Internato Neopia
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Eu me chamo Hat. E bem-vinda ao Internato Neopia.
Essas palavras ressoaram pela cabeça da garota. Soavam como se fosse algo mais além do que se vê. Ame esperava que não fosse algo ruim. Já tinha passado por um bocado de Internatos ruins, seria clichê se esse também fosse.
Hat entrou, carregando suas malas e continuou andando sem dar um pio. Diferente dela, que fizera algumas perguntas. -Pra onde vamos? O que são esses bichinhos diferentes? Você pode parar de ser chato?– Quase lhe irritara ao ignorá-la.
– O diretor lhe explicará tudo. Pare de fazer perguntas. — E só. Apenas duas frases. Não saciara nada sua sede de respostas, mas percebeu que era melhor ficar calada. Pelo menos pôde aproveitar para observar melhor o lugar. As paredes eram cheias de quadros, alguns com pinturas um tanto abstratas e outras com algumas pessoas que pareciam importante no Internato. Havia bastante pessoas de todas as idade, principalmente de 12 à 14 anos, pensou ela. Todos com um uniforme, e um animal de estimação. As garotas usavam saias e os garotos calças como normalmente, a única diferença era que a maioria usava uniforme da cor verde, e pouquíssimos eram azuis.
Mas o que intrigava à ela eram os animais de estimação. Eles tinham apenas uma coleira com iniciais e nomes de seus donos, mas andavam livremente. Alguns tinham a aparência de um coelho com excesso de pelo no pescoço e outros a aparência de um esquilo, anormalmente grande, e também com pelos no pescoço. Nunca havia visto um animal assim. Tinham cores diferentes e usavam roupas. Mas no salão por onde ela passava, havia apenas um de sua mesma "espécie". Era um tipo de jacaré bípede rosa e com asas verdes. Sua coleira dizia "P- Julinha", enquanto a garota ao seu lado usava um crachá que dizia "Julinha". Ela era parda, com cabelos lisos, cor chocolate. Já a garota ao seu lado, tinha um crachá escrito "Vaneh" e claro, com um outro bichinho que parecia ser um mini-tigre roxo andando junto dela. Elas estavam andando em direção contrária à Ame, mas pareciam estar animadas, com tantas trocas de sorrisos. Afinal, esse internato parecia ser diferente, o que deixava Ame ainda mais ansiosa com suas dúvidas.
Depois de andarem silenciosamente por corredores e subirem uma escada, entraram a direita e enfim, chegaram à sala do diretor. Hat sorriu maliciosamente e abriu a porta.
Ela entrou, um pouco assustada. Hat entrou junto com ela, — o que a deixou ainda mais assustada. Hat não parecia do tipo que a ajudaria. — e fechou a porta suavemente. Na sala, havia uns tipos de guarda-roupa antigos, com fechaduras pratas que chegavam a brilhar. Tinha também uma mesa antiga, toda preta e com detalhes, enquanto atrás da mesa havia um homem com uma recém barba preta, rosto firme e duro como um homem perverso e ao mesmo tempo rígido. Ele vestia um terno preto risca de giz com um crachá escrito "Júlio" por cima. Ele se levantou e foi até a frente da mesa e se apoiou nela.
– Finalmente você chegou, Ame. Que ótimo. Agora poderemos começar a lhe mostrar as regras, e bem, se você não as cumprir, — Disse Júlio com um breve sorriso formado em seu rosto — certamente será punida.
– Se pronuncia "Amê", obrigada. Se começarmos logo eu agradeceria. -Disse ela, dando um sorriso amarelo.
– Bem, começaremos então. Nossa regra maior, obviamente, é o bom senso. E se você tiver pelo menos um pouco disso, saberá que deve me tratar com devido respeito. Afinal, posso ser o vice-diretor, mas sou eu quem faz o trabalho sujo. — Júlio retirou algo de uma caixinha pequena em sua mesa, e levou-a pra boca enquanto falava. Ame não tinha reparado antes, mas Júlio parecia ter 1,70 de altura, tinha sobrancelhas marcantes e era um pouco robusto, o que fazia parecer que ocupava suas noites bebendo. — Bem, continuando, é proibido xingamento, discussões sobre religião, sexo ou drogas. Também é proibido coisas ofensivas, e claro, venda dos neopets.
– Então é assim que aqueles bichinhos se chamam? De onde eles vieram?
– Hm, é uma história longa, com o tempo você entende. O necessário agora são os livros, crachá e os uniformes. Hat levará você até o Gyn. Pode se retirar agora.
Ame foi saindo. Já estava acostumada com Internatos, e tudo o que queria agora era descansar e pensar. — Eu sei sobre você, Ame– Disse Júlio quando ela já estava de costas pra ele, na porta — E eu sei o que você faz, mas aqui não vai ter isso. Pode esperar.
Ame apenas suspirou e saiu da sala.
