Intenso

1 Abertura do ano letivo


Hoje eu acordei um pouco mais cedo do que o de costume, pois é o meu primeiro dia na nova escola. Já faz duas semanas desde que minha família e eu nos mudamos para a cidade de Monte. Daqui a duas semanas eu estarei fazendo 15 anos. Aniversários... São até legais, mas só em pensar que a cada ano vou ficando mais velho, eu me sinto um pouco frustrado. Eu Jason, sou um garoto super fora da caixa, um admirável rapaz, de cabelos castanho-claros bem curtos, pele clara e olhos castanho-escuros, que variam com a intensidade da luz . E falando sério, meu corpo não é dos piores, eu sou bem magro, mas até tenho uma boa definição. Ei! Olha só! Parece que eu cresci um pouco durante esse tempo, acho que devo ter agora um metro e oitenta e oito centímetros de altura mais ou menos. Nossa, esse cheiro de bacon frito está incrível, minha mãe — a Sr. Marta Reis — já deve estar preparando o café da manhã, as refeições que ela faz sempre são as melhores, e não estou dizendo isso só porque ela é a minha mãe, essa senhora realmente leva jeito para a coisa.

Bem, provavelmente já é hora de eu me preparar para ir à escola, felizmente nessa nova casa há um banheiro no meu quarto, imagine só, uma suíte exclusiva para mim. O meu quarto não é tão grande, mas é perfeito para um garoto como eu, e acomoda todas as minhas coisas como uma luva, nele está centralizado uma cama de solteiro e ao seu lado esquerdo fica uma janela, de onde é possível ver uma paisagem tranquilizante de uma praça que até parece um parque florestal, onde algumas pessoas se reúnem e outras praticam corrida , um guarda-roupa médio de cor cinza com duas portas com espelho, há também uma mesa para estudos, e acima dela há também uma estante que acomoda meus livros, mangás e brinquedos que mantive da minha infância. Olhando para um relógio em cima da mesa de estudos observei que já eram seis da manhã, logo minha mãe viria me arrastar para escola da forma em que eu estivesse, pronto ou não. Em um salto corri até o banheiro, escovei meus dentes, tomei um banho bem gelado e me enxuguei com uma toalha que tinha a estampa do Darwin e do Gumbal, eu simplesmente amo esse cartoon. Saindo do banheiro andei até a minha mesa de estudos e peguei a farda do colégio, a qual eu havia colocado ali na noite passada, após vestir o uniforme — uma calça jeans e uma camiseta branca com duas linhas horizontais de cor anil na parte do tórax, com o brasão do colégio sobre o peito esquerdo — percebi que ele era bem confortável.

— Jason! Vamos logo, hoje é o seu primeiro dia na escola e eu ainda tenho que ir para o trabalho, como você ainda não sabe o caminho, eu vou te levar até a escola.

— Sim senhora! Já estou indo. — gritei cantarolando.

O que eu faria da vida sem minha mãe? Essa senhorinha tão doce. Essa carona vai realmente vir a calhar, já que durante essas duas semanas eu não saí de casa, pois estava ajudando os meus pais a arrumar a bagunça da mudança, e também eu estava organizando o meu quarto, o qual eu faço questão de manter sempre em ordem, provavelmente devo ter algum tipo de T.O.C ou algo assim, coisas desarrumadas me irritam, mas uma hora eu vou ter que me acostumar com umas bagunças, já que a vida é que nem um omelete bem temperado com todos aqueles pimentões coloridos, tomates, cogumelos e Deus sabe mais o que.

— Nossa... Preciso ir logo antes que minha fome saia de mim e me tranque aqui.

Com uma gargalhada descontrolada eu desci as escadas e fui ao encontro da minha mãezona na cozinha, comi todo o bacon que consegui enquanto ela ia pegar o carro. Quando terminei minha senhora já estava a me esperar com o cinto encaixado e o motor ligado. Corri para o carro, e em um movimento rápido, abri a porta da frente e pulei dentro do carro.

