Insignificantemente, você
60 Capítulo cinquenta e nove
A loja de rosquinhas estava apinhada de bruxos e bruxas, ealguns enfermos deitados sobre os escombros da loja, Rony estava sentado, levava uma garrafa de água aos lábios e olhava para o chão friamente. Hermione e Harry aproximaram-se do ruivo e a garota mal deixou-o se levantar, abraçou-o com força e sem jeito, o rapaz abraçou-lhe forte pela cintura, Harry juntou-se ao grupo. Eram, afinal, o trio de ouro. Inseparáveis. Com todas aquelas varinhas, lampejos e gritos, fizeram com que se lembrassem da guerra, e ninguém saía sem danos de uma.
—Você está bem? —Foi tudo o que Hermione conseguiu perguntar, não queria soltar nenhum de seus amigos, não no meio de toda aquela poeira e sangue. Rony sacudiu a cabeça, afirmando. —Harry?
O rapaz acariciou-lhe o ombro. —Estou ótimo!
Kingsley aproximou-se do trio, sua roupa púrpura estava coberta de poeira, e suas mãos igualmente sujas.
—Potter, qual o número de baixas? —Harry negou com a cabeça. Mas o Ministro prosseguiu: —Feridos?
Harry negou novamente. —Vamos nos alojar aqui, por ora. E assim, vamos ter certeza dos números! Hermione? Pode fazer aquilo?
A garota assentiu e subiu em cima de uma viga caída, limpou a garganta e deixou as costas eretas.
—Por favor, preciso de dois grupos aqui na frente! —Disse bastante alto. —Preciso que um grupo fique para ajudar aqui, o outro me siga, vamos buscar todos que estão lá fora! —Virou-se para Harry. —Feitiços de proteção, Harry!
O grupo que formara rapidamente ajudou-a a levar todos os feridos e os mortos para dentro, Hermione anotava em um bloquinho da loja os nomes dos mortos e o número de feridos. Harry e Rony haviam aberto uma passagem para a loja ao lado, para que todos tivessem mais espaço.
—Ministro? —Hermione chamou-o com pesar na voz trêmula. —Dezessete mortos e... —Engoliu em seco. —Trinta e um feridos gravemente, e outro vinte com machucados superficiais!
—Creio que se incluiu nessa lista, senhorita!
Hermione passou o dedo pelo rosto, o sangue já secara, acumulando poeira no ferimento. Negou com a cabeça em resposta.
—Quero que descanse senhorita, fez muito por nós hoje!
—Sinto muito, Ministro, mas vou ajudar nos ferimentos. Se houver algo que eu possa fazer... O descanso pode ficar para mais tarde! —Virou-se e seguiu diretamente para um rapaz que tinha o rosto coberto por sangue.
Hermione passou horas ajudando todos os feridos, com feitiços ou com métodos trouxas básicos.
—Braquium remendo!
A luz fraca envolveu o braço da garota e em questão de dois segundos, já estava normal novamente.
—Obrigada, Hermione! —O rapaz ao seu lado abraçou a garota com tanta força e carinho, que Hermione não pode deixar de pensar em Draco. Levantou-se e se afastou do casal. Parecia Hogwarts, pessoas abraçadas de um lado, felizes por estarem vivas enquanto do outro lado, havia choro e enfermos. O cheiro de sangue lhe irritava.
—Você precisa descansar! —Harry falou ao seu lado, não havia notado a presença do rapaz. —E avisar Draco que está aqui e que está viva!
—Gina vai avisá-lo, tenho certeza disso!
—Ele vai preferir saber por você, e não por Gina! —Harry concluiu. —Mande um patrono, ele ficará mais tranquilo!
Hermione assentiu e saiu da loja de rosquinhas, a varinha dançava em sua mão suada. O que vou dizer? Pensava incansavelmente. Ele vai ter que entender!
