Inn
20 Téo
Téo
Cody acabara de sair do meu quarto. O que diabos tinha acontecido essa noite?!
Deixei meu corpo deitar no colchão macio, eu parecia uma bola enrolado entre as cobertas. Meu quarto estava bagunçado, tinha umas roupas pelo chão, alguns dos meus pôsteres estavam caindo da parede e meus jogos estavam meio fora do lugar.
Eu olhei ao redor e vi um dos meus quadrinhos em cima da minha mesinha de estudos. Era uma edição rara. Foi o Seth que a encontrou no dia que ele me acompanhou as compras. Na verdade, foi bem engraçado, ele foi passando muito desinteressado por aquele mar de quadrinhos meio cheio de poeira. Então virou para mim com uma revista de primeira edição! Disse simplesmente. “Cara, por que essas roupas são tão ridículas?!”
Nem o dono do local lembrava dessa revista, quase que ele não me vendia, Seth ficou pensando o motivo de eu pagar tanto por uma revista. Ele nunca entenderia e eu não me preocupei em explicar, para muitos não faz sentido.
Hoje... estava tudo tão bem. O que deu errado?! Fechei meus olhos para recapitular.
Ok... eu esperei o Alex em casa até o momento que não dava mais para esperar. Então eu chamei um taxi, esperando que ele já estivesse lá ou que chegasse atrasado, na verdade, eu acharia isso bem provável.
Eu só esperava que ele aparecesse.
Minha nossa! Quando eu cheguei no local eu quase, quase, quase mesmo voltava para casa, mandava o taxi dar meia volta ali mesmo. Era um teatro muito bonito, com a fachada iluminada com umas luzes lilases que iam mudando devagar para outras cores. Muita gente de classe estava entrando lá, como esperado, e os fotógrafos estavam em toda parte. Parecia um avento importante, o que eu estava fazendo ali mesmo?!
Eu desci do carro e olhei ao redor, todas aquelas pessoas acompanhadas subindo os degraus brancos. Nada do Alex em lugar nenhum, mas que droga! Eu vou embora, quando eu virei as costas o táxi já estava uns cinco metros de mim e eu... resolvi ficar então.
Fiquei feito um bocó lá parado, olhando a minha volta me perguntando por onde eu entrava no evento, sabe?! A porta da frente era meio... exposto. Talvez houvesse uma entrada por trás, mas aí eu não usaria o meu convite VIP, onde será a entrada menos tumultuada?! Tinha uma pequena multidão de pessoas em umas grades próximas.
Hmm, será que eu estou bem nessa roupa?! Era apenas um meio fraque eu não sabia muito bem o que vestir, então... eu passei horas tentando descobrir com que roupa eu viria, não era para ser algo para me preocupar tanto.
- Moron? – uma voz me chamou. É MOROY! Procurei ao redor e vi o amigo do Seth, o Luke o produtor de eventos, ou algo assim. – Seth falou que você vinha. O que está fazendo aqui fora.
- Esperando um amigo, mas...
- Venha, você espera lá dentro. – ele disse colocando uma mão nas minhas costas e me arrastando para dentro junto com ele.
Ele estava indo para aquela entrada, onde uns trinta fotógrafos tiravam fotos de todos que entravam, minha nossa... eu acho que eu não deveria estar aqui.
- Hm... eu não deveria entrar por outro lugar?!
Ele me olhou de cima, como se não tivesse entendido a pergunta.
- Não, essa é a única entrada. Não se apavore com os fotógrafos, você não é ninguém importante para a mídia. Eles vão te deixar passar.
Alguns tiraram uma foto nossa quando entramos, mas não foi tão ruim. Lá dentro tinha uma passarela, muitas pessoas comendo e bebendo champanhe, um visual bem clean e algumas cadeiras já bem ocupada.
- Onde eu devo sentar?
- Seth tentou te colocar na primeira fileira, mas é difícil, geralmente estão ocupadas pelos estilistas, críticos e blá blá blá! Então, você está na segunda fileira bem na frente do palco, ok?!
- Ok. Pode ir sentar-se. Deve começar dentro de meia hora, se quiser comer e beber fique a vontade.
- E Joh?
