O sol do fim de tarde começava a dar lugar a um tom alaranjado sobre o campus da faculdade quando Renesmee e Quim saíram pelo portão principal. Ambas carregavam suas mochilas de livros, exaustas após uma longa jornada de aulas.

​— Nossa, minha cabeça está fervendo com a aula de hoje — comentou Quim, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Preciso urgentemente de uma pausa antes de voltar para casa.

​— Eu também — concordou Nessie com um sorriso cansado. — Vou direto para casa tomar um banho e descansar.

​— Nada disso! — interveio Quim, dando um risinho animado. — O Jacob finalmente se mudou para o apartamento no centro nesta semana. Vamos lá ver como ficou! Ele comprou uns móveis novos e disse que o lugar tem uma vista incrível.

​Ao ouvir o nome de Jacob, o coração de Renesmee deu uma saltada involuntária. As lembranças do quase beijo na sala dele e as advertências severas de seu pai Edward vieram imediatamente à sua mente.

​— Ah, Quim... Não sei se é uma boa ideia — disse Nessie, hesitante, mexendo nos próprios dedos. — O seu irmão deve estar cansado do trabalho, e o meu pai prefere que eu vá direto para casa depois das aulas.

​— Deixa de ser certinha, Nessie! É rapidinho, só para tomar um copo de água e ver o lugar. O Jacob nem se importa, ele adora quando a gente aparece. Vamos, por favor!

​Pressionada pela insistência carinhosa da amiga e movida por uma curiosidade incontrolável que lutava contra seu próprio juízo, Renesmee acabou cedendo.

​Poucos minutos depois, as duas subiam pelo elevador social do edifício no centro de Forks. O andar era silencioso e discreto. Quim tocou a campainha da cobertura e, após alguns segundos, o som de passos firmes se aproximou do outro lado.

​A porta se abriu e o ar fugiu completamente do peito de Renesmee.

​Jacob surgiu na entrada vestindo apenas um short largo de tecido leve. Estava descalço e sem camisa. O peitoral largo, os ombros marcados e o abdômen definido de um homem de vinte e oito anos ficavam totalmente expostos, exalando um calor natural e uma presença física avassaladora. Seus cabelos estavam levemente desalinhados, como se ele estivesse relaxando após o expediente.

​— Quim? Nessie? — perguntou ele, surpreso ao ver as duas ali.

​— Oi, maninho! Viemos conhecer o seu cafofo novo — disse Quim, passando por ele sem cerimônia e entrando no espaço amplo e moderno.

​Renesmee parou na porta por um segundo, o rosto queimando em um tom rubro. Seus olhos castanhos baixaram involuntariamente para o tórax definido de Jacob antes de voltarem rapidamente para os olhos dele.

​— Pode entrar, Nessie — disse Jacob, a voz saindo grave e surpresa. Um sorriso contido e denso surgiu nos lábios dele ao notar o visível constrangimento da jovem. — Não repara na bagunça, ainda estou terminando de desempacotar algumas coisas.

​— Oi, Jake... Licença — murmurou ela, passando bem perto dele para entrar. O aroma masculino de sabonete e o calor da pele dele a envolveram imediatamente, fazendo suas pernas fraquejarem de leve.

​O apartamento era espetacular: uma sala ampla com janelas de vidro que iam do chão ao teto, revelando a copa das árvores e o pôr do sol da cidade. Elas se acomodaram na bancada da cozinha americana enquanto Jacob pegava refrigerantes na geladeira.

​— O lugar é incrível, Jacob! — elogiou Quim, olhando ao redor. — Muito melhor do que ficar rodando aquela estrada de La Push todo santo dia.

​— Nem me fale. Ganho pelo menos duas horas de sono por dia só de estar aqui perto da empresa — respondeu ele, encostando-se na bancada, mantendo os braços cruzados sobre o peitoral desnudo.

​Enquanto conversavam sobre a mudança, o celular de Quim começou a tocar insistentemente sobre a mesa. Ela olhou para a tela e um sorriso bobo surgiu em seu rosto.

​— É o Embry — disse ela, atendendo imediatamente. — Oi, Embry... O quê? Você está aqui embaixo no centro? Sério?

​Renesmee acompanhou a conversa, sentindo uma leve onda de pânico ao perceber o rumo das coisas.

​— Gente, o Embry está aqui na rua de baixo e me chamou para tomar um sorvete e dar um passeio — avisou Quim, desligando o telefone e pegando a bolsa a toda pressa. — Eu preciso ir!

​— Como assim, Quim? Você vai me deixar aqui? — perguntou Nessie, os olhos arregalados de surpresa.

​— Amiga, faz três dias que eu tento falar direito com ele! Fica aí descansando um pouco, o Jacob te leva em casa daqui a pouco, não é, Jake?

​— Claro, eu levo ela — respondeu Jacob, a voz mantendo uma calma calculada que escondia a repentina tensão que subiu por suas costas.

​— Viu? Já volto, tchau! — e antes que Renesmee pudesse protestar, Quim praticamente voou pela porta de entrada, deixando apenas o som do trinco se fechando atrás de si.

​O silêncio no apartamento tornou-se instantaneamente denso e pesado.

​Renesmee pigarreou, sentindo as mãos trêmulas e as bochechas ardendo. A consciência da ausência de Quim e da presença de Jacob sem camisa naquele espaço privado fazia seu peito martelar.

​— Eu... eu vou ao banheiro lavar as mãos antes de ir — disse ela, levantando-se da banqueta sem conseguir encará-lo diretamente.

