Internato Neopia
3 Capítulo 3.
Notas iniciais
11:59
–Ahn... HMM... AHHHHHHHHHHHHHHH! CACETE, O QUE É ISSO? — Disse Ame, sem entender porquê estava sendo atacada enquanto dormia. Se levantou depressa pra olhar e percebeu que era um dragão. COMO ASSIM UM DRAGÃO TÁ ME ATACANDO, COMO ASSIM – Pensou Ame, estressada. Acordar desse jeito não fazia nada bem pra uma garota como ela. Ficava nervosa com pouca coisa, e não havia nada que a deixasse com mais tpm do que acordar assustada.
– Lééééé! Saia já daí! Ela não tá acostumada com você ainda, seu besta.
Ame se lembrou que aparentemente, Neopia era cheio desses animais, chamados de Neopets. Mas aquele é realmente diferente. Ame não sabia se era sua visão embaçada por ter acabado de acordar ou se existia mesmo um animal assim. A aparência dele era literalmente um Dragão Robô.
– Isso é literalmente estranho. Literalmente estranho. Literalmente um Dragão Robô. Que porra é essa, Sarah? — Disse Ame, espantada com o animal que já havia saído de sua cama. Olhou pra si mesma e percebeu que ainda estava com a roupa da noite passada, e ainda por cima, descabelada, sentindo um pouco de baba no canto esquerdo de seus lábios. Se preocupou. — Ai meu Deus, que horas são? — Perguntou se dando conta que provavelmente deveria estar na aula.
– Exatamente. São tipo, 12 horas. Massss, você é novata, no primeiro dia é tranquilo, relaxa. Aliás, aconselho você a não falar palavrão perto do Júpiter ou de algum funcionário da escola, pode levar kicke, e até mesmo ban. — Disse à Ame, como se fosse algo óbvio para se perguntar. Ame coçou os olhos, enxergando melhor. Viu que Sarah estava usando uniforme azul e seu neopet usava um crachá escrito "L — Sarah". O Dragão não parecia ser mau, mas ainda assim, era assustador ser acordada por ele, pensava Ame.
– Ué, mas o que é kicke e ban? — Perguntou Ame, bocejando — E pode pedir pro seu neopet não me acordar do nada, por favor.
– UAHHAUUHA Ok, anotado. Hm, kicke é um tipo de advertência...
– Então ban seria um tipo de suspensão? — Finalizou o que Sarah ia dizendo, adivinhando. Viu Sarah sentar em sua cama — que ficava na outra parede do quarto — e fazer carinho no seu Dragão. Ame se levantou e foi no guarda-roupas procurar seu uniforme verde.
– Tipo isso. Algumas suspensões são de ficar no quarto sem sair por algumas horas, outras são de fazer um serviço, como limpar alguma sala.
– Roarrrn — L fez um tipo de barulho parecido com engrenagem. Ame imaginou o que o dragão queria realmente dizer. Será que seria "Eu quero assoprar fogo, me deixa assoprar fogo!" ?Ame riu, percebendo a bobagem que tinha acabado de pensar.
– Entendi. Do jeito que esse internato é grande, tentarei manter minha boca calada, então. — Disse Ame, com suas mãos cheias de coisas, que provavelmente seria para sua higiene de manhã. Afinal, acabara de acordar. — Então?
– Ahn... — Sarah ficou pensando por uns segundos até se dar conta de que a novata tinha chego na noite passada, e precisava de higiene matinal — Ah sim, hehe. Aposto que não tinha banheiro nos quartos de seu antigo Internato. É só abrir essa porta azul, mas o modo quente não tá funcionando desde anteontem.
– Ah, valeu. — Disse Ame, abrindo a porta. O banheiro não era grande mas era bonito. Como se tivesse um toque de alguma aluna. Fazia Ame pensar que se por algum acaso tivesse uma irmã ou uma prima — que de fato, conhecesse — , o banheiro seria do mesmo jeito. O banheiro tinha coisas desarrumadas na pia e um tapete verde na entrada, e com algumas fotos no espelho. Ame sorriu e entrou, fechando a porta.
– Sarah?
– Quié?
