Inn

14 Zack x Lars


Notas iniciais
yeyyyy!!! gente, que saudade *-*

Zack


Acordei cedo hoje, o que era muito raro, geralmente levanto tarde, mas é mais um motivo para impressionar meu pai. Ouvi barulhos na cozinha, meu velho fritava ovos. O nosso apê é pequeno e em cima da loja. Tem dois quartos, um banheiro, uma sala e uma cozinha, é bem pequeno, mas é um lar confortável.

É serio, até hoje acho engraçado meu pai cozinhar, ele é muito baixinho para o fogão.

– E ai?!

– Bom dia, Zack, estou mesmo impressionado, está até acordando na hora. – ele disse me servindo um dos ovos. – Já mandei dormir de camisa. Você fica doente e aí vai meu orçamento do mês.

– Foi mau.

– Mas estou mesmo impressionado com a loja, está brilhando e tão organizada...

– Obrigado.

– ... com certeza devo tudo isso ao pequeno Cody.

– Mais ou menos.

– Espero que não esteja se aproveitando do menino, Zack.

– Nunca! Ele faz só o serviço dele e sempre vai para casa na hora.

– Ótimo... ótimo, tenho certeza que sua mãe ficaria muito orgulhosa do homem que você está se tornando.

– Aham.

– Ela amava tanto você... – dizia ao quadro da sala.

Levantei depois de terminar de comer e comecei a me arrumar para sair.

– Só falta melhorar as notas do colégio!

– Sabia que ia chegar nisso.

– Você ainda está mal! Vivo recebendo reclamações sobre você, Zack. Notas, brigas... Eu sei que tem certas regalias por ser um medalhista de judô, mas não se trata só disso meu rapaz...

– Tô saindo. – peguei minhas coisas e dei o fora.

– Certo. Não se meta em confusão, nem use drogas, nem se meta com essas gangues...

– Tá! Cuidado ao abrir a porta.

Segui até a estação mais próxima e peguei o metrô já lotado, aproximei-me de um cara meio marrento, metido a forte, mascando chiclete.

– Sai. – eu disse a ele e num instante ele se levantou, sentei ao lado de uma senhora que dormia e a uma mulher com maquiagem pesada, roupas provocantes, vários cheiros de perfumes fortes, era uma prostituta.

O metrô enchia mais e mais, o saco é que moro longe dessa maldita universidade, hoje tenho treino para as competições e vou tentar fazer meu treinador dar um jeito de resolver o problema do Von e daquela gangue. Tenho a impressão que quem vai levar bronca sou eu por não ter entrado nessa.

A prostituta ao meu lado já tinha esfregado a perna na minha umas trinta vezes. Chuchu, você não percebeu que eu não tenho dinheiro nem para passagem direito?!

Me inclinei e me apoiei nos joelhos, já estamos perto, quase não tem espaço aqui para respirar.

Aquele é... o Cody. Sério mesmo, como ele consegue respirar nesse lugar?! Como ele consegue ler nesse lugar, ele é mais baixo que a maioria aqui. Ta tão apertado que ele não consegue nem se mexer, não precisa nem se segurar em nada.

Cody seria mais bonitinho se ele soubesse sorrir.

Do nada ele olhou para cima e...eu conheço aquele cara. É aquele maldito pedófilo da minha loja?! Mas logo Cody voltou a ler, eu percebia que o cara tentava puxar conversa com ele, mas ele não estava muito afim. Na verdade, a mão do cara voou no pescoço dele e ele a evitou, esse cara ta insistindo tanto que até o tapado já percebeu algo errado.

– Hey. – ela finalmente se debruçou sobre mim. – Se metade dos meus clientes fossem como você eu amaria minha profissão.

Me sinto lisonjeado... Ele começou a invadir a blusa do Cody com a mão! Esse cara... não, ele não estava só, tinha mais dois só olhando a situação, bando de aproveitadores de merda! Eu levantei e a moça meio que caiu para o outro lado.

– Olha, desculpa, chuchu. Mas não tenho nem onde cair morto.

– Aposto que vou aceitar o que você tiver no bolso.

– O dinheiro da passagem de volta.

– Serve.