A viagem até a escola foi bem confortável, deu para observar que na cidade havia vários pontos para lazer. Enquanto estava no caminho, conversei com minha mãe sobre o meu pai — o Sr. Clark Foxy — e os horários em que eles estariam em casa, já que ambos trabalham viajando muito, era difícil eles estarem em casa.

— Jason, como já tinha te dito, eu e o seu pai iremos para uma conferência na cidade de Santos, estaremos de volta na quarta-feira, quando voltarmos podemos ir naquela pizzaria que você mencionou assim que chegamos na cidade. — disse minha mãe com a voz um pouco arrastada, sentida por ter que me deixar sozinho.

— Está certo mãe. Não se preocupe, eu vou me comportar enquanto você e o pai estão fora.

Olhando bem nos olhos de minha mãe, eu dei um sorrisinho bem malicioso e pulei para fora do carro gritando: – Tudo bem se eu der uma festa enquanto vocês estão fora não é?

E com uma expressão chocada, sem acreditar no que ouviu, ela respondeu: – Nem pense nisso mocinho! Além disso você não conhece ninguém nesta cidade ainda. — em seguida virei para ela e disse: — Então! Grande oportunidade de conhecer, não acha?! — e com gargalhadas eu segui em direção à escola e segui meu caminho enquanto dona Marta se dirigia para o trabalho.

— Wow! Caramba! Essa escola realmente é gigantesca, ela é tão grande que é bem capaz de eu me perder lá dentro e só conseguir sair no fim do ano!

Fui caminhando rindo em um tom alto e indiscreto, até notar uma estrutura de metal acima dos portões gradeados do colégio. Fiquei admirado observando os detalhes da arte que continha a escritura Colégio Objetivo. Os portões do colégio eram de um aço reluzente que chegava a doer os olhos, e tinha muros altos com desenhos que os cobriam por toda a sua extensão, desenhos esses muito bem feitos e coloridos. Adentrando os portões percebi que ali tinha um pequeno corredor com paredes de tijolos bem vermelhos e rejunte carvão, onde era possível ver duas salas, uma com monitores que mostravam imagens de câmeras espalhadas em pontos estratégicos da escola e a outra onde encontravam-se alguns seguranças. Logo ao fim do corredor ficavam algumas catracas que controlavam o acesso à escola. Ao aproximar-me das catracas fiquei de pé em frente a elas observando-as por um bom tempo, até que um dos seguranças veio em minha direção perguntando se eu precisava de alguma ajuda, então me direcionei a ele saudando-o com a cabeça, e segurando um sorriso envergonhado no meu rosto eu falei: — Bom dia, eu sou novo aqui no colégio.

Já ao meu lado, o segurança com um leve sorriso perguntou: -Bom dia, o senhor Clark Foxy seria o seu pai?

— Sim! É ele mesmo, meu pai esteve aqui? — perguntei um tanto curioso.

— Sim, ele esteve aqui na sexta-feira da semana passada. Por favor me acompanhe. — disse o segurança ainda com um simpático sorriso no rosto.

Apontando para a sala onde se encontravam os seguranças, o Karl — é... pelo menos esse era o nome que estava escrito no crachá dele — me pediu que entrasse. Assim que entrei na sala, observei que em cima de uma banca de madeira — onde encontravam-se os pertences dos segurança — tinha uma pasta organizadora de cor amarela com o meu nome escrito na parte superior. Em um movimento suave Karl pegou a pasta e veio em minha direção suspendendo-a com a mão direita, e com um leve sorriso, me entregou-a dizendo: — Aqui estão todos os documentos que você precisará aqui na escola, cartões de acesso, registros para a liberação dos matérias escolares, planos de aula e mais algumas coisas que você acabará descobrindo com a rotina por aqui.

