Intenso como o Vinho

2 ☼ Capítulo Um ☼


Notas iniciais
Mais um! Espero que gostem ♥

Eu estava tão feliz. Havia três anos que não nos víamos pessoalmente, apenas pela webcam ou e-mail. Trocávamos cartas que eram absurdamente grandes, pois ela estava recentemente morando na Europa e eu não podia ir visitá-la por causa do trabalho, de alguma maneira ela conseguiu um tempo de folga. Depois de alguns longos abraços pude desgrudar dela para termos uma conversa civilizada. Sentamos no sofá.

–Você tem que me contar tudo Nat! Novidades na vida amorosa? No trabalho? Promoções?

–Bom. Não tenho muitas novidades, no amor, por exemplo, nada. _soltamos algumas gargalhadas; — Mas no trabalho está tudo perfeitamente ótimo.

Hanna me olhou um pouco espantada.

–Como consegue gostar tanto de trabalhar? _ela cruzou as pernas, que a propósito estavam em um jeans branco justo, fazendo suas longas pernas e não tão finas se ajustarem proporcionalmente; — Tem que me dar essa disposição. Onde você estava?

–Correndo. _Hanna deu uma piscadela para mim; — E como você conseguiu passar por Stan?

Ela franziu a testa e logo deu um sorriso largo.

–Ah. O porteiro? _assenti com a cabeça; — Disse que era uma amiga sua de muitos anos e queria fazer uma surpresa, peguei as chaves na recepção e subi.

–Nossa! Legal.

Os lábios de Hanna então se tornaram inexpressivos. Ela estava tão bonita, seus cachos loiros até pouco mais que os ombros e os olhos azuis a deixavam ainda mais deslumbrante. Seu corpo agora estava mais maduro do que o de há três anos, ela usava a calça jeans branca justa que valorizava suas coxas e bunda, uma blusa de tecido fino listrado em preto e branco com decote em V e um colar com um pingente de uma coroa um tanto pequena tapando seu pescoço nu, a blusa era comprida atrás cobrindo apenas metade de sua bunda e curta na frente acima da braguilha do zíper.

Depois de termos uma conversa bem inusitada, pude ver o quanto senti falta de ter uma amiga para desabafar e contar minhas novidades.

Passaram-se algumas horas e Hanna insistiu em um almoço casual, eu tentei fazer com que ela mudasse de ideia e fossemos almoçar em algum restaurante, mas ela insistiu e disse que iria cozinhar, pois sentia falta disso. Digamos que Hanna é rica o bastante para ter seu próprio chofer e até um cozinheiro para si. Então me sentei em minha bancada onde tinha uma mesa de mármore ao centro que dividia a cozinha e a sala e do lado oposto de onde eu estava Hanna abria minha geladeira e tentava se virar ao máximo para lembrar onde eram as panelas. Uma vez enquanto estávamos no Skype, liguei a webcam e a levei para ver a casa, ela queria tanto conhecer e me forçou a mostrar o lugar de cada coisa para que quando ela viesse não teria de dizer nada a ela, mas estava tão ansiosa para ela cozinhar que acabei entregando.

–Ali embaixo, segunda porta da geladeira pra esquerda.

Minha cozinha era composta por muitos armários da cor preto e branco, começando pelo canto esquerdo do cômodo vem o fogão de seis bocas, com chapa, nada de tampa ou forno, logo acima tem um compartimento elétrico onde da para ascender à luz em cima do fogão quando está escuro, ao lado três armários tanto aéreo como térreo um preto e um branco, seguindo a ordem da parede no canto uma lava louças com a pia conjunta, ao lado novamente um armário branco e acima dele um forno elétrico, depois a geladeira que eu considero um pouco grande para apenas uma pessoa no apartamento e depois ainda mais três armários onde Hanna estava procurando por panelas e em cima deles, cafeteira, micro-ondas e alguns potes que guardo doces, biscoitos e chás.

–Você gosta de lasanha não é mesmo? _Hanna pegou uma prancheta de cortar legumes e começou a cortar a cebola e o tomate para o molho; — Por que é uma das coisas que eu sei fazer melhor.

–Mas é claro que eu gosto! Só um louco sem a sã consciência não gosta de lasanha.

Depois de um almoço com Hanna tive de ir me arrumar para o trabalho. Eram quase vinte para a uma e eu começava a uma e meia. Hoje eu teria muito trabalho a fazer. Estou em um projeto para a organização interna de uma empresa de Publicidade, já feita às plantas, a infraestrutura e o orçamento, fui convidada por Natanael Volp, dono da Commercial Express para garantir total conforto do lugar. Faz exatamente um mês que estou no projeto da Commercial Express e tenho quase certeza que hoje é a etapa final.

