Os dias que se seguiram ao acontecimento no apartamento tornaram-se um suplício silencioso para Renesmee. Em qualquer lugar que estivesse — seja folheando as páginas de um romance na faculdade ou olhando pela janela do seu quarto —, a memória daquele primeiro beijo voltava para assombrá-la e fasciná-la. O calor do peitoral desnudo de Jacob contra o seu corpo, o sabor quente da boca dele e a força com que ele a segurara pela cintura repetiam-se em sua mente em um looping ininterrupto, deixando-a constantemente distraída e dispersa.

​No domingo, para intensificar ainda mais o conflito interno da jovem, os Black convidaram toda a família Cullen para um churrasco à tarde na casa de La Push. A fumaça cheirosa da grelha subia pelo quintal enquanto Billy e Charlie riam alto, relembravam velhas histórias e bebiam cerveja gelada. Sarah e Bella organizavam as acompanhamentos na mesa da varanda, enquanto Edward, atento e reservado, mantinha o olhar distante, alternando entre as conversas de negócios e os passos da filha.

​Renesmee tentou ao máximo agir com naturalidade, mas a presença de Jacob — vestindo apenas uma regata preta justa que deixava seus braços musculosos à mostra e uma calça jeans — tornava o ar ao seu redor pesado e elétrico. Cada troca de olhar rápida entre os dois fazia o peito dela acelerar.

​Buscando um momento de alívio e necessitando jogar uma água fria no rosto para tentar controlar o rubor constante de suas bochechas, Nessie pediu licença e caminhou para o interior da casa, dirigindo-se ao corredor do banheiro.

​Ela entrou no cômodo pequeno, encostou a porta sem trancar e abriu a torneira. Encheu as mãos de água e molhou o rosto, respirando fundo e encarando o próprio reflexo no espelho.

​— Calma, Renesmee... se controla — sussurrou para si mesma.

​Antes que pudesse pegar a toalha de rosto, a porta do banheiro se abriu devagar. Jacob passou para o lado de dentro com uma agilidade impressionante e, sem fazer o menor barulho, girou a chave na fechadura, trancando a porta.

​Nessie deu um salto de susto, virando-se de costas para a pia.

​— Jake! Ficou louco? O que você está fazendo? — murmurou ela em um sussurro desesperado, os olhos arregalados de pânico. — Estão todos lá fora! O meu pai está lá fora!

​Jacob não respondeu com palavras de imediato. A intensidade no olhar dele era avassaladora. Ele deu dois passos largos, encurtando o espaço reduzido do banheiro, e prendeu Nessie contra o balcão da pia, colando o corpo quente e pesado dele contra o dela.

​— Eu passei a semana inteira pensando em você, Nessie — confessou ele com a voz extremamente rouca e grave, segurando o rosto dela com as duas mãos. — Você fugiu de mim, mas não sai da minha cabeça.

​— Jake... a gente não pode... — tentou protestar ela, mas a fala foi engolida quando a boca de Jacob tomou a sua em um beijo profundo, faminto e possessivo.

​O contato das línguas fez o corpo de Renesmee fraquejar instantaneamente. O desejo acumulado ao longo daqueles dias de pensamentos obsessivos explodiu de uma só vez. As mãos de Jacob, quentes e grandes, desceram pelas costas dela com ousadia, contornando a curva do seu quadril até apertar o tecido do vestidinho leve que ela usava.

​Ele puxou a barra do vestido para cima, subindo o tecido até a altura de suas coxas. As mãos calejadas de Jacob entraram em contato direto com a pele macia da parte interna de suas pernas, arrancando um suspiro abafado dos lábios da jovem. O toque dele era ousado, firme e desesperado, subindo perigosamente em direção à sua calcinha de renda.

​No ápice daquela entrega sufocante e ardente, passos firmes ressoaram pelo corredor de madeira do lado de fora.

​Toc, toc, toc.

​Três batidas secas na porta do banheiro paralisaram o mundo dentro do cômodo.

​— Nessie? Você está aí dentro, querida? — a voz grave e inconfundível de Edward ecoou do outro lado da madeira.

​O sangue de Renesmee gelou nas veias. O pânico puro tomou conta do seu rosto, e ela arregalou os olhos para Jacob, tentando se soltar. No entanto, Jacob, movido por uma ousadia e um desejo incontroláveis, não recuou. Ele colocou o indicador sobre os próprios lábios, pedindo silêncio com um olhar terrivelmente provocante, e se ajoelhou lentamente no chão do banheiro, bem entre as pernas dela.

