Insanity
20 Seu Maior Medo
Notas iniciais

Seu Maior Medo
Fazia exatamente uma semana que Landom e eu estávamos... distantes. Acho que isso queria dizer que havíamos terminados. Claro que queria dizer, a quem eu estava escondendo? Depois de nossa rápida discussão, eu não o encontrei mais. Havia uma parte em mim que achava que se eu estivesse longe, nossos problemas acabariam. Mas outra, bem profunda, ainda muito dolorosa, se lembrava muitas vezes ao dia da nossa conversa:
“Eu deveria ser um pouco mais como a Amanda, o que acha?”
“Seria uma ótima ideia.”
Eu não sabia o que pensar sobre isso, não queria me martirizar por algo que sabíamos que não daria certo. Landom podia não ter pensado sobre aquelas palavras, sobre me comparar a Amanda, mas, mesmo que ele tivesse a intenção, sua resposta doía no fundo do meu peito e me perturbava a cabeça. Eu não choraria por ele, era algo que eu não podia me permitir a fazer. Éramos diferentes. Os opostos podem até se atrairem, mas não quer dizer que ficam juntos. É um lado da história que pouca gente conta.
Como eu não falava com Landom e procurava muito menos encontrá-lo na faculdade já que, mesmo sem ter dado uma resposta ao Foward sobre o convite – e eu sabia disso porque Kayle tinha seus informantes -, ele ainda era tutor e prestava serviços remunerados à faculdade mesmo não sendo inteiramente do corpo docente. Isso, de todas as maiores frustrações, era o pior de tudo. Eu podia esbarrar com ele a qualquer momento na faculdade, podia ser nos corredores, de uma aula a outra, no refeitório, poderia vê-lo a qualquer momento e uma parte de mim tentava não pensar o que aconteceria se nos encontrássemos novamente.
Eu seria forte? Eu iria ignorar meu orgulho e cair nos braços dele novamente? Ou eu tinha que manter minha sanidade e aprender que posso viver muito bem sem ele? E Landom sem mim? Eu ainda não tinha tanta certeza sobre as minhas respostas para essas tais perguntas, e não sabia quando eu iria consegui-las.
Eu estava saindo de uma aula conjunta com Kayle e estávamos falando abertamente sobre o que o prof. Nolan havia dito, mas a maior parte da minha atenção estava numa única pessoa, num unido nome.
Eu tinha que tirá-lo da minha cabeça.
– Então, como anda suas tentativas com Hearth? – mesmo que eu odiasse o que ele, Paul e Tate haviam apostados, eu preferia me frustrar com o Kayle do que com o Landom.
– Estou surpreso. Você quer saber?
– Estou querendo pensar em outra coisa. – eu disse baixinho. Contei a ele sobre minha conversa com Landom e dividi com as garotas também. De certo modo eles me ajudavam muito a enfrentar uma agonia estranha de querer sair correndo para Landom outra vez.
– Certo. Entendi. – Kayle piscou. – A Hearth é bem receptível para novas amizades. Eu até flertei com ela.
– E ela caiu?
– Sim. – ele deu um sorrisinho amarelo. – Foi muito estranho, parecia que eu estava fazendo algo errado.
– É porque está mesmo.
Kayle revirou os olhos.
– Ela não está apaixonada por mim, Bells. Vamos apenas ficar. É uma coisa natural.
– Não com um gay e um hétero.
– Ah, por favor. – ele franziu a testa, mas riu depois. – Percebi nessas tentativas que sou um gay irrevogável. Não sinto atração alguma por garotas.
Eu soltei um risinho baixo.
– Até estranharia você se apaixonar pela Hearth. Se você não fosse gay, eu estaria perdida.
– Ah, e por quê?
– Ser o que você é, é uma das minhas certezas. – e depois franzi a testa. – Perdi a habilidade de compreender as coisas.
– Ah, Lady Bella... – ele passou o braço pelo meu ombro. – Isso vai passar. Você vai sarar
– Tomara, Kayle.
Kayle e eu caminhamos silenciosamente depois disso até o refeitório.