Hat parecia cansado e aborrecido. Devia ser chato trabalhar pra alguém como o Júlio aparentava ser. Não era atoa que Hat parecia também, ser chato. Em passos largos, levou-a até uma sala onde tinha um sofá e algumas pessoas conversando. Na turma havia um garoto com uniforme azul enquanto todos os outros estavam com uniformes verdes, ele tinha cabelos pretos e lábios vermelhos carnudos.
– Gyn, pode vir aqui, por favor? — Falou Hat, tediosamente. O garoto de uniforme azul veio até Hat e Ame — Essa é a novata, a Ame. Espero que você possa levá-la ao seu dormitório e entregá-la seus uniformes, crachás e livros. Levarei suas malas para Júpiter. — Hat disse e se virou, deixando Gyn e Ame na sala.
– Hey, eu sou Gyn. Bem-vinda, novata! XD — Dissera Gyn — Vem comigo, eu te mostro alguns locais.
Ame sorriu e o acompanhou. No caminho, Gyn e Ame respondiam um ao outro, tirando suas dúvidas. Ame ficou um pouco mais animada, pelo menos havia conhecido alguém aparentemente amistoso.
– Por que todo mundo tem esses "Neopets"? O que eles são?
– Ah, é mais como um hobby. Quer dizer, alguns tem campeonatos de esportes, nós temos os Neopets. São uns animais modificados geneticamente, mas ninguém sabe ao certo. Logo você terá o seu também. — Respondeu Gyn, sorrindo. Parecia estar animado.
– E eles simplesmente andam junto com o dono? — Perguntou, intrigada.
– Não exatamente, hehe. Quero dizer, assim como nós, eles também dormem, se alimentam, e coisas variadas assim. Você mesma viu alguns com roupa. Então isso se tornou algo bem normal pro Internato. Basicamente isso.
– Hum, bacana — Disse em um sorriso bobo, gostara da ideia de ter um Neopet — E por quê alguns usam uniformes azuis e outros verdes?
– É pra identificar. Eu, por exemplo, já estou a um tempo no internato, então sou classificado como veterano, daí eu uso azul. Novatos usam verde, e os professores branco. Alguns alunos veteranos e mais chegados aos diretores decidem virar professores, então sobem de classe e usam branco. Lógico, tem que ter potencial e experiência, mas se você perceber, alguns professores são bem novos.
– Tendi, tendi. — Afirmou Ame, distraída, pensando no que faria com o uniforme quando ganhasse. Ame gostava de personalizar suas roupas.
– É aqui. — Disse Gyn, parando e se virando pra esquerda, onde tinha uma porta escrito "Conselheira" com letras coloridas. Gyn girou a maçaneta e entrou na sala, dando espaço pra Ame observar. Dentro da sala havia armários de aço e uma mulher arrumando uns papéis em sua mesa. Ela tinha cabelos castanho quase preto com pontas cacheadas, e era difícil saber a cor dos seus olhos por trás dos óculos, mas parecia ter um tom esverdeado, enquanto em seu seio havia um crachá escrito "Treze".
– Já está tudo aqui? — Perguntou Gyn, se dirigindo à Treze.
– Sim, está sim. E você é a novata, né? Prazer, pode me chamar de Treze. — Disse a garota, sorrindo simpaticamente.
– Ah sim, pode me chamar de Ame. Sua sala é bem confortável. — Respondeu Ame sorrindo sem jeito, tentando ser igualmente simpática.
Treze foi até um dos armários, abriu a portinha e pegou vários livros, com uma caixinha fina e comprida que estava acima dos livros, Ame pensou que os uniformes poderiam estar ali.
– Aqui está. — Disse a Treze, entregando os livros para Gyn. — Agora, se não se importa, preciso fazer algumas coisas.
– Já estamos de saída, obrigado Treze.
Saíram corredor afora, carregando as coisas de Ame. — que estava até leve, pra muitos livros — Ela parecia bem legal. — Ame disse por fim, quebrando o silêncio.
– Ela é. Mas geralmente você vai pra lá quando faz algo de errado — Respondeu Gyn, sorrindo de lado, deixando-se levar por uma lembrança. Ame reparara agora, mas os lábios de Gyn estavam brilhosos, como se tivesse passado brilho — de morango, pensou Ame, sem saber o por quê de achar que seria de morango — pros lábios. Talvez Gyn gostasse de homens. Mas Ame não deu importância à isso, ter algum amigo gay era ótimo.
– Acho que vou ter que usar uniforme verde, né. Que pena. Eu realmente gosto da cor azul. — Disse sorrindo. Ame estava começando a gostar daquele Internato.
– É, — respondeu Gyn — mas dependendo dos seus atos você consegue um uniforme azul rápido.
– Como assim? — Perguntou, sem entender.
– Bem, você não precisa ser necessariamente veterano pra vestir este uniforme. Está vendo aquela garota ali? — Disse Gyn, apontando para uma garota de cabelos loiros e um crachá com o nome "Gy" — Ela usava uniforme azul antigamente. Ninguém sabe ao certo, mas os boatos falam que ela foi expulsa e depois aceita de volta. Parece que ela se desentendeu com o nosso vice-diretor, o Júlio.
