Insignificantemente, você

48 Capítulo quarenta e sete


Por mais forte que fosse o vento do lado de fora, ou por mais fria que fosse a neve que não parara de cair desde o inicio da semana — acumulando grandes montanhas de flocos brancos nos jardins — o clima dentro da casa de Hermione aquecia o suficiente. E um pouco mais. O relógio já havia marcado duas horas da tarde, mas o casal continuava adormecido de baixo dos cobertores. Hermione, apenas com o adorável sutiã cor de rosa dormia sobre Draco que tinha o peito nu. Abraçados em um momento intimo.

Ao iniciar o doloroso processo chamado: acordar, Hermione remexeu-se, virando-se para o lado oposto ao corpo do rapaz, que como se fosse reflexo, puxou-a de volta, impedindo-a de se afastar qualquer centímetro que fosse.

E assim foi a noite inteira, Draco não separou-se dela um minuto sequer. Conversou a maior parte do Natal com Hermione, segurando-lhe cintura discretamente uma vez ou outra. Certificando-se de que nenhum rapaz passaria dos limites com Hermione, ou abusasse de seus abraços, sendo que quando recebeu o seu, demorou-se mais que qualquer um. No fim da noite, quando todos já começavam a se organizar para dormir, ou quando a bebida já fizera um certo efeito, Draco puxou-a para o lado de fora, para que afundasse os pés na neve.

—Estou com frio! —Foi o que a garota dissera, quando já estavam afastados alguns metros da casa iluminada. O rapaz, sem jeito procurou pelos bolsos do casaco e tirou a touca da fantasia, vermelho com um pompom branco de pelos macios, e enfiou-o na cabeça de Hermione, cobrindo suas orelhas. O sorriso que recebera lhe tranquilizou de modo que não conseguia ficar sério. Vê-la sorrir o fazia sorrir. Soube naquele momento que a amava, mais que tudo. Fora um romance de anos, em alguns momentos com pessoas diferentes, mas o pensamente sempre voava para ela. E apenas ela. Não pode deixar de sorrir ao ver a expressão surpresa de Hermione ao vê-lo afundado na neve. E não se conteve quando ela respondera o “sim” que tanto esperou. Levantou-se e abraçou-a, até tirar seus pés do chão e gira-la. Beijou-a no rosto inteiro, sem deixar escapar um lugarzinho sequer.

A garota despertou rindo baixinho, Draco havia afundado o rosto em seu pescoço, e sua barba mal cortado fizera cócegas. Com a risada, o rapaz também acordou e apertou-a ainda mais.

—Não vejo jeito melhor de acordar todos os dias! —Disse, tocando nariz com nariz.

Hermione riu ainda mais, mas baixinho, como um riso desconcertado e envergonhado.

—Meu namorado adora me deixar vermelha, não sei como nunca cansou disso! —Replicou.

Draco franziu a testa.

—Ele seria um idiota se não o fizesse, você fica linda assim... —A frase fora interrompida por um beijo de Hermione. E por outro, e outro, e mais outro.

Na manhã seguinte, Hermione reuniu Harry e Rony para conversar. Beberam alguns canecos de cerveja amanteigada, e com sua voz mais calma e delicada, contou que Draco a convidara para passar o Ano Novo, mas não dissera onde. Rony tornou-se explosivo por um momento, dizendo que seria perigoso, que ele um dia foi um comensal a morte, e não sabiam se realmente havia mudado. Apenas Harry foi capaz de acalmá-lo o suficiente para deixar que Hermione contasse que estavam namorando, e que namoraram em Hogwarts. Rony levou algum tempo para engolir toda a história, mas no fim, abraçou Hermione e desculpou-se por ter gritado.

Dois dias depois, Hermione aparatou na casa de Draco e arrastou-o para fora, para poderem apartar. Afundaram os pés na neve fofa da Toca.

—O que estamos fazendo aqui? —Perguntou, enquanto Hermione puxava-o, quase o arrastava.

—Você já vai entender... Vamos logo, Draco! —Abriu a porta da cozinha e sorriu, abraçando o braço de Draco.

A família Weasley estava toda ali, exceto por Percy e Carlinhos que tiveram que trabalhar. Gina segurava um cartaz enorme com letras coloridas em vermelho e dourado que diziam: BEM VINDO À FAMILIA!

Molly foi a primeira a alcançar o rapaz e lhe abraçar, cochichando algo em seu ouvido. Arthur deu três batidinhas no ombro de Draco e seguiu atrás da esposa, enquanto o resto os parabeniza e cumprimentam o rapaz energeticamente. Havia um jantar maravilhoso, preparado para Draco que agora, querendo ou não, fazia parte da família. Durante a sobremesa, conversava com George, sobre o quanto usou os produtos da loja quando em Hogwarts. Gina sentou-se junto, balançando James em seu colo.

—Por que ela não me apresentou à família trouxa dela? A verdadeira? —Perguntou para a ruiva.

Gina sorriu sem jeito, observando como Draco, Hermione conversar com George e Harry. O ruivo bagunçou os cabelos de Hermione e pareciam estar rindo de uma grande piada.

—Na guerra —começou Gina— ela apagou a memória dos pais para não serem capturados ou mortos. Mas o feitiço foi forte e ela não conseguiu desfazê-lo. Depois de Hogwarts ela veio morar com a gente por um tempo, mas claro, ingressou no Ministério em menos de um mês. Comprou a própria casa e agora somos a família dela.

—Por que ela nunca me contou isso? —Perguntou, ainda observando-a.

Gina riu como se fosse óbvio.

—Ela não lhe contaria!

O rapaz ficou sozinho, pensando no assunto. Houve boatos sobre algo assim no Profeta Diário, lembrava-se de ter lido algo parecido, mas o nome de Hermione não aparecera, então, não deu muito importância para a reportagem sobre o feitiço "obliviate".

—O que está achando? —Hermione estava na sua frente, de pé, mas com um sorriso radiante no rosto.

Draco segurou suas mãos e puxou-a para mais perto.

—Estou adorando isso tudo, fico feliz que tenha me apresentado a eles... Formalmente! —Disse. —Você está livre amanhã?

—Durante a noite sim! —Respondeu.

Draco levantou-se e segurou-lhe firme a cintura, deixando seus narizes quase encostados.

—Então me espere, vou te buscar em casa... Ah, não adianta. Não vou dizer aonde vamos! —Cortou-a quando Hermione fez menção de preparar uma pergunta.

O jantar não durou muito mais e cada um aparatou para casa.

No dia seguinte, Hermione voltou ao Ministério. Estava ansiosa para o ano novo, então, desconcentrava-se quase sempre, estuporou um aluno que foi lhe fazer uma pergunta sobre uma azaração. Desculpou-se o máximo que pode, mas a turma inteira ria, então, juntou-se aos alunos. Dispensou Harry e Rony, explicando tudo rapidamente, já entrando na lareira. Em casa, quando saíra do banho, recebeu uma grande coruja com uma caixa enrolada em papel pardo, no bilhete, escrito com uma caligrafia detalhada tinha a seguinte frase: use-o hoje à noite!

—Draco! —Hermione exclamou ao retirar o vestido da caixa.

Notas finais
Depois do Draco de papai noel, vem o ano novo... Espero que gostem!