Insanity
15 Alguém Chamado James
Notas iniciais

Alguém Chamado James
A luz invadia parcialmente o cômodo do quarto, a janela estava entreaberta tornando o clima um pouco mais frio. Aconcheguei-me ainda mais a braços que envolviam minhas costas e a um lençol cinza que me cobria até os ombros.
Eu não queria acordar se isso fosse um sonho, não queria me levantar se isso fosse responsável para acabar com tudo isso, eu só queria continuar ali para sempre. Landom dormia profundamente, seu rosto acomodado no travesseiro cinza, virado para o meu, suas expressões eram tão leves, doces, ele parecia tão suave que eu me obriguei a me mover com o maior cuidado possível. Meu braço esquerdo estava sobre seu peito nu enquanto o lençol cobria até a sua cintura. Acariciei seu peito cuidadosamente, queria sentir sua pele quente enquanto ele respirava tranquilamente num sono profundo. Nada podia ser tão maravilhoso quanto vê-lo deitado ao meu lado, seus braços em volta de mim protegendo-me de algo que nem ele sabia, só era uma forma de tentar ter posse sobre mim.
Eu não queria que esse dia terminasse.
Como reflexo, Landom deu uma longa suspirada e moveu seu rosto em direção aos raios do sol que invadiam o quarto, ele despertou lentamente fazendo uma carranca por causa da luz. Temi que ele se assustasse por eu estar encarando-o a tanto tempo ou que ele surtasse por ter dormido comigo. Eu estava tremendo, eu não queria observar qualquer arrependimento que surgisse no seu rosto. Landom se espreguiçou e abriu com dificuldade os olhos, passando as costas da sua mão no rosto e tentando despertar. Se ele podia ficar ainda mais jovial e relaxado, ele conseguiu. Landom correu os olhos do teto até a cama e me encontrou. Ele abriu os lábios e sorriu.
– Está acordada a muito tempo? – perguntou-me com uma voz rouca talvez pelo sono.
– Ah, não, — falei abobalhada, ele era tão lindo. – só a alguns minutos.
Ele sorriu novamente, dessa vez sem mostrar os dentes.
– Você está tão linda... – Landom inclinou o rosto para perto do meu e beijou o canto dos meus lábios. – E cheira tão bem. – ele enterrou seu rosto entre meus cabelos.
Landom se curvou para meu lado e envolveu meu corpo com seus braços fortemente, abraçando-me enquanto cheirava meu cabelo.
– Você está me deixando sem ar... – eu disse com meu rosto enterrando na sua pele.
– Só me deixa um pouco aqui, sentindo você.
Meu coração bateu forte no peito, sua voz estava grogue, mas ele ainda continuava sendo estupidamente maravilhoso. Abracei com firmeza seus ombros e nos mantivemos ali por muito tempo, eu não sabia que horas eram ou se America tinha voltado para seu apartamento, tudo que eu me lembrava da noite passada estava longe de ser algo sobre meus amigos ou se Landom e eu estávamos realmente a sós. Eu senti seu perfume delicioso, podia sentir sua pele quente abraçada com a minha, podia sentir sua respiração roçar a pele do meu ombro, a palpitação do seu coração e o prazer de sentir seus beijos distribuídos pelos meus ombros, pelo meu rosto e meus lábios. Mesmo que eu me apegasse a ideia de termos que abandonar alguma hora este quarto, eu queria me agarrar a cada segundo curto que passamos sem dizer nada um para o outro, apenas nos olhando como se fosse o suficiente.
Landom segurou meu rosto com suas mãos e ajeitou os fios que se emaranhavam na minha testa, seus dedos percorreram a minha pele, beijou-me delicadamente e esperou que eu retribuísse, coloquei meus braços em volta do seu pescoço e o beijei de volta sem temer que fosse tarde demais para estarmos aqui ainda.
– Bella... – Landom sussurrou cessando o beijo.
Abri lentamente os olhos e o encarei.
– O quê?
Ele acariciou meu rosto por um longo segundo, fiquei envergonhada por tê-lo me encarando a tanto tempo. Landom sorriu e beijou lentamente meus lábios.
– Nada, não era importante.
