Insignificantemente, você
38 Capítulo trinta e sete
Os comensais que haviam saído para descobrir o motivo da explosão estavam em um canto da sala, a mulher com quem Lucius confidenciava seus planos continuava amarrada e inconsciente atrás da porta. Hermione foi colocava lentamente deitada sobre um sofá — tão duro quanto o chão em que dormiram durante aqueles dias. Draco beijou a testa da garota, maltratada devido aos ataques recentes. O rapaz se posicionou então de frente para o pai já preparado.
—Você sabe que acabarei com a sua amiguinha, não sabe? —Lucius provocou, com a voz tão confiante quanto podia.
—Não permitirei que toque em nenhum fio de cabelo dela! —Vociferou.
—A matarei na sua frente, pouco a pouco!
Draco não aguentava a possibilidade de vê-la morrer e iniciou o duelo.
—Diffindo!
A manga da capa de Lucius sofreu um corte largo e cumprido o suficiente para passar seu braço por ali.
—Achei que sua escola ensinasse alguma coisa!
—Alarte Ascendare!
Lucius sofreu os efeitos da azaração, demorou alguns segundos para se recompor da queda.
—Deprimo!
Draco desviou, mas tombou e foi atingido pelas costas por uma explosão. O armário com bebidas caiu por cima de suas pernas, impossibilitando qualquer movimento. O desespero lhe tomou quando encontrou a varinha longe de seu alcance.
—Desista! —Sorriu com desprezo para o filho ferido. —Você é fraco, e sempre será!
Enquanto Lucius continuava seu monólogo sobre a fraqueza do filho covarde, Draco espichou-se o máximo que pode até alcançar a varinha de condão, puxou com o dedo indicador até que estivesse em sua mão. Fechada sob o punho.
—Sou mais forte do que você, não abaixei a cabeça para um bruxo velho!
Lucius virou-se com tal brutalidade, como se Draco tivesse difamado Mérlin.
—Não ouse! —Gritou. —Avada...
Em suas costas:
—Expeliarmus!
A varinha de Lucius voou para longe, da lareira alta e larga a imagem de Harry surgiu.
Draco conseguiu apontar a varinha a tempo. —Bombarda Maxima!
Um candelabro de ferro, com algumas luzes apagadas caiu em cima de Lucius, que mal pode desviar. Os comensais brutamontes até tentaram atacar Draco, mas Hermione acordara durante o curto combate e enfeitiçou-os. Ainda muito fraca, mal manteve a varinha na mão. O rapaz empurrou o armário de madeira para longe, ferozmente caminhou até Lucius —derrotado.
—Parece que conseguiu sua sangue-ruim! —Fora vencido pelo filho no mais rápido dos duelos já presenciados por Hermione. —Vai fazer o que? Me matar? Não tem coragem para isso, não chegou nem perto quando o assunto foi Dumbledore!
Com a varinha apontada para o pescoço do pai, Draco vociferou.
—O beijo de um dementador deve terminar o serviço dessa vez!
A mulher que Lucius contatava avançou pelas costas de Draco friamente, seria um ataque perfeito. Harry avançou já contra atacando, jogando-a para longe. Rony o seguia assim com um pequeno batalhão de Aurores.
—Procurem pelos outros! —Harry gritou a ordem, já se aproximando de Draco.
O rapaz loiro continuava com a varinha apontada para a cabeça do pai, como se fosse matá-lo a qualquer momento.
—Draco, abaixe a varinha! —Harry pediu. —Draco!
O rapaz guardou a varinha rapidamente. Lucius era levado pela lareira diretamente ao ministério. Harry observou que Rony voltara com outros Aurores, George vinha junto do irmão, sorriam levemente.
—Estão todos bem. Vamos para o Ministério verificar os nomes, enviamos uma coruja para os interrogatórios depois! —Harry assentiu em resposta. —Hermione?
Draco ajeitou-se e viu a garota desacordada no sofá, sendo observada de perto por uma cabeça ruiva que auxiliava outros aurores a levarem-na até a lareira.
