Intenso como o Vinho

3 ☼ Capítulo Dois ☼


Notas iniciais
Demorou,mas postei amoras ♥

Não lembro de quase nada exatamente, apenas de segurar uma taça de vinho e tomar alguns goles.... ou será que eu tomei algumas garrafas?

Minha Dor de cabeça dizia que foram garrafas... com certeza.

–Até que enfim acordou dorminhoca!

A voz de Hanna parecia estar tão longe, mas na verdade ela estava sentada em uma cadeira perto da minha cômoda com um copo de água na mão, vendo meus projetos.

–Há quanto tempo você esta ai? -perguntei sentando-me na cama e contornando meus olhos com as pontas dos dedos.

–Cheguei agora... -Hanna me alcançou o copo de água e um comprimido; -Tome, você não vai conseguir correr com uma ressaca dessas.

Apenas obedeci, mal sabia que horas eram. Será que era muito tarde para uma corrida? Olhei de relance para meu Rolex e marcava oito e cinco, minha única escapatória seria correr um pouco menos ou não correr. Optei pela corrida em um pouco menos de tempo. Como eu estava tonta, fui tomar um banho rápido para tentar amenizar isso, cambaleei até a banheira, parecia que tudo girava... Nossa! Nunca fiquei assim antes.

Meu banho foi rápido, escovei os dentes e depois apenas peguei minha roupa habitual de ginastica e dessa vez meu Ipod para me distrair, acenei para Hanna e desci ao térreo. No elevador, tentei me segurar no corrimão, inclinei-me para frente de forma que meu cabelo ruivo fosse junto, amarrei-o bem forte e esperei ansiosa que o elevador abrisse.

As portas se abrem. Ligo meu Ipod e aproveito que Stan acabou de abrir a porta para outro morador pra sair correndo, no começo devagar apenas para me aquecer e depois um pouco mais rápido. Não ouço nada em minha volta, apenas a musica Kids do MGMT.

Olhando as folhas amareladas caírem das árvores, lembrei uma vez na minha infância. Eu tinha uns oito anos, cabelos ruivos enormes e muitas sardas no rosto, agora já não tenho mais sardas, mas antes... meu deus! Eu costumava sempre ir ver uma velha árvore, não sei até hoje o nome, mas lembro de que ela tinha suas folhas cor brancas e seu tronco era petrificado com a neve que ali se amontoava, suas folhas caiam aos montes, mas sempre que eu ia vê-la....sempre....estava cada vez mais viva.

Cada vez que eu inspirava saia uma fumacinha da minha boca, estava um pouco frio, mas com a corrida me sentia cada vez mais quente. Ao retroceder para casa encontrei uma pessoa que não via a muito tempo, ficamos conversando e eu realmente esqueci de que teria um compromisso logo depois. Terminada a conversa, apenas nos despedimos e fiquei parada por alguns minutos pensando.. Como pode ele estar tão bonito a cada ano que passa?

Cheguei ao Palace Salt e um Audi branco estava no outro lado da rua, achei suspeito, pois nunca havia visto um carro daqueles ali. Ao colocar o pé no primeiro degrau daquela pequena escada úmida e escorregadia, o vidro do carro baixou revelando um homem loiro e austero.

–Srta. Guilbertt?

Sua voz era fria e profissional.

–Sim? _Me aproximei;

–O Snr. Seall está a sua espera!

Mas já? Pensei por alguns instantes e olhei em meu Rolex, eram nove e vinte e cinco. Me distraí tanto com a presença inesperada de um amigo antigo que não vi o tempo passar.

–Você se importa em esperar mais dez minutos para que eu me troque?

Ele ergueu uma de suas sobrancelhas.

–O Snr. Seall não gosta de atrasos Srta. Guilbertt!

