Insignificantemente, você

26 Capítulo vinte e cinco


Draco limpava o chão com curtos acenos da varinha, quando Hermione gritou. Rapidamente correu para fora da cozinha, encontrando-a no meio das escadas, com o olhar aflito e algumas lágrimas no rosto. Tocou seus ombros, sem saber o que fazer ou dizer.

—A senhora Weasley foi atacada, não está nada bem! —Balbuciou entre os soluços involuntários.

Draco então entendeu. Abraçou-a, amassando o pergaminho ainda em suas mãos.

—Vamos para o St.Mungus. —Hermione não o olhava no rosto, mas continuava soluçando. Draco levantou o rosto de Hermione lentamente, encarando profundamente os olhos castanho avermelhados. —Eu garanto que ficará tudo bem, nada de ruim vai acontecer a ela! Eu não vou deixar.

Hermione assentiu e deixou que o loiro a vestisse, colocando apenas seu sobretudo preto. Não se importou em ajeitar o cachecol também colocado de qualquer jeito, apenas queria sair o mais rápido possível dali. O loiro repetiu a vestimenta, jogando sobre os ombros um casaco longo. Saíram apressados, não dando importância para quem os visse desaparecendo atrás do arbusto alto e mal podado.

A Londres trouxa estava deserta, o que fez com que entrassem pela vitrine macabra rapidamente. Ao contrário da cidade, o hospital estava um caos. Vozes altas ecoavam pelos corredores, choros, uivos, gritos agourentos. O cheiro de putrefação embrulhou o estomago de Hermione, que sem dar a mínima importância, apertou-se ainda mais contra o corpo do rapaz. Guiando-a por entre os pacientes, Draco parecia saber exatamente onde os Weasley estavam. Rony até o momento escorado na parede com a cabeça abaixada, pareceu perceber a presença da amiga.

—O que ele está fazendo aqui? —Rosnou na direção de Draco.

Todos viraram os rostos. Harry não parecia surpreso com o casal ali, apertados um contra o outro. Percebera os olhos da garota, tão vermelhos quanto sangue, chorara durante o trajeto.

—Estou ajudando Hermione! —Respondeu tão suavemente quanto poderia.

Rony sorriu falsamente.

—Agora é Hermione? Anos atrás era sangue-ruim! —Vociferou, ignorando os pedidos de Gui e George.

Hermione encolheu-se.

—Sangue-ruim... —Cuspiu novamente as palavras.

Hermione apertava Draco a cada segundo que Rony os fitava de forma indecorosa, e então, no último resmungo do rapaz, explodiu.

—Chega Ronald! —Gritou, atraindo a atenção do corredor inteiro. Os Weasley e Harry olhavam-na surpresos com a reação. —Chega dessa briga idiota, era eu quem ele chamava dessa forma e não você. Agora, não me venha pedir explicações como se eu tivesse quinze anos, sou adulta, e você querendo ou não, tomarei decisões. Draco estava me ajudando até agora, se não fosse ele não teria conseguido sair de casa hoje!

O rapaz com as orelhas tão escarlates quanto o brasão da Grifinória tentou impor seu descontentamento, mas fora interrompido antes de abrir a boca.

—E não ouse descontar sua preocupação em mim ou em mais ninguém! Estou tão preocupada quanto você e não estou gritando com ninguém por aqui!

Houve alguns soluços forçados, disfarçando risadinhas.

Draco se esticou e sussurrou no ouvido da garota.

—Na verdade você está gritando com ele faz uns três minutos. Aqueles quatro curandeiros ali atrás só não levaram você para a ala psiquiátrica ainda porque estou ao seu lado. —Apertou-a.

E aos berros, continuou:

—Eu não estou gritando com ele, apenas estou gritando, e por coincidência estão todos aqui! —Deu as costas, batendo os pés no chão, passando com os punhos fechados pelos curandeiros altos e fortes. Como um sinal para que não se aproximassem.

Draco olhou para Harry que apenas fez um sinal com a cabeça, assentiu em resposta e correu até a morena que já entrara no elevador. Após alguns minutos, encontrou-a na cafeteria, em uma mesa do canto, com uma xícara de chá fumegante em frente ao rosto entre as mãos. Sentara-se, puxou uma das mãos, deixando o rosto molhado aparecer. Hermione chorava.

