Insignificantemente, você

39 Capítulo trinta e oito


Hermione recebera alta naquela semana, estava pálida depois da estadia no hospital, mas tinha um sorriso no rosto quando Rony e Harry foram buscá-la. O ruivo pegou sua mala, preparada por Gina que mesmo grávida de seus oito meses e meio, não parava sentada um minuto sequer. Harry ajudava Hermione a caminhar, mesmo após o tratamento mágico com poções e feitiços, sua perna continuava dolorida. Agora bem menos. Rony jogou a alça da bolsa azul no ombro e apoiou Hermione do outro lado. Saíram a passos lentos do quarto. Antes de pegarem o elevador, Hermione percebeu que a sala de Draco estava com a porta fechada, assim como o quarto em que o rapaz ficara.

—Temos que comemorar — Rony dizia enquanto andavam pelo movimentado Beco Diagonal. — mais uma missão concluída com sucesso.

Hermione cutucou o ruivo nas costelas.

—E por Hermione ter saído viva dessa! —Massageou a costela.

Harry sorriu abertamente com Hermione que ria baixinho.

—Caldeirão furado? —Sugeriu Hermione, com um sorriso no rosto.

Rony e Harry olharam-se.

—Bebidas por minha conta! —Balbuciou Rony, agitado com toda a festividade.

Brindaram com grandes canecas de cerveja amanteigada, relembraram os velhos tempos. Foram saudados com palmas pela nova missão que saíra na primeira página do Profeta Diário. A manchete, em letras garrafais grandiosas com a imagem de George carregando Hermione, seguido de um grupo de aurores.

Missão Secreta

Não é novidade para a sociedade que alguns bruxos estão desaparecidos há algumas semanas e muito menos que os aurores mais experientes já estavam buscando por informações sobre o caso. Recentemente, Hermione Granger não apareceu no Ministério e muito menos foi vista em lugar algum, seus colegas de trabalho Harry Potter e Rony Weasley não quiseram se pronunciar. Na noite de quinta-feira por volta das 3h da manhã, os aurores irromperam pela átrio do Ministério da Magia. Carregada por um dos Weasley estava Hermione Granger, aparentemente inconsciente. Logo atrás o ex-comensal da morte Draco Malfoy conversava com Harry Potter. Os desaparecidos já retornaram a suas casas.

Hermione suspirou aliviada.

—Esperava coisa pior, isso devo admitir! —Jogou o papel enrolado para o canto da mesa.

Rony virou o caneco.

—Estava precisando de um desses já faz algumas semanas. —Fez sinal para a garçonete de vestes azul-celeste.

—Querem saber? —Hermione bateu o caneco na mesa e virou, bebendo cada gota. Até o fim. —Traga duas!

A garçonete assentiu e caminhou par trás do balcão.

A bandeja chegou flutuando até a mesa, dois canecos grandes transbordando da bebida.

—Uma pequena competição? —Rony perguntou risonho, alcançando para a garota seu caneco que por pouco não entornou.

—Um galeão!

Rony levou o caneco em direção à boca como resposta. Em poucos segundos estavam ambos bebendo rapidamente, pouca parte da bebida escorria pelo canto dos lábios. Extraordinariamente, bateram com os canecos no mesmo instante.

—Empate! —Harry gritou animado.

—Melhor de cinco? —Rony ergueu a mão, pedindo para a garçonete cinco doses de Whisky de Fogo para cada.

Hermione estava posicionada com os cinco — pequenos — copos em sua frente e Rony, igualmente.

—No três. —Harry sorriu e bebericou um curto gole de sua bebida. —Três!

Hermione engoliu um.

Rony um.

Hermione o segundo e o terceiro, já na metade do quarto.

Rony o terceiro.

—Ganhei!

Rony levantou o rosto para averiguar, boquiaberto murmurou insatisfeito.

—Não pode ser! —Hermione empilhara os copos e sorria ao lado de Harry.

—Ela é rápida!