- Joh? – ele me olhou confuso. – Está trabalhando, ele é o maquiador.
- É verdade.
- Por que? Quer algo com ele? – ele continuou meio perdido assim, sei lá.
- Não... só que faz tempo que não vejo.
- Por que Seth te convidou?! – acho que me arrependi de ter perguntado.
- Eu não sei. Acho que nem deveria estar aqui. Meu estômago está meio que virando sabe?! Essa multidão me deixa desconfortável.
- Ah, ele estava lhe treinando ou algo assim. – ele disse lembrando da história.
- É... eu não sei se isso faz parte do meu treinamento.
- Divirta-se, então. Eu realmente preciso checar se o evento está indo bem. – ele explicou e me deixou com um sorriso discreto, mas era de sua personalidade.
Eu me sentei na cadeira de frente ao palco, apenas eu e uma mulher estávamos em nossos lugares antes da hora, ela estava em seu celular... eu espiei, vai, ela estava postando algo em um blog. Tudo bem.
Será que o maldito do Alex não vem mesmo?! Olhei no meu relógio... ah, eu esqueci de trocar o relógio, de qualquer forma, os braços do Goku marcavam oito e cinquenta, dez para as nove.
Mas eu achava que o lugar estava bem vazio. O fato é que deu dez horas e nada do Alex e nada do desfile, ainda chegavam pessoas como se não estivessem nada atrasadas... que absurdo! Eu já tinha avaliado umas vinte vezes a decoração.
Mas aí um pianista começou a tocar. Nossa... ele não era tão bom, apenas aceitável na minha opinião, mas tocava com paixão eu podia ver. Eu simplesmente amo esse instrumento. E era um belo piano branco o que tinham ali.
- Téo. – eu escutei o Luke me chamar de novo, ele não parecia muito feliz, parecia um pouco estressado. – Quer ir ver o Seth no camarim?!
- Não vai atrapalhar?!
- Vai. Mas ele pediu para eu chamar você. – ele disse olhando algo no celular, quando um garçom meio sem jeito cochichou algo em seu ouvido. – VOCÊS FIZERAM O QUE?! –o coitado do garçom apenas se encolheu. – Olha Téo, você sobe pelo palco e entra pela lateral.
O que? Subir no palco, com toda essa gente ao redor?!
Eu ia perguntar se não tinha outra entrada, mas não, ele já tinha ido. Bem, eu fui devagar e subi três degraus ate chegar a passarela. Ninguém estava olhando para mim, não ia ser problema. Faltava mais um degrau alto, que era a própria passarela em si.
Ok. Eu me pus para cima, viu. Não foi tão ruim, não era um palco ou coisa assim. Era só uma passarela. Fazia tempo que eu não fazia algo assim. Estava tudo bem, legal. Meu erro foi olhar para a multidão que agora era bem mais numerosa do que quando eu cheguei, acho que pensaram que eu era um modelo e todo mundo olhou para mim, só por alguns segundos.
Foi o suficiente, eu comecei a suar frio, de repente estavam todos falando sobre mim e como estavam com pena ou como tinham jogado seu dinheiro fora. Eu escutava minha própria respiração. Minha mão tremia na minha frente.
- É aqui na direita. – Luke disse me empurrando para dentro do corredorsinho e seguindo caminho.
Me recuperei. Tomei fôlego. Lembrei do “respirar fundo, acalmar-se, eu estava em uma ilha e não havia ninguém ao meu redor.” Não funcionou, de certa forma, aquele lugar estava uma loucura!
Tinha pelo menos uns quinze modelos ali. Mulheres e homens, o Joh parecia meio estressado, corria de lá para cá, alguns modelos se vestiam, outros bebiam e Joh brigava com eles dizendo que estavam estragando a maquiagem. Acho que era algum tema de animais selvagens ou algo assim. Alguns deles tinham uma textura de animais com muito brilho e pedras. Eles usavam joias caras.
Eu caminhei para dentro e lá sim eu era invisível, no meio do corre-corre e tudo mais. Joh olhou rapidamente para mim e sorriu, depois correu para o outro lado do estúdio com seus pinceis em mãos gritando, em meio a risos e reclamações e treinos de modelos.
Do nada ele apareceu ao meu lado.
