Intenso como o Vinho

4 ☼Capítulo Três☼


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês amoras ❤

Trabalhei cada detalhe por horas, em nenhum instante o Snr. Seall veio ao meu encontro.

– Senhorita Guilbertt, posso atrapalhar um instante?

Taylor entrou, por sua vez, informal.

–Claro.

–Gostaria de convidá-la para tomar um café comigo, preparei tudo.

Não seria certo ter algum tipo de relacionamento, a não ser o profissional com qualquer pessoa envolvida no projeto, mas Taylor parecia ser o tipo de cara simpático e amigável do qual eu precisava para me distrair um pouco depois de um dia tenso como esse.

–Esta bem, só vou guardar algumas coisas. _Retribui o sorriso;

Ele ficou escorado na porta, sua camiseta polo preta encaixava perfeitamente em seu abdômen definido, calça jeans azul que cobria suas coxas torneadas e um sorriso convidativo, estava a minha espera.

–Prontinho.

–Então venha comigo.

Não sabia exatamente oque esperar. O segui até uma varanda nos fundos da casa, era muito confortável. Haviam duas cadeiras e ao centro uma mesa quadrada de madeira bem esculpida, uma toalha estendida cor bege, xícaras e pires postos a mesa, recheados com pãezinhos doces e para acompanhar, um pacote com vários saches de chá de muitos sabores.

–Desculpe, não sabia de que sabor você gostaria, então peguei alguns. _Taylor puxou a cadeira para que eu sentasse; — A propósito, você gosta de chá?

Não posso dizer, que não gosto, mas também não sou uma viciada em chá.

– Não gosto e nem desgosto, apenas tomo para relaxar de vez em quando.

– Ah, entendi.

Soltei meu cabelo, que logo voltou aos cachos compridos e leves. O vento vinha direto em meu rosto, fechei os olhos e respirei fundo, estava tão à vontade que quase esqueci a presença de Taylor que por sua vez, agora estava me encarando com um sorriso galanteador.

–Então Senhorita Guilbertt, qual sua história? _ele pegou um cubo de açúcar e colocou cuidadosamente no seu chá.

–Minha história?

–Sim, de onde é, onde cursou, por que quis ser arquiteta...

Não sei ao certo minha história real, não gosto de meu passado e pretendo construir meu futuro.

–Era de Spokane, não é a cidade dos sonhos, mas é muito aconchegante. _peguei um sache de chá sabor morango e dois cubos de açúcar, coloquei água fervente e mexi; -Me graduei na Whitworth University, não tenho um motivo para ser arquiteta, gosto de tudo que é exato e que tenha muitos infinitos, a arquitetura me deu a oportunidade de trabalhar em uma das empresas que mais admirava e fico feliz por isso. _Taylor me ouviu sem nem ao menos me interromper. Isso é admirável; – Mas e você?

– Eu oque? _ele levantou uma sobrancelha;

– Qual a sua história?

–Minha história não é nada interessante, Senhorita Guilbertt. _Taylor se recostou na cadeira e tomou mais um gole de seu chá. -Sou apenas o assistente de um milionário estranho e maníaco.

–Maníaco? -engoli em seco

–Não de um jeito ruim, mas sim, de um jeito psicológico. _Tomei um pequeno gole de meu chá e voltei a olhar a paisagem. -Acho que você não está com muita fome, não é mesmo senhorita Guilbertt?

Voltei o rosto para Taylor. Ele estava me encarando junto a um sorriso misterioso e um olhar entreaberto.

–Não muito.

–Você deveria comer, não comeu nada essa tarde!

Sua mão empurrou o meu pires recheado com pãezinhos para mais perto de mim. A verdade era que estava morrendo de fome e não tinha a coragem de pedir um intervalo de almoço ou café, até que Taylor me chamou para um cafezinho improvisado. Minha barriga roncava, a única coisa que lembro de ter comido era a pizza de ontem e o vinho que me deixou com uma bela ressaca logo cedo.

