Insanity

19 Minha Escolha


Notas iniciais
tem como eu pedir milhões de desculpas? Eu sei que errei muito não postando nenhuma das fics, estou com diversos problemas. Terceiro ano, tenho que fazer escolhas, sem contar que estava sem criatividade ou ideia nenhuma para as fics, estou num foco só, numa distopia que estou escrevendo peço minhas sinceras desculpas, prometo que darei um jeito nessa minha vida conturbada boa leitura. AHHH QUERIA AGRADECER A RECOMENDAÇÃO MARAVILHOSA DA ANNA CLARK EU TE AMO GAROTAAAAAAA muito obrigadaaa anjo!

Minha Escolha

Kayle havia desistido das calças rasgadas e das blusas de gola V. Desde a aposta com Tate e Paul, ele normalmente usava camisas de botões sempre escuras, deixara a barba crescer e parara de secar os garotos novos pela faculdade. Ele estava tão hétero que confundia a mim mesma. Hearth era uma menina de sorte, com toda certeza, seria uma pena se tudo isso não fosse apenas uma aposta.

Ela fazia curso de administração, era quase do outro lado do campus, mas Kayle sempre me arrastava até lá para fingirmos andar sem rumo algum somente para que ele a vigiasse e começasse a planejar seu plano de ataque.

Ele chama isso tudo de Ataque Parte 1.

– Primeiramente tenho que conhecer o território. – ele disse, sua voz ganhando uns dois tons mais grave.

Eu me engasguei com meu suco de laranja no refeitório.

– Território? Ela é uma garota e não um campo minado, Kayle.

– Ah, por favor. – ele riu. Infelizmente ele não tinha ensaiado uma risada um pouco hétero. Ele ainda colocava a mão direita curvada para trás. – É um jogo. É uma guerra.

– E quem só perde é a Hearth. – America se sentou do meu lado, olhando de cara feia para Kayle.

– Vocês vão ficar nessa por quanto tempo?

– Até você parar de bancar o idiota, Kayle. A garota tem um coração. – America contorceu os lábios em desaprovação.

– Ah, e sou só eu que faço as coisas erradas?

– O que você quer dizer? – Can estava do outro lado da mesa, enfurnada num livro gigantesco de química usando óculos quadrados de grau.

– Quero dizer que não sou só eu. A Lady Bella tá dormindo com um professor.

Eu me engasguei outra vez, depois estapeei o ombro de Kayle. Ele reagiu muito másculo com a dor.

– Fale isso mais alto e todo o campus irá saber. – eu o olhei muito ameaçadora.

Kayle pediu desculpas.

– E ele não é professor. – defendi. – É meu tutor. E isso durará mais quatro semanas e estaremos livres para ficarmos juntos.

– Se ele não aceitar a proposta do Forward.

– Ah, puta merda, America, obrigada por me lembrar.

Há alguns dias atrás, quando eu estive na casa de Landon e tínhamos feito o melhor sexo de toda a nossa vida – ou pelo menos da minha, quero dizer, antes dele não houvera ninguém... ah, bem foi ótimo de qualquer forma. – o Sr. Forward bateu na sua porta e eu descobri, não tão bem como eu queria, que ele era nada mais nada menos do que vizinho de bairro do Landon. Ele morava há cinco casas depois da dele, mas de qualquer forma, ainda moravam muito próximos.

Eu me tranquei no quarto sentindo que meu coração ia explodir a qualquer momento. Eu não podia simplesmente sair com um lençol em volta do meu corpo e dizer:

“E aí professor, estou dormindo com seu aluno favorito. Ah, esqueci, ele é meu tutor agora, mas não se preocupe, ele me prometeu que não irá me passar nenhuma pesca para as provas de estatísticas. Valeu.”

Eu ainda tinha um pouco de sanidade, embora fosse muito tentador perdê-la toda vez que eu via as costas desnudas do Landon. Ela era marcada por uma tatuagem que ia do fim abdômen até o topo das costas, era uma Fênix. Por questões de prazer, era meu lugar favorito para passear minhas mãos.

Quando Landon desceu os degraus e atendeu a porta, eu consegui ouvir tudo pelo andar de cima. Não me atrevi nem a sair do quarto, eu estava tão assustada e amedrontada que já imaginava ver o Sr. Forward subindo as escadas para ir ao banheiro enquanto Landon estava distraído fazendo um café para servir.

– Está sozinho? – Sr. Forward perguntou. Que pergunta mais estranha, com quem mais Landon estaria?