Landom me abraçou e ficamos ali por mais alguns minutos.
Relutantemente, deixei que Landom fosse embora depois dele me fazer inúmeros convites, eu poderia ter aceitado, mas sabia que tinha que me preparar para o Sr. Forward amanhã, já que ele não tinha nenhum de seus tutores livres para me ajudar, ele decidiu, com muito esforço, que estaria a minha disposição muito cedo na faculdade, um dos seus poucos horários disponíveis.
– Eu preciso falar com você. – Landom me disse encostado na porta. – Amanhã cedo, na faculdade, me espere.
– Eu tenho uma reunião com Forward.
– Antes disso, me encontre, estarei o mais cedo possível na porta do seu quarto.
Eu acenei concordando.
– Tudo bem. – Landom confirmou. Ele se inclinou e me beijou. – Até amanhã.
Quando ele foi embora e fechei a porta, percebi finalmente e um pouco tarde demais que estava morrendo de fome. Eu estava usando um moletom folgado e uma camiseta branca quando caminhei para a cozinha atrás de algo pratico e rápido que fosse para esquentar no micro-ondas que cessasse minha fome. Foi quando me aproximei da geladeira que percebi um pedaço de papel pregado com ímã na porta. As letras sem sombra de duvida se referiam a America.

Soltei uma risada boba mesmo estando envergonhada por ter usado o apartamento de America e impedindo-a de voltar quando pudesse. Dobrei o papel e joguei no lixo, depois me certifiquei se havia ingredientes suficiente para fazer uma panqueca.
Quando terminei com a frigideira, o cheiro de panqueca invadia todos os cômodos e me deixava com mais desejo ainda. Coloquei um copo com suco na mesa, um prato com panquecas e melado no exato momento que America e Sierra abriram a porta da sala entraram silenciosamente temendo que Landom e eu ainda estivéssemos na cama.
– Ele já foi embora. – eu disse saboreando meu prato e vendo suas expressões de susto ao me ver.
– Dios mio, Bella, quer nos matar de susto? – Sierra ultrapassou o balcão com America e sentaram ao meu lado.
Eu estava terminando de devorar uma panqueca inteira enquanto me observavam.
– Está com tanta fome assim? – America perguntou sugestivamente. – Isso quer dizer que trabalhou muito durante a noite anterior.
– Cala. A. Boca. America. – pestanejei com o rosto quente.
– Ah, eu não podia evitar. – ela riu.
Sierra se inclinou na mesa.
– Então, Bells, como foi?
– Eu não vou contar a vocês. – eu disse pasma. – Nem tentem.
– Ah, por favor, Bells, somos suas melhores amigas, e você prometeu para mim que contaria sua primeira vez.
Revirei os olhos.
– Isso é constrangedor demais. – murmurei.
– Sempre é. – America disse. – Mas por favor, conte, conte tudo.
Enterrei minha cabeça nos meus braços.
– Não. – disse numa voz dengosa e abafada. – Isso é muito constrangedor. E intimo.
– Deixa disso, Bella, vamos! – Sierra me cutucou o braço. – Não precisa dizer, apenas responde as nossas perguntas, okay?
Eu fiz um murmuro inaudível.
– Vocês saíram para jantar?
Eu fiz que não com a cabeça.
– Não chegaram nem a sair do apartamento? – Sierra ficou surpresa.
– Não me admira estar com tanta fome, nem jantou a noite passada.
Levantei minha cabeça.
– Mas íamos sair, então ele começou a dizer umas coisas e... – meu coração acelerou. – Ele disse que esperava que esse encontro fosse amigável, mas não conseguiu se controlar estando sozinho e perto de mim.
Sierra tinha um olhar abobalhado para mim e America segurava o rosto com as mãos, seus cotovelos apoiados na mesa de vidro.
– Ele está louco por você, Bella. – ela me disse baixinho.
– Concordo com America.
– Ele disse... – completei. – disse que estava louco por mim.
Sierra suspirou.
– E como foi? Ele foi carinhoso?
– Ele foi incrível. – sussurrei, parecia sentir suas mãos novamente caminhando pela minha pele, seus olhares intensos sobre meu corpo e a sua voz rouca prometendo que não me machucaria. – Foi o melhor dia da minha vida.