Este tinha sido nosso caminho durante todos os dias de aula na faculdade a semana toda. Depois de deixar claro ao Landom que não devamos certos, nem eu e muito menos ele tentou de alguma forma mudar isso. Bem, eu não tinha tanta certeza sobre ele, mas, mesmo que eu não quisesse encontrá-lo, eu torcia, no fundo, que eu tivesse pelo menos a sorte de ver uma fresta que fosse dele nos corredores, um lampejo do seu cabelo preto e despenteado, dos seus olhos claros, dos lábios levemente finos, e um pouco mais profundo, o cheiro do seu perfume. Mas eu sabia que se isso acontecesse, seria ainda mais difícil manter distancia. Foi por isso que não retornei às nossas aulas de tutoria a tarde. Eu não sabia se todo dia as cinco horas ele me esperava na biblioteca ou se ele já tinha desistido. Não sabia o que ele estava pensando de mim agora, se ele sentia a minha falta, se ele tentou vir atrás de mim. Na verdade, tudo que eu tinha sobre Landom Bale eu era caída por ele, mas não o conhecia tão bem como eu queria.
Na entrada do refeitório, eu despertei para a minha realidade. Peguei minha bandeja, enchi de coisas que eu não sabia se ia comer e me sentei entre Sierra e Kayle como da primeira vez. Paul estava comentando sobre um jogo incrível de basquete quando cheguei. Tate estava falando que o time da cidade ganharia as regionais, mas já Paul dizia que a cidade vizinha tinha um jogador desconhecido muito bom. America estava rolando os olhos para a conversa deles, estava comentando algo com Candice, esticando o corpo de vez em quando pela mesa para conseguir falar.
– Você vai visitar sua mãe no fim do semestre? — Sierra havia perguntado.
Estávamos há duas semanas para as últimas provas e a faculdade daria um recesso de quatro dias para os alunos, dois deles pegavam o final de semana.
– Falei com Tiara ontem. Ela está animada para minha ida. Acho que sim. — mordisquei minha pizza. — E você?
– Se eu não for meus pais me matam. Mas na verdade eu estou com muita saudade, parece que não os vejo a anos. — Sierra estava mais bronzeada que o natural de sua pele mestiça, talvez porque os últimos dias tenham sido muito ensolarados e ela tenha nos empurrado para fazer atividades ao ar livre.
– Podemos ir juntas. Pegamos um carro e dividimos o custo da gasolina. Não é tão longe.
– Seria uma ótima ideia. Vou começar a planejar a v...
Sierra parou instantaneamente e percebi que ela olhava para algo atrás de mim. Virei lentamente o rosto me deparei com Landom entrando pela porta da entrada do refeitório e andando cautelosamente até a minha mesa. Não, não era engano, eu sabia que ele estava vindo até mim e Sierra também. Eu não o via há dias e parecia que ele não dormia há meses. O cabelo era o mesmo de sempre, mas não despenteado propositalmente, dessa vez era porque ele nem se esforçou para ajeitá-lo. Não usava óculos escuros e nem de grau, parecia exausto, os seus olhos claros estavam tão opacos que me peguei sentindo falta do cor piscina.
– Bella. Isabella Boehm? — ele me chamou, sua voz ganhando um tom muito formal e baixo.
Minha garganta ardeu. Por que ele me chamara pelo nome completo? Ou pior, por que ele estava aqui? O que ele queria comigo? Eu não sabia o que era pior se era a incerteza de sua chegada ou sua formalidade como se mal nos conhecêssemos.
– Landom? — decidi perguntar, levou um grande esforço pra ganhar voz. — O que faz aqui?
Ele corou. Nunca vira Landom corar.
– Desculpe incomodá-la, mas eu vim a pedido do prof. Forward. — Landom nem piscou e muito menos olhou para algum dos meus colegas.
– Agora? — levei um longo segundo para formar essa palavra e para soar bastante clara.
Então ele não viera por mim diretamente. Ele viera porque Forward o mandara. Mas por que? O que era mais doloroso: Landom dar sinal de vida e não poder abraçá-lo ou descobrir que ele só viera atrás de mim porque fora mandado.
– É — ele corou novamente. — desculpe, ele disse que precisava de você agora.
Eu suspirei pesadamente. Não era assim que eu esperava encontrá-lo depois de tantos dias. Na verdade, o que imaginei estava longe do que estava acontecendo agora.
– T-tudo bem. — eu me levantei lentamente e empurrei a bandeja. Estava sem fome mesmo. — Vejo vocês depois. — peguei minha mochila e meu caderno e saí a passos tensos ao lado de Landom.