- Oi, meu bem. Como você está? – Joh falou normalmente me dando um beijo na bochecha e saindo rapidamente... isso era gloss na minha bochecha?! Mas acabou voltando para uma maquiagem de chita em uma das modelos. Ele era muito bom no que fazia.
- Bem. Você parece ocupado, não vou atrapalhar. – eu comentei e ele encheu os olhos d’água. O que eu disse?!
- Pronto, querida, pode ir. – ele disse e a modelo levantou, ela estava divina. Depois ele me olhou. – Não vai dar tempo de terminar todo mundo, ele me disse que eram onze modelos... mas são dezesseis. PROXIMA!
- Calma... eu posso ajudar! – ah, claro que posso, com certeza! Eu vivo me maquiando.
- Obrigado, meu bem, sei das suas intenções...
- O que foi?! –Luke apareceu de novo mexendo no celular. – O que está errado, como as coisas estão aqui?! As bebidas estão bem servidas? Eles...
- E eu lá tenho tempo de beber?! Eu não comi nada o dia todo correndo atrás do que aquele filho da... mãe me mandou procurar pra por nesses malditos modelos, Luke. Ele me deu a lista hoje! E me disse que eram onze modelos, aqui tem dezesseis! Não é a primeira vez que ele faz isso... é de propósito.
- Então só faça onze modelos.
- Não é você que vai ser chamado de incompetente.
- Não foi sua culpa.
- É meu nome que está na reta, quem você acha que os estilistas vão ouvir? Um estilista que diz que eu sou incompetente e que não cumpri meu trabalho, ou o pobre maquiador que com certeza vai dizer que a culpa não foi dele.
- O que há de errado aqui? – um homem bem vestido de barba negra chegou durante a conversa e olhou sorrindo falso para Joh.
- Nada. – Luke respondeu a ele. — Está faltando alguma coisa?
- Não, estamos bem servidos meu bem pode sair daqui e organizar la fora, porque dos meus trabalhadores cuido eu.
De repente o clima pesou. Luke ficou encarando o cara, o cara o Luke. E eu fiquei lá, meio na minha, meio... cadê o Seth?!
- Vocês vão me deixar trabalhar ou não?! Saiam daqui, estão congestionando a passagem! – Joh disse pirando e indo ver como estava a modelo, ela havia acabado de limpar a pele.
- Claro que vamos deixar, meu tesouro. – o barbudo falou suave em direção a Joh.
Luke decidiu sair dali e o homem o acompanhou com os olhos até a saída e depois olhou para mim, confesso que fiquei com um pouco de receio, ele colocou a mão na cintura e me olhou de cima a baixo.
- E você quem é?! O que faz aqui?!
- Eu sou...
- Segurança! Tem um intruso aqui! – três homens imensos vieram na minha direção. Ah! Um deles eu conhecia, sorri pra ele e ele só pareceu confuso. Mas não estavam parando...
- É meu convidado, Badhi. – Seth disse com raiva ao homem e os seguranças recuaram, o homem colocou os dedos nas têmporas, massageando-as devagar.
- Seth, eu sei que você é estrelinha aqui, mas quantas vezes eu já não falei que pessoas de fora podem estragar o meu desfile, existem celulares hoje que podem colocar o meu desfile a perder e...
- Com ele não tem problema, pode ir praguejar lá do outro lado, se não seus modelos vão entrar bêbados na passarela.
O homem virou rapidinho e saiu. Eu não comentei nada porque... o Seth estava pronto para desfilar. Ele era algo como um tigre branco, eu acho, ele estava se roupa na parte de cima e apenas um tecido longo amarrado de um jeito diferente, com ondas, ao redor da parte debaixo, tinha brilho e maquiagem do animal em diversas partes dele.
Bom... ele estava... bem bonito. Alguns diriam de tirar o fôlego, mas eu sou amigo dele. Não digo essas coisas.
- Desculpe o babaca. – Seth disse revirando os olhos.
- Sem problemas. Eu não deveria estar aqui... por que me chamou?!
- Por que está suado?! Está calor lá fora?! Tem que contar para o Luke para ele arrumar isso...
- Não. Não é nada. É só o nervosismo.
- E o seu amigo?!
