Notas iniciais
Para ninguém se perder, essa história é contada em um formato diferente. As partes entre "aspas" e itálicas, explicando, fazem parte do interrogatório filmado pelo investigador da história, que não é alguém tão importante.

Existem duas forças universais capazes de mudar tudo e fazer coisas extraordinárias para defender seus interesses: o amor e o ódio. Se engana quem pensa que o amor é doce, sútil e inocente; quem diz que o ódio é sempre ardente, sem seus momentos de fragilidade, comete o mesmo erro. Essas duas grandezas podem nos impulsionar a fazer verdadeiras loucuras, mostrando o melhor e o pior de nós. Até onde alguém é capaz de ir por quem ama? E por quem odeia?

O colégio Manfred Neüer é o maior e mais caro de São Paulo e, muito provavelmente, do país. É uma construção com aspecto antigo, que guarda velhos costumes europeus e assume uma posição ao máximo conservadora. Lá estudam os filhos dos mais importantes e endinheirados ícones paulistas, que procuram um lugar íntegro e confiável para colocar seus possíveis herdeiros. Era a maior referência nacional em educação e segurança, antes de um incidente deixar uma mancha permanente em sua reputação: uma mancha de sangue.

...

Eram exatas seis horas da manhã quando Branca acordou, com a estranha sensação de que alguma coisa estava faltando. Ao abrir os olhos, ela esticou seu braço para o lado e lembrou-se de que seu marido já não estava mais ali àquelas horas. A mulher rapidamente saiu da cama e foi para o banheiro, fazer sua higiene matinal.

Após o banho, devidamente revigorada, Branca colocou seu vestido formal-básico branco, com um colar de pérolas e seus brincos adorados. Calçou seu salto alto e passou uma maquiagem nêutra no rosto, para cobrir as olheiras que a perturbavam naquela manhã.

Estava tudo de acordo com a rotina, até Branca olhar pela janela e ver Luana, sua filha mais nova, entrando na caminhonete preta e dando ordem ao motorista para seguir, ela de mochila e o uniforme escolar. Era nítido que Luana estava indo para a escola, mas uma coisa estava errada. Olhando no relógio, ainda eram seis e meia da manhã e, mesmo considerando que sua casa era afastada da cidade e levava uma média de trinta minutos para chegar ao Neüer, a aula começava em uma hora e meia.

Instintiva, Branca foi ao quarto de Verônica, sua filha mais velha, e viu que a jovem também não estava ali. Era possível que as duas tivessem ido para a escola juntas, mas algo ainda não se encaixava. Ignorando essas estranhas sensações, Branca desceu as escadas até a garagem para ir trabalhar e novamente sentiu aquela coisa desagradável. Ao abrir a porta, viu uma garrafa de cerveja estilhaçada no chão, marcas vermelhas e alguns objetos desordenados. O carro de Olavo estava ali, com várias marcas e arranhões.

O coração de Branca estava acelerado e, mesmo com medo do que veria, deu alguns passos à frente e viu a cena mais estarrecedora de sua vida: Olavo, seu marido, de bruços no chão com um tapete de sangue por baixo de seu corpo e o celular caído ao lado de sua mão. Seu marido estava morto.

...

Na escola Manfred Neüer, as aparências eram prioridade. Um pai havia ligado para o colégio e notificado que seu filho não aparecera em casa naquela noite, sem dar notícias. Não coincidentemente, ao telefonar para o colégio das filhas, Branca fora avisada que Verônica não estava lá. Para agravar ainda mais a situação, o garoto desaparecido era Renan, uma figura que a filha de Branca conhecia muito bem.

Decididos a solucionar logo o caso dos dois adolescentes e saber se o paradeiro dos dois tinha alguma relação, foram convocados alunos do terceiro ano do ensino médio, das turmas de Renan e de Verônica. Um de cada vez, esses alunos foram interrogados diretamente por investigadores da polícia que, após ouvir o depoimento curto de Branca, decidiram cuidar também do caso na escola. Todos os depoimentos foram gravados e compactados, para serem estudados com calma posteriormente.