Até a saída não havíamos dito uma palavra com o outro. Ele parecia não saber o que dizer ou não parecia querer ter algum tipo de conversa comigo. Não podia culpá-lo, tínhamos terminado qualquer que fosse nosso relacionamento.
Andamos alguns corredores num silêncio absurdo, uma parte de mim lutando com uma que queria falar alguma coisa e a outra que ainda se segurava em silêncio. Nós dobramos mais corredores até que reconheci o próximo. Estávamos chegando. Mas, antes que nos mexêssemos e entrássemos no corredor para a sala de Forward, Landom me parou com as mãos.
– Voce vai precisar inventar alguma coisa. — Landom ainda tinha sua mão em volta do meu pulso. E era até reconfortante.
Era difícil evitar não sentir um certo prazer por estar perto dele. Landom era um imã feito especialmente para me atrair.
Espere, ele disse inventar alguma coisa?
– Inventar?
– Sobre eu não ser mais seu tutor, Bella. — agradeci por ele voltar a me chamar desse jeito, mas, por outro lado, ouvi-lo dizer que não era mais meu tutor era pior do que ele me chamar de Isabella. Estava claro para ele também, era isso. — Forward precisa acreditar no motivo de não estarmos estudando juntos.
Engoli em seco. Eu não tinha pensado nisso. Eu mal tinha lembrado dessa detalhe, no que Forward iria pensar. Eu estava ocupada tentando não me desesperar por ter dito o que eu disse e por não sofrer pelas palavras de Landom. Era como se eu não pudesse apagar da cabeça suas palavras. Ele queria que eu fosse como a Amanda, sem problemas.
– Você pensou sobre isso, não é?
Eu fiz que não.
– E-eu não sei o que falar. — confessei. — Não pensei em nada.
Landom compreendeu. Ele afastou os dedos do meu pulso e eu implorei mentalmente para sentir seu toque novamente. Havíamos nos encarado por dois longos segundos que pareceram uma eternidade. Ele apreensivo e eu a ponto de sair correndo e chorar no meu quarto.
– Tive uma ideia. — ele disse. — Tudo vai ficar bem se ele não souber de nada.
– De nós?
– De não estarmos mais estudando juntos. — ele corrigiu, mas pude reparar que ele estava impaciente com alguma coisa. Landom não parecia de forma alguma contente com essa conversa. Eu tentei descobrir se era por ele estar comigo ou sobre termos que inventar uma desculpa.
Preferi não pensar que ele estivesse tentado me evitar esse tempo todo, que ele estava de saco cheio de me aguentar. Queria não ser tão pessimista assim.
– Você estava muito bem nas nossas aulas. Com tudo que você aprendeu e com o que você certamente andou estudando pelas nossas apostilas, você conseguirá acertar 90% da prova. Ele não precisa saber que não estamos no encontrando. — depois do rápido lampejo de saber que ele se sentia esperançoso sobre a minha prova, eu raciocinei o que ele dissera na última sentença. Estava mais claro do que nunca. Não estávamos juntos. E Landom não implorara uma segunda chance, ele nem parecia querer lembrar do assunto. Isso ardia no meu peito como brasa e me fazia querer chorar. Chorar muito. Correr o mais longe dali e ficar sozinha. Mas nem me movi.
– E se ele perguntou a Margô sobre nossas idas a biblioteca?
– Eu tenho ido todo dia. — ele sussurrou, apreensivo.
– Tem?
Ele consentiu. Então ele me esperava? Eu não sabia como reagir a essa nova informação. Por que ele ia se sabia que eu não ia aparecer?
– Achei que você não estivesse na escola. — eu disse. — Eu não te vi nenhuma vez.
– Eu estava, — ele coçou o queixo. — mas estava ocupado também. Em casa. Fazendo trabalhos.
Rapidamente pensei em Amanda. Era esse seu trabalho? Em quantos segundos ele conseguiria tirar o maior números de peças de roupa e transar com ela? Só de pensar que ela tinha total liberdade de ir e vir para sua casa sem nenhum problema com os vizinhos me deixava puta da vida. E com ciúmes. E enjoada.
– E você?
– O que tem eu?
– Eu não a vi nenhum dia. — ele parecia curioso.
– Estava estudando, mas não saí da faculdade nenhum dia.