Eu já estava pronta para ir trabalhar com meu terninho risca de giz com um pequeno decote em V, por baixo uma blusa branca de seda não muito decotada e por fim um scarpin preto aveludado com fecho, aos pés. Peguei minha bolsa, algumas pastas e projetos em meu escritório pessoal em casa. Hanna me olhou da cabeça aos pés.

–Nat você esta linda.

–Obrigada. _sorri levemente;

Já era de se esperar que ela falasse isso, não sou a garota mais linda do mundo e nem a com mais autoestima. Minha aparência é na medida certa, nem linda e nem horrorosa, apenas normal. Não sou alta e nem baixa, meus cabelos são um de meus charmes, ruivos e ondulados contrastando com meus olhos verdes. Sendo meu cabelo ruivo, gostam muitas vezes de me chamar de garota do cabelo fogo. Não gosto e nem desgosto do apelido, pois tenho mesmo o cabelo cor fogo, muitos dizem que sou linda de corpo, mas em minha opinião acho que sou normal, busto mediano, cintura parecendo às curvas da cidade e pernas não tão longas, mas firmes. E é assim que me descrevo, um pouco diferente dos demais.

–Hanna. Você tem onde ficar?

Ela me olhou intrigada com a pergunta.

–Estou em um hotel no centro... como é mesmo o nome.... Pearl Seall.

–Você poderia ficar aqui comigo, se quiser.

Sua expressão mudou e um sorriso tomou seus lábios avermelhados novamente.

–Não seria incomodo?

–Que isso Hanna. _envolvi meu braço em seu ombro de forma que a trouxesse para mais perto de mim; — Você é sempre bem-vinda, você sabe.

Hanna me abraçou. Seu abraço fez-me lembrar de quando nos conhecemos. Morava em Spokane — Washington e em meu primeiro semestre na Wu — Whitworth University- tive grandes dificuldades com algumas matérias e ai entra a Hanna. Ela acabou ajudando-me em certas matérias, já que estava prestando para Engenharia. Nos tornamos amigas e desde então não nos separamos mais.

Eram uma e vinte quando cheguei á frente da Lionel Architecture, um dos prédios mais altos da cidade, tirando os arranha-céus é claro, a vista deslumbrante dentro era ainda melhor. Ao abrir as portas de vidro extensas, o piso azulejado em preto e branco encerado equipava-se com catracas de metal para passarmos nossos crachás pessoais, elevadores aos dois lados da entrada e escadas para quem quisesse encarar uma bela jornada quase interminável pelos quinze andares acima. Já que não queria ter essa honra, apenas me direcionei para o elevador ao lado direito do salão principal que em um piscar de olhos abriu, os elevadores eram todos espelhados por dentro e tinham corrimão que era de uma madeira forte e escura. Apertei o botão do décimo andar, logo nos andares acima algumas pessoas subiam com pressa e impacientes.

Saindo do elevador em meu andar, me direcionei até meu escritório e sentei-me na cadeira confortavelmente macia e preta atrás da minha mesa de madeira muito bem esculpida, coloquei minha bolsa na ultima gaveta e desenrolei o projeto da Commercial Express sob a mesa, estava acabando com o desenho de alguns cômodos e moveis quando avisto um pequeno papel cuidadosamente colado em uma de minhas gavetas.

Quando chegar suba, por favor.

Graham.

Será que ele esta bravo? Oque seria de tanta urgência que quisesse que eu fosse lá em cima vê-lo? Confesso que estou aflita, mas preciso me recompor e ir ver oque Adrian quer. Pegando o elevador subi até o décimo quinto andar, onde ficavam os chefões, logo avistei Edith, a recepcionista de Adrian. Edith usava apenas uma blusa manga curta de botões e uma saia justa preta acompanhada por uma meia calça cor de pele e um salto alto clássico bico fino preto, seu cabelo castanho envolvido em um coque muito bem feito.

–Senhorita Guilbertt! _ela levantou-se; — O Snr. Graham irá recebê-la, por favor, me siga.

Edith me guiou com um sorriso amigável no rosto. Ao abrir a porta da sala de Adrian, ela anunciou minha chegada. Adrian fez um gesto positivo com a cabeça e então entrei. Fiquei boquiaberta com o luxo de que era aquela sala, era gigantesca e tinha uma vista ampla muito linda de sua janela. Nunca havia ido até a sala de Adrian, pois sempre que ele quisera conversar comigo ia até a minha sala ou ligava.

