Insignificantemente, você

47 Capítulo quarenta e seis


Draco partiu bem cedo naquele dia, mas não antes de acordar Hermione e aproveitar os últimos minutos. Tomaram café juntos, um ao lado do outro, brincando com as torradas que torraram demais, ou a falta de açúcar na casa da garota. “Irei comprar açúcar” foi o que Hermione disse, antes de beijar o rapaz e trancar-se em casa novamente. Combinou com Harry, pela Coruja-correio de ir para a Toca um pouco mais cedo, para ajudar Molly na cozinha. E foi o que fez, capturou no guarda roupa sua bolsinha enfeitiçada e colocou todos os presentes lá dentro. Com cuidado. Entrou na lareira, nas chamas verdes e desapareceu.

A Toca estava enfeitada, cheia de enfeites, bolinhas coloridas e outras douradas, parecendo com pomos de ouro.

—Molly? —Hermione chamou, vendo a sala completamente vazia.

A senhorinha ruiva, com vários fios brancos nas laterais, apareceu pela porta limpando o avental.

—Oh, Hermione querida. Pensei ter ouvido a lareira! —Sorriu. —Estão todos chegando, Arthur esqueceu o presente do Carlinhos. Poderia me ajudar na cozinha, está um caos!

—Claro! —A garota tirou o casaco preto, colocando-o em cima da poltrona listrada. —Posso colocar os presentes em baixo da árvore?

Molly assentiu e voltou para a cozinha. Após ajeitar os embrulhos em baixo do pinheiro colorido, guardou um único, com o papel verde e uma fita vermelha, em sua bolsinha. Ajudou Molly na cozinha em quase tudo, e pouco à pouco, os convidados foram chegando.

Após o jantar animado com discussões e conversas animadas. Todos foram para a sala, aproveitar a companhia. Raramente a família se reunia por completo, até mesmo Percy estava sentado entre os Weasley, contando as novidades sobre o Ministério, caindo nas piadas de George que nunca esquecera a espessura dos caldeirões. Molly tentava fugir de Fleur, que já melhorara muito seu inglês.

Harry puxou Hermione para o canto quando o relógio já chegava perto da meia noite.

—Conseguiu a fantasia? —Perguntou exasperado. Hermione apenas assentiu gentilmente. —Quem vai se fantasiar? Quero ficar com James e Rony se nega a vestir aquilo. Quem pode se vestir?

Naquele exato momento, Gina saiu da cozinha, apresentando aos familiares Draco que chegara naquele instante.

—Eu sei exatamente quem vai se fantasiar, Harry!

Hermione mal deixou o loiro cumprimentar todos, puxou-o para o andar de cima, pegando no caminho a bolsinha. Levou-o para o quarto de Rony onde recebeu um beijo forte e demorado. Afastou-se apenas quando a imagem da roupa vermelha lhe passou pela cabeça. Espalmou as mãos sobre o peito do rapaz e afastou-o. Riu baixinho.

—Qual o seu problema? Acha lhe trouxe aqui para... Você sabe! —Corou.

Draco apenas riu.

—Preciso de um favor, um grande favor! —Disse.

—Serei recompensando mais tarde? —Perguntou, voltando a abraça-la pela cintura. Hermione apenas cochichou em seu ouvido um “sim”. —O que tenho que fazer?

Hermione afastou-se e tirou da bolsa a fantasia ainda enrolada um papel pardo. Draco olhou da fantasia vermelho sangue para Hermione.

—Ah não, isso é humilhação! —Cruzou os braços e torceu o nariz.

Hermione abraçou-o, sem ser correspondida e lhe beijou.

—Por favor, Draco. É só por alguns minutos, depois eu prometo que lhe deixo fazer o que quiser com essa fantasia boba! —Pediu.

O rapaz bufou e pegou a roupa.

—Quer me ver trocar de roupa ou vai descer? —Perguntou, jogando o casaco e a camiseta em cima da cama.

—Vai se importar caso eu lhe veja sem roupa? —Abraçou o rapaz, sentindo os músculos de suas costas contraírem-se ao mínimo toque. Ainda segurava os braços de Draco quando Gina abriu a porta, mas tornou a fechá-la rapidamente.

—Desculpem-me, não sabia que estavam aqui! —Disse sem jeito, do outro lado da madeira.

Hermione havia corado até a raiz dos cabelos, mas empurrou Draco e saiu rapidamente. Pedindo apenas que fosse rápido. Esperaria-o ali no corredor. Enquanto o aguardava, Gina lhe jogou um milhão de perguntas. Entre as quais, destacavam-se:

“Vocês estavam abraçados?”

“Se beijaram?”

“Foi com ele que você passou aquela noite, né?”

Hermione chegou em um tom de vermelhidão que nunca pensou ser possível. Ao menos até que Draco aparecesse com a pior cara que se poderia imaginar, a touca vermelha pendia em frente ao seu nariz, balançando.

—Eu não acredito que estou fazendo isso!

Hermione e Gina seguraram as risadas. A ruiva desceu, dizendo que prepararia as crianças.

—Eu prometo que depois te recompenso, prometo, prometo! —Hermione o beijou rapidamente. —Agora, podemos ir! Ah... —Hermione parou e apontou a varinha para o rapaz. —Isso deve bastar.

Um feitiço simples, mas que criou uma longa barba loira no rapaz. Quase tão longa quanto a de Dumbledore.

No andar de baixo, Draco sentou-se de baixo da árvore enfeitada e controlou-se para não fazer sinais obscenos para Rony, Harry e até mesmo Gui que não controlavam os sorrisos e risadinhas direcionadas ao loiro.

—Victoire! —Chamou, e a pequena loira, quase uma cópia perfeita de Fleur aproximou-se, abraçando o "papai noel" mal humorado. Uma fotografia foi tirada por Percy.

Draco olhou com súplica para Hermione, que apenas sorriu e fez um sinal para que continuasse.

Após alguns presentes, até mesmo para os adultos presentes, Draco despediu-se e subiu correndo para o quarto onde trocara de roupa. Hermione chegou em seguida, com um riso brincalhão nos lábios.

—Você foi perfeito, lá! —Abraçou Draco por trás, brincando em sua barriga. —Obrigada!

Draco vestiu rapidamente o capuz vermelho e tirou de suas costas um embrulho quadrado.

—Hermione Granger!—A garota sorriu e recebeu o embrulho, mas antes de abri-lo, tirou de dentro da bolsinha um pacote em verde. —Esse é o seu! —O rapaz observou o embrulho por um momento, jogou-o na cama e aproximou-se lentamente. Não importava-se com presentes, embrulhos, fitas e laçarotes coloridos. Tudo o que queria estava na sua frente, com um sorriso tímido e confuso, aguardando alguma palavra, mas naquele momento, não tinha muito o que dizer, não havia voz em sua garganta. Tudo o que precisava era de seus lábios sobre os delas, pressionados um contra o outro.

E tudo o que fez foi desejar à garota um feliz natal, bem próximo ao seu ouvido, apenas para poder ver a pele de Hermione arrepiar-se. E sem pressa ou hesitação beijou-a intensamente. Comemorando o primeiro Natal que passaram juntos, o primeiro de muitos que ainda viriam a ocorrer.

Notas finais
Atendendo os pedidos de: Draco de Papai Noel... Feliz Natal!