Tentei me recuperar do meu devaneio olhando para Sierra e America, elas pareciam tão deslumbradas quanto eu, mas nunca chegariam perto do prazer que eu estava sentindo depois daquela noite. Eu não sabia especificar o que eu estava sentindo, mas quanto mais eu descobria detalhes do Landom, mais eu me entregava de corpo e alma para ele, mais eu estava certo que ao poucos eu estava me apaixonando.
Era sempre mais e mais.
– Ah, Deus, Bella. – Sierra me despertou. – Você gosta dele.
– E gosta muito.
Corei, deixei meu rosto cair até meus braços apoiados na mesa.
– Eu sei. – disse baixinho.
Sierra e America ficaram me olhando sem dizer nada, me deixaram aprofundar nos meus pensamentos. Eu não queria me apaixonar pelo Landom, uma parte de mim dizia que isso já era inevitável e a outra, a que estava em alerta, dizia que eu não ia me sair bem estando apaixonada por um cara que eu mal conhecia. Eu tinha saído dos trilhos, quando recebi a carta de admissão na faculdade, vários pensamentos passaram pela minha cabeça como estar finalmente livre, poder fazer aquilo que eu amava, poder construir meu próprio futuro, mas aqui estava eu, sentada numa manhã de domingo pensando sobre um garoto que de poucas coisas, eu só conhecia seu nome, que estava se formando e que já teve uma namorada chamada Amanda. Isso era até razoável, mas só de pensar nisso me fazia embrulhar o estômago.
Minha mãe certamente me daria um sermão por ter deixado um homem me encantar assim sendo um desconhecido, brigaria comigo por ter deixado um homem entrar no apartamento de America estando sozinha. Ela me repreenderia por ter deixado que ele me enfeitiçasse ao ponto de me entregar por inteiro, algo que eu nunca tinha tido o gosto e feito antes. Eu não podia contrariá-la, era verdade, Landom era um desconhecido, mas Scott era meu melhor amigo, eu sabia tudo sobre ele e no que deu? No fim, conhecê-lo tão bem não fez com que ele se apaixonasse por mim, fez com que eu perdesse meu primeiro namorado e meu melhor amigo.
– Eu não queria gostar dele tanto assim. – murmurei com a cabeça enterrada nos meus braços para Sierra e America.
– Nós sabemos disso, lady Bella. – America se levantou e acariciou meu cabelo. – Mas é inevitável. Uma escritora desconhecida disse uma vez que é tão fácil amar alguém quanto respirar, mas dói o suficiente para chorar.
– Quem foi que disse isso? – eu a olhei pelo canto de olho.
– Eu não sei bem qual o nome dela. – ela me respondeu. – Ela não é famosa, mas tem razão. Amar é fácil demais, só espero que dessa vez você não se machuque.
Eu também, disse para mim mesma.
– Mas agora, — Sierra se levantou do seu assento. – Você precisa de um banho relaxante porque daqui a pouco vamos almoçar com Candice, Kayle, Paul e Tate.
– Okay. – murmurei rastejando-me do assento e me colocando de pé.
– Fique feliz, nada de ruim irá acontecer.
– Eu espero, Am.
Caminhei em direção ao quarto que comumente eu ando dormindo quando venho para o apartamento e peguei minha toalha para seguir em direção ao banheiro.
Kayle tinha mudado completamente seu armario, agora nada de calças jeans rasgadas e justas demais, ele trocou blusas como Mother Monster e I Really Don’t Care And I’m Gay por blusas de bandas de rock, camisas de botões e algumas horas extras na academia para deixá-lo mais sexy do que era quando ainda tinha certeza que um dos meus melhores amigos era gay. Após o almoço e a volta a rotina tentando entender algumas coisas complicadas de economia, recebi um “sinto sua falta” do Landom no celular. Eu estava me segurando para não enviar outra novamente, mas Sierra me fez prometer que não me entregaria profundamente nisso com Landom. Nisso, porque eu não tinha certeza o que estávamos fazendo ou o que éramos na verdade. Era uma grande interrogação.