- Não pareceu.
- Entendo.
- Pronto. PRÓXIMA! – Joh gritou e a modelo levantou-se.
- Que trabalho horrível é esse?! – o barbudo disse sobre a modelo que acabara de levantar. – Eu disse que queria brilho por toda as costas dela, Joh!
- Não vai dar tempo de fazer todo mundo! – ele gritou com o homem
- Então na se comprometa com um trabalho que você não pode fazer!
- Você me deu cinco modelos a mais, vagabundo!
- Do que você me chamou?! Sua putinha de camarim!
- Opa, estamos descendo o nível! – Seth me disse ao meu lado, parecia se divertir.
- Putinha essa que você não conseguiu provar!
- Eu adoro a véspera do desfile. Acontece de tudo. Hoje até que está calmo. – Seth disse de novo ao meu lado. Minha nossa! Deve ser um caos trabalhar aqui...
- Eu não trabalho mais para esse filho da puta. – eu olhei para trás e Luke estava lá de novo, mas olhava para a cena muito chateado.
Entre os muitos cochilos dos modelos e da staff do evento o homem barbudo apenas sorriu e desistiu.
- Só quero todos prontos em quinze minutos, meu desfile vai começar em quinze minutos, Joh. E é melhor que meus modelos estejam prontos.
O homem se retirou feito uma diva.
- Filho de uma puta louca é o que ele é. – Luke saiu xingando o homem e colocou um sanduiche embrulhado em papel em cima da mesa do Joh. – Coma quando terminar. – e saiu para verificar mais alguma coisa.
- Eu acho que consigo ajudar o Joh. – eu disse ao Seth ao meu lado.
- Você acha?! – ele não parecia muito convencido, mas eu não o culpei.
Eu corri até ele, ele já tinha preparado a maquiagem de todos, só precisava dos brilhos e as joias de uma maleta aveludada. Era uma parte que exigia cuidado, para não ficar tudo louco.
- Eu posso te ajudar. – eu falei para o Joh que me olhou rapidinho.
- Você, querido?!
- Eu.
- Já maquiou antes?
- Não. Mas eu colava essas pedras nos meus trabalhos de escola. Todos diziam que era uma obra de arte. Que não parecia que um menino de cinco anos havia feito. – talvez essa não tenha sido uma boa referencia. – Eu posso terminar aquele que você reclamou e fazer outro, e vc faz os dois que faltam.
Ele não me respondeu por um tempo depois me olhou e disse.
- Eu quero mais que esse filho da mãe se exploda. Ali estão as pedras e ali as joias. Você as cola com essa pasta e vá logo, só não tente ousar demais, siga as linhas e vai ficar tudo bem.
Ok. É bom ver tanta fé em você.
Eu fui até a modelo e ela meio que me intimidava.
- Eu... sou maquiador. Vim terminar sua maquiagem. – eu disse firme.
- Joh disse que já terminou.
- Ele se enganou.
Eu comecei a pegar as pedrinhas brilhantes... bem, ela só tinha essas pedrinhas no rosto. Faltava toda as costas. Então eu comecei, no inicio eu era meio lento. Mas depois eu peguei o jeito, foi bem rápido na verdade, usei pedras maiores e menores, de tons diferentes, fazia tempo que eu não fazia trabalhos assim. Muito tempo. Eu terminei em oito minutos. Não dava para por tuuudo nas costas dela, eu fiz algo diferente.
- Eu gostei. – Joh disse aparecendo de surpresa. – Na verdade. Eu estou bem impressionado. – ele disse realmente avaliando o trabalho. – Quantos anos eles te davam artisticamente na escola?!
- Eu era um pequeno gênio nas artes.
- Acredito... próximo, aqui com ele! –Joh disse a um rapaz com uma franja sobre os olhos. – Sobre o peito, braço e barriga, Téo.
Eu entendi as instruções e comecei a pegar e colar, eu estava começando a virar uma maquina aqui.
- Então... você é? – o modelo me perguntou.
- Téo. – eu tinha que me concentrar, grandes e pequenas intercalando, ombro... no braço fia feio.. um pouco na barriga depois perto do umbigo.
- Novo maquiador?!
- Não... só uma ajudante por hoje.