—Não se preocupe, ele só está nervoso. É a mãe dele! —Sorriu de leve, não demonstraria felicidade nem que seu time ganhasse a copa mundial de Quadribol. Por cima da mesa capturou a mão da garota. —Quer voltar para casa? Posso te levar!

Perguntara solidariamente, mas a resposta foi surpreendente, algo que não esperava sair tão cedo dos lábios rosados e comprimidos.

—Por que me beijou? —As palavras pareciam não ter controle, irromperam como a bala de um canhão desenfreado. Fizeram com que Hermione corasse e tentasse de alguma forma esconder o rosto.

—Pelo motivo o qual as pessoas se beijam! —Respondeu solene. —Eu ainda g...

Harry chamara Hermione, entrara enrubescido na cantina quase vazia.

—A senhora Weasley também está com aquela marca estranha! —Despejou enquanto recompunha-se.

Hermione encheu os olhos de água por um momento.

—Eu não sei o que isso significa, Harry! —Cobriu o rosto, despejando mais algumas lágrimas.

Harry e Draco trocaram um singelo olhar.

—O que fazemos? —Draco gesticulou para a garota que transbordava em lágrimas.

Harry deu de ombro, sussurrando:

—Eu não sei!

O rapaz se aproximou da amiga e agachou-se ao seu lado, acariciou-lhe a perna de maneira protetora, sem segundas intenções, movimentos os quais deixavam Draco meio perdido e tentado a desviar o olhar.

—Volte para casa, não vai adiantar você ficar aqui e brigar ainda mais com Rony ou comigo. Descanse, avisaremos quando a senhora Weasley acordar! —Harry procurou o loiro. —Malfoy vai te levar em casa!

Harry se afastou quando Draco tocou seu ombro. O sonserino repetiu o gesto do moreno e tocou a perna da garota, acariciando-a calmamente. Sussurrou com voz mansa:

—Se preferir vamos para a minha casa, acho que você vai se distrair me ajudando a desencaixotar tudo aquilo! —Enlaçou-a pela cintura e ajudou-a a ficar em pé. —Vamos!

Saíram do hospital o mais rápido que Draco pode caminhar, levou-a para sua casa onde a deixou na sala por um momento, confortável. Hermione já se recompunha e agora, parecia pensar tão profundamente que ignorava tudo a sua volta. Apenas voltou a si, quando o rapaz sacudiu sem ombro com certa indelicadeza.

—Você está bem? —Perguntou tenso com a situação. Hermione que conhecia sempre fora forte, e chorava em raras ocasiões. A garota diante de si era a mesma, apenas, mais evoluída e crescida. —Hermione?

Ela o encarou com magoa, mas Draco sabia que aquilo nada mais era do que a preocupação pela segunda mãe que, agora, estava desfalecida em uma cama de um hospital.

Puxou para seu colo sem aviso prévio, deixou-a chorar um pouco mais sobre seu peito, umedecendo levemente sua camisa. Reconfortando-a. Após o passar de alguns minutos, surpreendeu-se com os olhos castanhos que lhe fitavam com curiosidade. Deixou um meio sorriso escapar. Não falou, apenas fitou-a com igual intensidade. Sem piscar aproximou-se tão rapidamente, que em questão de meio segundo, tinha seus lábios colados. Brutalmente pedia passagem para aprofundar o beijo caloroso. Sua mão dançava sobre a blusa de lã sob o sobretudo quente, não sabia onde tocar primeiro, mexia-se incansável, tentando captar com a ponta dos dedos cada parte do corpo de Hermione, decorando-a com o senso de tato. O ar parecia não se fazer necessário para ambos. Draco, contudo, soube que deveria parar quando Hermione tocou seu peito com a mão espalmada, empurrando-o levemente. Levantou-se de supetão, como se tivesse acordado de um transe, e percebido o que fizera.

—Eu... Eu preciso ir! —Correu para a porta, batendo-a quando meteu o nariz arrebitado para fora.

Notas finais
Olá, quero agradecer a Amora Cadeado, pela maravilhosa recomendação que me deixou sem palavras!