Insignificantemente, você
59 Capítulo cinquenta e oito
Passar a noite com Nott fizera Hermione esquecer-se dos problemas, por ora. Assim que chegaram ao Cabeça de Javali a garota já preparou a autorização para o rapaz. Nott seria enviado para a França com alguns aurores. O país andava com atentados, e no decorrer do mês, várias mortes trouxas e bruxas estampavam os jornais.
—Por que resolveu beber assim? —Nott perguntara depois do terceiro copo de uísque de fogo da garota. —Alguém morreu?
A garota olhou-o. —Acredito que não. Briguei com Draco e nosso casamento é no próximo final de semana.
Nott assoviou.
—Não se preocupe, ele é cabeça dura... E você também, mas vai dar tudo certo!
—Espero que sim... —Hermione soltou o copo no balcão. —Quero você lá, Nott. Quero você no meu casamento.
—Não posso Hermione, Draco me mataria.
A garota deu de ombros.
—Ele convidou Astória e Pansy, posso convidar um amigo!
—Isso se chama ciúme! —O rapaz zombou.
—Talvez um pouco, mas é verdade. Quero você lá, na primeira fileira de cadeiras! —Sorriu. —Não quero mais isso! —Empurrou o copo para longe.
—Vamos, vou te levar para casa!
Nott ajudou-a a caminhar sem cair, pois por mais fraca que fosse a bebida, seus pés afundavam na neve fofa da rua. Hermione caiu na cama assim que chegou, e adormeceu.
Era manhã de sábado quando Harry exasperado acordou Hermione.
—Harry? O que está fazendo aqui? —Sentou-se para ligar o abajur e olhar o amigo.
—Problemas na França, estamos convocando todos os aurores! —Disse agitado. —Arrume-se, precisamos ir agora!
Hermione levantou-se e tirou de dentro do guarda roupa o uniforme do Ministério e vestiu-o rapidamente, trançou o cabelo e procurou pela varinha, guardou-a no casaco cinza e seguiu o amigo. A caminho do Ministério Hermione exigiu saber o que estava acontecendo.
—A França, trinta e sete mortos até agora. Acreditamos que sejam comensais da morte, mas não temos nada confirmado. Rony está reunindo todos os aurores, precisamos ir para lá agora mesmo. Sinto muito, Hermione!
Hermione não entendera, mas seguiu com Harry. Na sala de reunião, Harry se posicionou na frente, com Rony e Hermione ao lado, enquanto o restante dos aurores se ajeitava no espaço ao lado da mesa. Vendo que Harry queria falar e não conseguia uma brecha, Hermione tomou a frente.
—Silêncio! —Gritou. —Harry...
O rapaz olhava-a assustado, mas voltou a si.
—A França está sendo atacada, e os trouxas estão tentando conter a briga inteira em Paris, mas não está funcionando. A guerra é bruxa e precisamos de todos vocês lá, — Hermione conseguiu ver Nott empertigando-se mais afastado. — e por isso quero que formem grupos. Há cinco chaves de portal no átrio, não se separem. Vamos lá!
Já com os grupos separados, todos posicionaram-se no Átrio do Ministério, e o próprio Ministro estava entre os aurores. Harry, Hermione e Rony e alguns poucos aurores posicionaram-se em volta de um chapéu rasgado.
—Primeiro grupo! —Harry gritou, e aquele grupo desapareceu. —Segundo grupo!
Quando chegou no quinto, Hermione fechou os olhos com força e sentiu uma mão sobre a sua.
—Nott? —O rapaz assentiu e levou a mão da garota até o objeto. Assim que sua palma fechou-se sobre o chapéu, tudo girou e em poucos segundos, tocou o chão.
Hermione seguia com a mão grudada no chapéu, mas Rony lhe abraçou de lado e sussurrou-lhe.
—Vai dar tudo certo!
Hermione assentiu e deixou o tecido cair na poeira do chão. Era a França, mas não parecia. Havia poeira para todos os lados, carros virados no meio da rua, algumas lojas em ruínas ou soltando fumaça negra, queimavam como carvão. Tudo virara cinza, inclusive o céu. Aquela sensação lhe fez estremecer.
—Está tudo muito quieto! —Rony sussurrou, enquanto atrás todos olhavam em volta, buscando algum sinal de perigo.
A rua estava coberta de uma densa camada de poeira e névoa, mas Hermione segurou a varinha em frente ao corpo e quando o primeiro lampejo voou em sua direção, pode bloqueá-lo sem problema algum. Harry olhou para a amiga e imitou-a, todos os aurores levantaram as varinhas e prepararam-se. De um minuto para o outro lampejos coloridos começaram e jorrar da névoa, cada vez mais fortes, e o grupo, separou-se.
Hermione duelava com dois bruxos grandalhões, enquanto via por cima do ombro dos dois as faíscas e lampejos.
Tranquilize-se.
Ficar calma durante um combate era importante, enquanto mais tensa, pior seria o desempenho. Entre um lampejo e outro, alguém foi lançado entre seu duelo, e como uma bailarina, Hermione terminou tudo, lançou um feitiço silencioso, girou na ponta dos pés e floreou a varinha, atingindo-os com força. Correu para o rapaz que voara na sua frente e o reconheceu.
—Rony! —Sacudiu o rapaz, desesperada. —Vamos lá, acorde!
—Hermione está tudo bem? —Nott aproximava-se correndo, com sangue manchando suas mãos.
—Avise o Harry!
O rapaz correu para o meio da batalha novamente, enquanto Hermione sacudia o amigo ruivo. De repente, o rapaz tossiu e Hermione o abraçou.
—Her-mione! —Murmurou.
—Nunca mais me assuste desse jeito! —Ajudou-o a se levantar e o carregou para as ruínas de uma loja grande, onde Nott fazia sinais estranhos com as mãos. —Nott, cuide dele!
O rapaz segurou Rony ainda meio aturdido pelos braços e o levou para dentro, enquanto a garota corria para o meio dos lampejos coloridos e perigosos. Hermione duelava friamente, já tinha um corte na bochecha e durante uma queda, ganhara um pequeno corte em cima da sobrancelha. Suas mãos tinham um pouco de sangue de seus companheiros de batalha.
E tão silenciosamente quando chegaram, os inimigos se foram. Com a promessa de que voltariam.
A poeira começou a baixar, e já era possível enxergar mais destroços e aurores deitados no chão, alguns jovens corriam para os parceiros. Hermione viu ao longe Harry, agachado, olhando para o corpo de uma garota, e resolveu aproximar-se do amigo. Pousou a mão no ombro do rapaz.
—Temos alguns feridos na loja de rosquinhas! —Hermione disse com complacência. —Vamos levar o restante para lá e ver o que faremos.
Harry levantou-se e Hermione pode ver a garota no chão. Era uma de suas alunas, estava com os olhos vidrados, mas não havia mais o brilho de antes. Harry tentou dizer qualquer coisa para Hermione, mas a garota agachou-se e fechou os olhos da aluna morta. Levantou-se rapidamente e seguiu para a loja, sendo seguida de perto por Harry.
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