– Estou. – Landon respondeu curtamente.

– Ah, achei que... – havia uma certa intimidade entre os dois que até agora ficava incomodando na minha cabeça. – Ah, eu adoro esse retrato.

Houve uma pausa. Que retrato Forward deveria estar olhando? A curiosidade só não foi maior que meu medo.

– É uma bonita foto. – ele continuou, mas nenhum dos dois quis continuar a falar sobre isso.

– Deseja um café? – Landon perguntou e não havia nenhuma formalidade do tipo “professor, senhor”.

– Ah, não. Samantha me fez sair de casa com café já tomado. Obrigado.

Outra pausa.

– Então, o que era tão importante? Eu teria retornado a ligação, mas estava no banho quando me ligou, Forward.

– Entendo. – ele não parecia discordar. – Era mais uma intenção do que uma urgência.

– O que era? – Landon não estava impaciente, mas sabia que ele queria terminar aquela conversa há muito tempo.

– Eu andei falando com Owen, ele está muito interessado em você, sabe. – Prof. Forward parecia muito cauteloso enquanto dizia.

– Andou falando de mim para ele?

Houve uma risada.

– Tenho orgulho do que você alcançou, Landon . — Prof. Forward parecia sorridente. – E Owen sabe muito bem disso. Então não medi elogios.

– Você sabe que não precisava...

– Claro que precisava. Eu fiz uma promessa. – promessa? – Eu tenho muito orgulho de ter feito isso também, não é como uma obrigação.

– Eu sei, eu sei. – Landon pareceu querer cortar esse rumo da conversa. O que ele queria esconder? Ele sabia que eu estaria ouvindo. – E agradeço.

– Claro. – outra pausa. – Eu venho pensando muito no seu futuro, Landon. Venho pensando no seu esforço para ser tutor. Nós estávamos estudando o conteúdo que você ensinará para a Srta. Boehm. Ela é uma boa garota, irá pegar tudo muito rápido com você. – houve uma ambiguidade que quase secou minha garganta.

– É, ela, ela é muito... é. – Landon se calou.

Ele deveria estar corando.

– Certo. E você tem se esforçado muito para isso, eu acho que você se sairia muito bem ajudando outros alunos, não apenas como um tutor de nível baixo.

– O que quer dizer?

– Eu perguntei ao Owen se podíamos abrir uma vaga para você como substituto em matemática e ainda sim instrutor. Eu queria convidá-lo para montar uma nova sala com instrutores, sua matéria seria matemática, porque você é brilhante.

– Espere... o quê?

– É um convite bem grande.

– Sem dúvida. – eu podia jurar que Landon estava pasmo. E ao mesmo tempo animado.

– Seria uma chance sem recusas, Landon. Você se sairia muito bem, não tem outra pessoa na minha cabeça para esse cargo de instrutor de matemática. Nossos professores nem sempre tem horários livres. E estagiar será uma chance sem precedentes, Landon.

– Eu sei. Você tem toda a razão, mas Forward...

– Mas?

– É uma coisa que preciso pensar. Nunca pensei em ensinar, em seguir carreira de professor. É uma chance maravilhosa até que eu arrume emprego, mas... Preciso pensar.

Depois que Forward foi embora, Landon não tocou mais nisso. Eu vesti minhas roupas e forjei uma ligação de Sierra e Landon pareceu acreditar. Eu acho.

– Você não pode fugir disso, Bella. É uma chance maravilhosa pro Landon . – Can havia dito, enquanto eu olhava feio para America.

– Eu sei. – disse emburrada.

– Desculpe por ter falado nisso. – Kayle falou, enterrando a mão na bochecha.

– Tudo bem. Eu tenho que superar isso. Landon não pode pensar em desistir de algo como isso só porque certamente teremos que terminar.

– Vocês não precisam.

– Ah, America, você não vê? Se alguém por acaso nos pegar, ele perderá a chance da vida dele. Era mais fácil para ele ter voltado com a Amanda. – murmurei, já não sentia mais vontade de terminar meu lanche da tarde.

– Vire essa boca pra lá, Bella. Vocês irão dar um jeito.

– Ah, claro. – eu fingi consentir com a America.