Parou ao lado da loja destruída e encostou-se na parede de pedras. Floreou a varinha e pronunciou:
—Expecto Patronum!
O fio de luz prateada saiu de sua varinha e aos poucos começou a tomar a forma de uma grande lontra, o animal flutuou a sua volta e desapareceu por entre a cidade, a mensagem fora enviada. Suspirou. E no mesmo instante em que piscara, fora puxada bruscamente para o lado e sua boca fora coberta, debatia-se insistentemente, mas os braços que a seguravam eram mais fortes. Não conseguia alcançar a varinha presa ao coldre, e a única solução foi morder seu agressor. No curto momento de liberdade, gritou:
—Harry! —Impulsionou o ar do pulmão novamente para fora: —Harry!
Sua boca fora coberta novamente e agora, uma varinha estava colada ao seu pescoço. Poderia ser perfurada apenas pela força da madeira contra sua pele, respirava controladamente, pois o movimento era doloroso. Antes que pudesse pensar já pode ver a varinha do bruxo no chão e Harry olhando cautelosamente para a amiga.
—Solte-a, agora!
O bruxo liberou Hermione assim que viu o tanto de aurores que apontavam a varinhas para ele, ergueu as mãos em rendição, enquanto Kingsley aproximava-se, capturando a varinha confiscada. Hermione caminhou até Harry que a abraçou de lado.
—Você está bem? —Hermione assentiu em resposta. —Vamos para dentro, você tem que descansar!
—Já colocaram os feitiços de proteção? —Perguntou com preocupação na voz trêmula. O amigo assentiu, enquanto Rony voltava até os dois com uma garrafa de água na mão.
—Você tem que se acalmar, está tudo bem. Vamos, aquele canto está mais quente! —Rony puxou-a, enquanto Harry era convocado para perto do Ministro da Magia. —Tome!
Rony entregara a Hermione uma capa em tom de mogno e lhe dissera para se deitar naquele canto, a garota relutou, mas o cansaço do dia lhe fez aconchegar-se no chão com a fina capa como cobertor. Rony estava ao seu lado, sentado, escorado na parede. Seu olhar estava perdido.
—O que foi, Rony?
—Os pais de Milla estavam aqui, em Paris! Estou preocupado, queria estar com ela! —Hermione assentiu e seu pensamento voou diretamente para Draco.
Como será que ele está? Pensava, ainda olhando para o amigo. Bem melhor que eu, posso apostar nisso!
Hermione adormeceu.
Mas não por muito tempo, logo um tremor fez com que a estrutura da loja soltasse ainda mais poeira, e parecesse frágil. A garota se levantou e já tocou a varinha, mas Rony ainda do seu lado lhe tranquilizou, explicando que os tanques militares franceses estavam passando pela rua. Mas era impossível dormir com aquela tensão, e Hermione resolveu ficar de guarda por um momento. Seus olhos não piscavam com tanta frequência, e ardiam por isso. De repente, entre toda a fumaça e poeira densa, um fiapo de luz prateada chegou aos olhos de Hermione, Harry e Rony se aproximaram para observar. Um patrono.
Um grande cavalo bateu com as patas no ar e a voz de Gina saiu:
—Harry? Por favor mande notícias. Não consigo... Como Rony está? —Houve uma pausa. —Hermione, se está me ouvindo, saiba que Draco está preocupado!
Hermione parou de ouvir a mensagem naquele instante, Draco estava preocupado. Sorriu abobalhada e assentiu para o cavalo prateado, que bateu os cascos novamente e se dissolveu na noite escura.
—Ela não pode mandar patrono outra vez, é perigoso! —Harry disse com convicção e voltou para a loja.
Rony e Hermione se entreolharam, o rapaz deu de ombros e seguiu atrás do amigo, mas Hermione, permaneceu parada. Seu pensamento voara para Draco, e somente para ele. Não deixaria que nada acontecesse à ninguém.
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