Acordei duas horas antes de Candice, o dia estava nublado porque ainda não passava das sete horas. Andei em direção ao banheiro do quarto da faculdade juntamente com a minha nécessaire. Tomei uma ducha ligeira agradecendo pela opção de agua quente e escovei os dentes logo depois. Vesti jeans e uma blusa de mangas compridas cinza com alguns botões na parte superior dos seios. Calcei meus vans e peguei minha bolsa, o marcado com o Sr. Foward era as sete e meia em ponto.
Quando fechei o quarto atrás de mim sabia que estava muito adiantada, por isso resolvi esperar na sala de estar desse andar por Landom, eu prometi que o esperaria para descobrir o que tanto ele precisava falar comigo. Temi que fosse sobre alguma coisa relacionado a sua formatura, se ele tinha aceitado uma proposta longe daqui, eu poderia pensar em tantas coisas e sofrer por isso, não ia suportar ter que dizer adeus, eu não podia e sabia que não podia negar as circunstâncias, eu não iria largar minha faculdade por ele, isso não era apenas errado, também fazia parte de uma Isabella que eu não conhecia se caso fizesse. Era todo essa bolha de problemas que me deixava cada vez mais angustiada. Quando olhei para meu relogio e faltavam dez minutos para as sete e meia, decidi que não podia esperar mais o Landom, eu tinha que chegar em ponto na sala do Sr. Forward, afinal, era nossa primeira reunião.
Puxei minha bolsa do assento para meu ombro e peguei a escada para descer até o andar debaixo, onde a sala do diretor e dos professores ficam, entre um corredor e outro, eu já tinha estado duas vezes aqui, uma com Sr. Agirre, America e Allison, e a segunda com meu pai. Já tinha decorado cada detalhe desse lado da faculdade que não fiz esforço para achar uma entrada e encontrar a primeira porta do diretor Owen, depois disso, no fim do corredor, a ultima sala que se tratava do Sr. Forward,
Eu olhei ansiosamente para meu relógio e vi que estava quatro minutos adiantada. Eu tinha encontrado quinze alunos despertos nos corredores que passei, o restante ou estaria dormindo nos seus quartos ou acabando de acordar ou se recuperando do final de semana, uma boa parte teria usado os dias livres sem testes para festejar, como bem conheço. Bati na porta três vezes, meu coração acelerado, eu tinha me encontrado uma vez com o Sr. Forward depois do diretor Owen ter tido uma conversa com ele sobre as minhas aulas, mas eu não tinha estado sozinha, estava esperando-o na sua sala com alguns alunos dentro dela, agora era bem diferente, estaríamos na sua sala fechada. Isso me deixava não apenas nervosa, mas em estado de pânico, eu não me dava bem nessas situações.
Depois das três batidas, ouvi uma cadeira se arrastando no piso e passos lentos, até que a porta foi destrancada e um senhor de cabelos grisalhos e olhos escuros atrás de um óculos redondo apareceu.
– Bom dia, Srta. Boehm. Entre. – sua voz era grave e não ajudava com meu ataque de pânico.
Entrei silenciosamente sem demonstrar que estava tremendo, agradeci por ultima hora ter pego aquele casaco, pelo menos tinha onde enfiar minhas mãos tremulas. A sala do Sr. Forward era repleta de quadros de familia, retratos seus com sua mulher e suas duas filhas, eu não as conhecia, mas eram um pouco mais novas do que. Além disso, era decorada com pouca coisa que podia considerar bonita, a maioria estava relacionado a caixas enormes cheias de papeis e pastas, umas esculturas pequenas e estranhas de madeira e granito, exceto por um Bonsai, uma réplica de uma árvore em miniatura cultivada no Japão, a única parte da decoração que era charmosa e expelia vida.
– Sente-se. – Forward apareceu detrás de mim e se sentou na sua cadeira preta de couro.
Rapidamente, fiz de uma cadeira vermelha de estofado fofo meu assento.
– Owan me avisou que estaria na minha sala a hora que eu desejasse. – ele começou sem ainda olhar nos meus olhos. – Fiquei surpreso estar em ponto aqui, não sei se isso a faz uma pessoa pontual ou engraçadinha.
Minha boca estava seca e parecia que um nó gigantesco formava dentro da minha garganta.