​— Nessie? — chamou Edward novamente, a voz um tom mais atenta. — Está tudo bem? A porta está trancada.

​Renesmee prendeu a respiração, ajeitando a voz como pôde enquanto sentia as mãos quentes de Jacob afastarem o tecido do seu vestido e puxarem a lateral da sua calcinha para o lado.

​— S-Sim, pai! — respondeu ela, a voz saindo ligeiramente falha. Ela apoiou as mãos com força na borda de mármore da pia atrás de si para não cair. — Eu... eu estou bem! Só estou retocando o cabelo e... e lavando as mãos.

​Enquanto ela respondia, Jacob encostou a boca quente na parte interna da coxa dela, subindo uma trilha de beijos escaldantes que fez as pernas de Renesmee tremerem de forma incontrolável.

​— Certeza, minha filha? Você está demorando um pouco — disse Edward do outro lado, a maçaneta da porta mexendo-se de leve, testando o trinco. — O seu avô Charlie quer se despedir antes de ir ao mercado.

​A boca de Jacob finalmente alcançou o centro do corpo dela. A língua quente e experiente dele pressionou diretamente o ponto mais sensível de Renesmee sobre a pele exposta.

​Um choque elétrico devastador percorreu toda a espinha da garota. Ela arregalou os olhos, cobrindo a própria boca com a mão livre para abafar desesperadamente o gemido alto que ameaçou rasgar sua garganta. Os joelhos de Nessie cederam, mas Jacob a segurou firme pelas coxas, mantendo-a presa ao toque de sua boca.

​— N-Não precisa se preocupar, pai! — disse ela, a voz saindo entrecortada, uma mistura absurda de pânico e um prazer avassalador que jamais imaginara existir. — Pode dizer ao avô Charlie que eu já... que eu já estou descendo! É só um minuto!

​— Está bem — respondeu Edward do outro lado, embora sua hesitação fosse perceptível antes que seus passos começassem a se afastar devagar pelo corredor. — Não demore.

​Assim que os passos do pai sumiram, a contenção de Renesmee ruiu por completo.

​Jacob aumentou a frequência do toque, a língua trabalhando de forma ritmo contínua, intensa e devoradora. A sensação era demais para a inexperiência de Nessie: uma onda de calor insuportável começou a se concentrar em seu ventre, contraindo cada músculo de seu corpo. Ela enterrou as mãos nos cabelos escuros e macios de Jacob, puxando-o para mais perto enquanto tentava em vão conter a respiração desordenada.

​O prazer subiu como uma tempestade incontrolável até que, com um espasmo forte e um suspiro longo e abafado contra o próprio braço, Renesmee atingiu o primeiro orgasmo de sua vida. O corpo inteiro dela estremeceu nos braços de Jacob enquanto a onda de êxtase a dominava por completo, deixando-a sem forças, encostada na pia.

​Jacob permaneceu ali por mais alguns segundos, saboreando a entrega absoluta dela, antes de se levantar devagar. O olhar dele estava completamente escuro de desejo e satisfação.

​Ele segurou o rosto corado e arfante de Nessie e a puxou para um beijo intenso, misturando o sabor doce dela ao dele. O beijo foi curto, mas carregado de uma vitória silenciosa.

​— Agora você sabe o que acontece quando tenta fugir de mim, Nessie — sussurrou ele contra os lábios dela, a voz Rouca de pura provocação.

​Renesmee piscou, totalmente tonta, os lábios trêmulos e o coração parecendo que ia saltar pela boca. O choque da audácia daquele momento, combinado com o êxtase desconhecido que ainda vibrava em seu corpo e o medo de ter sido pego por seu pai, a fez agir no impulso novamente.

​Ela puxou a barra do vestido para baixo a toda pressa, ajeitou a calcinha com as mãos trêmulas e, sem conseguir proferir uma única palavra diante do olhar vitorioso de Jacob, girou a chave da fechadura com rapidez.

​Ela abriu a porta e fugiu pelo corredor como um furacão, deixando Jacob sozinho no banheiro com um sorriso denso estampado no rosto, ciente de que, depois daquela tarde, Renesmee Cullen jamais conseguiria se afastar dele.