Insane

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá mais uma vez meus leitores lindos! Saudades de vocês.

Sempre fui fã de lugares "assombrados, abandonados, essas coisinhas cheias de mistério. Tenho essa história guardada a muitooo tempo e hoje, sem motivo e sem explicações, decidi postar. Precisa ainda de alguns ajustes e algumas idéias, mas vou dividi-la com vocês. Espero que gostem

Beijinhos

Levanto de minha cama e caminho até a minúscula janela com grades. Ah, que noite bonita, o céu em uma mistura perfeita de roxo e azul escuro, salpicado por nuvens que agora parecem negras, raras vezes a Lua parece tão grande e cheia. Um súbito vento sacode meus cabelos loiros, cortados de forma desleixada na altura dos ombros. Volto a me deitar, mas simplesmente não consigo dormir, então começo um jogo de perguntas que inventei quando era muito pequena e precisava a me costumar a dormir nesse cubículo. Quem eu sou? Eu sou Anabelle Collins. Onde estou? Hospital psiquiátrico de Waverly Hills, no topo de um morro gigantesco, cercado por uma floresta bem densa de pinheiros. Quantos anos eu tenho? Dezesseis, estou aqui a nove. Por que? Minha mãe me deixou aqui, alegando que em um surto psicótico eu matei uma garota com quase o triplo da minha idade e tamanho, mas na verdade minha mãe a matou, depois de vê-la beijando meu padrasto. Papai? Morto no incêndio da minha antiga casa quando eu tinha três anos...

Estou acostumada ao meu cubículo, paredes cinzas que um dia foram brancas, minha querida janelinha com grades, um banheiro onde não serve mais de uma pessoa, com só um vaso sanitário e uma pia cinzentinhos. O hospital, a direção é péssima, a quantidade de funcionários é minúscula e os menos insanos cuidam dos mais insanos. Não deixamos ninguém morrer.

Estou na ala de “assassinos”, o corredor mais esquecido e distante, quem vai querer conviver com assassinos? Dos dez quartos, só cinco são ocupados. A primeira cela do corredor é ocupada pelo que eu acho ser um homem, desde que eu me lembro ele esta constantemente na camisa de força e com uma espécie de focinheira que cobre todo o rosto, deixando só um espaço para os olhos e as narinas, nunca foi tirado do quarto, não sei porque, não tem nome e na falta de identificação o chamamos de “O Preso”.

Ao lado, um lunático chamado Renfield, é quase sempre tirado do quarto mas as vezes começa a comer animais vivos, aranhas, baratas, formigas, já chegou a comer pombas, mesmo mal conseguindo cuidar de si mesmo ele se esforça em cuidar do Preso, alias ele é o único que consegue entrar na cela daquele protótipo de Hannibal sem ser atacado.

Três quartos depois, Molly, a que abre as portas de manhã, uma “louca assassina” que abre as celas dos outros “loucos assassinos”. Baixinha de cabelos avermelhados cortados ainda mais desleixados do que os meus na altura do queixo. Molly chegou antes de mim e mesmo não sendo de conversar, em um dia de bom humor, ela me contou que chegou até o hospital porque quando tinha seis anos, a mãe dela saiu e a deixou cuidando da irmãzinha mais nova, Molly acabou dormindo no sofá e a irmã se afogou no rio que passava perto da casa, enfurecida a mãe a mandou para o hospital. A única pessoa com quem ela conversa abertamente é Edward, um rapaz extremamente simpático da ala de esquizofrenia. Ele realmente é esquizofrênico, mas você levará tempos para notar isso.

Mais duas celas e está Peny, só veio parar nessa ala porque a ala infantil estava cheia quando ela chegou e depois de um surto de varíola que quase zerou a ala infantil, esqueceram ela aqui. Creio que ela tenha uns dez anos, passa o dia cantarolando, admito que quando ela chegou me irritava muito, mas agora tenho que me esforçar pra ouvir sua vozinha infantil.

E aqui na ultima cela, estou eu.

—Acorda Anabel!

Molly. Sempre que eu vou dizer bom dia ela já foi embora. Levanto-me e pego as chaves que Molly jogou no chão depois de abrir minha porta, caminho tediosamente até o banheiro e faço minha higiene, o dia esta tão bonito quanto à noite. Vou ao quarto do lado, destranco a porta, Peny esta dormindo com o braço para fora da cama, puxo a coberta de seu rosto e depois de piscadas pesadas seus olhos castanhos se abrem completamente, seus longos cabelos negros estão completamente desalinhados:

—Bom dia pequenininha. — a levo até o banheiro, segundos depois ela sai, menos descabelada e já cantarolando. Caminhamos até a cela de Renfield, ele este sentado na ponta da cama, balançando os pés, sinal de sanidade, quando esta surtando ele senta no canto oposto de quarto e pode ficar lá por horas:

—Bom dia Ren! Como está se sentindo?

—Bom dia senhorita Collins! È sempre um prazer revela. Me sinto particularmente bem esta manhã, mais que bem alias. E a senhorita?- ele se levanta e caminha até a porta quase saltitando.

—Estou bem. Quer sair?- chacoalho as chaves enquanto tento desviar de Peny que gira freneticamente a minha volta cantando “A musica do dia feliz”.