– Qual vai ser a próxima aula, hein? — Perguntou Ame, abrindo o chuveiro
– Ahn... Acho que de filosofia, com o professor Kuro. Mas cuidado pra não se apaixonar. — Disse Sarah, num tom cantarolante — As novatas vivem se apaixonando pelo professor Kuro! — Terminou sua frase dramaticamente.
Ame riu, silenciosamente. Estava se sentindo aconchegante no Internato. Mas só conseguia pensar agora no que daria errado dessa vez.
Deixou seu cabelo preso — pra não molhar, não queria sair com seu cabelo molhado e nem tinha tempo pra secar, já estava atrasada — e entrou debaixo da água. Sentiu o silêncio que só a água poderia lhe passar. Respirou profundamente. Ame realmente amava água. Fosse no banho, no mar, na piscina e principalmente na chuva. Amava chuva. O que coincidia com seu nome, já que Ame é um kanji pra chuva. Nunca soube se sua mãe tinha colocado seu nome naquele sentido, também não sabia se sua mãe gostava da chuva. Seu pai nunca falara de sua mãe, e provavelmente não falaria, mas Ame deixava isso de lado, — por mais que tivesse aquela pequena curiosidade — não lhe interessava saber muito sobre sua mãe.
Ame terminou seu banho e pegou sua toalha para se enxugar, enquanto pensava em como seria seu dia de aula.
Se enxugou e começou a vestir seu uniforme verde, que acabou ficando bem justo. Ame preferia blusas que ficassem gigantes nela, mas acabou gostando um pouco do uniforme, e principalmente de como ele poderia ficar quando ela finalmente modificasse ele. Escovou seus dentes e arrumou o cabelo; quando estava pra abrir a porta, notou que atrás da porta havia um espelho grande, que a refletia por inteira.
O uniforme havia ficado bem nela. A saia tinha ficado no tamanho certo para suas coxas grossas e a blusa justa de um jeito agradável. Seus cabelos longos e pretos caíam sobre seu rosto, bem escovados. Seus olhos verdes e as sardas estavam mais visíveis do que o de costume, mas estava até bonito, pensou Ame.
Abriu a porta e saiu, deparando-se com o dragão de Sarah. Ele estava brilhante e bem limpo, pra um tipo de dragão-robô. Ame se agachou e fez carinho nele. — Achando-se uma boba por ter se assustado tanto com um dragão simpático e aparentemente fofo daqueles.
– Hmmm, tá gata hein, eu pegaria. — Disse Sarah, rindo.
– UAHUAHHUA Melhor a gente ir logo, a pegação fica pra depois. — Disse Ame, igualmente rindo. Pegou sua caneta, livro e caderno e saiu do quarto, junto de Sarah.
Andaram apressadamente — por causa do banho demorado de Ame — e em passos largos, até chegar num corredor largo, com janelas e quadros na parede. Sarah parou de frente com a sala, onde a porta estava aberta e tinha alguns alunos conversando. Aparentemente o professor ainda não tinha chego.
– Eu to com uma puta fome, quando vamos comer hein? — Disse Ame, entrando na sala quando Sarah a puxou pelo braço abruptamente e sussurrou para Ame — Não fala palavrão aqui, cacete! — e a soltou.
– Ah é, esqueci. — Disse Ame rindo, distraída.
– Tá vendo esses alunos? Não pode confiar. Maioria é baba ovo, se te ouvissem iriam contar pro professor, e a probabilidade mais alta seria de você ir ter com a conselheira no seu primeiro dia de aula, então acalma a xana. — Aconselhou Sarah, baixinho quase num sussurro.
Ame afirmou com a cabeça e sorriu, se segurando pra não rir. Foi entrando na sala e viu que tinha uma mesa vaga no fundo, encostada na parede, onde tinham as janelas. Ali seria perfeito. Se dirigiu até lá e sentou, observando a vista da janela. Olhou de lado e viu a Ket, a primeira garota que tinha conhecido no Internato. Ela estava do lado de uma garota alta e bonita, de cabelos longos e o crachá escrito "Mary". As duas estavam conversando com uma garota mais forte e com cabelos encaracolados, com o crachá escrito "Giu", e do lado dela outra garota, que não deu pra o que tinha no crachá, já que ela estava de lado. Ame olhou pra si mesma, observando seu próprio crachá, escrito "Ame". Pensou depois em colocar alguma cor naquele branco tedioso. Já estava planejando, quando seu pensamento foi interrompido quando o professor entrou na sala. Então esse é o tal do professor Kuro.– Pensou Ame, dramaticamente.