– Prefiro minha passagem de volta. – eu me virei e comecei a andar enquanto via umas quatro pessoas tentarem tomar meu assento.

– Filho de uma... – eu não fiquei para escutar ela xingar minha mãe. Apenas abri meu caminho na multidão.

Eu segurei o pulso dele na mesma hora que Cody ia tentar tirar aquela mão da blusa dele. Me pareceu que ele encarou o demônio.

– Acho que já conversei com você. – ele ficou me encarando e os outros homens fingiam que nada tinha acontecido. – Tenho certeza que lembra do que eu falei.

– Certo, vai bater em um professor no meio de um metrô lotado?! – ele falou, mas o pulso dele tremia na minha mão.

– O professor vai descer em algum lugar, certo?! O professor mora em algum lugar certo?! Você não vai querer que eu descubra onde, vai?!

Ele saiu meio rápido se perdendo na multidão. Se borrando de medo. Olhei para os outros dois que se fizeram de desentendidos, vou ficar aqui só por precaução.

– Oi, Zack. – ele me disse embaixo de mim. Estava basicamente colado em mim.

– E aí?!

–Não gosto daquele cara. Obrigado por tirar ele daqui.

– Achei que ele era seu amigo. Você trata ele tão bem na loja.

– Lá ele é um cliente. E você está lá também... não gosto de caras como ele.

– Sei. Já conheceu muitos? – ele não me respondeu. – Com esse você não precisa mais se preocupar. Se ele voltar, pode me avisar que eu dou um jeito definitivo nele. Ou neles. – falei mais para as redondezas suspeitas.

– Ok. – ele respondeu com um sorriso um pouco maior.

Ele só é meio sem noção, e precisa de cuidado. É até bonitinho se você olhar bem. Ele bate no início do meu pescoço. Acho que dá pra eu apoiar meu queixo na cabeça dele. Dá.

– Ei, Zack, seu queixo machuca.

– Pare de reclamar, acabei de salvar sua... – eu não consigo ser vulgar com ele. – Vida.

– Que exagero! – ele me olhou de baixo de novo.

– Nunca falei tão sério.

– Hum... não é algo que você costumava fazer.

– Não é algo que eu vou fazer sempre. Sinta-se lisonjeado.

Acho que o que chama a atenção no Cody é só isso mesmo, essa inocência e esse mistério. Ele não é gostoso, é?! Quer dizer, parece ser só pele e osso. E ainda é um desses geniosinhos atrevidos, convencidos e de nariz em pé...

A mulher dos autofalantes anunciou a nossa parada. Comecei a empurrar o pessoal para poder sair, muita gente fazia cara feia para mim, mas e daí?! Pedir “licença” não me faria empurrá-los menos.

– ...om licença. – aquela vozinha vinha tentando passar por lugares impossíveis... Boa sorte. – Com licença! – viu como não adianta?! A porta abriu e as pessoas começaram a sair. – Tenho que descer aqui! – a porta vai fechar, Cody. Ele ainda estava bem longe. – Ah, qual é!

Tá bem. Voltei contra o fluxo, afastei sem a menor delicadeza aquela multidão.

– Anda. – eu disse meio bravo a ele, como essa criatura sobreviveu até hoje?! E ainda assim ele continuava lento. O coloquei no meu ombro batendo na cabeça de muita gente, recebendo muitos xingamentos.

– Desculpe... desculpe... – ele dizia quando os pés dele batiam em alguém.

Por muito pouco a porta não se fechou na gente. Coloquei-o no chão assim que a gente saiu.

– Ah, obrigado. – disse desamarrotando as roupas.

– Como você consegue descer todos os dias?!

– Na maioria das vezes eu desço na estação seguinte ou antes dessa, quando sou empurrado pelo fluxo.

– Ah.

Eu comecei a andar e ele começou a me acompanhar. Não significa que somos melhores amigos agora, Cody. Aquele professor aproveitador estava mais a frente de nós, olhava para trás bem desconfiado, se eu pego ele sozinho...

Nos aproximamos da faculdade e já vimos alguns dos meus companheiros de judô. Cody olhou para cima.

– É, Cody, é melhor você sair de perto de mim agora.

Ele começou a andar mais rápido e passou se escondendo dos outros caras.