"Investigador: Muito bem. Ao ouvir o sinal, diga seu nome completo e idade.

Diego: Diego Cadori, 17. Não sei o que aconteceu, mas não fui eu.

Investigador: Responda apenas o que lhe for perguntado, sr. Cadori. Qual é sua relação com os alunos Verônica Albertoni e Renan Oliver?

Diego: Eu sou amigo da Vè, mas não converso muito com o Renan... aconteceu alguma coisa?

Investigador: O senhor está ciente do desaparecimento dos dois?

Diego: Hã... desaparecimento? Olha, adolescentes costumam dormir fora de casa, não acho que seja uma coisa tão preocupante.

Investigador: Os pais dos dois deram falta de roupas, dinheiro e objetos pessoais deles, isso é uma coisa 'tão preocupante'. Agora me diga como era o relacionamento dos dois, se eles tinham algum. E não minta.

Diego: Ok... A Verônica ama ele, tanto quanto ama a mãe e a irmã dela. E eu sei que ele retribui. É isso."

"Investigador: Nome completo e idade, por favor.

Ingrid: Ingrid Bittencourt, 16. Por que eu estou aqui?

Investigador: Nós temos algumas perguntas para lhe fazer sobre sua colega, Verônica Albertoni, e Renan Oliver. A senhorita foi notificada sobre o desaparecimento deles?

Ingrid: Ah, é isso... Bom, eu não sou amiga da Verônica e não estudo com o Renan. Melhor chamar outra pessoa.

Investigador: Como era a relação de Renan e Verônica?

Ingrid: Em uma palavra: turbulenta. O padrasto dela detesta ele, os dois estavam namorando sem ele saber. A verdade é que a Verônica fica com ele pra manter a popularidade dela alta na escola. Ela é superciumenta, sufoca ele. Já o Renan... ah, o Renan é um tipão, não sei o que viu nela.

Investigador: E como era sua relação com ela?

Ingrid: Eu nunca dei a mínima pra ela, mas ela sempre me odiou. A verdade é que ela não suporta o fato de eu ser muito mais popular do que ela. E mais bonita, é claro."

"Breno: Breno Avelar, 17. E, sobre o que a Ingrid falou, não é verdade. A Vê é muito mais bonita e estimada do que ela.

Investigador: E sobre o garoto?

Breno: É... ele já é outra história. O Renan é o cara mais possessivo que eu conheço. Ele já me atacou aqui na escola, tudo por ciúmes da Verônica. Pode perguntar para a Isabele, ela viu tudo. Sorte que eu me garanto com ele."

"Isabele: Na verdade, não foi bem assim. O Breno morre de medo do Renan, mas também odeia ele. E o Renan não é violento. Eu posso garantir que ele nunca elevou o tom de voz com a Vê... quase nunca.

Investigador: Quase?

Isabele: Todo casal discute, né? Mas os dois se amam, isso ninguém pode negar. Quando eles começaram a namorar, ele fez questão de ir conhecer os pais dela, mas o padrasto da Verônica despachou ele.

Investigador: Por que?

Isabele: Ah, é que o dr. Olavo é como um pai pra Verônica e pra irmã dela. No caso, um pai bem ciumento. Os dois acabaram discutindo de cara e ele proibiu o Renan de se aproximar da Verônica.

Investigador: E ele cumpriu isso?

Isabele: É claro que não. Os dois continuaram se encontrando aqui na escola, e eu, o Diego e a irmã dela fomos ajudando do jeito que dava. Mas, cá pra nós, eu não confio muito naquela Luana, não. Ela é bem esquisita."