Ele era alto, cabelos castanho-claro e usava uma blusa V branca com um casaco social preto por cima, usando calça jeans preta. Trazia com ele um livro de capa branca, pequeno mas grosso, com o título escondido pela mão do professor.
Fechou a porta da sala e foi para o centro, e então começou a falar. Ame olhou em volta, pra ver se realmente era verdade o que Sarah havia dito. E de fato, a maioria das alunas eram caidinhas por ele. Rolou os olhos e virou-se pra janela.
– Agora sim, começaremos de fato, nossa aula. Como há alguns novatos aqui presente, começarei com uma simples pergunta. — Disse Kuro — Quem saberia me dizer qual a diferença entre filme e livro?
Era realmente uma pergunta óbvia que só haveria respostas igualmente óbvias. pensou Ame. Olhou para a sala esperando a primeira a responder, e logo um garoto baixo, moreno levantou a mão para responder.
– Ahn, os detalhes, né? Tipo, os livros tem muito mais detalhes que os filmes, então geralmente os livros são melhores e tal. — Respondeu, com cara de indeciso.
– Bem, isso é óbvio. Porém, não é essa resposta que busco, Sebastian. — Respondeu Kuro, com um pequeno sorriso nos lábios. Ame entendeu por quê as garotas eram tão afim dele. Ele era o típico cara-de-filmes-clichês-de-adolescentes-problemáticos-que-no-fim-ficam-juntos. Tinha aquele jeito misterioso sem querer e era simpático com todos. Além de ter um belo par de olhos castanhos. Um castanho bonito, notou Ame.
– Mais alguém que queira responder? — Perguntou ele.
– A diferença é o público. — Respondeu Ame, baixinho, olhando pela janela.
– Hey, você é uma das novatas, né? Poderia responder mais alto? — Disse, quando Ame olhou pra ele, pra ver com quem ele estava falando — "Amê", certo?
Ame notou que era com ela com quem ele falava. Ótimo, pensou Ame.
– Aham. A diferença é o público. — Disse ela, num tom baixo — Qualquer um assiste um filme, mas não é qualquer um que lê um livro. — O professor sorriu de forma apreciativa. Ame olhou pra Sarah, que sentava ao seu lado, e viu que ela sorria também. Percebera que Sarah havia entendido a resposta de Ame, afinal, Sarah parecia o tipo de garota que aprecia livros.
– Certamente. O que Ame quis dizer é que qualquer um pode sentar e assistir um filme qualquer. Mas quem vai ler sabe o que o espera. Quem para pra ler um livro é alguém que está disposto a interpretar o livro, estudar cada palavra, imaginar cada detalhe de cada cenário e sentir as mesmas emoções do personagem. — Disse Kuro num tom alto e profundo, enquanto Ame continuava a observar a janela só ouvindo, que por acaso, ouvia também algumas garotas suspirarem ao ouvir o Professor Kuro.
Quando acabou a aula, Ame pegou suas coisas e esperou Sarah, já que não sabia muito bem pra onde ir. Ket veio em sua direção com um sorriso no rosto.
– Hey, olá de novo! Vejo que tá indo bem pros primeiros dias =3 Já escolheu seu neopet? -
– Ah, na verdade não. Eu não sei bem como faço pra ter um e tal... — Respondeu Ame, desajeitada.
– Sarah, sua feia! — Disse Ket — Leva ela pra ter um neopet.
– Tá... — Respondeu Sarah, com desânimo. Mas Ame até gostou, queria ver que tipo de neopet poderia ter.
– Bem, já vou indo então. Té. — Disse Ket, já se virando e chamando a garota alta chamada Mary. Elas foram saindo da sala conversando e rindo, como velhas amigas.
Ia saindo da sala junto com Sarah, a caminho de conhecer seu novo neopet quando reparou que um outro homem entrou na sala. Ele parecia ser professor, já que usava branco. — dissera Gyn, professores usavam branco. Aquele era um pouco mais alto que Kuro, com cabelo estilo moicano e preto, e parecia ser bem enérgico e agitado. Chegou falando um pouco alto se dirigindo à Kuro, como se já fossem amigos há um tempo, enquanto Kuro o respondeu com algo parecido com "Oê, oê Takato!" – desajeitadamente.