Antes que ela resolvesse me dizer algo mais construtivo, fomos interrompidos por Sierra. Não é como se nunca tivéssemos visto-a antes, claro, mas havia algo bem diferente dessa vez. Ela entrara com Trey e os dois pareciam engatar uma conversa realmente muito animadora porque ela sorria com algum encantamento e ele caminhava daquele mesmo jeito sereno, sem problemas rondando sua cabeça. Trey nunca mais tentara nada comigo, e eu agradecia porque se Landon soubesse que ele estava atrás de uma terceira chance, ele não se pouparia de enfiar um segundo soco no seu rosto e dessa vez sem uma máscara para escondê-lo.

– É, a gente se vê. – Sierra disse. Trey sorriu para nós e acenou.

Como sempre, America desviou o olhos e preferiu encarar sua tigela com um molho branco e torradas, suco de laranja igual ao meu.

– Está ensolarado no México. – Kayle disse, sorrindo sedutoramente como se fosse a Hearth Silas.

– O quê? – Sierra piscou, sentou-se perto de Can e olhou distraída para nós.

– Você e o Trey.

– E esse sorriso bobo no rosto. – completei por Kayle.

– Ah, vão a mierda vocês dois. Somos amigos.

–... Coloridos, não é?

– Não enche, Kayle. – ela resmungou, mas estava rindo.

Na mesma hora, me peguei olhando para o relógio de parede do refeitório e me lembrei que a aula com Landom começaria em dez minutos. Havia me esquecido completamente.

– Hoje começaremos mais cedo. – eu me levantei as pressas e respondendo America que me perguntou porque eu tinha que ir tão rápido para a biblioteca. – Nas sextas terminamos antes das oito horas. Parece que ele tem que ver o Forward. – eu fiz uma careta lembrando do professor Forward.

– OK. Te esperamos as oito no seu quarto com a Can. – Sierra disse, acenando.

Eu mal respondi, saí correndo às pressas, a sala da biblioteca era quase do outro lado do campus e para chegar até lá eu levaria uns cinco minutos. E demoraria ainda mais quando Allison me parou no corredor.

– É tudo em família agora? — ela tinha aquela mesma feição de nojo, parecia segurar a respiração enquanto falava.

– O que é agora, Allison?

– Eu não sabia que você dividia os caras com sua amiga Sierra.

– Oh, isso? – eu soltei uma gargalhada que inundou os corredores. – Por favor, Allison, use uma maneira menos evidente de que está com dor de cotovelo.

– Eu não estou nem ligando para você e para Sierra. Vocês não são competentes, sabe?

– Não é como se fosse um jogo, Allison. – eu fiz cara feia. – Afinal, perder duas vezes já não acaba com as vidas num jogo, não é?

Ela me xingou de alguma coisa e depois saiu batendo o salto irada no chão, trotando para qual inferno ela fosse. Eu inspirei calmamente e continuei minha corrida até a biblioteca. Faltava um pouco mais de sete minutos para as seis e vinte. A tarde já tinha se esvaído e dado alas para uma noite de nuvens carregadas. Iria chover sem a menor duvida.

Virei a esquerda e peguei o corredor da biblioteca. Abri a porta e mostrei muito desengonçada meu passe para estar aqui para a senhora que ficava atrás do balcão que eu ainda não me recordava do nome.

– Sem correr. – ela disse.

Continuei correndo por entre as prateleiras até finalmente chegar a nossa mesa de sempre. Escondida entre outras estantes enormes de livros, pilhas de livros, livre apenas por uma janela retangular de vidro, agora um pouco úmida. Começava a chuviscar. Eu vi uma sombra encolhida por cima da mesa e parecia anotar algumas coisas. Conheci aquela confusão de cabelos negros de longe.

– Desculpe. – corri até lá sem fôlego. Arrastei-me desengonçada pelo assento.

– Está atrasada. – ele ergueu a cabeça, seus olhos estavam lindamente iluminados, o azul deles tão brilhante quanto antes.

– Eu sei. Corri o mais rápido que pude. Tinha uns problemas.

– Algo grave? – ele ergueu a sobrancelhas.

Pensei em Allison.

– Ah, não, uma besteira, uma pedra no sapato na verdade. – eu desviei para tirar meus livros de dentro da bolsa.

As luzes se iluminaram como se alguém tivesse dito: acendam. E o rosto de Landon se iluminou completamente. Ele ainda me fazia derreter como sempre.

– Por onde vamos começar? – eu perguntei. – Professor Foward começou um novo tópico de estatísticas que, desculpe, é enormemente chato. Sei que você ama matemática e é um gênio, mas ela é completamente insuportável.

Landon riu.

– Estamos quites. Não sou bom em escrever.

Eu sorri dessa vez.

– Menos mal, achei que você era bom em tudo.