–Acho que a senhorita Guilbertt deveria comer algo mais... substancial?

A voz ríspida e forte de Adam invadiu a varanda. Estava recostado na porta com a mão estendida para mim, parecia estar querendo que eu o seguisse ou me levantasse.

–Eu preparei algo para você._ Olha que surpresa, Adam Seall preparou algo para mim; – Venha!

Olhei para Taylor e ele estava praticamente fuzilando Adam com os olhos, minha curiosidade era tanta que não pude resistir e deixar de saber qual era a surpresa. Pedi licença para Taylor e segui Adam.

–Você prefere lasanha ou hambúrguer?

–Os dois.

–Vejo que você não é tão difícil de agradar então senhorita Guilbertt.

Seus imensos olhos mel-esverdeados viraram-se para mim e um lindo sorriso se abriu em seu rosto. Naquele momento parecíamos amigos de longa data, mas não passávamos de dois estranhos começando a se conhecer para melhor relacionamento profissional.

Ao entrar em um corredor que parecia não ter fim, sentia um cheiro suave vindo da cozinha. Será que ele teria mesmo se dado ao trabalho de preparar algo para mim, por isso não teve tempo de vir falar comigo mais cedo? Ou apenas era um modo de pedir desculpas pelo grosseiro mal entendido antes?

Chegamos à cozinha. Era imensa, me fazia parecer uma formiga de tão grande que era. A maioria dos moveis era da cor cinza e branco, sua mesa era oque chamava minha atenção, um mármore da cor vinho e as banquetas com assento de couro preto.

Adam colocou duas luvas de cozinha e tirou uma forma de vidro do forno.

–Você que fez? _Era uma lasanha feita em casa, extremamente cheirosa.

–Sim. Por que a cara de surpresa? _eu estava encarando, parecia que ia comê-lo com os olhos, então disfarcei olhando para o lado; — Não aparento ser o tipo de cara que sabe cozinhar?

–Não, não é isso. Eu não estou acostumada a ver pessoas do seu tipo cozinhar ou que saibam cozinhar.

Adam fez a volta na mesa, posicionou as mãos sobre um dos bancos e puxou para que eu me sentasse. Educado.

–Pessoas do meu tipo? _seus lábios quase tocaram minha orelha, fazendo-me ficar arrepiada.

–Geralmente pessoas ricas ou com muito dinheiro tem cozinheiros particulares que façam seu almoço, café e janta.

Ele voltou para trás da bancada e abriu uma das gavetas do armário, onde estavam os talheres, pegou dois garfos e facas, uma espátula e colocou-os em cima da mesa, dois pratos foram colocados, um em minha frente e um na frente dele.

–Gostaria de alguma bebida? Refrigerante, água, suco, leite, álcool... _ele sorriu.

–Refrigerante está ótimo, obrigado.

Ele pegou mais dois copos e uma Coca-Cola, abriu e serviu. Voltou e sentou-se ao meu lado.

–Srta. Guilbertt! _Suas mãos encontraram meu cabelo; — Gosto de apreciar os pequenos prazeres da vida.

Seus olhos me encararam por um bom tempo e suas mãos macias acariciaram meu cabelo ruivo e levemente ondulado. Adam parecia estar em algum tipo de transi, pois seus olhos estavam fixados nos meus. Fazendo com que eu corasse.

–E cozinhar é um desses prazeres?

Acho que ele percebeu que fiquei um pouco sem jeito. Seus olhos ficaram piscando por alguns segundos e depois sua mão voltou-se para a espátula.

–Sim. Gosto de cozinhar e experimentar novas receitas e novos temperos.

Apenas concordei com a cabeça enquanto ele cortava um pedaço e colocava em meu prato. Após servir para ambos, sorriu e cortou um pequeno pedaço.

–Espero que goste Srta. Guilbertt!

Notas finais
Acompanhem...