Mantendo o sorriso no rosto, Karl me acompanhou até as catracas e me orientou quanto ao processo que deveria fazer para ter acesso à escola. Até que era um processo bem simples, primeiro eu tinha de registrar minha digital para acessos futuros, seguindo as instruções do Karl, peguei um cartão médio de plástico que estava dentro da pasta amarela que ele tinha acabado de me entregar e coloquei no espaço indicado na aparelhagem da catraca, que puxou o cartão de uma vez, me dando um leve susto, em seguida uma luz verde se acendeu no display que ficava na parte superior da catraca e coloquei o meu dedo indicador no leitor de digital que ficava ao lado do display, após alguns segundo a luz verde piscou três vezes e a catraca liberou a minha passagem. Passando pela catraca agradeci ao Karl, o qual me respondeu com um balançar de cabeça e um sorriso grande no rosto.

— É... Eu espero que as pessoas por aqui sejam pelo menos que nem o Karl. — pensei enquanto caminhava sem saber ao certo para onde ir.

Um pouco mais a frente, após ter passado pelas catracas, fui recepcionado por um grande jardim, cujo qual continha vários tipos de flores, de todas as cores, tamanhos e formatos. Junto do jardim tinha alguns banquinhos verdes com um design bem antigo, e alguns arcos que faziam sombra e formavam a entrada do colégio. Admirando a paisagem do lugar, fui em direção ao edifício. Passando pelas grandes portas brancas de madeira, encontrei uma recepção onde estava uma secretária muito bonita, quase fui hipnotizado de tanta beleza que ela tinha, seu cabelo estilo Black Power e seus olhos verde-esmeralda me deixaram encantado. Aproximando-me da mesa, observei uma plaquinha onde estava escrito Samantha Silva, que eu creio que seja o nome da secretária. Com um belo sorriso eu a comprometei.

— Bom dia! Hoje é o meu primeiro dia na escola, então gostaria de saber onde fica a minha sala e se está havendo algum evento por aqui, porque desde que eu cheguei na escola ainda não vi nenhum aluno, isso está me deixando um pouco assustado.

Palestrando um grande sorriso em seu rosto, Samantha respondeu: — Bom dia rapazinho, deixe-me ver seu código de matrícula, por favor.

Comecei a revirar a pasta amarela que recebi do segurança, imaginando que dentro dela teria algum tipo de cartão ou documento com o meu número de matricula, depois de um tempo acabei encontrando um papel com o título Matrícula em meio do monte de papeis que a pasta continha. — Aqui! – exclamei enquanto entregava a ela com um sorriso tímido.

Pegando o papel, a secretária Samantha pesquisou pelo meu código em seu computador de cor vermelho sangue, e em seguida ela imprimiu a minha grade de aulas.

— Aqui rapazinho. — falou Samantha entregando as duas folhas de papel para mim.

— Muito obrigado Samantha! — respondi ainda meio tímido, porém muito agradecido pela ajuda dela.

Ainda na bancada da secretária, olhei o papel e vi que cada aula tinha sua respectiva sala e que a primeira aula do dia seria a de ciências naturais, na sala 120 do segundo andar do terceiro prédio, percebi também que durante as manhãs eu teria três aulas, já pela tarde, em dias alternados, teria aulas de educação física e aculturação, que consiste em música, artes cênica e etc.

Quando dei alguns passos em direção à saída do primeiro prédio com objetivo de procurar o prédio três, escutei a Samantha me chamar.

—Espere Jason! Você me perguntou também o motivo de não ter visto nenhum aluno no colégio, quase me esqueço de lhe informar, não tem outros alunos porque sempre no primeiro dia letivo do ano as aulas começam às nove horas da manhã com as palavras da diretora do colégio, a Sr. Christina, o auditório fica no térreo do primeiro prédio, o de cor verde, logo na saída desse edifico. — disse Samantha com um sorriso doce preso em seus lábios. Agradecendo a Samantha novamente pela informação caminhei até a saída do local.

Assim que saí do edifício onde ficava a recepção, percebi que ali haviam quatro blocos de salas e que entre elas tinham vários caminhos feitos de pedras lisas das cores verde e azul, esses caminhos quase todos ligavam-se em algum momento, o espaço entre eles era completamente arborizado.

—É... Parece que essa cidade é um pouco fanática por arborização, hahaha. Quase todas as cidades em que já morei eram completamente diferente, os prédios tomavam todo o espaço e dificilmente via-se uma árvore.