–Natalie, sente-se. Sinta-se a vontade.

Adrian sempre fora muito galanteador com um sorriso impecável, atrás de sua mesa com um terno azul-marinho e olhos negros, cabelo muito bem penteado para trás e sobrancelhas erguidas, faziam-me perguntar: Será que ele sempre foi assim? Bonitão, rico e sensual? Acho que não....

–Adrian oque exatamente você tem a me dizer? É que tenho muito trabalho e...

E antes que eu pudesse terminar, ele levantou-se e foi até mim.

–Não se preocupe com o trabalho na Commercial Express.

–Como...assim?! _estava um pouco surpresa.

–Você já fez o bastante lá.

–Não fiz não. _só o doce pensamento de que eu teria que abandonar tudo oque eu fizera em um mês...me arrepiou toda; — Preciso terminar os cômodos e...

–Não, não precisa. Natanael gentilmente cedeu você a outra pessoa.

–Cedeu? Mas ele pediu a mim preferencialmente.

Não estava entendendo nada e quando vi já estava sentada no sofá para que eu não tombasse no chão de imediato.

–Natalie. _ele falou calmamente; — Você é uma das melhores no que fazem aqui na empresa, não posso simplesmente mandar um inexperiente para um dos maiores financiamentos da Lionel Architecture.

Adrian sentou-se ao meu lado. Fiquei em silêncio por alguns minutos e depois me centralizei.

–Nesse caso, eu poderia até ceder meus projetos para alguém e ir para esse novo cliente.

–Ótimo.

Adrian pegou minhas mãos e sorriu finalmente. Pelo que ele acabou de me dizer, eu era uma das melhores arquitetas especializadas da Lionel Architecture e deveria expandir mais a empresa fazendo um bom trabalho de mais alguma empresa da cidade.

–Bom.. _levantei-me ajeitando meu terno; — Qual será a empresa dessa vez? Stricker Enterpise? Adventure...

–Digamos que não será bem uma empresa, mas a casa do dono dela.

Eu estava extremamente inquieta.

–Qual empresa?

–Seall Enterprise Holding Inc.

Levei um susto com apenas duas palavras, me senti um pouco tonta e então me sentei no sofá novamente.

–Natalie, tudo bem? _Adrian colocava a mão em minha testa para ver se eu estava quente ou com febre.

–Você está falando de Adam Seall? O multimilionário?

–Sim. Esse mesmo. _como ele conseguia falar tão calmamente sobre isso, de fato eu estava nervosa; — Ele pediu que eu instruísse o melhor de meus arquitetos para financiar, organizar e definir os matérias de acabamento e a distribuição dos moveis. Então disponibilizei um pen drive com a lista e o currículo dos melhores arquitetos e ele a escolheu e acho que isso vai trazer muita publicidade para nossa empresa.

Meu estômago estava embrulhando toda a lasanha do almoço, então me contive e apenas aceitei a tarefa de arquitetar a casa de um multimilionário bonitão e voltei a minha sala.

Pensei, repensei e reorganizei meus projetos da Commercial Express. Nem acreditava que estaria em um projeto com o multimilionário mais incrível de Seattle e talvez até do mundo. Todos dizem que nenhum de seus operários pessoais parou no emprego, tais como cozinheiros, engenheiros, decoradores e arquitetos...

–Eu amo meu emprego. Farei ao máximo para que tudo dê certo. -sussurrei para mim mesma

Estava quase na hora de ir embora, eu estava fechando minha sala quando ouvi o telefone tocar.

–Lionel Architecture. Natalie Guilbertt, em que posso...

–Senhorita Guilbertt?

Uma voz forte e um pouco rouca soou do outro lado da linha.

–Sim, quem é?

–Adam. Adam Seall.

Por um momento fiquei estática. Logo sentei em minha cadeira e era como se suas palavras ecoassem em minha cabeça. Ao voltar à realidade percebi que havia colocado o telefone no gancho sem querer. Droga!

–Senhorita Guilbertt.

Logo ouvi a recepcionista que aguardava a minha saída chamar ao interfone.

–Sim.

–O Snr. Seall esta na linha posso passá-lo? _ Eu desliguei na cara de um multimilionário! Meu deus é hoje que perco meu emprego; — Senhorita Guilbertt?

–Claro.