Takato foi em direção à Ame e Sarah.
– Sarah, estudando muito? Tá precisando, né. Tsc tsc. — Disse ele, rindo -
– É sempre bom ver você, né Takato. Essa aqui é a Ame, uma novata, tente não assustá-la — Respondeu Sarah, ignorando o comentário de Takato.
– Hey, novata! Boa sorte com essa aí. — Disse Takato, rindo e fazendo um gesto no ouvido, insinuando que a Sarah é maluca. — Enfim, já vamos indo, né Kuro?
– Olá meninas. — Disse Kuro, chegando perto e falando simpaticamente — É, temos sim. Uma pena, gostaria de ficar e conversar com vocês. — Terminou ele, sorrindo.
– Bem... — Ia dizendo Ame, quando foi bruscamente interrompida por Sarah. — Pois é, pois é, já vamos indo também. Anda Ame. — Disse, puxando Ame pelos braços.
– Té, então. — Disse Ame, acenando e vendo-os acenar de volta. Ame e Sarah saíram da sala rapidamente até chegarem ao corredor, quando Sarah começou a andar normalmente.
– Pra onde vamos agora? Eu ainda tô com fome. — Disse Ame, percebendo o ronco do seu estômago ficar cada vez maior.
– Estamos indo pegar seu neopet na sala de Informática. — Disse ela sorrindo ansiosamente. Ame sentia o mesmo, estava curiosa pra saber quantas espécies de neopet havia.
– Ué, mas por que na sala de informática?
– É meio complicado, mas basicamente funciona assim: Tem um computador na sala, que é diferente dos outros. Nele acessamos o programa e selecionamos algum neopet, que automaticamente aparece do lado, um holograma do próprio neopet em 3D. E quando você escolher definitivamente o neopet, o holograma dá vida a ele. É realmente foda. — Disse Sarah, com um brilho nos olhos. Ame ficou curiosa pra ver o computador funcionando.
Sarah parou e se virou pra esquerda, abrindo uma porta branca onde tinha o nome "Informática". Lá dentro, havia alguns alunos pesquisando algo. Ame conseguiu identificar o crachá de apenas quatro deles, dos quais os nomes eram: Jô, com cabelo castanho-claro e cacheado, Leo, com cabelo curto e caído em sua testa, Alaska, uma garota que parecia ser descendente de japonês e Akira, sentada à esquerda de Alaska.
Sarah entrou e foi rapidamente pra um computador maior e mais isolado dos outros. Quando os alunos a viram, foram andando em direção à ela. Ame não sabia o porquê, mas achou mais provável os alunos terem a mesma opinião e fascínio de Sarah pelo computador.
Foi em direção à ela e parou ao seu lado, em pé, enquanto Sarah tinha puxado uma cadeira pra si. Com a mão no mouse começou a clicar nas pastas, procurando o tal programa. Quando clicou no programa, abriu uma grande lista de animais, cada um mais fofo que o outro, pensou Ame. Apontou pra um neopet chamado Acara e pediu pra Sarah clicar nele. Automaticamente ao lado, numa espécie de caixinha, apareceu o animal, maior e piscando os olhos, com um sorriso amistoso. É, aquele computador era realmente foda, admitiu Ame.
– Não gostei muito... Que tal esse? — Disse Ame, apontando pra um neopet chamado Poogle. Sarah selecionou e ele apareceu na caixinha, maior e confuso. Tinha uma expressão assustada, parecia não querer estar ali. Ame por algum motivo se identificou com ele, e então se decidiu.
– É ele. Não precisa mudar mais nada nele. — Falou. Havia opções de mudar pra feminino, ou mudar pra outra cor. Mas Ame tinha gostado dele daquele jeito, masculino e num tom de amarelo. Sarah confirmou com a cabeça e o selecionou, fazendo-o ganhar vida. Pegou-o pelos braços e entregou a Ame, sorrindo.
– Só precisa de um nome agora. — Falou Sarah.
– Eu tenho um nome perfeito pra ele. — Respondeu Ame, sorrindo. Aquele momento acabara de ser realmente único.
Fale com o autor