– Uh. Na hora hoje, eim Zack?! – um dos caras falou e alguns minutos depois a gente foi para o treino de judô.

–--x

Terminei alguns exercícios no ginásio que era preenchido pelos sons dos caras treinando. Tentei falar com meu treinador. Esperei ele terminar de acabar com toda e qualquer alto estima que um dos meus colegas ainda tinha.

– Treinador. – eu disse e ele se virou para mim. Ele é um cinquentão forte, com a barba e o cabelo branco. Ele parece um marinheiro e tem muitas tatuagens e mantém sempre um rosto carrancudo. É o maior filho da puta que eu conheço.

– Zack. Finalmente decidiu aparecer para os treinos.

– É. Tive que ficar na loja enquanto meu pai viajava.

– Você acha que porque ganhou algumas medalhas...

– Todas desde que cheguei aqui.

– ...pode virar um vagabundo que falta aos treinos para ajudar o papai a cuidar de uma loja falida! Você reveja suas prioridades ou eu te ponho fora das competições. E você perde a merda da sua bolsa fajuta.

– Ta, ta... tanto faz. – ele fica fumaçando de raiva, eu sei que ele não é nada sem mim. – Quero falar com você sobre o Von.

– Sei... outro merdinha que não tem vindo para os treinos. E ele nem é tão bom. Os que competem com ele é que são péssimos.

– Ele entrou para uma gague barra pesada.

– Ótimo, talvez agora vire homem ou finalmente morra e pare de ser um peso pra mim e pros pais dele.

– Então pra você está tudo bem.

– Só me trará bons frutos. – eu sabia que não tinha como ele ajudar. – KEVIN!

Ele disse quando a porta do ginásio abriu e o filho dele entrou por ela. É um garoto magrelo, o pai não coisa muito bem dele. Tem um rosto de anjo, embora o olhar esteja mais para algo astuto, como uma cobra. Tem o cabelo loiro platinado e os olhos muito verdes. Seria um belo garoto, se fosse bem cuidado.

Ele se aproximou de nós e me lançou um meio sorriso.

– Onde vocês estava?! – meu treinador continuou.

– Voltando da escola. – ele disse indiferente. – Teve um acidente na avenida do colégio.

– Hum. – ele segurou o braço do garoto com força e raiva, talvez um pouco da direcionada a mim. – Se você vai ficar dando a bunda por aí, eu prefiro que seja aqui. Pelo menos você ajuda meus homens. – e empurrou o garoto para longe dele. Kevin, já é bem rodado por aqui. Já quis dar uma bela surra nesse velho dos infernos, mas isso só vai acontecer quando eu não precisar mais dele. – E você Zack, deixe Von ser o homem que você não é.

– Eu considero isso um elogio, senhor.

Peguei minhas coisas e comecei a ir embora, já terminei por aqui. Vi Kevin conversando com um dos rapazes.

– Kevin, fique longe do Joseph hoje. Ele brigou com a namorada e está puto.

– Valeu. – ele me disse sorrindo e eu continuei. – Não precisa de mim, Zack.

– Não. Só se cuide.

Eu vou acabar virando babá de pivete.

___Lars.


São oito e quinze da noite. Combinei com Eros às nove. Se arrependimento matasse eu já teria morrido umas trinta vezes! Mas essa maldita curiosidade e aquele sentimento de culpa... Já mudei de roupa umas três vezes. E isso é ridículo.

Estava na frente da pensão pontualmente as nove horas. Vinte minutos depois ele apareceu na porta. Muito bem vestido e, como sempre, impressionante.

– Boa noite. – ele disse entrando e sentando no banco dianteiro ao meu lado.

– Boa noite.

– Não achei que você viesse.

– Por que?! Nós combinamos.

– Não sei... achei que seu arrependimento falaria mais alto.

– Eu não me arrependi. – falei o mais convincente que consegui.

– Você mente muito mal, professor.

– Lars... não precisa me chamar de professor o tempo inteiro.

– Hmm, acho muito mais sexy ‘professor’.

– Não comece.

– E para onde você vai me levar nesse encontro?!

– Como você exigiu... em um bom restaurante.