Landon corou. Mas eu corei mais, eu falei demais.

– Podemos começar com o tópico três, os outros dois eu estou sabendo até de cabeça para baixo. O três é o mais complicado, mas vamos terminar bem rápido.

– Está querendo se livrar de mim? – Landon apoiou o cotovelo na mesa de madeira.

– Eu?

– É.

– Não, estou sendo eficiente. – fitei os livros. Não era como se eu estivesse empurrando-o para a reunião com Forward, porque mesmo que isso causasse o fim de nós dois, eu queria que ele aceitasse o convite do professor. Era uma chance inigualável. – Apesar de que é você que sabe das coisas. Queria poder saber um terço do que você sabe. Na verdade, você é muito bom em ensinar...

– Bella. – ele me interrompeu. Quando decidi parar de folhear as páginas do livro, eu o olhei. – Você ouviu, não foi?

Sua expressão era indefinida.

– Ouvi o quê?

– O convite do Forward. Você tem me evitado essa semana toda para ficar comigo além das aulas. Está escondendo alguma coisa de mim, Bella?

Minha garganta se fechou. Eu não tinha uma resposta para isso, ou melhor, uma mentira. Eu não podia escondê-lo minha infelicidade por tudo que estava acontecendo.

– Eu não estou escondendo, nada Landon.

– Mas você ouviu.

Eu consenti.

– É um convite irrecusável.

– Por favor, Bella. – Landon jogou a cabeça para trás, apoiando-se no encosto da cadeira. — Não quero falar disso.

– Ah, convenhamos, Landon, você não pode recusar. — eu o ignorei.

– Claro que eu posso. Se for algo que eu não queira.

– Mas é algo que você quer. – eu fechei os livros. – Deveríamos estar estudando, em pouco tempo você falará com Forward.

– É isso? – ele me olhou. – Está me empurrando para essa decisão?

– Não estou fazendo nada. Quero que você faça a escolha por você.

– E eu vou fazer. – ele murmurou. – Eu não quero.

– Certo, isso certamente não é por você. – eu me levantei e peguei minha coisas.

– Para onde está indo?

– Vou pedir outro instrutor. – enfiei os livros dentro da bolsa.

– Está brincando comigo, não é? – eu não respondi. Landon se levantou no mesmo segundo que lhe dei as costas. – Você não pode tomar essa decisão sozinha.

Eu me virei para ele.

– E por que não?

– O que você dirá ao Forward? Tem uma boa explicação para me recusar como tutor?

Eu me calei, estava pensando.

– Horários não batem. Você é inteligentemente demais para mim. Ah, eu posso bolar qualquer mentira na hora. Agora, me solte.

– Não. – Landon segurou a alça da minha bolsa e entre os meus protestos, ele a colocou em cima da mesa. – Você tem uma mania de sair, de fugir.

– Eu não fujo.

– Ah, sim, você sempre arranja uma maneira de pegar o caminho mais difícil.

Eu bufei.

– Eu deveria ser um pouco mais como a Amanda, o que acha?

– Seria uma ótima ideia.

Eu o olhei furiosa. Empurrei seu peito e peguei minhas coisas, pisando firme no chão e correndo para fora da biblioteca. Ou não tempo o suficiente.

– Bella, escute, Bella. – Landon estava sussurrando. Ele segurava meu braço com muita firmeza, estávamos há alguns metros do balcão da entrada. – Eu não queria ter falado aquilo.

– Saiu sem querer, não é? Por favor, arrume uma desculpa melhor do que sua raiva.

– Mas é a verdade. Você é cabeça oca.

– Obrigada, está ajudando muito.

– Desculpe, desculpe. – Landon fechou os olhos por um segundo. – Não vá, por favor. – ele me encarou.

– Não está dando certo.

– Vai dar. – ele prometeu. Landon beijou-me os lábios. Sua língua passeou pela maciez os meus até que eu pudesse sentir avançando para dentro da minha boca. A sensatez tinha sumido da minha cabeça, eu era apenas uma garota apaixonada se entregando perdidamente em um beijo apaixonado.

Era uma realidade paralela quase única, um lugar onde só nós poderíamos conhecer. Então, a realidade era forte demais para fazer tudo isso continuar. Eu me afastei.

– Entre seus sonhos e nós dois, Landon. Eu escolho os seus sonhos. – deixei suas mãos livres do meu corpo, deixei Landon para trás e fiz minha escolha. Não dávamos certo.

Notas finais
espero que tenham gostado! Vou apimentar as coisas!