Pelo jeito que ele falou parecia que Adam Seall era impassível e arrogante. Tive de ir do jeito que estava, suada e totalmente a vontade, ou seja, nada profissional. Escorreguei pelo banco de trás do carro e fiquei parada ali por um bom tempo, o motorista não deu nenhuma olhada no retrovisor ou se quer olhou para mim, ele era forte e parecia mais um segurança de shopping do que um chofer. Não pude ver seus olhos diretamente, pois seu quepe estava um tanto baixo e me impedia de vê-los. Ele não falou nada durante todo o caminho, fiquei nervosa. Minhas vestes estavam tão informais que ele poderia ter uma visão errada de mim, mas oque eu poderia fazer? Fui surpreendida e não pude trocar de roupa.

O trajeto demorou mais ou menos trinta minutos. Era longe mesmo. Chegamos à frente de um portão enorme onde o motorista baixou o vidro e apertou o interfone.

–Abra, estou com a Srta. Guilbertt!

Apenas precisou ele dizer isso e os portões abriram-se, do outro lado um lugar totalmente natural, árvores enormes, grama verdinha e apenas uma estrada de terra para o carro passar. Dessa vez o carro estava indo mais devagar, parecia que ele queria que eu apreciasse todo aquele espaço. O vidro de trás onde eu estava se abriu e então pude ver que o tal “austero” talvez fosse um pouco gentil.

–Que lindo. _sussurrei colocando minha mão para fora e pegando no ar uma folha amarelada que caia.

– É muito lindo mesmo, tudo isso quem fez foi o Snr. Seall.

–Ele fez?

O motorista se fechou e concentrou-se apenas em dirigir rumo à entrada. A casa onde o Snr. Seall morava era linda, recém-feita e muito bem feita por sinal. Fiquei boquiaberta quando fui recebida por um homem alto e com um sorriso galanteador.

–Bem-vinda Srta. Guilbertt!

Será que esse seria o misterioso Adam Seall? Nada impressionante para mim.

–Obrigado Snr. Seall.

–Oh, não. _ele sorriu levemente levando a mão sobre a boca; — Sou o Taylor, assistente dele.

–Desculpe, é que nunca o vi pessoalmente, apenas em fotos onde ele se encontra de costas.

Fiquei um pouco constrangida por tê-lo confundido com o Snr. Seall. Taylor ficou me olhando dos pés a cabeça.

–Você estava jogando ou fazendo algum esporte?

Olhei-me e percebi que eu estava totalmente informal.

–Eu estava fazendo minha caminhada logo cedo.

Ele sorriu.

–Vamos ver a casa então.

Taylor me levou para ver toda a casa, tinha alguns cômodos onde eu não podia entrar e outros que já tinham sido organizados. Será que ele teve outro arquiteto antes de mim? Pude perceber que Taylor não tocou no nome de Adam Seall nem se quer uma vez. Parecia que o Snr. Seall estava se escondendo de mim, ou que não estava a minha espera.

Percorri toda a casa, que por sinal era enorme, Adam Seall era do tipo que gostava de coisas antigas e bonitas, sua casa tinha muitos quadros que para mim não faziam tanto sentido e móveis que pareciam ter sido esculpidos por anjos de tão perfeitos que eram.

Chegamos a sala, era incrível e tradicional.

–Então, oque esta achando Srta. Guilbertt?

–Bom, pelo que pude ver, o Snr. Seall aprecia móveis antigos e muito bem esculpidos, quadros, espelhos e muitas janelas. Tudo em seu devido lugar.

–Sim. Ele mandou dizer que não pode vir vê-la agora, mas estará aqui logo à tarde. Se puder esperar, já preparei tudo que precisa se você quiser ficar, é claro.

Eu estava nervosa por estar tão informal, mas queria muito saber quem e como era Adam Seall.

–Tudo bem, eu espero.

Taylor me levou para uma sala cheia de armários e folhas, onde havia apenas uma mesinha e uma cadeira ao centro. Pude ficar em paz e trabalhar em meus desenhos ali.

Mais tarde, na hora do almoço fui surpreendida com uma moça alta e de uniforme com uma bandeja repleta de variedades, desde a salada até a sobremesa. Não comi tudo, pois não estava com tanta fome e logo ela veio buscar novamente e eu fui logo desenhar mais alguns detalhes da pequena mesinha que ficaria muito bem ao centro daquela enorme sala. A lareira que lá estava era antiga e muito preservada, parecia que ninguém nunca havia à acendido.