—Tomem cuidado, ela está ferida! —George gritava, carregando Hermione desacordada nos braços.
A garota e o ruivo desapareceram entre as chamas verdes.
Draco olhou para o garoto com a cicatriz.
—Como nos acharam? —Questionou.
—Sua mãe! —Fez sinal para que Draco fosse até a lareira. —Longa história! Vá para casa, tome um banho e relaxe. Está ferido?
Draco negou com a cabeça.
—Ótimo!
O ministério estava vazio, então Draco percebeu que o fuso horário da ilha só podia ser outro. Era noite em Londres, não havia ninguém no Átrio e muito menos no andar dos aurores. Atravessava o lugar ao lado de Harry que seguia a todos. Hermione, a única que saíra realmente lesionada, era levada — em uma maca improvisada por dois cabos de vassoura e alguns casacos — por quatro homens parrudos. Acompanhada de perto por George e Rony.
—Tome conta dela, sim? —Pediu ao rapaz.
Harry riu.
—Você também vai para o hospital! —Disse Harry, ajeitando os óculos sobre o nariz. —Hermione não me perdoaria se você fosse o único a voltar para casa, ainda mais desse jeito.
Draco assentiu não convencido de que Hermione faria isso, entretanto, acompanhou-os até o hospital, seu trabalho. Lugar o qual foi atendido e obrigado a permanecer durante três dias.
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O sol invadiu a janela, e Draco soube o motivo de tantas reclamações feitas pelos pacientes. Os medi bruxos jamais fechavam as cortinas e quando amanhecia o sol acordava a todos. Resmungou e sentou-se, coçando os olhos, quase caindo da maca estreita.
—Você está com uma cara péssima! —Harry foi quem falou, estava sentado ao lado de uma outra maca — vazia.
—Deve estar bem melhor do que a sua, Potter. — Grunhiu. —Como está Hermione?
Harry assentiu como se soubesse que aquela seria a primeira pergunta que o rapaz faria.
—Está no quarto ao lado, ainda está dormindo. Quando chegamos limparam os ferimentos superficiais e começaram a tratar da perna, uma das medi bruxas até disse que talvez ela precisasse amputar. Rony ficou louco, disse que Hermione azararia cada um deles se acordasse sem uma perna... —Contou.
—Espere um pouco... O quê? —Olhava para Harry como se nada daquilo fosse possível apenas com os ataques que sofreu.
—Vou ter que repetir? Limparam os ferimentos...
—Não é isso, Potter. Que ferimento na perna? —Até o que sabia fora apenas atingida pela maldição imperdoável e adquirira alguns arranhões. —Eu preciso vê-la.
Draco levantou-se em um salto, a camisola do hospital era azul clara e ia até suas canelas, seguiu para a porta.
—Você não pode!
—Posso sim! —Insistiu.
—Você não pode sair sem fechar essa coisa atrás, estou enxergando toda a sua parte traseira! —Harry cobriu os olhos como se fosse a pior coisa de se ver. —Se vista. Seus auxiliares diminuíram sua estadia aqui. Acho que todos sabiam que não ficaria até a tarde de hoje.
Draco não levou mais que cinco minutos para vestir a roupa que Harry havia pegado em seu escritório, mas por um momento, desejou estar em casa para poder ficar apenas com a calça de moletom que servia-lhe de pijama. Caminhou até o quarto de Hermione, apressado. No corredor, Rony dormia com a boca aberta o suficiente para entrar algumas moscas. A porta rangeu quando foi aberta, agradeceu por não ter interrompido o sono da garota.
Hermione jazia desacordada sobre a maca, os cabelos revoltos sobre o travesseiro branco. Na testa e no lábio alguns cortes, cobertos perfeitamente com curativos, a camisola azul cobria apenas seu busto, revelando na barriga alguns cortes maiores. Cuidados com feitiço, deixando apenas, uma fina linha rosa que em breve desapareceria. Um lençol cobria desde a cintura até metade das coxas, o que deixava a mostra o profundo furo em sua perna. Draco culpou-se por não ter percebido antes e por muito pouco não ter perdido o duelo.
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