O silêncio predominou um pouco e eu achei que ele estava até bem pensativo. Tentei puxar conversa, perguntei sobre a família dele, disse que seus pais haviam morrido de um acidente, não me respondeu se tinha irmãos ou quaisquer outros parentes. Mas fez questão de me dizer que estava solteiro.

Quando chegamos ele avaliou o restaurante e me encarou convencido.

– Adoro comida italiana. – ele me disse com aquele sorriso típico.

– Que bom que acertei.

A moça da recepção nos levou para uma mesa, muito sorridente e atenciosa, na minha opinião, e logo um garçom veio nos atender. Claro que ele interessou muito mais a Eros do que a mulher, mas parece que esse cara não gostava muito da fruta. Eu não ligo, isso é um jantar de desculpas pela minha acusação injusta.

– Então, Eros... queria saber uma coisa sobre o Léo. – ele deu um meio sorriso e se encostou melhor na cadeira acolchoada vermelha.

– Escolheu a pessoa errada. Léo e eu não nos damos muito bem.

– Eu sei.

– Ah, sobre aquela acusação que você jogou em cima de mim?!

– É. E realmente desculpe sobre isso. – disse bem sério, realmente não tinha porque acusa-lo. – mesmo ele sendo promiscuo e... bem desinibido e adorar essas noitadas com vários caras diferentes...

– Aham. Mas não posso ajudá-lo. Realmente não sei com quem ele te traiu. – ele sabe escolher tão bem as palavras. – Mas Léo é do tipo que mantém seus compromissos... deve ter sido uma tentação muito grande para ele não ter podido desistir. – eu lhe lancei um sorriso sem graça e ele apenas riu da minha cara. – Desculpe, professor, é o meu troco por você falar de outro cara durante nosso encontro.

AH, não, não... calma.

– Não é um encontro, Eros.

– É sim.

– Não é. Isso é um jantar de desculpas pelas minhas acusações injustas.

– Faz parte do pedido de desculpas você aceitar que é um encontro.

– Não estava nas regras.

– Estou colocando agora. – ele é...

– Certo, Eros. Como quiser.

Descobri que não, que ele não faz dinheiro com prostituição, descobri que os pais deixaram uma herança para ele, que ele é promíscuo sim, mas que não fazia nada de muito esquisito com um qualquer. Nunca namorou sério, mas já ficou alguns... dias com a mesma pessoa.

Eu notei que ele estava olhando muito para mim.

– O que é?! – já imaginei o que vinha por ai.

– Você tem uma bela voz professor.

– Obrigado.

– Só podia sorrir mais. Se tornaria altamente irresistível.

Estava até bem agradável. Já tínhamos jantado e pedido a conta. Estávamos só conversando um pouco mais. Ele é bem mais agradável do que pensei. Consegui até tirar o foco dele do assunto “pegar meu professor da universidade”. Até que outro aluno da minha classe chegou.

– Eros. – e depois ele olhou para mim, achando até bem estranho. – E professor?!

Era Olivier, na verdade, tudo o que eu sabia sobre Eros foi ele quem me contou. E, pelo visto, muita coisa não batia. Ele estava acompanhado de uma jovem muito bonita e parecia bem educada.

– As vezes eu acho que você me persegue, Olivier. – Eros disse com a simpatia de sempre.

– É só impressão sua. – é, mas ele não tira os olhos do Eros.

– Como vai, senhorita?! – Eros perguntou a moça morena ao lado de Olivier.

– Ah, muito bem. São amigos de Olivier.

– São. – Olivier disse cortando a conversa dos dois. – Vamos sentar, Vivian. – a moça só concordou e eles foram sentar-se numa mesa mais a frente.

– Então, e sua relação com ele?! – eu perguntei inconscientemente, não era da minha conta.

– Era para ter sido igual a que tenho com todos os outros, mas ele não largou do meu pé. E de vez em quando ele me persegue, mas não é muito esperto.

– Ah. E isso não é só presunção sua?!

– Voltei. – o rapaz voltou de novo e sentou-se ao lado de Eros. Eros me lançou um olhar de “viu o que eu quis dizer?”

– E a sua amiga, Olivier?! – eu perguntei quando ele realmente se acomodou na mesa.

– Ela... pode esperar um pouco.

– Não é uma das moças que o seu pai quer que você se case?! – Eros perguntou.