– Desculpe, Sr. Forward. – pigarreei. – Costumo ser pontual quando não surge um problema no caminho.
Ele fez que sim com a cabeça e ajeitou uma boa quantidade de papeis ao seu lado. Poderia dizer que ele era perfeccionista.
– É, eu entendi. – ele disse calmamente. – Owen me contou do seu ultimo transtorno. Eu não deveria me sensibilizar com isso, Srta. Boehm, existem muitas garotas da sua idade nesta faculdade que passam por problemas ainda mais complicados que o seus.
Tremulei, minha pele quente de vergonha.
– Mas coincidentemente no dia que você faltou ao teste de economia e estatísticas, eu faltei ao meu dia de trabalho na faculdade para cuidar da minha filha mais velha que estava esparramada na sala da minha casa segurando um balde em suas mãos depois de embriagar-se na noite passada. Ao mesmo tempo que segurava seus cabelos e torcia para que ela não desmaiasse por não ter tido tempo de comer nada logo cedo, ela chorava incontrolavelmente por ter descontado na bebida o término com seu namorado. Ela tem só dezessete anos e estava chorando como se fosse o fim da sua vida.
Sr. Forward olhou para mim sem nada objetivo, seus olhos eram os mesmos, não demonstravam dor e nem intolerância, ele estava relaxado.
– Desde que a minha mulher morreu num acidente ano passado, tenho me esforçado para compreender a sensibilidade feminina.
Meus olhos vacilaram.
– Sinto muito, professor. – disse baixinho. – Por sua perda.
Sr. Forward balançou a cabeça na minha direção.
– Obrigado. – ele cruzou os braços. – Ela faz muito falta. Percebi que homem nenhum consegue entender uma mulher, principalmente as mais jovens. Minha filha estava chorando por um garoto qualquer e tinha certeza que ele ainda estaria deitado na sua confortavel cama sem se importar com a minha filha.
Ele se silenciou por um rápido segundo.
– Eu entendo seus problemas, Isabella, talvez para a maior parte das pessoas ele pareça futil, mas nunca vamos entender as inumeras formas de dores que algo futil ou mesmo tão simples pode fazer nas pessoas. Por isso eu aceitei que você tivesse um tutor, se a minha filha tivesse perdido um teste por estar quase desmaiando de sofrimento na sala da minha casa, eu imploraria que o professor dela a desse uma nova chance. E eu estou lhe dando.
Eu não deveria sorrir, principalmente depois de ouvir algo tão particular vindo de um dos professores mais profissionais da faculdade, mas eu o agradecia profundamente.
– Obrigada, Sr. Forward, eu fico muito feliz por ter me dado uma nova chance para mostrar que posso melhorar.
– Eu sei que pode, seu histórico escolar é perfeito, Srta. Boehm. – Forward se recuperou rapidamente do ligeiro momento de sinceridade e intimidade. Ele segurava agora uma pasta branca nas mãos. – Boas notas, recomendações de professores e do diretor, fez parte de muitas aulas profissionalizantes, aulas extras e terminou o ensino médio com honras, não haveria outra forma se não te dar uma chance, você não apenas era, mas pode ser também aqui, uma das nossas melhores alunas.
Eu corei, surpresa com seus elogios.
– Eu estive conversando com alguns antigos alunos meus que fazem tutoria na faculdade enquanto estagiam em impresas famosas, como a do seu pai. Tenho um aluno que ofereci ao Sr. Boehm alguns meses atrás, antes da sua entrada na faculdade, para estagiar na empresa dele, trabalhando com plantas de edificios e ampliamento de negocios, ele ainda não estava formado quando eu o ofereci, mas agora que tem as portas abertas, seu pai aceitou rapidamente minha dica.
Se o Sr. Forward não percebeu, estava muito surpresa, meu pai não me falou que estava estagiando alunos de Silsvilly na sua empresa, na verdade, isso nunca passaria na minha cabeça, Eu não podia ser hipócrita, normalmente nunca falávamos sobre a empresa e poucas vezes ele me perguntou qual faculdade eu tinha escolhido depois da separação porque normalmente eu estava evitando falar muito sobre a minha vida, eu ainda tinha um pouco de mágoa dele já estar casado com outra mulher.