Rony caiu na gargalhada.

Seguiram com a conversa e bebedeira até um pouco mais, ao menos, até perceberem que Hermione já começava a perder os poucos sentidos que lhe restavam.

Os garotos deixaram as moedas de prata e bronze sobre a mesa e partiram com a garota nos ombros. Deixaram-na em casa, no quarto, de baixo dos cobertores felpudos e partiram.

Quando Hermione acordou sentiu sua cabeça latejando, a luz que a janela emitia era ainda mais estressante. Procurou pela varinha na mesa de cabeceira e com um leve floreio as cortinas fecharam-se, deixando o ambiente novamente escuro como uma caverna. Levou algum tempo até que se levantasse e cambaleante, chegasse ao banheiro. A água da ducha caiu forte sobre seu dorso. Sua perna latejou ao sentir o toque da água quente, a cicatrização ainda estava sensível. Enrolou-se na toalha branca e desceu, em busca de algo para umedecer a boca ressequida. Entornou rapidamente um copo com suco de abóbora e capturou uma maça vermelha. Preparava-se para voltar ao seu quarto e trocar-se quando ao passar pela sala deu de cara com Rony encarando-a tão corado e vermelho quanto a maça que fora arremessada contra o ruivo. Acertando-o em cheio.

—Qual é!? —Reclamou protegendo-se.

—Não entre assim, eu poderia estar... —Olhou para baixo, segurando com mais força a toalha. —Em trajes ainda mais inadequados.

Rony virou-se, olhando fixamente para a porta.

—Harry deixou um bilhete, avisando que viria lhe buscar para almoçar na Toca hoje. —Disse calmamente.

—Eu acordei agora, não devia ter bebido tanto!

Rony gargalhou.

—Volto já! —Anunciou Hermione, envergonhada pela presença do ruivo.

Hermione não tardou a descer já vestida. Rony ajudou-a no trajeto, dando-lhe apoio. Aparataram não muito longe dali. A Toca estava colorida, mesmo com a neve que já começava a cair. Todos os Weasley receberam-na com alegria, e então, esclareceram que aquele era um almoço de comemoração, o qual Hermione era a comemoração. Corada, agradeceu a intenção e abraçou um por um. George fora o que mais se demorara, sacudindo-a para os lados e tirando seus pés do chão.

—Soube que quase morreu de saudades minha! Tanto é que foi me buscar naquele fim de mundo. —Hermione não deixou de rir.

—Você sabe que eu não deixaria aquela bomba de bosta barato. Ainda me deve uma bolsa nova!

—Nem valeu a pena, você limpou tudo em menos de cinco segundos. —Cruzou os braços, fingindo indignação. Mas não aguentou e abraçou fortemente a garota.

Hermione resmungou, tamanho o aperto.

—George Weasley, vai machucá-la! —Gritou Molly que trazia uma grande caçarola fumegante com alguns pratos flutuando à suas costas.

—Hermione não morreu nas mãos de alguns comensais, acha que vou matá-la com um abraço? —Sibilou ironicamente, recebendo um pano de prato no meio da cara.

Molly posicionou-se em uma das pontas de mesa, as mãos unidas em concha sobre o avental branco — a varinha quase caindo para fora do bolso remendado. Sorriu abertamente e esperou que todos se acomodassem. Lançou um olhar feio para Rony que pegara um pãozinho.

—À nossa querida Hermione que voltou sã e salva! —Todos levantaram os copos.

—Ao Harry e ao Rony, por terem resgatados Hermione! —Rony levantou o copo, agora sozinho. George negou com a cabeça. —Tudo bem então!

Hermione abraçou o amigo e beijou-lhe a bochecha sardenta.

—Você é o meu herói! —Sentou-se entre os amigos.

Todos começaram a buscar pelas colheres nas panelas e tigelas, encheram os pratos e comiam em silêncio. Ou quase.

Notas finais
Espero que tenham gostado, até o próximo!