Logo após contemplar a paisagem, que já tornava-se monótona ali, tomei o caminho de pedras que me levava ao primeiro bloco, já que secretaria Samantha havia me dito que seria o prédio onde eu encontraria o auditório.

Chegando ao prédio um, reparei que este destacava-se da arquitetura do colégio, pelo menos da parte que eu já tinha visto, era um edifício mais moderno, com máquinas e texturas futuristas. Seguindo o corredor de entrada, alcancei uma grande porta dupla de cor preta, que provavelmente seria a porta de entrada para o auditório, ao abrir a porta, para minha surpresa, não havia ninguém ali também. Pegando o meu celular que estava no bolso traseiro da minha calça, desbloqueei o display e vi que ainda eram oito horas e quarenta minutos, após verificar o horário eu coloquei meu celular de volta no mesmo bolso e segui para o corredor que dava acesso aos acentos. Caminhei até a primeira fileira de cadeiras e me sentei no espaço mais central que achei,

—Putamerda, esse lugar parece uma sala V.I.P de cinema, acho que vou adorar estudar por aqui. — pensei enquanto me ajeitava na cadeira.

Com uma gargalhada gostosa, eu logo achei uma posição confortável na cadeira. Passados alguns minutos eu percebi que as portas do auditório abriram-se, então escutei passos, que pela sonoridade poderiam ser de um de um grupo de estudantes, rapidamente tomei uma postura mais ereta na cadeira e aguardei a aproximação do grupo. Assim que os estudantes entraram em meu campo de visão, perceber que se tratava de quatro garotos, e pelo estilo deles pude imaginar que eles poderiam ser encrenca. Eu conseguia sentir o cheiro de advertências de longe, o jeito largado e impulsivo dos jovens que eu vi adentrarem o auditório, fazendo piadas e brincando uns com os outros com leves socos, foi o suficiente para me deixar em alerta. Assim que o grupo me viu sentado sozinho, eles resolveram se aproximar, parando bem na minha frente, e então um garoto que parecia o líder do grupo — o mais baixo entre eles, com cabelos médios, ondulados e negros, com um par de olhos castanho-âmbar — se pronunciou:

—E aí, O que faz aqui nesse horário? Normalmente os alunos chegam bem atrasados no primeiro dia... Pelo visto deve ser novato. Bem, meu nome é Brendan. — finalizou o que parecia ser o líder do grupo, me olhando com uma expressão meio que desconfiada.

—Sim, hoje é o meu primeiro dia, cheguei aqui bem cedo, já que não sabia que no primeiro dia as atividades começavam mais tarde, e me chamo Jason. — respondi com uma voz firme e sem exaltação.

Parecendo satisfeito com a minha resposta, Brendan voltou-se para seus colegas e gesticulou parecendo indicar algo para eles, logo em seguida em um movimento rápido, apontou para um moreno que parecia o mais alto do grupo e exclamou:

—Esse é Cássio, o segundo no comando. — disse o Brendan secamente.

Logo em seguida os outros dois se apresentaram, primeiro um ruivo mais ou menos da minha altura que se chamava Pedro e em seguida um garoto um pouco menor que o Cássio, de cabelos castanhos que se chamava Marcus. Após os dois se apresentarem, Brendan se virou em sentido às escadas que ficavam ao lado do esquerdo da onde eu estava e sussurrou: — A gente se vê por ai novato. — em seguida se direcionou ao fundo do auditório enquanto seus colegas o seguiam.

Assim que os garotos sentaram-se nas últimas cadeiras, as portas se abriram e novamente me vi cercado pelos alunos que adentravam o auditório. Depois da comoção dos alunos, que pareciam se conhecer a bastante tempo, pois abraçavam-se e gritavam quando ali chegavam, tive a minha atenção solicitada pela figura que se encontrava em cima de um espaço para discursos feito de madeira, com detalhes circulares que dava um ar sofisticado à peça e que encontrava-se em frente ao palco. Pedindo por silêncio a figura começou:

—Bom dia alunos! Por favor, por favor. Gostaria da atenção de vocês para dar início ao ano letivo. -pediu, a figura estonteante, de pele negra reluzente e olhos castanho-claros, com uma voz doce, mas que não perdia sua autoridade. Após o auditório esvaziar-se dos ruídos, ela retornou:

—Para quem não me conhece, meu nome é Christina Bostre. Eu sou a diretora do Colégio Objetivo e estou nesta posição há dez anos, e tenho o prazer de manter a ordem e a imagem deste colégio sempre em boas palavras. Em nossa escola valorizamos a boa conduta e a preservação de nosso espaço de vivência. Peço a todos que tenham consciência de suas ações e que respeitem uns aos outros, para que possamos ter um ano tranquilo e produtivo, com isso agradeço a atenção de vocês e estão liberados. Só mais uma coisa, as informações e direcionamento sobre o colégio serão dada por cada professor em sua respectiva aula. Agradeço novamente a atenção e estão liberados.

Após sair do auditório fui em direção ao segundo prédio, já que pelo horário começariam as atividades na aula de língua inglesa, e que pelo quadro que a Samantha me deu seria na sala dez do segundo edifício.

Chegando ao segundo prédio, avistei que logo na entrada havia um banheiro, então resolvi entrar para me aliviar, já que estava com a bexiga cheia e não tinha localizado o banheiro no prédio do auditório. Assim que entrei no banheiro me deparei com um espelho gigantesco que cobria toda a parede onde ficavam as pias, e deveria ter pelo menos umas seis com um espaço de meio metro entre elas. Na parede esquerda estavam os mictórios com separações feitas de mármore de um tom bege, e na direção contraria, ficavam as cabines sanitárias. Me direcionei para um dos mictórios e dei aquela mijada, sacudi o meu pênis para me livrar das gotinhas, fechei o meu zíper e me direcionei para as pias. Enquanto lavava minhas mãos — um pouco perdido pensando sobre como tinha sido os primeiros momentos na escola e nas pessoas que havia conhecido -, ouvi a porta do banheiro se abrir um tanto que cuidadosamente, mas não dei muita atenção para quem estava a entrar ali. Terminando de enxaguar minhas mãos, levantei minha cabeça lentamente para dar uma olhada no meu reflexo e verificar se estava tudo OK com o meu rosto. Assim que meus olhos puseram-se no espelho e captaram a imagem de quem estava ali, instantaneamente, ondas de choque travaram o meu corpo, ondas essas provocadas pelo susto que a tal imagem refletida tinha eliciado. Ali estava, parada atrás de mim, olhando fixamente em meus olhos pelo reflexo do espelho, meu corpo pedia por uma reação, pedia que reagisse de alguma forma, me pedia que corresse, empurra-se aquela figura, mas eu não conseguia executar nenhuma ação, até mesmo a minha respiração estava ficando mais lenta, travada, apenas conseguia ouvir o meu coração, que estava a bater mais rápido do que o instrumental da música Vendeta do Slipknot. Percebi que o corpo que estava parado ali agora estava a aproximar-se aos poucos, e o calor que era emitido dominava e anestesiava o meu imóvel e agora tremulo corpo. Pressionando-me contra a pia, os seus olhos ainda estavam fixos aos meus, que se encontravam arregalados e assustados com aquilo tudo. Então sua boca foi aproximando-se do meu ouvido, e em um movimento torturante, me fez sentir sua espiração em meus ombros — que com um ar fervente parecia penetrar em minha pele — e com uma voz meio rouca e arrastada sussurrou:

—O jogo começou!

Descendo em seguida para o meu pescoço — onde seu nariz ia inspirando todo o ar naquela região, em uma lentidão que parecia não ter fim — estando satisfeito com seu trabalho em minha nuca, ergueu a sua mão direita em direção meu rosto refletido no espelho e começou escrever na parte que ficou embaçada por conta da minha respiração ofegante. Em seguida retirou-se do local rapidamente após terminar sua ação.

Ainda em choque e sem conseguir nenhuma resposta do meu corpo, permaneci ali, parado, olhando fixamente para o nome escrito no espelho, que acabou escapando em um sopro por meus lábios.

—Bredan...