​— Fica na primeira porta à esquerda no corredor — indicou Jacob, a voz baixinha e rouca.

​Nessie caminhou rápido até o banheiro, fechou a porta e encostou-se na pia. Ligou a torneira e jogou um pouco de água fria no rosto, tentando desesperadamente acalmar a respiração. Olhou-se no espelho: suas bochechas estavam coradas e os olhos castanhos brilhavam com uma mistura de medo, ansiedade e uma atração avassaladora que ela não conseguia mais reprimir.

​Ao abrir a porta do banheiro para sair, ela deu um passo à frente e congelou.

​Jacob estava parado no corredor estreito, esperando por ela. Ele ocupava quase todo o espaço com seu porte físico, encostado na parede com os braços ao lado do corpo.

​— Já vai embora assim tão rápido? — perguntou ele, a voz descendo para um tom aveludado e perigosamente próximo.

​— O meu pai... ele não gosta quando me atrasto — justificou Nessie, o tom de voz saindo em um sussurro falho. Ela tentou dar um passo para o lado, mas a proximidade dele a paralisava. — E você está sem camisa, Jake... isso não é certo.

​Um meio sorriso provocante e denso surgiu no rosto de Jacob. Ele deu um passo à frente, encurtando qualquer distância que existia entre eles e prendendo-a suavemente contra o batente da porta.

​— O que não é certo, Nessie? A minha roupa... ou o jeito que você fica quando está perto de mim? — provocou ele, baixando o olhar para os lábios entreabertos dela.

​— Jake... por favor... — murmurou ela, mas o protesto não tinha força alguma.

​Jacob ergueu a mão quente e grande, envolvendo a nuca dela e embrenhando os dedos pelos cabelos acobreados macios. Com a outra mão, segurou com firmeza a cintura fina de Renesmee, colando o corpo quente e sem camisa dele ao dela. O contato direto da pele dele com o tecido fino da blusa de Nessie enviou um choque elétrico por toda a espinha da jovem.

​— Eu tentei me controlar, Nessie. Juro que tentei — confessou Jacob contra a pele do pescoço dela, sentindo a garota tremer em seus braços. — Mas eu não aguento mais fingir.

​Antes que ela pudesse formular qualquer palavra, Jacob usou a mão na nuca dela para erguer seu rosto e selou seus lábios nos dela.

​O impacto foi devastador. Para Renesmee, aquele era o primeiro beijo de sua vida inteira.

​A boca de Jacob era quente, firme e experiente. Ele começou com uma pressão suave, mas a entrega inocente dela o fez perder o resto de controle que lhe sobrava. Jacob aprofundou o beijo, pedindo passagem com a língua e envolvendo a boca dela em um movimento lento, faminto e profundo.

​Nessie soltou um suspiro abafado contra os lábios dele, sentindo os joelhos vacilarem. Sem perceber o que fazia, suas mãos subiram involuntariamente para os ombros largos e nus de Jacob, sentindo a firmeza dos músculos dele e o calor escaldante de sua pele. O beijo se tornou intenso, uma mistura explosiva do desejo contido de um homem feito com a entrega assustada e doce de uma jovem que descobria o amor físico pela primeira vez.

​A língua de Jacob explorava cada canto da boca dela com uma posse que fazia o ar sumir dos pulmões de Nessie. Ele a puxou mais forte pela cintura, colando-a totalmente contra o seu quadril, fazendo-a sentir a força e a intensidade do que ele estava sentindo por ela.

​O beijo durou segundos que pareceram uma eternidade de sensações arrebatadoras. A cabeça de Renesmee girava, seu coração parecia que ia rasgar o peito e uma onda de calor desconhecida dominou todo o seu corpo.

​Quando Jacob finalmente diminuiu o ritmo e descolou os lábios dos dela com um estalo suave, ambos estavam arfando pesadamente. Ele manteve a testa apoiada na dela, com os olhos negros ainda fechados, saboreando o gosto doce dela.

​— Você é incrível... — sussurrou Jacob com a voz rouca e entrecortada.

​Renesmee abriu os olhos devagar, totalmente desorientada. Seus lábios estavam levemente inchados e vermelhos pelo fervor do beijo. A realidade da situação caiu sobre ela como um raio: o primeiro beijo de sua vida, a intensidade avassaladora, a falta de roupa de Jacob e o aviso estrito de seu pai.

​A vergonha e o pânico da própria reação tomaram conta dela de uma vez só.

​— Meu Deus... — sussurrou Nessie, o rosto queimando em um vermelho vivo.

​— Nessie? — Jacob abriu os olhos, notando o susto no olhar dela.

​— Eu... eu não posso! Eu preciso ir embora! — disse ela, a voz embargada pela confusão e pelo choque do momento.

​Ela se soltou dos braços dele com um movimento rápido e desesperado.

​— Nessie, espera! Calma! — pediu Jacob, tentando segurar a mão dela, mas ela recuou um passo.

​— Não, Jake! Por favor! — pediu ela, com as mãos trêmulas ajeitando a mochila nas costas.

​Sem conseguir olhar nos olhos dele por mais um segundo sequer, Renesmee correu pelo corredor em direção à porta de entrada. Ela girou a maçaneta com pressa e passou pela porta, disparando pelo hall em direção ao elevador.

​Jacob foi até a porta e a viu entrar no elevador com as bochechas coradas e o olhar assustado antes que as portas de metal se fechassem. Ele encostou a cabeça no batente de madeira, respirando fundo e passando a mão pelo rosto, ciente de que a inocência de Renesmee acabara de ser despertada da forma mais intensa e irreversível possível.