Inocência e Caos os Primeiros Passos no Abismo
4 Capítulo 4 – O Início da queda
Eu e Hipnus estávamos treinando já havia um ano. Havíamos aprendido a suprimir nossos poderes híbridos, pois estes eram malvistos pelos nossos companheiros. Ao invés disso, usaríamos uma armadura que nos proveria poderes, segundo Thanatos, maiores e melhores que os que tínhamos. Por um ano treinamos, até que Lorde Thanatos nos chamou. Fomos até a sala do trono. E nos ajoelhamos em sua presença. Ele começou a falar:
- Já faz um ano que treinam aqui meus pupilos. Mas já é chegada a hora de provarem que merecem seus poderes. – sorrimos um para o outro. Estava perto a nossa vingança — Mas apenas um de vocês receberá a armadura negra amanhã.
Isso nos assustou. Como assim? Então não lutaríamos juntos? Thanatos continuou:
- Vocês lutarão pela armadura da Pantera Negra amanhã. Um contra o outro. O vencedor terá a armadura e a vingança contra os assassinos de Anita. Tornar-se-á imediatamente um Tenente das Trevas. – ele nos deu as costas – E o que perder, será um dos soldados do meu exército, terá de crescer como qualquer outro. Vão.
Não podíamos entender. Estávamos confusos. Hipnus se ergueu.
- Como será a luta? Quais os termos?
Thanatos se virou. Seus olhos expressavam uma frieza congelante.
- Aquele que perder os sentidos, ou morrer primeiro, perde.
Um arrepio passou pela minha espinha. Teria que lutar até quase a morte contra meu irmão. Não pude deixar de recear perder. Hipnus era mais velho que eu três anos. E embora tenha treinado comigo, era maior, mais forte e mais rápido que eu. Me levantei e dei as costas pra ambos. Me dirigi ao meu quarto. A cada passo, minha mente repetia a mesma frase milhares e milhares de vezes: “Aquele que perder os sentidos, ou morrer primeiro, perde”. Quando cheguei em meu quarto percebi tudo. Não poderia mais ser bonzinho. Compaixão, piedade, amor. Tudo isso eu havia deixado quando me aliei a Thanatos um ano atrás. Olhei para minha lança a um canto e me dirigi a ela. A segurei firme em minhas mãos. Percebi. Eu era um ser das trevas agora. Fechei o cenho. Meus olhos negros assumiam um matiz ainda mais carregado. Hipnus entrou. Estava com raiva.
- Isso não é certo! Não devíamos lutar um contra o outro! Devíamos lutar juntos!
Eu já havia percebido o que devia fazer, mas Hipns ainda não. Segurei minha lança e comecei a sair do quarto. HIpnus segurou meu braço.
- Aonde vai?
- Vou treinar. Se vou enfrentar você amanhã então é melhor me preparar.
Ele pareceu confuso.
- Como assim? Você... Você concorda com isso?!?
Olhei para ele. Pela primeira vez na minha vida eu desprezava alguém. Só me importava a minha vingança. Nada mais. Desvencilhei meu braço. Hipnus estava incrédulo.
- Só me importa vingar minha mãe. Vou treinar Hipnus. Espero que não pegue leve comigo amanhã por ser seu irmão. – estreitei meus olhos – Por que eu não vou pegar leve com você.
Eu o deixei no quarto sozinho. Aquela tarde eu treinei tanto que tive de ser carregado para o quarto. Hipnus ainda me aguardava.
- Por que não foi treinar? – perguntei ofegante – Está tão confiante assim?
Ele se aproximou. Olhou bem dentro dos meus olhos. Pude perceber uma frieza em seu olhar.
- Nós abandonamos nosso clã não foi? Deixamos tudo pra trás.
- É. – não estava entendendo muito bem. Mas parece que ele já havia compreendido – Nós desertamos nosso pai e nossa família.
- Então não devemos mais nos preocupar um com o outro. Já que deixamos nossa família de lado não é? — sua voz soou fria como um cadáver. Tremi quando ouvi.
- Exatamente.
- Então até amanhã Garlock. – Sua despedida foi tenebrosa – Te vejo na arena.
Mesmo me preparando pra isso senti um arrepio na espinha. Finalmente éramos inimigos. Eu sabia que ele usaria todo seu poder contra mim e eu também não devia me inibir. Finalmente enfrentaria meu primeiro desafio de verdade.
