela está bem, apreensiva como é de se esperar, mas vai se sair bem.
Os três ao lado assentiram.
— Que Deus te ouça! — Mary juntou as mãos.
Um minuto mais tarde, as portas do tribunal foram fechadas e o silêncio imperou.
Primeiro a juíza ocupando seu lugar no centro de onde poderia ser vista por todos. Regina olhou bem para a mulher negra e expressões sérias, pensando se por ser mulher talvez ela sentisse pena e solidariedade para com Ingrid. Talvez não coubesse a ninguém independente de sexo ter pena daquela mulher. Sendo assim, com os devaneios vagando pela mente numa velocidade maluca e ansiosa, Regina olhou para os lados. Isaac sentava-se a sua direita e o promotor Walsh a esquerda, logo ao seu lado estavam os jurados, sete, quatro homens e três mulheres, era dali que sairia a sentença para a juíza proferir.
De repente o silêncio pairou ainda mais frio e Regina pensou em Emma, como ela estaria dentro da sala das testemunhas esperando ser chamada para depor.
“Aguenta firme, Emma, está acabando... Seu pesadelo está acabando.”
Enquanto Emma fazia uma prece em seu lugar na sala para onde foi levada, ela ouviu quando começou:
— Que façam entrar a ré Ingrid E. Swan.
Emma imaginou cada rosto pondo os olhos sobre a mãe.
Ingrid entrou algemada de uma porta de acesso ao lado da juíza, acompanhada de um policial. Avançou lentamente, sempre olhando para uma direção imaginária, sem ver nem ouvir ninguém. Uma morta viva, uma alma penada, uma sombra perambulante. Seu rosto estava tão pálido e ameno que em pouco tempo poderia virar pó. Sob os olhos do tribunal, era a cara da mágoa e do ressentimento, retrato da tragédia que ela própria causou. Sentou-se enfim, Isaac lhe cochichou algo no ouvido esquerdo e ela assentiu com triste vagarosidade.
De repente, de onde Emma estava, não se ouviu mais nada, nem mesmo o burburinho dos curiosos ao lado de fora do prédio. Emma voltou a fazer sua prece, sem imaginar o que aconteceria em dois fins, o daquele julgamento e de sua mãe.
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