– Eu tive horarios livres no começo desse ano, mas foram totalmente preenchidos com as minhas filhas, você deve me entender, eu estou sozinho com duas adolescentes de ensino médio. E não sou mais jovem, tinha prometido ao Sr. Owen que cuidaria de você eu mesmo, mas surpreendemente, um dos meus ex alunos favoritos decidiu aceitar minha proposta de tutoria, então já que ele estava livre, eu o ofereci. – Forward guardou a pasta banca que suspeitei ter detalhes sobre meu histórico escolar.
– Já posso saber quando começarei minha tutoria? – eu perguntei depois de um tempo.
– Sim, quanto mais cedo melhor. Você está livre nesse horário da manhã?
– Eu tenho até as nove horas livre e depois disso as cinco horas da tarde.
– Ah, isso é ótimo. – Forward se levantou. Eu fiz o mesmo. – Deixei com o Sr. James toda sua ficha de assuntos e seu cronograma. Pegue esse passe para você conseguir passar pela. Sra Simon.
Ele me entregou o papel amarelado quando se moveu para meu lado, parando a minha frente. Forward era algumas cabeças maior que eu.
– Eu mandei um recado para seu tutor que a esperasse na biblioteca, achei que estaria livre pelo menos para os reconhecimentos, eu teria chamado-o aqui, mas tenho que preparar uma aula para as oito horas, e tenho só quinze minutos para isso. – ele encostou seu braço direito sobre meu ombro. – Não me decepcione, Srta. Boehm. Estou depositando minhas fichas em você.
Eu sorri em agradecimento.
– Obrigada novamente, professor, eu não irei.
Eu acenei para ele antes de partir. Segurei minha bolsa em volta dos ombros e suspirei de alivio, achei que essa reunião seria mais tensa, mas agradeci pelo rumo relaxado que ela tomou e pelo Sr. Forward ter confiado em mim. Dobrei o corredor e me peguei pensando se Landom ainda estaria atrás de mim, por isso peguei o celular e lhe mandei uma mensagem:
Eu não pude te esperar, eu tinha a reunião com o Sr. Foward e você estava demorando. Consegui meu tutor. Alguém chamado James, você conhece? Estarei na biblioteca para conhecê-lo, se você quiser me contar o que pretendia me dizer, estarei livre um pouco antes da minha aula as nove horas. – Bella.
Enviei esperando por uma resposta, mas quanto mais me aproximava do prédio onde a biblioteca se encontrava, mais me conformei que Landom não tinha visto a mensagem. Dobrei em alguns corredores e a movimentação na faculdade aumentou, estava quase perto das oito horas e algumas aulas já estariam perto de começar. Dobrei a ultima direita e entrei no corredor da biblioteca, uma das portas também a direita. Eu já estive aqui uma vez com Kayle, mas sempre me assustava com a grandiosidade dela, as enormes prateleiras que quase tocavam o teto, as cores vintage também e algumas mesas que se escondiam lá trás, longe das janelas e de iluminações fracas. Passei pela balconista e mostrei meu horário livre que o Sr. Forward me entregou antes de ir embora avisando que eu tinha passe para estar aqui.
– Você viu alguém chamando James por aqui? – eu perguntei para uma senhora de quarenta anos e cabelo cor de fogo.
– Na mesa lá trás. – ela apontou depois de checar meu papel.
– Obrigada. – sorri cordialmente.
Afastei-me e ultrapassei o primeiro ninho de prateleiras, direita, esquerda, outra esquerda, outra direita, as prateleiras se encontravam como um emaranhado de fios, cama de gato. Ultrapassei algumas vezes e peguei as costas da única pessoa que estava ali atrás.
– Sr. James? – quase gaguejei. – Sou Isabella Boehm, sua aluna de tutoria.
Os ombros eram coincidentemente largos como alguém que eu conhecia, os cabelos eram negros e volumosos. Quando me aproximei e o Sr. James se levantou, eu fiquei confusa.
– James. – ele sussurra e para à minha frente. – Era o nome do meu pai.
– Landom? – gaguejei finalmente conseguindo voz para confrontá-lo.
– Sim, sou eu. Seu novo tutor de economia.
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