– É... – ele respondeu casualmente.

– Não é assim que vai conquistá-la, meu bem. – mas Eros parece saber muito da vida dele e vice-versa.

– Sabe quem eu quero conquistar, Eros. – e Eros me lançou mais uma vez aquele olhar de “viu?!”

– Vou ao banheiro, rapazes. – ele levantou e saiu.

Ficamos na mesa somente o novo convidado e eu. Ele ficou observando o rapaz desaparecer por entre as mesas. Certo, não só ele. Mas eu fui bem mais discreto que ele.

– Quem diria, professor. Depois de todos os meus avisos, você ainda caiu nas graças do Eros.

– Não caí. Além de ele ser meu aluno, isso aqui é um pedido de desculpa por uma injustiça que eu cometi.

– Sei... mas sem querer você está caindo na dele. Lembre-se do que eu falei, ele é uma cobra.

– Você não parece se importar com isso.

– De fato não. Mas você se importa.

– Ele não é tudo que você me contou.

– Ah, não, é muito mais. Eu aumentei um pouco aqui e ali. Mas sempre foi com boas intenções.

– Sei. Não foi só para eliminar concorrência?! – o que eu to fazendo?! É meu aluno, que gosta de meu outro aluno, que tipo de conversa eu estou tendo com meus alunos?! Mas ele me olhou com um sorriso de culpado.

– Como pode dizer isso, professor. Eu não precisaria fazer isso, você é professor dele, nunca se envolveria com um aluno, certo?! Alguém poderia denunciá-lo. – ele me encarou bem mais sério dessa vez, o que eu achei muito estranho porque ele é sempre brincalhão e tem um jeito meio abobado, misturado com o corpo atlético desses jogadores de futebol.

– E quantos outros você alertou sobre o Eros?!

– O suficiente... só os que achava importante. Mas Eros é bem escorregadio. – esse rapaz... é estranho.

– Com licença. – a moça apareceu bem chateada. – Você ainda vai voltar para a mesa?!

Antes que ele respondesse eu levantei.

– Ele estava aqui guardando essa mesa para vocês. – eu disse a jovem. – Aqui é um lugar incrível, ali você pode ver a rua. Aqui, quem entra, e ali, a paisagem tranquila do jardim interno do restaurante. Agora, com licença, foi um prazer, divirtam-se.

Eu segui para o banheiro enquanto eu ouvi a moça brigar com o rapaz que ficou na mesa. Fui procurar Eros no banheiro porque ele deve ter, no mínimo, se afogado no vaso! Que demora! E esse garoto não sabe que eu, como professor universitário, se me envolver com meus alunos, e ele quiser, como já é de maior, não tem problema! Não tem.

Não que eu vá me envolver com Eros. Não é isso!

Ele estava encostado na pia do banheiro.

– Até que enfim! – me disse assim que entrei. – Achei que você não vinha nunca.

– Ah, é, porque eu costumo acompanhar garotos de vinte anos ao banheiro.

Ele veio bem sério na minha direção e me empurrou até a parede, fechou a mão na minha blusa e me encarou nos olhos... ninguém tem ideia de como é o Eros quando ele quer te seduzir.

E ele realmente me beijou, e como já tinha acontecido mesmo, eu aproveitei. A língua dele vasculhou a minha boca, por um tempo e se afastou desenhada em um sorriso.

– Bom, acho melhor você pagar a conta e a gente ir embora. Ele já estragou nossa noite mesmo.

Ele disse e começou a sair do banheiro.

O problema é que eu já estava fervendo.

Agora eu o beijei. Eu sei, foi o impulso, eu não pensei, não pensamos que aquele era um lugar público, mas era quente. Tudo naquele garoto me fazia ferver, sei bem porque minhas mãos desceram pelo corpo dele, pela cintura. Minha mente já formava imagens nada descentes.

Coisa que não devia estar acontecendo. Mas que não estava me importando nada naquele momento.

Quando finalmente voltamos ao ambiente eu notei que precisava falar alguma coisa para o rapaz meio ofegante a minha frente.

– Eu já paguei a conta. Só vamos sair daqui.

–-- x

Não, não, não, não, não, não.