- Entendi.
- Tira o olho, Brand. – Seth disse atrás de mim e o rapaz nada respondeu. Eu estava concentrado na minha obra de arte. – Mantenha a porra dos olhos em mim, Brand.
- Olhar não tira pedaço, Seth. – o rapaz falou e eu estava quase terminando. Logo Joh se juntou a mim e juntos terminamos no fim do prazo.
O barbudo saiu do camarim privado e olhou ao redor.
- Tudo pronto?! – ele perguntou pedante a Joh.
- Tudo. – ele respondeu mais pedante ainda.
- Bom. Eu vou abrir o desfile.
O homem caminhou para o inicio do palco e um homem da staff o ajudou a se compor, arrumar a roupa, etc.
- Acho melhor você ir. – Seth disse a mim e eu concordei.
- Não tem graça ver o desfile daqui. – Joh comentou sentando numa cadeira, ele estava visivelmente cansado.
- Agora coma. – Luke apontou para o sanduiche.
- Daqui a pouco, quero ver se os modelos vão...
- Agora! – o homem mandou e Joh pegou o sanduiche e deu uma pequena mordida.
Eu olhei para Seth e não encontrei como dar um abraço de boa sorte nele, ele estava todo maquiado, até em parte do rosto. E se eu estragasse a maquiagem... Joh me mataria, eu tenho certeza.
Então eu... é, consegui dar um beijo no rosto dele, acho que ele não esperava.
- Boa sorte. – eu disse e ele concordou.
Eu voltei por onde vim e aproveitei a deixa do Luke quando ele desceu da passarela. Eu o acompanhei. Segui para o meu lugar e esperei o desfile começar. O homem chato falou sobre sua coleção, sobre os animais e como eram preciosos, daí as pedras preciosas e blá blá blá.
E então tudo começou. Era legal, os modelos estavam bonitos e as pedras do Joh cintilavam mesmo como brilhante. Mas nada do Seth... ele foi o ultimo.
Eu confesso que fiquei meio surpreso quando o vi. Ele tinha um ar totalmente diferente quando estava ali, desfilando. Era mais maduro, sexy e com certeza bem profissional. Eu ouvia vários suspiros a minha volta e então os olhos amendoados me encontraram na multidão.
Foi tão estranho, meu coração deu um pulo e começou a bater mais rápido. Nossa. Foi... diferente, eu não senti isso antes, só nas minhas ansiedades. Acho que foi a intensidade com que ele me olhou. Eu não sei...
Eu sei que o desfile acabou rápido, algumas considerações, uns gostaram outros acharam um fiasco. Eu fiquei esperando lá onde eu estava, os modelos iam interagir com o publico depois do desfile, eu imaginei que devia ser uma boa oportunidade de conseguir emprego.
Todos voaram em cima dos modelos. E ai saiu o Seth. A multidão voou em cima dele, eu achei que ele devia estar sufocado cercado de tanta gente. Muito flashes, muitas conversas e depois ele foi mais esquecido. Nem tanto sempre tinha alguém conversando, ou se exibindo com ele.
Eu... não gostei, eu me senti distante dele e mais uma vez meu coração pesou. Apertou no peito. Eu sei que era egoísmo, mas eu queria que ele viesse falar comigo. Eu queria... pela primeira vez em tempos ser notado. E era com o Seth.
Ele terminou de dar um sorriso a uma mulher de preto e me olhou. Acenou e pediu licença. Veio até mim e parecia o mesmo de sempre, isso era legal... acalmou minha ansiedade pelo menos.
- E aí o que achou? Eu arrasei. Eu sei. – ele disse totalmente convencido.
- Foi bonzinho.
- Bonzinho? Eu fui perfeito, já recebi muitos elogios e propostas de novos trabalhos. Quem sabe fora do país.
Fora do país.
- Ah. – eu disse meio apático. Ele apenas sorriu para mim.
- Não se preocupe, eu pretendo levar você comigo. – ele disse brincando. Suponho. Eu sentira falta dele se ele decidisse ir embora. Ele não ia mesmo ia?! – Então, a gente está indo comemorar. Eu o Joh, o Luke e a galera toda. Vim te buscar.
- Eu não sei se...