Ame não tinha gostado nada dela. Algo apontava que elas não se dariam nada bem.
– E aquele? — Perguntou Ame, apontando disfarçadamente pra uma garota com uniforme rosa e rodeada por alunos que usavam uniforme verde – Aí é um caso diferente. Ela se chama Extelar. Quando algum aluno dá um dinheirinho a mais, podemos escolher que cor de uniforme usar. Mas quase ninguém dá importância à isso, só quando o power é de BFF. Quando você "compra" power de BFF, você escolhe com quem fará o BFF e então essa pessoa pode ser sua colega de quarto. É eficiente.
– E mais alguém usa power?
– Ahn, atualmente só ela. Haviam alguns alunos que também usavam, como o Math. Mas já saíram do Internato.
Continuaram andando até chegar no 3º andar, onde estavam os dormitórios. Tinha um espaço grande com dois sofás, puffs e decoração com um toque feminino. Havia um tipo de monitor lá, com o crachá escrito "Júpiter". Gyn andou até ele
– Aqui está a novata, já sabe em qual quarto ela vai ficar?
– Ah, sim, suas malas já estão aqui. Hat fez o favor de deixar. — murmurou Júpiter — Você vai ficar com a Vaneh. Me acompanhe.
– Bom, já vou indo então, tenho meus afazeres. Espero que goste do lugar Ame, até. — Disse Gyn, dando uma rápida despedida. Provavelmente estava com a mente em outro local, preocupado.
Ame se despediu e seguiu Júpiter até chegar numa porta com o número 34. Júpiter parou e abriu a porta, vendo que estavam duas meninas arrumando o quarto lá. Júpiter parecia pouco mais velho que Ame, — considerando que Ame tinha uns 15 anos, só — provavelmente também era um aluno, e aparentava ser do tipo nerd. Ele era calado e um pouco carrancudo, pensou Ame.
– Julinha, o que você está fazendo aqui? — Perguntou Júpiter, com cara de aborrecido.
– Ué, eu fiz BFF com a Julinha hoje. — Respondeu Vaneh, enquanto Julinha perguntava a si mesma se havia algum problema.
– Ah sim, havia me esquecido. Julinha, quem era sua companheira de quarto? Ame terá que ir pra lá, então.
– Era a Sarah uai, no quarto 30. — Respondeu Julinha, com uma expressão confusa.
Ame pensou seriamente em como seria essa Sarah. Ela já tinha tido várias companheiras, e definitivamente não queria mais uma companheira de quarto como inimiga.
– Ah, ok. Bem, vão se preparar pra dormir então, já está quase na hora. — Disse Júpiter, já se retirando do quarto.
Júpiter voltou um pouco apenas alguns passos e parou, vendo ao lado uma porta grande e comum, da cor marrom e com o número 30 preto meio desbotado. Abriu a porta, e viu Sarah lendo um livro de capa vermelha com umas ilustrações. Ame não conseguiu identificar qual o título do livro, mas imaginou que seria interessante.
– Sarah, essa é sua nova companheira de quarto. Ela chegou agora a pouco, faça-a se sentir bem-vinda. — Júpiter pegou as malas de Ame e as colocou em cima de sua cama — Aqui está. Até.
Júpiter se retirou apressadamente, e Sarah se levantou pra fechar a porta. Sarah tinha cabelos castanhos e era magra, com bochechas arredondadas, ficando com covinhas enquanto sorria.
– Ele é um chato a maioria das vezes. Qual seu nome, novata? — Perguntou Sarah, enquanto se dirigia ao guarda-roupa.
– Bom, não é pior que o Hat, aparentemente. Eu me chamo Ame.- Respondeu enquanto observava sua cama. Estava se segurando pra não pular nela e permanecer deitada.
– KKKK verdade. Olha, pode ir acomodando suas coisas aí, eu vou tomar um banho e depois volto. — Respondeu sorrindo, já com uma toalha e roupas que tinha retirado no guarda-roupa. Ame afirmou com a cabeça e foi tirando o necessário de sua mala. Pela manhã ela ajeitaria suas coisas, sua prioridade no momento era dormir e esquecer de tudo.
Sarah saiu e fechou a porta dando enfim o silêncio que Ame tanto sentia falta, e assim, se deitou e caiu em seus pensamentos. Ela sentia saudade, principalmente de sua mãe. Seus pensamentos estavam embaralhados, como de costume.
Pensou no que Júlio disse e fechou os olhos com gosto amargo na boca. Esperava que nada desse errado, pelo menos não daquela vez. Mas não se deixava pensar positivamente, afinal, se acontecesse de novo, ela não se decepcionaria tanto.
Ame percebeu o quanto aquele travesseiro e cama eram confortáveis e sorriu, aliviando-se um pouco de seus pensamentos e virou-se, pronta pra dormir.
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