Houve silêncio. O que ele queria que eu dissesse? O que ele estava esperando? Eu não iria romper toda essa frieza e ser a idiota da história mais uma vez
– Bella... — ele me chamou daquele jeito outra vez, confortável, baixinho, sussurrante. — Nós precisamos conversar.
– Já estamos conversados, Landom.
– Não, não estamos não. Tudo que vi foi você falando e eu reagindo da pior maneira possível.
– Infelizmente você não pode apagar o que você disse, Landom. — rebati.
– Você tem razão. E eu te peço perdão. Eu não queria ter dito aquilo.
– Mas disse. — enchi-me de raiva. — Como está Amanda agora?
– A Amanda? Que que tem a Amanda? — ele parecia confuso. — Eu não faço ideia. Eu nunca mais a vi.
– Achei que teria ido atrás dela.
– Eu? Por que eu iria? — eu não respondi, esperei que ele se lembrasse. E apareceu que ele tinha. — Você não entende não é? Eu não estou com a Amanda, eu não quero a Amanda. Ela não cabe mais na minha vida. — Landom estava vermelho.
– Não era o que parecia. — eu disse em voz alta, furiosa.
– Como você queria que eu reagisse, Bella? Você estava... Você estava me negando. E de novo.
– Nós nem tínhamos um relacionamento. — quase gritei. Ele não podia me culpar, eu não era a vilã, eu era a pessoa que queria que ele mantivesse seu futuro. Não queria atrapalhá-lo. Ele não conseguiu ver a dor em meus olhos quando eu disse que não daríamos juntos? Eu estava sofrendo, caramba! — Nem sabemos o que tínhamos na verdade.
– Eu sabia. — ele se aproximou. — Eu via muito mais do que uma pedra no sapato para você.
– Não damos certos.
– Não é a verdade.
– Claro que é. — eu me afastei. — Você não tem como provar que podemos mudar isso porque não tem. Mal nos conhecemos.
– Você sabe mais de mim do que todos meus amigos. — Landom diminuiu nossa distância.
Eu não respondi.
– Quando eu tinha quinze anos, minha mãe morreu num acidente de carro. Eu e meu irmao sobrevivemos e resolvemos morar com a nossa tia.
– Landom...
– Eu lembro que a minha mãe sempre me dizia: quando você crescer, quero que procure sempre a maneira certa de fazer as coisas. Seja honesto, ame sempre o que você tem para não sentir falta depois. Você nunca ganhará nada de mão beijada.
Meus olhos se enchiam de lágrimas e eu não sabia se Landom podia ver isso.
– Ela era uma mulher muito inteligente. Eu gostava muito disso nela. Cresci pensando que nada viria a mim de mão beijada. E eu estou aqui agora.
– E eu estou te atrapalhando, Landom. — choraminguei, o nó de segurar as lágrimas se prendia na minha garganta.
– Não está. — ele se aproximou. — Ame aquilo que lhe pertence antes que sinta falta.
Landom tocou meu rosto, seus dedos acariciando as laterais do meu rosto e deslizando pelas minhas pálpebras fechadas, deslizando pela desenvoltura da minha mandíbula até meus lábios.
– Eu estou te amando Bella. — sussurrou. — Não me afaste, não me deixe perdê-la.
Uma explosão arrancou toda a armadura que acorrentava meu coração. Ele dissera as palavras certas era isso? Ele me amava? Como isso era possível? Há quanto tempo nos conhecíamos?
– É loucura. — eu disse de olhos abertos. — Você não pode me amar.
– Mas eu amo. É estranho. Eu percebi isso quando você me deixou. Eu estava amando aquilo que eu havia acabado de perder.
– Por que não me procurou?
– Porque eu sou medroso. — ele estava numa distância de um sopro.
– Do que você tinha medo?
– De que fosse fácil pra você me dizer um adeus.
– Não seria, porque — apertei os olhos. Eu diria isso. — eu te...
Nós ouvimos passos. Na verdade, ouvimos alguém arfar não muito distante dali. Quando Landom e eu nos demos conta, percebemos que prof. Forward estava parado no corredor, olhando para nós dois como se tivéssemos cometido um crime. E havíamos. Eu tinha. Eu tinha destruído as chances de Landom conseguir um estágio na faculdade, ele iria ser demitido.
– Forward... — Landom tentara, mas o professor erguera a mão para impedi-lo de falar.
– Conversaremos na minha sala. Os dois.
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