E foi ao citar o nome de Luana que Alfredo, o diretor da escola, se lembrou de ir na turma da garota avisar que ela estava dispensada da aula. Ficou para ele a delicada missão de dar a ela a notícia sobre a morte de Olavo, e ele passou boa parte do trajeto ensaiando o que dizer para não a desesperar. Se mantendo calmo, o homem de 54 anos chamou Luana em sua sala e a levou até o meio do corredor, respirando fundo e pegando em seu ombro antes de notificá-la.

– O que foi? — ela perguntou, notando o comportamento de Alfredo. — Sr. Pascoal, aconteceu alguma coisa?

– Aconteceu, e você terá que ser muito forte nesse momento. Os investigadores queriam falar com você, mas acho que essa não é uma boa hora...

– Investigadores, boa hora... o que está acontecendo?

– Sua irmã, Verônica, ao que parece desapareceu com um namorado. Mas essa não é a notícia que eu preciso lhe dar. — ele disse, respirando fundo. — Seu padrasto foi encontrado morto hoje de manhã. Na garagem de sua casa. Sua mãe está lá fora te esperando. Pode ir quando quiser.

Alfredo saiu dali e deixou Luana sozinha no corredor. Ela permanecia estática, olhando para o vazio e digerindo tudo o que o diretor havia dito a ela. A polícia já estava investigando não só o paradeiro de Verônica e Renan, mas também a morte de seu padrasto. Aquele punhado de informações transportaram a mente da adolescente de 15 anos por alguns minutos, até ela recobrar a consciência e andar para fora da escola.

Branca a esperava do lado de fora e, quando foi tentar dar um abraço compadecido na filha, a garota se esquivou e entrou no carro, sem trocar uma palavra com a mãe.

"Investigador: O que você sabe sobre o relacionamento do sr. Olavo Albertoni com os dois?

Breno: O padrasto da Verônica não gostava do Renan, e eu dou toda razão. É verdade que ela estava namorando escondido, mas eu não acho que ela desrespeitaria o dr. Olavo a ponto de fugir com aquele inconsequente.

Investigador: O que você está sugerindo?

Breno: O óbvio. O Renan deve ter obrigado ela a sumir com ele. Eu conheço a Verônica, ela nunca deixaria a família dela por um motivo tão bobo."

"Isabele: A Verônica não falava muito comigo sobre o padrasto dela. O que eu sei foi o que eu descobri. Nós somos muito amigas, mas ela nunca gostou de falar sobre a família dela. Acho que o Diego pode saber de alguma coisa."

"Diego: Normal."

Enquanto isso, durante o intervalo no último reservado do banheiro masculino, Kyoma Liao, estudante do segundo ano, ouvia com seus fones o interrogatório que estava sendo feito com o terceirão, por meio de um dispositivo que ele havia implantado na sala do diretor durante sua ausência. Filho de pais chineses que trabalhavam com tecnologia em diretórios policiais internacionais, Kyoma tinha acesso a todo tipo de tecnologia de ponta, e não era afirmativo dizer que ele usava isso para o bem.

Considerado invisível pela escola e incrivelmente inteligente pelos profissionais dela, Kyoma mantinha sua identidade secreta de "Espantalho Jack" nas redes sociais, com um site onde divulgava tudo o que acontecida dentro da Manfred Neüer. O site, www.neuerespantalho.com, era o mais visitado pelos alunos do colégio. Mas isso, é claro, não significava que ele era adorado pela região.

Muitos alunos da Neüer odiavam o Espantalho por suas postagens invasivas, principalmente contra os próprios estudantes. Dentre suas postagens mais acessadas, estavam as gravações que ele fazia eventualmente no vestiário feminino, uma transa filmada na sala dos professores e vídeos e montagens ofensivas contra alunos do colégio Neüer. Mesmo assim, uma parcela o achava simplesmente genial, principalmente quando beneficiava os estudantes com gabaritos de provas e matérias denunciando algo que desagradava a todos.