- É uma boa forma de interagir. Você já sabe o que eu faço, com quem eu trabalho e onde eu trabalho. Notou isso?!
- É. Foi legal.
- Joh disse que vai te pagar quantas bebidas você quiser, como pagamento por você ter ajudado.
- Não precisa...
- Ah. Não é nada, ele recebeu bem pelo trabalho. Vamos, eu te deixo em casa depois.
Eu decidi ir. Sabe, eu queria ficar com o Seth essa noite depois de levar um cano do Alex. Parecia legal e divertido. Pessoas legais iam estar lá.
Voltamos para o camarim, alguns decidiram ir para a Red Star, a melhor boate da cidade, o meu grupo decidiu ir para um barsinho menor. Eu fui com o Seth, o Luke e o Joh, que foi xingando o estilista barbudo o caminho inteiro!
Era um barsinho legal, fechado, com um palco onde uma garota cantava muito mal e muito bêbada Time After Time, apontava para um homem que também estava meio bêbado e batia palmas muito longe do ritmo da musica. Éramos nós quatro e mais cinco modelos e três pessoas da staff. O resto preferiu a boate. Sentamos em uma mesa e eu ouvi todos os tipos de histórias ali.
- Então, meu bem, eu vou pagar suas bebidas, peça o que quiser. – Joh disse olhando o cardápio junto com Luke. Hm... eu não vou perguntar de novo para eles. Eu preferi perguntar ao Seth. Me aproximei do loiro ao meu lado e cochichei.
- Eles são um casal agora? – Seth olhou para os dois a minha frente.
- Não. Lembra que eu disse que o Luke é complicado?!
- Mas...
- Depois a gente conversa sobre isso. É muito delicado.
- Ok.
- Então. Você tem cara de quem bebe absinto. – Joh disse olhando para mim. Sério?!
- Eu quero uma água de coco. – eu disse e me sorriu para mim.
- Traga uma dose de vodka para o rapaz. Meu bem, viemos aqui para comemorar.
Ok... eu bebi duas doses de vokda e já me sentia mais feliz e desinibido. Seth bebeu uma dose de vodka para me acompanhar, uma de tequila, uma taça de champanhe e o que sobrou da garrafa e agora terminava o rum de alguém que havia desistido.
Eu sou amigo de um alcoólatra?
No momento a gente estava assistindo o Joh subir no palco e cantar a música a qual ele foi desafiado: I Will survive. E ele deixou os desafinados no chinelo. Mas como ele estava meio bêbado ele meio que desabafou no fim.
- É, pois é! Aquele filho de uma porta não conseguiu me arruinar. Você viu Luke! Ele fez de tudo para que eu não conseguisse maquiar toooooodo mundo. Mas eu consegui!
- É, você conseguiu, seu bêbado. – Luke disse se levantando da mesa para ir buscar o Joh no palco, ele ainda segurava o microfone.
- Ele queria um pouco dessa bunda, mas ele nãããããããooooo conseguiu!
- Não, não conseguiu. – Luke disse diante do palco baixo. – Agora pule nos braços do fã. Vamos!
- Uhuuuuuuuuuu!!! Rock’n Roll!!! – ele gritou e pulou nos braços do Luke.
O organizador de eventos entregou o microfone para uma modelo cantar I don’t wanna talk about it. Ela era desafinadíssima e ainda estava bêbada, e a musica ainda a fez chorar e mais outras pessoas que estavam lá também.
- Nossa. Que deprê. – Seth disse ao meu lado. Até eu estava triste. As vezes eu pensava que o Ace nunca ia me notar. – Só cabe a nós salvar a noite! Tipo, os super heróis do bar. – continuou e me puxou da minha cadeira.
Eim, o que?! Cantar?! Eu?! Nunnnnnnnnnnca mais fiz isso. Nem no chuveiro. Ele folheou o livro e olhou as músicas.
Mas eu escolhi qual íamos cantar, uma das minhas preferidas. Seth informou a banda e eu olhei para frente.
Eu travei. Eu estava em cima de um palco e as pessoas estavam sorrindo para mim. A maioria bêbadas, mas ainda assim... eu comecei a suar frio. Elas começaram a falar de mim. Eu via, elas cochichavam e era sobre mim, estavam com pena de mim.