A janela atrás de mim, tinha uma linda vista para a entrada da casa. Algum tempo depois, vi uma BMW entrar pelo mesmo portão onde eu entrei. Muitas perguntas vieram a minha cabe.. Será que era o Snr. Seall? Ou era apenas mais algum de seus empregados?

Então vi a sombra da silhueta do que parecia ser um homem forte e intimidador, de terno preto sair do carro. Com certeza era ele!

Estava nervosa, não por ser Adam Seall e sim, por eu estar inapropriada para o momento. Esperei até que chegasse a hora de Taylor vir me chamar, mas isso não aconteceu. O homem que eu vi lá embaixo a poucos minutos, abriu a porta e parecia estressado, pois falava alguns xingamentos em tom baixo e logo que me viu ficou estático e ainda mais sério. Seu rosto apresentava a expressão de um homem forte e ao mesmo tempo assustado, não sei se era por eu estar ali e ele não sabia.

–Pois não..Srta.... _ele apontou o dedo para mim de forma que eu dissesse meu nome.

–Guilbertt. Natalie Guilbertt!

Seu terno fino e preto o deixava elegante e traçava perfeitamente seu corpo que parecia ter sido feito na medida certa...

–Ah,sim! Taylor! -ele gritou para Taylor vir.

E em questão de segundos ele apareceu na porta.

–Sim?

–Por favor leve a Srta...a Srta...para meu escritório que vou tomar um banho e depois vê-la. -sua voz estava ríspida e deselegante.

–Claro, por favor me siga Srta. Guilbertt!

Taylor deu ênfase ao meu sobrenome e levou-me até o escritório pessoal de Adam Seall.

Era enorme e haviam como de costume, muitos quadros e alguns espelhos. Uma adega de vinho intacta que me fez lembrar da noite anterior, da forma com que vi os vinhos ali, ou ele não toma e apenas coleciona ou ele substitui pelo mesmo logo depois de tomar. Sua mesa era bem organizada, tudo arrumado e limpo, parecia até brilhar de tão limpo, sua cadeira era preta revestida com couro e sempre impecavelmente limpo.

Sentei em uma poltrona na frente de sua mesa e esperei alguns instantes. Minutos depois ele entrou. Q...Que anti profissional!! Ele estava apenas com uma calça jeans surrada e sem camisa, seu abdômen era definido, podia ver os quadradinhos empilhados ali e sem nenhum pelo, ele estava secando seu cabelo castanho com uma toalha branca e seus olhos mel-esverdeados estavam fechados. Fiquei de boquiaberta ao vê-lo daquele jeito, ele era incrível, mas não muito profissional. Acho que é por isso que ele tem um público feminino grande.

–Me desculpe a deselegância Srta. Guilbertt... _Agora ele lembrou meu nome; - Achei que já que você está tão a vontade, não seria problema, mas se quiser... _ele chegou mais perto de mim e dessa vez olhando no fundo do meu olho; -Posso colocar meu bom e velho terno.

–Não...não precisa, está ótimo assim. _fiquei envergonhada por ele ter chegado tão perto.

–Então gostou do que viu? -Adam ergueu uma de suas sobrancelhas e se afastou colocando a toalha em um pendurador atrás da porta.

–Bom...o senhor é muito bonito...

Ele sentou-se na cadeira de couro,cruzou os braços e soltou uma gargalhada baixinha.

–Estou falando da casa Srta. Guilbertt!

Por um instante fiquei da cor do meu cabelo, não sabia distinguir qual estava mais vermelho no momento.

–Sim, gostei muito...estava fazendo alguns desenhos, se quiser ver...

–Mostre ao Taylor, ele sabe oque eu iria gostar.

–Okay...

–Agora se me der licença, tenho algumas coisas para fazer.

Depois dessa brave conversa, apenas fui até o lugar onde estava meus projetos e chamei por Taylor. Ele checou os projetos.

–O Snr. Seall irá adorar.

Sorri e depois Taylor saiu da sala. Coloquei minhas mão em prática e comecei a desenhar.

Notas finais
Continua....