Kyoma passou todo o intervalo editando o áudio para fazer a postagem no NeüerEspantalho, enquanto tentava decifrar o que os estudantes diziam e transformar aquilo em uma opinião concreta.

No corredor em frente à sala do diretor, Diego, Breno, Ingrid e Isabele permaneciam sentados nos assentos que os deixavam de cara com a porta da bendita sala onde os interrogatórios eram feitos. Por alguns minutos, todos permaneceram em silêncio, olhando para o chão e pensando em algo coerente para se dizer naquele momento.

– Está demorando. — Isabele comentou, nitidamente ansiosa.

– Não entendo o porquê da polícia aqui. Será que eles morreram? — Ingrid palpitou, desinteressada.

– Será que você consegue calar a boca? — Diego retrucou, impaciente.

– Espero que encontrem eles logo. — Breno afirmou. — Por que a Vê largaria a família dela, as coisas dela, a vida dela e fugiria com um mané daqueles?

– A Mari e o Renan se amam, Breno. Mas é claro que você nunca vai saber o que isso significa. — Isabele respondeu, defensiva.

– Nossa, depois dessa eu acho que vou vomitar arco-íris. — Ingrid debochou, ainda desanimada. — Tá na cara que essa garota só está fazendo uma mídia. Daqui a pouco ela aparece, bêbada e cheirando a esgoto.

– Essa aí é você. — Diego replicou, segurando a enxaqueca. — Agora dá pra ficar quieta?

Quando a porta da diretoria se abriu e Alfredo os encarou, todos cessaram instantaneamente. O diretor chamou um aluno de cada vez, os deixando a sós com o investigador, que noticiava um por um sobre a morte de Olavo Albertoni.

"Breno: Ele morreu?... A Verônica sabia disso?"

"Ingrid: Morreu como? Com um tiro, espancado, envenenado, partido em pedacinhos..."

"Diego: Morreu? Não, não pode ser. Eu vi ele ontem, estava tudo bem. A dona Branca e a filha dela já sabem?"

"Isabele: Morto. O dr. Olavo está... ele... eu... me desculpa."

Isabele, apática, se levantou e correu para o banheiro, deixando os policiais confusos. Ela passou pouco mais de três minutos lá e, quando voltou, estava vermelha e com lágrimas correndo por todo o rosto.

"Isabele: Por favor, me digam que isso foi um engano. O padrasto da minha melhor amiga, assassinado? Não, isso não é verdade! Meu Deus, como a Verônica vai ficar quando descobrir que o homem que cuidou dela como filha está morto?"

...

"Investigador: Sr. Avelar, você está ciente de que, se tiver mentido em seu depoimento sobre Renan, isso poderá ser usado contra você.

Breno: Eu não menti. Eu juro. Eu... A Verônica tinha um hematoma no braço dela, estava roxo e com marcas de dedos, dedos de homem. Eu me lembro de que, quando eu vi, ela tentou esconder e disse que não era nada, só um acidente. O Renan estava em uma sala ali perto e eu fui lá falar com ele. Ele ficou nervoso, tentou até me bater. Investigador, eu juro que isso é verdade. Ele me disse que, se eu continuasse perturbando ele com aquilo, iria me arrepender.

Investigador: Então ele assumiu a autoria da agressão?

Breno: Não. Mas naquele mesmo dia, depois da aula, eu vi os dois discutindo do lado de fora da escola. Ele começou a gritar com ela, disse que era melhor ela esquecer ele. Se tem uma coisa que eu posso te garantir, é que ele não era o cara carinhoso que a Isabele anda pintando por aí."

"Ingrid: Se eu menti? Sr. Investigador, todo mundo sabe que a Verônica não me suporta. Mas também, pudera. Uma vez ela me viu sozinha no quarto com o Renan, numa social na casa dele. Eu entrei lá só pra conversar com ele, mas ela entendeu tudo errado, ficou louca de ciúmes e aí eles brigaram. De novo."

"Investigador: E o que aconteceu depois que a srta. Bittencourt entrou no quarto do Renan?