- Téo?! – Seth olhou para mim com um olhar meio bêbado, mas preocupado. – Você está bem? Você está branco.
- Eu... quero descer.
- Hã?!
- Quero sair daqui.
- Ah, isso é só timidez e nervosismo antes do show, todo grande músico sente isso!
- Eu quero sair.
- Certo, vamos tentar assim. Você vai olhar só para mim e nós vamos cantar um para o outro, vai ser tão ruim que ninguém vai prestar atenção na gente, certo?! – ele riu depois disso e eu também, até que eu relaxei um pouco, não sei se o álcool ajudou.
Nós cantamos Living on a Prayer.
Ele começou...
“Tommy used to work on the docks
Union's been on strike”
E Seth era mesmo péssimo cantando. Mas a performance era ótima, também o manequim ajudava, com todas aquelas tatuagens e brincos, o Seth se sentia O roqueiro. Mas era divertido. Ele cantou olhando para mim o tempo inteiro... acho que para que eu não ficasse nervoso. Nós cantamos juntos...
'Cause it doesn't make a difference
If we make it or not
We've got each other and that's a lot
For love — we'll give it a shot
Eu tive o meu solo…
Tommy got his six string in hock
Now he's holding in what he used
To make it talk — so tough, it's tough
Gina dreams of by Text-Enhance\\\">running away
When she cries in the night
- Então você sabe cantar?! – ele perguntou no meio da minha parte... bem, eu tive umas aulas.
Do meio pro fim eu já estava mais animado, acho que o álcool finalmente me pegou. Ele pulava e eu também... mas eu sempre achei mais interessante olhar para o Seth.
Acabou e nós arrasamos, até a banda nos aplaudiu. Foi muito legal, ele me abraçou e me levantou do chão. Ok, eu queria descer, eu estava bêbado e ele também, o risco de uma queda era grande, mas ele me desceu direitinho e continuou me abraçando.
Era bom, era quente. Eu estava gostando do momento, mas aí...
Nós ouvimos do palco, no meio de todas as pessoas rindo e falando alto. Um cara chegou na nossa mesa e sentou de frente a Joh, que brincava com os copos de bebidas. Ele disse...
- Também, quem não ia querer um pedaço? – o cara flertou na cara lavada com Joh que só ficou processando a informação.
- Eu também acho! – Joh disse apontando para o cara. – É... quem não ia querer.
- Dê o fora. – o Luke disse para o cara que não gostou do tom usado com ele.
- Não, a não ser que o loirinho aqui mande. – respondeu apontando para o Joh.
- Obrigado pelo elogio, mas você não vai conseguir nada comigo. – Joh disse apontando para várias direções.
- Pense bem, belezinha. – o homem disse tocando o queixo de Joh.
Luke apenas afastou a mão do cara.
- Ele já mandou você ir embora.
- Quem você pensa que é, idiota. – o homem levantou e a galera da mesa dele também.
- Ah, merda. – o Seth disse começando a ir na direção da nossa mesa.
- Não. – eu disse e tentei segurar ele ali, se ia ter briga eu não queria que...
Mas foi tudo tão rápido, o cara esmurrou o Luke, o Luke revidou, o Joh tentou parar ele, mais dois caras estavam indo se juntas ao homem estranho e o Seth foi para lá, logo ele estava no meio da briga e eu não sabia o que fazer... tava tudo indo tão bem, era o Luke o Seth e mais dois rapazes da staff brigando com essas caras grandes. O Joh Gritava e tentava separar todo mundo.
Acho que eu vou tentar fazer isso também, a boca do Seth e o nariz estavam sangrando! Ele é louco! Se deixar sequelas, se ele desmaia... e o corpo dele é seu ganha pão.
Foi o timer perfeito. Três caras de preto entraram no bar e logo foram apartar a briga... eu conhecia aqueles caras. Isso não era bom... Não era nada... bom.
Ace apareceu na porta com mais dois seguranças atrás dele. Eu podia ver a raiva surgindo em seu rosto, mas logo foi controlada e em seguida ele me viu.
Ele não precisava me olhar duas vezes. Eu segui para onde ele estava e procurei ver se o pessoal estava bem. O Luke estava bem abatido e os caras também, o Seth continuava com aqueles dois machucados.