Era dia. Mas não havia sol. Era sempre assim em Darkoron. Acordei com o barulho das tropas dentro do castelo. Me levantei e me olhei no espelho. Um rapaz de nove anos olhava pra mim. Cabelos roxos ondulantes que me batiam pelos ombros. Um corpo bem definido e musculoso. Meus olhos no entanto eram vermelhos, como sangue. Ao contemplar minha imagem no espelho, sorri. Peguei minha lança. Saí do quarto e me dirigi até a arena. Me sentei esperando. Uma aura negra se desprendia do meu corpo. Alguns minutos depois, Thanatos chegou com Hipnus. Eu notei ali que ele era seu preferido. Hipnus sorria. Parecia já se achar vencedor da batalha. Eu me ergui. Alguns guerreiros pararam o que estavam fazendo para nos assistir. Thanatos se afastou e nos deixou no meio da arena. Eu olhava meu irmão nos olhos. Seu olhar se encontrava com o meu. Sorria.
- Aquela armadura é minha Garlock. Não tem a menor chance contra mim.
Aquela provocação foi demais. Segurei minha lança. Ele sacou a espada. Thanatos deu o sinal. Enquanto corríamos m contra o outro, pensamos ao mesmo tempo em nossa mãe. Isso foi mais do que suficiente para nos dar forças pra lutar. Porém, logo eu saberia que a luta não seria assim tão fácil. Hipnus atacou com sua espada em um corte na diagonal, me desviei e tentei contra-atacar com um golpe da lança. Mas ele tirou o corpo perfeitamente, me dando um soco no rosto que me fez cambalear. Me lembrei do soco que me dera na beira do rio. Rilhando os dentes, me ergui para atacá-lo. Mas ele já estava perto de mim e desferiu um poderoso chute em minhas costelas. Com o impacto, caí rolando no chão. Agora ele revelava toda a sua velocidade. Em poucos segundos estava ao meu lado e, antes que me recuperasse, me colheu do chão com uma das mãos. Thanatos chegou a suspirar e prestou mais atenção. Percebi que eu deveria acabar com o favorito dele pra vencer. Pensar assim me deu forças pra dar uma poderosa cabeçada em meu irmão maior. Ele tonteou e me largou. Foi o suficiente para que eu começasse meu show. Com um belo chute na barriga, o enviei voando para o outro lado da arena. Corri enquanto ele ainda se erguia e comecei meu combo: Me abaixei quando ele tentou me acertar com a espada e subi com um Uppercut. Era o início.
- Moon Wolf Rise!
Meu punho acertou em cheio o queixo de Hipnus. Envolvido pela minha aura, me ergui ainda uns seis metros no ar. Ainda no ar, girei meu corpo pra frente, desferindo um chute na cabeça de Hipnus.
- Death Full Moon Cut!
Ele caiu como uma bala. Desci logo atrás. Minha mão estendida fez contato com suas costas. Segurei firme e girei nossos corpos. Fiquei de frente pro chão. Apoiei com a outra mão e deixei meu corpo descrever uma curva pra frente me pondo de pé. Puxei Hipnus e desferi o primeiro dos vinte socos que atingiram seu peito. Então concentrei toda a minha aura em meu punho e desferi o último golpe:
- Death Strike!!!!
Toda a energia do meu golpe atravessou o corpo de Hipnus e destruiu a parede atrás dele. O seu olhar era vidrado e sua expressão era de incredulidade. Estava estático e pálido. Retirei meu punho de seu peito, fazendo voar algumas gotas de sangue. Me virei de costas, peguei minha lança e me afastava. Nessa hora não notei, mas um par de olhos azuis me observava do meio da multidão. Hipnus cuspiu sangue e, com uma reação violenta, caiu pra frente. Naquela noite não se ergueria mais. Alguns o socorreram mas fui até Thanatos. Ele sorria.
- Venha comigo.
Acompanhei-o até a sala de cerimônias. A armadura aguardava por mim. Uma pantera negra reluzente. Ao me aproximar, um urro soou e a cabeça da pantera se moveu. A armadura se transformou numa pantera de verdade. Ela se aproximou de mim.
- Então é esse... Bem garoto. Para o que quer meus poderes?
Olhei bem dentro dos olhos da pantera. Respondi sem pestanejar:
- Vingança.
A pantera sorriu. Um furacão negro se formou onde eu estava e logo me senti sendo erguido do solo. Um urro atroador soou. Senti a pantera rasgando minha pele e entrando em meu corpo. Gritei de medo e dor. Mas logo a dor passou e pude sentir os poderes do demônio Pantera correndo em minhas veias. Olhei para minhas mãos cobertas peã armadura. Depois para Thanatos. Ambos sorriamos. Ele estendeu a mão para mim.
- Seja bem vindo ao exército das trevas, Tenente Garlock Galahad. Sua missão começará em breve.Notas finais
Próximo Capítulo: Missão Cumprida
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