Diego: Ele deu outro fora nela."

...

Na casa dos Albertoni, Branca havia acabado de chegar com Luana. A mulher largou a bolsa em qualquer canto e se jogou no sofá, olhando para cima e respirando fundo para descarregar toda aquela exaustão mental. Sua filha estava indo apressadamente em direção às escadas, até ser interrompida.

– Luana. — Branca a chamou, se levantando.

Luana revirou os olhos e deu meia-volta, encarando Branca e andando em passos lentos até ela.

– O que foi?

– Antes de subir, eu quero que você me responda uma coisa. Quando você saiu de manhã, a porta de saída convencional estava trancada. Uma das cópias estava na minha bolsa e a outra, no bolso do Olavo. Luana, por onde você saiu?

– Pela portinha da garagem. — a adolescente respondeu, estranhando a expressão desconfiada da mãe.

– Você esteve na garagem e não viu nada lá?

– Eu estava com pressa, não reparei.

– Com pressa? Você saiu uma hora antes do normal.

– Eu queria chegar na livraria da sra. Do Carmo antes que ela abrisse, pra pegar um livro que eu deixei separado.

– O marido da sra. Do Carmo morreu há dois dias, a livraria está fechada de luto.

– Eu só me lembrei disso quando cheguei lá. Posso subir agora?

– Só troque de roupa e desça, a polícia está vindo para cá. Eles querem fazer algumas perguntas para nós, e concordaram que ficaríamos juntas.

– Tudo bem. Eu vou tirar esse uniforme e já volto.

Luana voltou a andar e, ao subir as escadas, virou sua cabeça para o lado e viu que Branca ainda a encarava com uma expressão desconfiada. A adolescente lançou um sorriso e se virou para frente, voltando a subir as escadas. A cabeça da mulher continuava fixada no comportamento da filha que, há menos de uma hora, sequer falava com ela. O relacionamento de Luana e Olavo sempre fora bom, melhor inclusive do que o das duas. O que Branca conseguia afirmar para si mesma com convicção era que, se Verônica realmente tivesse fugido de casa com o outro garoto, Luana saberia.

Enquanto Branca esperava os investigadores chegarem na sala, olhando constantemente pela parede de vidro do segundo piso, Luana correu em seu quarto e largou sua mochila em cima da cama, trancando a porta de imediato. Respirando fundo, ela foi até sua cômoda e começou a abrir as gavetas, fuçando todos os cantos a procura de algo. Ao notar que não havia nada ali, Luana foi até seu banheiro e novamente abriu todas as gavetas e as prateleiras atrás do espelho, ainda sem encontrar o que procurava.

Luana voltou ao quarto e, sem perder o foco, se abaixou e pegou debaixo da cama uma caixinha de madeira azul clara com a tampa florida que Verônica havia lhe dado anos antes. Ela abriu e despejou tudo o que havia ali dentro, dentre fotos, objetos de sorte e de valor sentimental, deixando tudo esparramado na cama e prendendo sua atenção na caixa vazia. As mãos de Luana foram apalpando o fundo da caixa até sentir um relevo diferente, abrindo o forro de papel que encapava seu interior e tirando de lá uma folha azul clara dobrada. Com o papel dobrado, tudo o que ela via era o desenho de uma meia-lua. Lua era o apelido que apenas Verônica usava para falar com a adolescente, e isso a animou para abrir o papel e ver o que estava escrito.

"Lua,...

Se estiver lendo isso, provavelmente já estou longe. Me desculpa por não falar com você antes, ou te enfiar no fundo da minha mochila, mas eu não podia mais ficar. Prometo tentar reverter esse erro em breve.

[...]"

Notas finais
Quem quer que leia, pode comentar sobre seu palpite: quem matou Olavo. Reforçando o que já deveria estar claro, pode ser qualquer um. Qualquer um mesmo. Kiss, kiss!