Ele me pediu desculpa com o olhar. Eu entendi. Não foi culpa dele, ele foi ajudar um amigo. Mas ele não parecia muito feliz quando olhou para o Ace.
- Para o carro Téo. – o Ace me disse com uma voz controlada. Então eu comecei a me explicar.
- Sabe, o que aconteceu, foi engraçado, eu posso explicar,a gente...
- Para o carro Téo.
- Mas eu só ia...
- Agora! – ele me disse mais firme e eu achei melhor obedecer.
Eu entrei no carro e ele ficou lá dentro mais alguns instantes. Essa espera me matava. Depois da eternidade, Ace veio para o carro, junto com os seguranças. Alguns entraram em outro carro e Ace sentou no banco comigo.
O carro começou a andar e ele não disse uma palavra. Ele silêncio me matava. Eu queria saber se o Seth estava bem, eu queria saber se o Ace estava com raiva de mim. Com certeza ele estava. Mas não foi culpa minha! Não foi culpa nossa!
- Posso explicar o que aconteceu? – ele não respondeu. – Eu fui convidado para ver o desfile do Seth, ajudei com a maquiagem e depois a gente veio par ao bar e tudo ficou triste, ai a gente cantou Bon Jovi e todos gostaram, aí o Joh foi paquerado e o cara brigou com a gente...
- Com a gente não. Com eles.
- Então, não foi culpa...
- Téo eu vou pedir uma coisa e eu espero que você faça. – o Ace disse sem me olhar, o que foi que eu fiz, eu o chateei?!
- Aham. Pode pedir.
- Não quero que veja mais esse rapaz. Entendeu?!
- Quem?
- Esse Seth.
- Mas... não foi culpa dele.
- Ainda assim ele estava no meio da briga. Colocou você em risco... e se aqueles caras tivessem vindo para cima de você e não dele?!
- Mas foi ele quem foi parar os caras!
- Então ele queria brigar. – não, não foi isso que eu quis dizer. Eu sentia o nó na minha garganta começar e meus olhos marejarem.
- Não, ele não quis, ele só...
- Pôs você em risco. Sabe que esse rapaz é um delinquente, certo?! Ou ele não contou para você?!
- Eu... também não conto as coisas para ele, não tenho direito de pedir de volta. Mas eu sei que ele teve alguns problemas, mas ele é uma boa pessoa e realmente evita esse tipo de encrenca.
- Eu percebi. – ele disse sarcástico. – Não quero que o veja mais.
- Mas eu gosto de ficar com ele. – eu tentava fazer com que ele me olhasse e ele finalmente o fez. Suspirou e me encarou.
- Ou você me obedece ou vai voltar para casa e pras asas da sua mãe antes do combinado. Entendido?!
Eu fiquei sem saber o que fazer. Ele falou sério. Bem sério, e eu não lembro a ultima vez que o Ace falou assim comigo. Eu percebi as lágrimas embaçarem a minha vista e ele olhou para outro local. Mal percebi que chegamos a pensão.
- Ace... você sabe quantos amigos eu tenho?! – minha voz saiu falhada e eu comecei a chorar. Ah, droga, com certeza ele não ia gostar de um chorão.
Ele ficou calado um instante
- Ele não é uma boa influência para você. Você vai acabar se machucando e eu não posso deixar que isso aconteça. Afaste-se dele. Ok?! Ou nosso acordo já era. — eu limpei meu nariz na roupa, enxuguei meus olhos rápido e saí do carro. – Eu não quero que você me odeie Téo. – ele completou saindo do carro junto comigo.
Eu não podia ficar com raiva dele, eu não estava com raiva dele, ele quem estava chateado comigo... mas ele tinha conseguido me magoar.
Eu não ia mais poder ver o Seth?!
Eu comecei a chorar de novo e entrei em casa, Léo estava lá embaixo e Eros também, eu não queria conversar, eu não queria abraço nem conforto de ninguém. O Cody apareceu para me ver... conversamos um pouco.
Por mais que custasse admitir, o fato de me separar do Seth doía mais do que o pensamento do Ace estar chateado comigo.
Fale com o autor