—Nada me deixaria mais feliz! Estou nesse tenebroso cubículo há tempos! Mares de tempo!- como se ele não saísse todos os dias. Abro a porta e ele sai, imediatamente faz uma reverencia pra mim e carrega Peny e a rodopia no ar. – Vejam só se não é a adorável e pequenina criança do penúltimo quarto, como esta passando querida?

Peny e meu lunático favorito caminham de mãos dadas enquanto cantam “a canção do reencontro”. A canção já me parece quase inaudível, mas creio que estou cantando junto “Olá meu velho amigo, que saudades de você, tempos se passaram, mas não consegui te esquecer,...” caminhamos até o refeitório, um grande salão amarelado cheio de mesas velhas, tomamos nosso eterno café da manhã composto leite, pãezinhos velhos e maçãs da macieira do jardim. Seguimos para os banheiros onde nos separamos de Ren, um dos lugares mais velhos, uma longa fila de banheiras com chuveiros que nem sempre esquentam, os azulejos acredito que tenham sido brancos. Tomo meu banho, como as banheiras velhas e meio enferrujadas são perigosas ajudo Peny, vestimos nossos clássicos uniformes, macacões largos feitos de algodão bege e camiseta branca, penteio meus cabelos e luto contra os longos fios negros da menininha, depois a deixo na “área de lazer”. Pego um prato com café da manhã e acompanho Renfield até a cela do Preso, costumeiramente deitado no chão em posição fetal, mas hoje ele treme levemente sinal de que não esta em um bom dia. Destranco a porta e deixo Ren com ele, mas me sento do lado de fora da cela em caso de um dos dois resolver fugir, Preso tentar matar Ren ou Ren tentar devorar o Preso...Até hoje nada disso nunca aconteceu. Cochilo um pouco até o barulho da porta abrindo me acordar. Ren sai segurando roupas sujas e o prato vazio. Voltamos para a ala de lazer enquanto ouço uma pequena palestra do meu lunático sobre como as borboletas monarca tem bom senso de direção.

Ah que lugarzinho mais peculiar é a ala de lazer. Um grande salão esverdeado cheio de cadeiras, um radio que as vezes funciona, uma estante com alguns jogos de tabuleiro faltando peças e alguns brinquedos velhos. Algumas velhinhas loucas conversam, uma moça ruiva fala animadamente com uma cadeira, um velhinho lambia uma xicara, um rapaz moreno vestido em uma camisa de força se equilibrava sentado sobre uma cadeira de pernas frouxas, Dinah uma velha de cabelos laranja, que acha ser uma estrela de Hollywood, cantava e tocava em um “piano invisível” ao lado de Peny. Conheço todos eles há muito tempo e sei que são tão loucos quanto inofensivos... Menos Mike, o da xicara, ele lambeu meu olho uma vez.

—Com sua licença, senhorita. –Renfield se despede e corre até o gramado e joga-se nele como se fosse um colchão macio.

Caminho até a cozinha e vejo Edward sovando uma massa que eu acho que é de pão e Molly esta sentada sobre o balcão comendo uma maçã. Corro e me jogo na ponta do balcão e deslizo até Molly, batendo de leve em seu ombro.

É bem visível que Molly é apaixonada por Edward, mas é entendível. Além de gentil e muito simpático ele é provavelmente uma das pessoas mais bonitas que eu já vi. Incrivelmente alto, cabelos castanhos claros que formam um topete sutil, expressivos olhos verdes. Apesar de o uniforme parecer horrível na maioria de nós, ele fica ótimo em Edward que mantem uma das alças do macacão sempre solta, o que parece dar um charme a mais.

—Estão dizendo que a Diretora Margareth vai sair do setor pago e nos fazer uma visita, vamos ver a cara daquela mercenária pela primeira e talvez ultima vez na vida.

—Ah Ed, eu duvido, por que ela vai sair da ala particular pra vir pra essa ala estadual quase abandonada?-Molly finalizou com um mordida na maçã que segurava já fazia tempo.

Existem dois hospitais, separados por um grande muro de pedras, o particular, cheio de enfermeiras, remédios, comidas de qualidade e verbas, com quase 500 leitos. Do outro lado do muro...Nós! um hospital decadente e fim de carreira com menos de cinquenta pacientes e dez enfermeiros. Esse já foi um grande hospital, mas isso foi no tempo da tuberculose, depois que ela foi praticamente erradicada, tudo aqui desceu ladeira abaixo.

—Talvez pra descobrir porque um quinto da comida do setor pago desaparece. – Ah, eu me esqueci disso, não temos verba para comida direito, então de manhã uma vez por semana antes de descarregar a comida no hospital particular, Will, o empregado que dirige o caminhão de alimentos, acidentalmente derruba umas caixas no nosso portão.

Ed joga a massa sobre a tabua de sova e se curva sobre Molly e da uma mordida na maçã dela, quase fazendo os narizes se tocarem, um tanto quanto romântico.

—Aposto que ela nem sabe desse tipo de coisa, Will sempre desviou comida pra gente, ninguém nunca descobriu...E é comida, não temos culpa!

—Pode ter uma primeira vez pra tudo Anabel.- Ele fala mais pra Molly do que para mim.

Não sei se acredito que veremos alguém importante nesse hospital mas...Só nos resta esperar.

Notas finais
Espero que tenham gostados. Deixe sua opinião e me diga se acha que algo pode ser mudado ou de alguma ideia.
Até o próximo capítulo.

Beijinhos sabor chocolate.