Ao passar o Snr. Seall para minha linha, ouvi um suspiro prolongado e algumas palavras em um tom baixo que não pude entender. Ele devia estar me xingando mentalmente a essa altura.

–Senhorita Guilbertt, gostaria de ter uma conversa sobre nossos projetos amanhã logo cedo se possível.

Sua voz era intensa e igual à de um executivo sério e estressado com o trabalho, mas ainda sim não deixava de ser sedutora e envolvente. Só de ouvir a voz dele, ondas de nervosismo e impacto emocional passaram-se por meu corpo. Voltei logo à realidade onde eu estava desta vez literalmente falando com um multimilionário bonitão com a voz intensa.

–Sim. Que horas você gostaria de me encontrar e onde Snr. Seall?

–Pode ser em minha casa às oito horas?

Às oito... oito... não posso, tenho minha corrida habitual.

–Você teria compromisso às nove e meia?

–Não. _ouvi oque pode-se dizer uma risada sensual e um pouco rouca do outro lado; — Senhorita Guilbertt, você pode tomar todo meu tempo amanhã.

–Ah, sim. Às nove e meia esta bom?

– Mandarei meu motorista busca-la às nove e meia... _Motorista? Por quê? Eu só vou a casa dele, não a um encontro; — E antes que a senhorita me pergunte, meu motorista irá busca-la, pois minha casa é muito afastada do centro da cidade.

Olha, além de multimilionário ele lê mentes. Incrível.

–Está bem. Tenha uma boa...

Tive a leve impressão de que ele estava bravo, pois desligou o telefone antes mesmo de me deixar terminar a frase. Sai de meu escritório igual a um gato quando sai da chuva. Chegando à frente da Lionel Architecture, um carro esporte preto parou bem onde eu estava.

–Entra ai!

Era Hanna. Ela erguera os óculos escuros e me dera uma piscadela. Entrei pelo outro lado e deslizei o banco de couro, coloquei meus projetos com cuidado no banco de trás e Hanna logo pisou no acelerador.

–Como sabia que saio esse horário? _meu celular vibrou na bolsa.

–Apenas instinto feminino.

Sua risada foi à única coisa que tirou minha tensão. Quando peguei meu celular, vi que tinha uma mensagem de texto da minha mãe.

“Querida Nat! Já é quase dia das bruxas, pensei que você pudesse vir passar aqui em casa, July vai vim e vai trazer a Ana e o Nathan. Venha! Eu e seu pai estamos muito ansiosos.”

Faltava apenas uma semana para o dia das bruxas. Geralmente eu ficava trancada em casa terminando projetos, comendo doritos e tomando coca, mas dessa vez me parecia uma ótima ideia e seria bom para eu me distrair quanto ao novo projeto.

–Vamos comer oque? Pizza, cachorro quente ou comida chinesa? -Ela perguntou com um sorriso estampado no rosto.

Dessa vez Hanna e eu iriamos sair para jantar.

–Vamos de pizza hoje.

–Ótima escolha! Me recomendaram uma aqui perto.

Então fomos até uma pizzaria chamada Pizza Da Nona. O incrível é que além de ser perto do meu trabalho, nunca tinha ido até ali. O lugar era bem simples, mas confortável. Ficamos em uma mesa perto da janela, logo um garçom veio até nós. Pedimos uma pizza média de strogonoff de carne, calabresa, frango e um pedaço de chocolate, para acompanhar, Hanna pediu um vinho que nem eu mesma soube pronunciar o nome de tão complicado que era.

–Vejo que você está aflita Nat, oque houve?

Hanna estava com um vestido longo e preto. Ela cruzou as pernas e tomou um gole do vinho.

–Nada. Apenas estou um pouco nervosa.

–Com oque?

–Meu chefe me deu um projeto na casa de um multimilionário. _Hanna ficou boquiaberta; — Adam Seall, não sei se você conhece.

–Claro que conheço, ele é dono do hotel onde eu ia passar a noite.

Ele era um homem muito rico e incrivelmente atraente, nunca o vi pessoalmente, mas sempre o via em revistas e jornais ou em fofocas na internet. Sua vida fora da empresa era totalmente sigilosa, nunca sabíamos o paradeiro de Adam Seall, sua vida amorosa ou seu dia-a-dia eram apenas especulações fajutas.

Alguns minutos depois a pizza chegou. O cheiro estava fabuloso e o sabor ainda melhor, o doce som da risada familiar de Hanna me deliberou de meus pensamentos corriqueiros.

Notas finais
Continua...