Eu sou um inconsequente. Ontem assim que eu entrei no carro. Fiquei escutando aquele zumbido no meu ouvido. E quando ele perguntou “vamos para a sua casa?!” uma parte especifica minha adorou a ideia.

Mas eu dirigi reto para a casa dele e o deixei lá. Não, ele não se chateou, acho que até adorou a situação na verdade! O fato era que a tentação tinha batido na minha porta, eu abri e só faltava um passo para ela invadir a minha casa! E eu não quero problemas!

– Ei, professor, quero falar com você! – ele vinha atrás de mim pelos corredores da faculdade, andando lentamente, como aquelas coisas de filme de terror, todos os outros alunos alheios a minha situação.

Cheguei finalmente ao meu porto seguro, a sala dos professores, quando ia fechar a porta ele estava lá fora parado, com aquele sorriso.

– O que é?! – perguntei. É só não me mostrar vulnerável. Ele apenas sorriu aquele sorriso de moleque e eu fechei a porta. Finalmente respirei.

– Estou muito ansioso pelo próximo fim de semana, professor.

Ele disse do outro lado. Ah, não. A viagem do congresso. Mas que tipo de homem sou eu?! Fugindo de um universitário como se fosse o demonio... Não estaremos sozinhos lá, não tenho que me preocupar, só tenho que me acostumar de novo com a presença dele.


Notas finais
Hoje a pergunta é da Wind Kaze: como e com quem foi a primeira vez de vcs?
Eros: ah, eu primeiro, já que temos dois virgens.
Cody e Téo: ...
Eros: Foi com meu melhor amigo do colégio. Ele se dizia hetero, mas nada que um pequeno poder de convencimento não resolva. E foi no ginásio do colégio, no fim da aula de educação física, ele era um jogador de futebol cheio de músculos com um sorriso fofo. Acho que acabei com a inocência dele. Não vou contar os detalhes sórdidos pq o espaço é curto.
Léo: e ninguém quer saber! Certo, pessoal?! Não respondam. u.u Bom, a minha primeira vez foi com um dos gerentes dos lugares onde eu trabalhei... ele era tão gentil comigo e eu estava apaixonado. A gente ficou um dia até tarde desempacotando umas coisas, ai a gente foi para a sala porque ele tinha esquecido a chave do depósito. Ai a gente ficou lá. Mas ele arrumou um namorado alguns meses depois e eu me demiti para juntar os cacos do meu coração.
Eros: até nisso você é pobre.
Alex: a minha primeira vez foi com o Luther. Bem depois da gente se conhecer, foi um fascínio muito forte e estou com ele até hoje. Embora ele não tenha sido o único nesse meio tempo.
Zack: o primeiro garoto.... foi o Kevin. Depois de um dos meus primeiros treinos, ele queria conhecer o aluno novo e tal, ele foi bem persuasivo e eu me perguntei "porque não?!" e foi isso.
Seth: foi com um dos meus colegas modelos. Estávamos ambos curiosos, no auge da adolescencia e da carreira, muitas informações. A gente acabou se pegando no camarim. Foi a única vez que fui uke em toda a minha vida, ser seme é bem melhor. E só pra você saber, Téo, ser uke é ótimo, eim!
Ace: foi com um dos funcionários do meu pai. Eu estava no colégio e vi dois dos meus colegas se pegando escondidos. Cheguei em casa com vontade de tentar aquilo. Só precisei mandar um deles me ajudar com o meu problema.
Luther: foi com um dos amigos do meu irmão...
Lars: O QUE?!
Luther: ele era um rapaz tão delicado, amável e safado que eu não resisti. Desculpa Lars. E foi na sua cama.
Lars: O QUE?! Luther... eu juro... a minha primeira vez foi em uma noite de bebedeira. Em comemoração por ir para a faculdade. Não lembro bem como foi, mas foi com o barman.
Eros: e você ainda fala de mim?!
E ela perguntou outra coisa -> zack, quando diabos vc vai comer o cody? vou ter de desenhar um alvo na bunda dele? ^^sim, com essa delicadeza toda mesmo hauhhuuhahu.
Zack: você devia censurar esse tipo de pergunta.........você tem que ir com calma com gente que nem o Cody!!! u.ú